Opiniões

Tudo que disseram à Folha FM os 11 candidatos a prefeito de Campos

 

Campos e a cidade que Dr. Bruno Calil, Betehoven, Jonathan Paes, Roberto Henriques, Professora Natália, Caio Vianna, Cláudio Rangel da Boa Viagem, Odisséia, Rafael Diniz, Wladimir Garotinho e Tadeu Tô Contigo querem governar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

“Em tempos de pandemia e não havendo o debate direto entre os candidatos a prefeito, a população de Campos agradece ao grupo Folha da Manhã a oportunidade de conhecer estes mesmos candidatos, bem como as suas propostas através destas belíssimas entrevistas individuais. Muito obrigado. É a Folha prestando um serviço inestimável à população campista”. Foi o que registrou na manhã de ontem (20) um telespectador do streaming ao vivo do programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, na entrevista (confira aqui) com Tadeu Tô Contigo (Republicanos). Ele encerrou a primeira rodada de sabatinas da rádio com os 11 candidatos a prefeito de Campos, que será reiniciada (confira aqui) a partir das 7h15 desta quinta (22) com o candidato Dr. Bruno Calil (SD).

Na verdade, para além de entrevistas individuais, os 11 prefeitáveis de Campos terão pela frente a chance de três debates entre eles. O primeiro, nesta segunda (22), é uma iniciativa da (confira aqui) associação Comerciantes e Amigos da Rua João Pessoa e Adjacências (Carjopa), a partir das 20h, no Automóvel Clube Fluminense. O segundo será promovido virtualmente (confira aqui) em 5 de novembro, também a partir das 20h, pelo Fórum Institucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc), com transmissão ao vivo pela Folha FM 98,3 e PlenaTV. O terceiro foi anunciado hoje (confira aqui) para 11 de novembro pelo jornal Terceira Via, do Grupo Imne, ainda sem informação de horário, no Centro de Convenções da Uenf.

 

Advertência feita no painel com os gestores universitários Edilbert Pellegrini, Inês Ururahy e Jefferson Manhães de Azevedo, que seria repetida por vários outros dos 34 representantes da sociedade civil organizada 

 

Nas sabatinas particulares da Folha FM, todos os 11 candidatos tiveram e terão o mesmo espaço, com a entrevista dividida nos mesmos três blocos temáticos: 1) crise financeira do município e alternativas (confira a série da Folha da Manhã sobre o tema, publicada entre 18 de julho e 26 de setembro, aqui, aqui, aquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui); 2) eventuais contradições do candidato e da candidatura; e 3) propostas de governo. A ordem das entrevistas foi definida mediante sorteio (confira aqui) desde 28 de setembro, acompanhado virtualmente pelos representantes das 11 candidaturas. E será mantida na segunda rodada de entrevistas, que será encerrada em 6 de novembro, a nove dias das urnas.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Enquanto as entrevistas da Folha FM com os 11 candidatos não recomeçam nesta quinta, confira abaixo os vídeos, em ordem cronológica, com que os mesmos 11 já disseram na primeira rodada da rádio mais ouvida da cidade e da região. Que pode, desde já, ajudar na formação de opinião dos mais de 307 mil eleitores aptos a votar a prefeito de Campos em 15 de novembro:

 

DR. BRUNO CALIL (SD) – 05 DE OUTUBRO

 

 

 

 

 

 

BEETHOVEN (PSDB) – 06 DE OUTUBRO

 

 

 

 

 

JONATHAN PAES (PMB) – 07 DE OUTUBRO

 

 

 

 

 

ROBERTO HENRIQUES (PCdoB) – 08 DE OUTUBRO

 

 

 

 

 

PROFESSORA NATÁLIA (PSOL) – 09 DE OUTUBRO

 

 

 

 

 

CAIO VIANNA (PDT) – 13 DE OUTUBRO

 

 

 

 

 

CLÁUDIO RANGEL DA BOA VIAGEM (PMN) – 14 DE OUTUBRO

 

 

 

 

 

 

ODISSÉIA (PT) – 15 DE OUTUBRO

 

 

 

 

 

RAFAEL DINIZ (CIDADANIA) – 16 DE OUTUBRO

 

 

 

 

 

WLADIMIR GAROTINHO (PSD) – 19 DE OUTUBRO

 

 

 

 

 

TADEU TÔ CONTIGO (REUBLICANOS) – 20 DE OUTUBRO

 

 

 

 

Nesta segunda, Carjopa também faz debate entre candidatos a prefeito de Campos

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Em um município de mais de 507 mil habitantes, entre eles mais de 360 mil eleitores aptos a votar em novembro, a queixa pela falta de debates entre os 11 candidatos a prefeito de Campos era uma constante, após o cancelamento dos tradicionalmente promovidos pela InterTV e Record. Mas a demanda democrática dos campistas em assistir a apresentação das propostas de governo cada candidato, além do enfrentamento retórico entre eles, será atendida. Além do debate virtual que será promovido (confira aqui) em 5 de novembro pelo Fórum Institucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc), um debate presencial entre os prefeitáveis foi marcado pel associação Comerciantes e Amigos da Rua João Pessoa e Adjacências (Carjopa). Ocorre já nesta próxima segunda, 26 de outubro, a partir das 20h e previsão de se estender até às 23h, no Automóvel Clube Fluminense. E será transmitido ao vivo pelas redes sociais.

O modelo do debate está sendo definido pela Carjopa. Mas, a princípio, serão quatro blocos, dois com temas livres e dois com temas previamente escolhidos, com perguntas e respostas entre dois candidatos. A pergunta teria que ser formulada em 30 segundos, com 1 minuto e meio de resposta, mais um minuto de réplica e um minuto de tréplica. Cada prefeitável poderá levar no máximo até três assessores ao debate. Cidade tradicional tanto por seu comércio na rua João Pessoa, quanto por sua vida política ativa, a união de ambos em nome do exercício da democracia em Campos é uma inciativa louvável.

Assim que for finalizado o regulamento do debate da Carjopa entre os candidatos a prefeito de Campos, ele será publicado no blog.

 

Debate do Fidesc entre candidatos a prefeito de Campos na Folha FM e PlenaTV

 

(Arte: IFF e Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Está confirmado. Não só o debate entre os 11 candidatos a prefeito de Campos dos Goytacazes (anunciado aqui) em 5 de novembro, a partir das 20h e com previsão de ir até às 23h, promovido pelo Fórum Institucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc). Como também sua retransmissão ao vivo pela Folha FM 98,3, com streaming na página da rádio no Facebook, além Plena TV, nos canais 181 e 406 (em HD) na NET, canal 3 na VerTV, canal 24 na Blue e canal 24 na SFnet. O sinal será gerado a partir do canal de YouTube do Instituto Federal Fluminense (IFF) e será retransmitido também pelo Centro Universitário Fluminense (Uniflu), através da sua Rádio Educativa 107,5 FM.

Em um ano atípico por conta da pandemia da Covid-19, será também a primeira eleição municipal sem coligações para as nominatas de vereador. O que gerou o número recorde das 11 candidaturas a prefeito de Campos, trazendo dificuldades logísticas para a realização do debate no primeiro turno da eleição majoritária. E levou a InterTV e a Record a cancelarem a reedição dos debates que promoveram em Campos nos pleitos passados. Neste hiato, a importância do debate virtual promovido pelo Fidesc, a 10 dias das urnas de 15 de novembro, tem sua importância reforçada para formação de convicção dos mais de 360 mil eleitores aptos a votar no município.

Com a retransmissão ao vivo do debate do Fidesc com os 11 candidatos a prefeito de Campos, a Folha FM 98,3 e a Plena TV, dois veículos de comunicação do Grupo Folha, reforçam seu compromisso com a democracia goitacá. Como o sinal do debate gerado pelo IFF e Uniflu está franqueado a todos as demais emissoras de rádio e TV a cabo de Campos, seria interessante que todos também demonstrassem o mesmo compromisso democrático com seus ouvintes, telespectadores e eleitores.

Independente de quem for eleito prefeito em novembro, para saber o que o aguarda a partir de 1º de janeiro de 2021, com reflexo direto na vida dos mais de 507 mil campistas, necessária a leitura da série de 11 painéis promovidos pela Folha sobre a grave crise financeira do município. Que, na busca de análise e alternativas, reuniu especialistas das áreas de economia, finanças, direito, jornalismo, ciência política, antropologia e sociologia, líderes sindicais e empresários, além de gestores universitários do próprio Fidesc, entre os 34 representantes da sociedade civil organizada ouvidos de 18 julho a 26 de setembro. Confira o resultado aqui, aqui, aquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui.

Abaixo, confirma as orientações estabelecidas pelo Fidesc ao debate ao vivo, a partir das 20h de 5 de novembro, entre os 11 candidatos a prefeito de Campos:

 

ORIENTAÇÕES GERAIS PARA OS CANDIDATOS

 

  

1 – O debate acontecerá no dia 05 de novembro de 2020, às 20h, com transmissão pelo canal oficial do IFFluminense no YouTube, no endereço https://www.youtube.com/ifftubeoficial.

 

2 – A sala virtual será aberta às 18h do dia 05 de novembro de 2020. Os candidatos deverão entrar na sala de reunião virtual até às 18h30 e seus assessores poderão representá-los até às 19h30. Nesse período, serão efetuados os sorteios relativos à ordem de fala dos candidatos no debate, ao posicionamento das câmeras e ao teste dos microfones, bem como serão dadas as orientações necessárias relativas aos procedimentos e às atividades do debate;

2.1 – O candidato ou assessor que entrar com atraso na sala virtual do debate estará de acordo com o sorteio e as deliberações já conciliados entre os presentes;

2.2 – O candidato deverá, obrigatoriamente, estar presente na sala virtual até às 19 horas e 30 minutos do dia 05 de novembro de 2020. A entrada do candidato na sala virtual com menos de 30 minutos de antecedência do horário de início do debate inviabiliza a sua participação.

 

3 – Os candidatos se comprometeram em participar, no dia 30 de outubro de 2020, de um teste de 30 minutos, para ajustar a sala virtual do debate, adequar a câmera, microfone e outras orientações necessárias relativas aos procedimentos e atividades do debate. Serão feitos agendamentos individuais, pelo e-mail [email protected]. O candidato tem até o dia 23 de outubro de 2020 para fazer seu agendamento. O teste, no dia 30 de outubro de 2020, seguirá a ordem do agendamento e acontecerá das 10h às 18h30. Os candidatos podem estar representados por seus assessores no dia do teste. O teste deve ser realizado no mesmo ambiente, com os mesmos equipamentos, provedor de internet e demais estruturas que o candidato julgar necessárias e que utilizará no dia do debate;

3.1 – A ausência do candidato ou de seu assessor no teste, dia 30 de outubro de 2020, inviabiliza sua participação no debate.

 

4 – A equipe do IFFluminense enviará as instruções de caráter mais técnico sobre o debate para os candidatos até o dia 23 de outubro de 2020.

 

5 – É de inteira responsabilidade do candidato estar num ambiente sem ruídos, com microfone e câmera de boa qualidade e uma conexão de internet que se mantenha estável durante todo o debate;

5.1 – Se o candidato perder sua conexão durante o primeiro, segundo e quarto blocos do debate, será permitido o seu retorno, caso sua conexão consiga ser restabelecida antes do encerramento desses blocos. Nesse caso, o candidato terá vez de fala ao final da ordem das falas dos demais candidatos. No terceiro bloco, dedicado aos debates entre os candidatos, não será permitido o retorno ao bloco caso o candidato perca sua conexão;

5.2 – No terceiro bloco, o tempo de fala do candidato que estará debatendo com o candidato que perder a conexão será preservado.

 

6 – Haverá uma Comissão Técnica de fiscalização e assessoramento para presidir todos os trabalhos durante o debate. O moderador, jornalista Mozarth Dias (Uniflu), terá o apoio da comissão de assessoria do debate para dirimir quaisquer dúvidas de encaminhamento dos trabalhos durante o debate, assim como para analisar o direito de resposta alegado por qualquer um dos

 

7 – A Comissão assessora será soberana quanto ao direito de resposta.

 

8 – O direito de resposta será dado quando se caracterizarem ofensas pessoais, após análise da comissão responsável pela condução do debate. O direito de resposta, quando acatado pela comissão, possibilitará ao candidato ofendido tecer suas considerações em 1 minuto, no início do bloco seguinte.

 

9 – Somente nos intervalos entre os blocos do debate, os candidatos poderão manter contato com seus assessores. Esses intervalos, já estão previamente definidos, serão entre o segundo e o terceiro bloco, no meio do terceiro bloco e entre o terceiro e o quarto bloco do debate, com cinco minutos de duração cada intervalo.

 

10 – As instituições participantes do Fidesc poderão reproduzir, na íntegra, o teor do debate em seus ambientes internos;

10.1- A transmissão será realizada no canal oficial do YouTube do IFFluminense, no endereço https://www.youtube.com/ifftubeoficial;

10.2- As emissoras de rádio e televisão que desejarem retransmitir o debate deverão utilizar o  sinal do canal no link acima mencionado para a retransmissão.

 

11 – Na sala de reunião virtual, só será permitida a entrada dos candidatos, do moderador, da comissão de assessoramento e da equipe técnica do IFFluminense que cuidará da operacionalização do debate.

 

12 – De acordo com a Legislação, com 2/3 dos candidatos confirmados o debate irá acontecer.

 

Promotor eleitoral Victor Queiroz fala nesta quarta no Folha no Ar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Concluída hoje a primeira rodada de sabatinas com os 11 candidatos a prefeito de Campos, o Folha no Ar recebe a partir das 7h15 desta quarta (21), na Folha FM 98,3, o promotor eleitoral Victor Queiroz, titular da 129ª Zona Eleitoral de Campos. Ele falará sobre o cerco à operação Lava Jato e seu decreto de “morte” (relembre aqui) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), sobre a fiscalização eleitoral das eleições municipais de 2016 a 2020, além de projetar o trabalho que terá pela frente até as urnas de novembro.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook. A partir das 7h15 desta quinta (22), a rádio mais ouvida de Campos inicia sua segunda rodada de sabatinas com os 11 candidatos a prefeito da cidade. Em ordem sorteada em 28 de setembro (confira aqui), com a presença virtual dos representantes das 11 candidaturas, o primeiro que retorna ao Folha no Ar é o Dr. Bruno Calil (SD).

 

Lula, Bolsonaro, Piupiu, Frajola e o Pateta no Mercado Municipal de Campos

 

Lado a lado, Lula e Bolsonaro, acompanhados do Pipiu, do Frajola e do Pateta, no Mercado Municipal de Campos (Foto: Leda Lysandro)

Psicóloga, servidora municipal, oficial do Corpo de Bombeiros, politicamente progressista e amiga querida, a Leda Lysandro fez um registro fotográfico interessante na última quinta (15). No Mercado Municipal de Campos, um ambulante vendia toalhas, expondo uma estampada com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outra do atual, Jair Bolsonaro (sem partido). Ao lado, também eram estendidas uma toalha do Piupiu e do Frajola, e outra de personagens da Disney, tendo ao centro o Pateta. Leda disse que lembrou de mim quando fez a foto, e pediu uma análise. Que tento abaixo, neste domingo de raro descanso em tempos de eleição municipal.

A primeira análise é a mais óbvia: a apropriação que o capitalismo faz de qualquer ícone pop. Pode ser de um líder político de esquerda, mais próximo em tese ao socialismo. Mas que só chegou ao poder, em 2002, após acenar ao mercado — não o Municipal de Campos — com a sua “Carta aos Brasileiros”. E pode ser também de um líder político de extrema-direita que sempre foi um estatista em seus 30 anos de vida parlamentar. Mas que, para chegar ao poder em 2018, teve que se vender como “liberal”, conquistando o voto daqueles que dizem sê-lo sem aspas — a despeito de serem eleitores de memória política seletiva, desinteligentes, ou ambos.

Outra semelhança inegável entre Lula e Bolsonaro, apesar da aparente diferença do conteúdo, está na forma do discurso. Os dois falam a linguagem do frentista do posto. Atingem as camadas populares de forma direta, sem a “tecla SAP” necessária a oradores superiores, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ou o ex-governador cearense Ciro Gomes. Ademais, os dois primeiros marcaram bem a mudança da linguagem da propaganda política no Brasil. Dos programas eleitorais caríssimos e hollywoodianos dos marqueteiros que ajudaram a eleger Lula (e Dilma), para a mesa de café de Bolsonaro, sem toalha de mesa ou sousplat, em tosco doloso e fake para refletir a suposta naturalidade das filmagens de celular das redes sociais.

 

Das campanhas eleitorais de 2010, com Lindbergh, Lula, Dilma e Cabral, e de 2020, abraçado a Bolsonaro, Crivella é uma bússola das tentativas do Executivo Federal, à esquerda ou à direita, de se aproximar do voto de cabresto evangélico

 

Em outra semelhança, Lula e Bolsonaro são populistas. E populares. Mas, cada qual a sua maneira, apresentam adaptações tupiniquins da realpolitik do alemão Otto von Bismarck. Para poderem governar, fazem aliança no Congresso com o fisiologismo do Centrão — carimbada pela mesma falta de pudor do dinheiro público que continua desviado dentro de cuecas. Como os dois também tentam se aproximar do eleitorado de cabresto evangélico, tomando benção a charlatães da fé como Edir Macedo. Cujo sobrinho e atual prefeito do Rio, Marcello Crivella, foi ministro da Pesca de Dilma. Antes do Republicanos do tio abrigar os filhos do clã Bolsonaro, saídos do PSL com o pai, após briga mesquinha pelo controle das verbas públicas do fundo partidário.

 

 

Apesar do pragmatismo político, Lula e Bolsonaro não têm constrangimento em estimular o radicalismo, sempre que julgam necessário. Pais e filhos do maniqueísta “nós contra eles”, os dois o ministram como sal dado no coxo ao gado, para manter a unidade das suas bases ideológicas e orgânicas. São aqueles que o próprio Lula alcunhou de “aloprados”. Que, durante os 13 anos do PT no poder, chamavam de “coxinha” e “fascista” qualquer um que ousasse criticar as várias contradições do lulopetismo. Como hoje são as tias e tios do WhatsApp. Que classificam de “mortadela” e “comunista” qualquer um que ouse criticar as muitas idiossincrasias do bolsonarismo. Na impossibilidade lógica de estarem ambos certos, valem a um lado e ao outro também os versos de Herbert Vianna: “E o mal está nos olhos de quem vê/ O grande monstro a se criar”.

 

 

Por fim, Lula e Bolsonaro têm inimigos comuns. Os dois maiores, declarados, são a operação Lava Jato e seu ícone, o ex-juiz federal Sérgio Moro. Cuja máscara — e isenção necessária ao exercício da magistratura — caiu de vez quando ele liberou a delação do ex-ministro petista Antonio Palocci, a seis dias do primeiro turno presidencial de 2018, que não tinha aceito no julgamento da ação penal, mas usou para influenciar as eleições. Isso, antes de aceitar ser ministro da Justiça do principal beneficiado.

Ainda assim, foi visível a inveja emergindo das entranhas dos aloprados lulopetistas, como a cara de tacho dos “patriotas” que até pouco tempo inflavam boneco do Moro como Super-Homem, quando Bolsonaro cuspiu no prato que comeu e decretou (relembre aqui) no último dia 7: “É um orgulho, é uma satisfação que eu tenho, dizer a essa imprensa maravilhosa que eu não quero acabar com a Lava Jato. Eu acabei com a Lava Jato”. Com a conivência dos quatro cavaleiros do apocalipse no Supremo, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello. E sob o silêncio gritante do procurador-geral da República, Augusto Aras.

Sobre a foto feita por Leda no Mercado Municipal de Campos, dá para dizer que Lula e Bolsonaro são antagonistas políticos, sim.  Mas precisam um do outro, como o Piupiu do Frajola. E o Pateta é quem finge não ver.

 

Prefeito eleito em novembro assume Campos devendo R$ 17 milhões por mês

 

(Foto: Rogério Azevedo)

 

 

Ricardo André Vasconcelos, jornalista, ex-secretário de Comunicação de Camspos e servidor federal

Por Ricardo André Vasconcelos

Quem, entre os 11 candidatos que disputam a Prefeitura de Campos, assumir o cargo em janeiro de 2021, vai ter que administrar um déficit orçamentário de pelo menos R$ 200 milhões no primeiro ano, o que significa  uma despesa de R$ 17 milhões maior que a arrecadação a cada 30 dias. Para chegar a esses números, basta analisar os dados oficiais da secretaria municipal de Fazenda, publicados no Diário Oficial do Município e à disposição do cidadão no Portal da Transparência. Os números são um banho de água fria ou choque de realidade nos candidatos que insistem (confira aqui) em apresentar promessas de campanha como o retorno da passagem a R$ 1,00, entre outros, como se os cofres municipais ainda vivessem os dias de bonança que duraram até 2015.

A arrecadação prevista para o próximo ano está estimada em R$ 1,7 bilhão, mas há economistas menos otimistas e apostam em algo em torno de R$ 1,5 bilhão. E o maior quinhão, de R$ 1,1 bilhão, já está comprometido com a folha de pagamento dos servidores durante 12 meses. O que sobra já está comprometido com despesas para pagamento de serviços essenciais por ano. Como R$ 220 milhões para os hospitais contratualizados, R$ 125 milhões para pagamento de dívidas já parceladas, R$ 73 milhões do contrato para limpeza pública, R$ 40 milhões para iluminação pública, R$ 18 milhões com energia elétrica e R$ 12 milhões de água e esgoto para os prédios públicos, além do repasse obrigatório de R$ 30 milhões para a Câmara Municipal, e R$ 75 milhões para pagar funcionários contratados sob o regime de RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo), entre outras.

Só com essas despesas consideradas essenciais — veja a lista abaixo —, a administração municipal compromete pouco mais de R$ 1,8 bilhão. Só que nesta relação não entram gastos com transportes de alunos, R$ 8,3 milhões; material de consumo e limpeza, R$ 4,9 milhões; manutenção de vias, R$ 7,5 milhões; e combustível, R$ 5 milhões.  Além disso, a Prefeitura tem uma dívida, que vem sendo rolada há décadas, de aproximadamente R$ 850 milhões com o Governo Federal, sendo R$ 105 milhões com o Fundo de Garantia (FGTS) e R$ 745 milhões com o INSS.

Para pagamento dos salários dos servidores ativos, inativos e pensionistas, num total de R$ 1,1 bilhão por ano, a Prefeitura desembolsa de recursos próprios R$ 575 milhões. Os outros valores são oriundos do Previcampos, R$ 190 milhões), Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), R$ 180 milhões; Fundo Nacional de Saúde (FNS), R$ 3 milhões; fundos e receitas indiretas,R$ 800 mil) e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), R$ 150 mil.

 

 

 

Wladimir é provocado durante carreata e tem reação física. Mas nega agressão

 

 

Em carreata hoje (17) do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) como candidato a prefeito de Campos, no bairro São José, no Jardim Carioca, em Guarus, ele foi provocado e reagiu fisicamente. Tudo foi gravado por quem armou. O candidato negou que tenha agredido quem o provocou:

— Não houve agressão alguma e sequer encostei ou mirei o rosto de alguém. Isso é claro no vídeo. Foi um movimento natural pela situação. Estou com pai e mãe acamados pela Covid, mesmo assim sigo firme nas ruas — disse Wladimir.

No vídeo, o provocador é instruído por alguém fora da câmera para falar em “ladrão” e pergunta “como assim?”. Na sequência, caminhando, diz “vou tirar uma foto com ele aqui” e se aproxima da picape em cuja caçamba está Wladimir em carreata, acompanhado de apoiadores. A quem cumprimenta, é retribuído e pergunta sobre o número do candidato:

— E aí, jovem, 55?

Wladimir morde a isca e responde:

— Vamos lá, 55 na cabeça!

É a senha para o provocador revelar o “anzol”:

— Você vai roubar igual ao seu pai e sua mãe?

Wladimir abaixa sua a máscara de proteção facial, pergunta “Hã?”. E ouve a pergunta repetida:

— Você vai roubar igual ao seu pai e sua mãe? Não, né?

Após dizer mais alguma coisa, o candidato reage fisicamente, com a mão esquerda em direção ao rosto do provocador, sendo contido por um apoiador.

 

Confira abaixo o vídeo:

 

 

Em artigo de análise da corrida pela Prefeitura de Campos, publicado hoje, foi alertado (confira aqui): “se a eleição de 15 de novembro fosse hoje, salvo o imponderável, não há aposta desapaixonada que indique Wladimir Garotinho fora do segundo turno de 29 de novembro”.

Pois o “imponderável” surgiu em sua forma mais previsível. E, na provocação mais boba do mundo, o candidato caiu. Embora o vídeo tenha viralizado desde o final da manhã nas redes sociais, não deve ser nada que altere a disputa eleitoral. Ainda mais em um país que, infelizmente, parece já ter se acostumado aos destemperos habituais do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Todavia, como o episódio certamente será explorado na campanha pelos adversários do filho do casal Garotinho, todos igualmente passíveis de serem ou terem os pais ofendidos por provocadores, Wladimir precisa ter mais inteligência emocional. E fazer prevalecer a característica pessoal que sempre o distinguiu positivamente do pai: o equilíbrio.

Quem quer que seja eleito prefeito de Campos em novembro, ele ou ela vai encontrar, a partir de 1º de janeiro de 2021, problemas muito mais sérios (confira o tamanho da encrenca aqui, aqui, aquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui) que uma provocação de rua.

 

Atualizado às 13h55 para acrescer a postagem do contraditório de Wladimir.

 

Prefeito de Campos entre apostas e promessas a eleitor com Alzheimer

 

(iStock – Getty Images)

 

 

Com muitas pesquisas, mas poucas registradas, não há critério estatístico para se avaliar a corrida pela Prefeitura de Campos. Mas se a eleição de 15 de novembro fosse hoje, salvo o imponderável, não há aposta desapaixonada que indique Wladimir Garotinho (PSD) fora do segundo turno de 29 de novembro. Segundo essas mesmas apostas, de quem conhece os bastidores da política goitacá, a briga mais acirrada hoje seria pela segunda vaga. Que estaria sendo disputada por Caio Vianna (PDT), ainda com vantagem, mas encurtada pela força da campanha de Dr. Bruno Calil (SD), comandada (confira aqui) pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD).

 

Wladimir Garotinho, Caio Vianna, Bruno Calil e Rafael Diniz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

As casas de aposta não desprezam a força da máquina municipal, a despeito da grande rejeição pelo desgaste de um governo em grave crise financeira — que é o principal problema de Campos (confira a série sobre o tema aqui, aqui, aquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui) e independe do resultado das urnas. Mas, até elas, não se deve subestimar o carisma, a empatia e a capacidade oratória de Rafael, que talvez só tenha libertado essas virtudes da “prisão” do Cesec muito tarde. Como não pode ser desprezada a possibilidade de Tadeu Tô Contigo (Republicanos) ganhar impulso, caso seu “voto de cabresto” da Igreja Universal ganhe o apoio explícito e “laico” dos filhos de Jair Bolsonaro (sem partido) abrigados na legenda de Edir Macedo.

 

Tadeu terá o apoio do senador Flávio Bolsonaro e do vereador carioca Carlos Bolsonaro em sua campanha? (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Claro, sem pesquisas registradas, tudo são meras apostas, com o valor de qualquer outra antes da definição do páreo na linha de chegada. Até a decisão soberana do eleitor daqui a 29 dias, todos os 11 candidatos a prefeito têm, em tese, as mesmas chances. Muito embora, a menos de um mês do pleito, caiba observar que o chavão “eleição é na urna” é geralmente entoado por quem sabe não ter chance de vitória.

 

 

Além das apostas, há as reações dos candidatos que parecem confirmá-las. Assim, o desafio feito em vídeo na quarta (14) por Rafael a Wladimir, para um debate entre os dois, respondido com um desafio para os dois saírem juntos à rua, pode revelar duas coisas. A primeira, a certeza do prefeito de que o atual representante do clã que derrotou em 2016 é o concorrente mais forte na disputa de quatro anos depois para sucedê-lo. A segunda, relacionada à primeira, é que Rafael sabe não estar bem na corrida. E teria essa consciência refletida na tentativa de polarizar com que sabe liderá-la, como sua única saída.

 

(Print do Twitter)

 

A tática aparentemente deu resultados. No blog Opiniões, hospedado no portal Folha1, a postagem dos desafios trocados entre Rafael e Wladimir (confira aqui) teve 609 likes. Já a postagem seguinte, com as manifestações dos demais candidatos a prefeito — à exceção de Bruno Calil, que preferiu não se posicionar — colheu (confira aqui) apenas 29 curtidas. Nesta última, com todas as ressalvas de ordem prática que se faça aos dogmas identitários, pareceram corretas as únicas duas mulheres candidatas ao pleito:

 

Natália Soares, Odisséia Carvalho e Roberto Henriques (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— Essa “briguinha” entre os dois, na busca de polarizar e ganhar holofotes, tão só demonstra como o ego e a sociabilidade masculina são destrutivas e até mesmo infantis — sentenciou Natália Soares (Psol).

— É um comportamento extremamente infantil, no meu entender. Os dois precisam é apresentar propostas à população. Esse tipo de comportamento parece coisa de escola — classificou Odisséia Carvalho (PT).

Ainda assim, pareceu estar errado o outro candidato a prefeito da esquerda dividida pelo governo de um município majoritariamente bolsonarista nas eleições presidenciais de 2018:

— A população não está nada interessada nessa briga entre Wladimir e Rafael Diniz — disse o experiente Roberto Henrique (PCdoB), em oposição ao interesse de fato gerado na população.

 

(Logo: Guto Leite)

 

Talvez equivocado sobre os desafios e sua capacidade de envolvimento no mundo virtual, Roberto Henriques, no entanto, está absolutamente correto sobre o mundo real. Nele, tolo é quem supõe que os danos provocados ao governo Rafael — a despeito dos seus próprios erros — pela crise financeira de Campos, não possam vitimar de maneira ainda mais grave qualquer outro prefeito que assumir o município em 1º de janeiro de 2021, incluído Wladimir. Em sua sabatina do último dia 8 no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, Henriques disse:

— Eu sou favorável e vamos retornar os programas sociais (Passagem Social e Cheque Cidadão). Mas a gente tem que ser sincero em dizer: a curto e curtíssimo prazos, é impossível. A pessoa que fala isso é um demagogo — disse o candidato a prefeito do Partido Comunista do Brasil.

 

Impossibilidade de se retormar programas sociais como Passagem Social e Cheque Cidadão não é de desejo, mas aritmética (Montagem: Elaibe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

O limite da demagogia é imposto não por Roberto Henriques. Mas pela realidade financeira de um município com orçamento previsto para 2021 entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,7 bilhão, com R$ 2 bilhões estimados de despesas, sendo R$ 1,1 bilhão só com folha de pagamento de servidor. É questão de aritmética, não desejo. E o limite da começou a ser ultrapassado nas campanhas de Caio Vianna e Bruno Calil. O que confirma as apostas hoje se afunilando entre os dois na disputa por uma vaga ao segundo turno. Se nela um promete que Campos, em passe de mágica, se tornará uma Dinamarca a partir de 2021, o outro também promete o impossível.

Na série de sabatinas com os 11 candidatos a prefeito no Folha no Ar, Caio prometeu na terça (13) não apenas a Passagem Social e o Cheque Cidadão — exatamente como Rafael fez em 2016. Ao responder à pergunta de uma telespectadora, em comentário no streaming ao vivo do programa no Facebook, o pedetista prometeu até retomar o plano de saúde dos 14 mil servidores de Campos, suspenso pela então prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Pros) desde 2015. Com que dinheiro? “Simples”! No mantra de campanha do candidato, é porque “Campos vai voltar a ser feliz”, como nos governos de Arnaldo Vianna (PDT), seu pai e principal cabo eleitoral.

 

(Foto: Petrobras)

 

Como a questão nunca é simples, em seus quatro últimos anos de governo, entre 2001 e 2004, Arnaldo arrecadou de royalties e participações especiais (PEs) a média/ano de R$ 972 milhões, em valores corrigidos pelo INPC. Em seus três primeiros anos de governo, entre 2017 e 2019, Rafael teve de royalties e PEs a média/ano de 569 milhões, corrigidos pelo mesmo INPC. Com quase metade das receitas petrolíferas de quase duas décadas atrás, geriu uma cidade bem maior em população, demandas, custo e tamanho da máquina pública. Que, em agosto de 2020, teve R$ 0,00 de PE, fato inédito desde que a receita começou a ser paga, em 2000. E na qual o atual prefeito é acusado de estelionato eleitoral por ter prometido em 2016, sem conseguir cumprir, os mesmos Cheque Cidadão e Passagem Social que Caio agora promete.

Embora tenha se mantido dentro do limite do possível no Folha no Ar de 5 de outubro, que abriu a rodada da sabatina com os prefeitáveis, Bruno Calil ontem (16) veiculou dois vídeos nas redes sociais. No primeiro, prometeu revogar a lei que suspende pagamento de gratificação ao servidor de licença por atestado médico. No segundo, prometeu que qualquer servidor nomeado DAS receberá 100% pela nova função, quando decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) relativa ao município já definiu esse limite em 75%. A generosidade com o dinheiro público de Campos — que se já não é suficiente para cobrir as atuais despesas, muito menos para aumentá-las — obedece a outra contra: a dos votos dos 14 mil servidores, multiplicada no barato por três, pelo reflexo na receita das suas famílias.

 

 

Caio e Bruno são candidatos tão legítimos quanto qualquer outro. Mas, pelos motivos postos, suas promessas não são. Sobretudo quando acusam o prefeito, adversário nas urnas de 2020, de estelionato eleitoral por ter prometido coisas muito parecidas, quando não o mesmo, em 2016. E hoje paga o preço que a realidade, a despeito do desejo, se encarregou de cobrar. Ao eleitor que não sofre de Alzheimer, a emissão da fatura é adiantada.

 

Publicado hoje (17) na Folha da Manhã

 

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