Opiniões

Em tempos da Covid-19, Carlos Alexandre no Folha no Ar desta segunda

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta segunda (30), o convidado do Folha no Ar 1ª edição, programa da Folha FM 98,3, será o advogado Carlos Alexandre de Azevedo Campos. Ele falará da adaptação do trabalho em home office em tempos de quarentena da Covid-19, das atuações dos governos Jair Bolsonaro (sem partido), Wilson Witzel (PSC) e Rafael Diniz (Cidadania) no enfrentamento à pandemia, e das tensões do pacto federativo entre as esferas do Poder Executivo reveladas pelo novo coronavírus. Para tentar achatar a sua curva de expansão, o programa será realizado à distância física, por Skype.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Covid-19 — Abordado pela 3ª vez, quiosque é fechado e seu dono conduzido à DP

 

 

Um quiosque no Parque Santo Amaro foi fechado na noite deste sábado (28) pela fiscalização da superintendência de Postura. Desde que o decreto municipal de emergência em saúde em Campos (confira aqui) entrou em vigor no dia 23, por conta do isolamento social para combater a pandemia da Covid-19, foi a terceira abordagem das equipes de fiscalização ao mesmo estabelecimento. O descreto 33/2020 suspendeu, até pelo menos 5 de abril, o atendimento presencial em comércio, bares, restaurantes e estabelecimentos similares.

— Recebemos a denúncia, fomos ao local e constatamos o crime contra saúde pública. O proprietário do local responderá pelo crime, receberá multa por desobediência ao decreto municipal. E a Codemca também entrará com processo administrativo para cassação de sua permissão — explicou o superintendente da Postura, Victor Montalvão.

O quiosque foi lacrado e seu proprietário conduzido à 134ª DP, onde a ocorrência foi registrada. Desde a publicação do decreto, a Postura vem fiscalizando diariamente seu cumprimento. Para denunciar o funcionamento irregular do comércio neste período, a população deve entrar em contato pelo telefone (22) 98168-3645.

 

Com informações aqui, da Supcom

 

Dr. Luiz Otávio Enes Barreto — Conselhos durante o isolamento da Covid-19

 

 

Na sequência à série de conselhos práticos à população em tempo de confinamento para tentar achatar a curva de expansão da Covid-19, o dia hoje é de Dr. Luiz Otávio Enes Barreto, clínico geral com experiência em geriatria e especialização em nefrologia. Ele alertou sobre o cuidado necessário com os idosos, grupo em que a letalidade do novo coronavírus é maior, assim como com a higienização dos cuidadores. Ele desaconselhou ir às ruas para tomar banho de sol. E ressaltou: “o principal remédio, por mais amargo que seja, é o distanciamento social”.

Confira abaixo:

 

 

Milão/Campos no país em que o bolsonarismo trata a Covid-19 por “gripezinha”

 

 

Milão tem muito mais coisas a ensinar ao Brasil, Campos inclusive, do que o popular bife à milanesa, ou poderoso futebol do Milan e da Internazionale. Era 26 de fevereiro em Milão, capital da região da Lombardia e cidade mais rica da Itália, espécie de São Paulo de lá. A Lombardia tinha então 258 pessoas infectadas pelo novo coronavírus, com 12 mortes em todo o país. E naquele mesmo dia 26, com o apoio do prefeito Giueseppe Sala, a cidade lançou a campanha “Milão não para”, contra o fechamento do comércio e o isolamento social para conter a expansão da doença, como já era aconselhado pelas autoridades de saúde. Um mês depois, na última quinta, 26 de março, o prefeito de Milão veio a público dizer que errou. Mas era tarde demais para a Lombardia, que já tinha 34.889 casos de Covid-19, com 4.861 mortes. Ou 40,1% de toda a população italiana acometida pela doença, com 54,4% da perda de vidas humanas que ela causou no país. A tragédia chegou, literalmente, a superlotar os cemitérios.

 

 

Antes da porta arrombada pela pandemia do novo coronavírus, como em Milão, Campos tenta fechar o cadeado. Desde a última segunda-feira (23), como determinou no dia 20 (relembre aqui) o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), todo o comércio do município foi fechado, à exceção dos serviços essenciais. Apenas quatro dias depois, na sexta (27) cerca de 200 lojistas pediam a reabertura do comércio do lado de fora da Prefeitura. E na entrevista coletiva no lado de dentro, uma linha foi riscada no chão para quem insistir em desobedecer às normas ditadas pelas autoridades de saúde ignoradas em Milão:

 

Coletiva na Prefeitura reuniu na sexta as autoridades públicas de Campos no comando do combate à pandemia da Covid-19 (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Divulgado na noite de sábado, comunicado garantiu que quem promover aglomerações durante a quarentena em Campos, será preso e autuado

— Tivemos hoje uma manifestação que se iniciou com aglomeração de pessoas e utilização de um trio elétrico. Essa aglomeração vem a infringir normas do poder público, tanto na esfera federal quanto estadual e municipal, o que nos traz a possível autuação por crime de descumprimento de medida sanitária preventiva. Os organizadores desse movimento podem responder ainda pelo crime de apologia, já que fazem apologia a fato definido como crime a partir do momento em que incentivam a população a descumprir esses atos normativos, colocando a vida deles e da população em risco. Então, a partir de hoje, a nossa conduta será no sentido de fazer cumprir a lei. Caso esse comunicado não seja suficiente, não haverá outra alternativa que não seja a condução, inclusive com a participação da Polícia Militar e da Guarda Municipal, das pessoas envolvidas para possível autuação por crime de descumprimento de medida sanitária preventiva e apologia ao crime para esses organizadores — deixou claro o delegado titular da 146ª DP de Guarus, Pedro Emílio Braga.

Também presente à coletiva, o promotor Marcelo Lessa, da Tutela Coletiva, reforçou que, a depender do Ministério Público Estadual, quem quiser fazer em Campos o que foi feito em Milão, será preso:

— Eles (os manifestantes) afrouxaram essa regra de isolamento social. E tem uma entrevista (no dia anterior), com o prefeito de Milão, em que ele diz: “Erramos. Desculpa”. Nós acordamos perplexos com esse movimento absolutamente irresponsável. E o que é pior: com as pessoas se arriscando em um trio elétrico, próximas umas das outras, e correndo o risco de disseminar (o vírus). Aí, joga fora todo o planejamento que a gente tem feito, de mobilizar atendimento. Pode gerar uma demanda que não daremos conta. Querem contar mortos depois? Que a gente procure forno crematório, que não tenha vaga em cemitério nem caixão para enterrar? É isso que esses irresponsáveis querem? Então, quem abrir (o comércio) será preso.

 

 

Ao convocar a coletiva entre as diferentes esferas de poder público no município, o prefeito Rafael assegurou que o fechamento do comércio e recomendação de isolamento podem ser revistas. Mas dependem dos números da propagação da Covid-19 em Campos, cujo pico é projetado para 20 de abril. E, segundo declarou o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, só deve começar a diminuir em agosto ou setembro.

— É importante deixar claro que os decretos não estão sendo apenas municipais. São decretos também em nível estadual. Há, sim, por parte de nós, a preocupação com o setor econômico do nosso município, com o empregador e o trabalhador. Nada é definitivo, muito pelo contrário. Inclusive, nossos decretos estão com data de 5 de abril. Estamos trabalhando, caso as autoridades de saúde concordem, para haver mudanças, sim, mas, de momento, as nossas decisões responsáveis são essas e com base nas recomendações das autoridades de saúde municipais, estaduais, federais e, também, mundiais. E o que as autoridades nos recomendam é: isolamento social. Ficar em casa. Se assim não fizermos, pode ser que, daqui a pouco, a gente dê uma coletiva para dizer quantas pessoas estão morrendo — disse o prefeito, reforçando a gravidade da situação.

 

Promovido na sexta se o protesto “Volta Campos” se repetir neste domingo, como anunciado, seus organizadores serão presos (Divulgação)

 

Embora reunisse lojistas, o protesto “Volta Campos” de sexta teve apoio ostensivo de um grupo de extrema-direita local, cujos líderes tentam surfar a popularidade em viés de baixa, mas ainda significativa, do bolsonarismo na cidade. O objetivo é meramente eleitoreiro: tentam (relembre aqui) se lançar candidatos a vereador na eleição municipal de outubro. Foram os mesmos que, em busca de evidência e likes nas redes sociais, chegaram a se colocar contra a realização da 10ª Bienal do Livro de Campos, em 2018.

 

Já na pandemia da Covid-19, em 15 de março bolsonaristas de Campos se aglomeraram na Igreja do Saco para pedir intervenção militar no país (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Dois anos depois, a manifestação chamada de “Volta Campos”, pela reabertura do comércio, teve como ponto de concentração a Igreja do Saco. É de lá que também costumam se reunir na cidade as manifestações a favor do governo Jair Bolsonaro (sem partido). Inclusive as nacionais do último dia 15, contrariando as recomendações da OMS e do ministério da Saúde, já depois da chegada da Covid-19 ao país. Foi quando o presidente provocou repúdio até entre seus eleitores. Logo após vir dos EUA com 25 integrantes da sua comitiva (confira aqui) infectados pelo novo coronavírus, ele ainda assim interagiu fisicamente com cerca de 200 simpatizantes, diante do Palácio do Planalto.

 

 

Do Planalto Central à planície goitacá, antes de ser avisados que uma nova manifestação com aglomeração de gente, inclusive de idosos, como se deu na sexta, poderá gerar prisão e autuação criminal dos seus organizadores, o “Volta Campos” tinha programado um novo protesto para hoje. Novamente com concentração na Igreja do Saco, a partir das 9h, antes de sair em carreata pela cidade.

Oficialmente, a pauta contra a quarentena é econômica. E se baseia no pronunciamento presidencial em rede nacional na última terça (24), recebido com panelaços em várias cidades do país, incluindo Campos. Orientado (leia aqui) minutos antes por seu filho 02, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (filiado na sexta ao Republicanos, braço político da Igreja Universal), além dos assessores do chamado “gabinete do ódio”, Bolsonaro se dirigiu à nação para pregar a flexibilização do isolamento social e a reabertura de comércio e escolas no país. E chamou a Covid-19 de “gripezinha” e “resfriadinho”.

 

 

Antigo aliado do presidente, o MBL denunciou a cópia bolsonarista do que levou a milhares de mortes em Milão

Até o início da noite de ontem, a “gripezinha” tinha matado 114 brasileiros, com 3,9 mil casos confirmados no país. No mundo, em números que crescem em escala geométrica a cada 24 horas, o sábado contabilizava 657.691 infectados, com 30.438 mortes. Ainda assim, Bolsonaro pretendia lançar uma campanha nacional, paga com dinheiro público necessário à reconstrução econômica do país, chamada “O Brasil não pode parar”. Qualquer semelhança com a “Milão não pode parar”, um mês e 4.849 vidas humanas atrás, não é mera coincidência.

Mas a divulgação da campanha bolsonarista em defesa do isolamento vertical foi impedida ontem (confira aqui) por decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro. E levou o governo a apagar as postagens já feitas, como denunciou aqui o site conservador O Antagonista. Segundo informou também ontem (leia aqui) o jornalista Ricardo Noblat, o presidente reagiu tentando ligar a quarentena pela Covid-19 ao suposto aumento da violência no país, com vídeos espalhados nas redes sociais pelo seu “gabinete do ódio”.

Armínio Fraga

Quando a economia era a “inimiga” do isolamento social no combate ao novo coronavírus, Bolsonaro foi respondido na sexta por Armínio Fraga. Ex-presidente do Banco Central, um dos economistas mais influentes do Brasil e vindo de uma família de médicos, Fraga afirmou em entrevista (confira aqui) que é falsa a dicotomia entre economia e saúde. E advertiu que a suspensão da quarentena geraria um segundo baque econômico no país:

—  É evidente que a opção é salvar vidas. Mas eu não creio que a economia se beneficiaria tanto (de uma suspensão da quarentena). E, num segundo momento, a economia poderia levar a um segundo baque. Dá a impressão de que há um custo econômico, e há. Mas dá também a impressão de que há uma alternativa sem custo, que seria fazer o (isolamento) vertical. Mas isso não é verdade. Da população brasileira, 38% são idosos, portadores de doenças crônicas ou ambos. Seria uma loucura.

Na mesma sexta, enquanto um promotor de Justiça de Campos usou o exemplo de Milão para dizer o que não será tolerado na sua cidade, Bolsonaro disse ao apresentador José Luiz Datena, no programa Brasil Urgente, da Band:

— O brasileiro quer trabalhar, esse negócio de confinamento aí tem que acabar, temos que voltar às nossas rotinas. Deixem os pais, os velhinhos, os avós em casa e vamos trabalhar. Algumas mortes terão, mas acontece, paciência.

 

 

Divulgado também na sexta, um estudo do Imperial College de Londres projetou (confira aqui) que se o Brasil adotasse isolamento apenas dos idosos e doentes crônicos, como prega Bolsonaro, a Covid-19 levaria à morte mais de 529 mil pessoas. E mesmo que houvesse uma restrição ainda mais ampla que a atual, a exemplo da quarentena total adotada por países vizinhos como Argentina e Colômbia, cerca de 44 mil brasileiros poderiam morrer. Foi o trabalho desse grupo de estudos que fez o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, recuar na ideia inicial de fazer uma quarentena vertical na Grã-Bretanha. Foi antes dele também testar positivo para o novo coronavírus.

 

Trabalhadores carregam corpos de vítimas da Covid-19 na cidade de Bérgamo, na Itália (Foto:
Aqueles para quem o tempo parou, porque em vida acharam que não podiam parar, na cidade de Bérgamo, vizinha de Milão (Foto: Fotogramma / EFE-EPA)

 

Com a jornalista Paula Vigneron

 

Prefeitáveis de Campos analisam discurso de Bolsonaro sobre Covid-19

 

Página 2 da Folha da Manhã de hoje (29)

Na terça-feira (24) pouco depois de ouvir os conselhos (confira aqui) do seu filho Carlos Bolsonaro (Republicanos) e dos assessores do chamado “gabinete do ódio”, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um pronunciamento em cadeia nacional sobre a pandemia do novo coronavírus. Ele pediu a reabertura de comércios e escolas no Brasil, pregando o fim do “confinamento em massa” como maneira de enfrentar a Covid-19. Que voltou a chamar de “gripezinha”, além de “resfriadinho”. Foi recebido com panelaços enquanto falava na terça, em várias cidades do país, inclusive Campos. Mas também gerou carreatas nacionais na sexta (27), inclusive em Campos, pedindo a reabertura do comércio e o fim do isolamento social.

Já que Campos não está fora da divisão entre os que aprovam e desaprovam a maneira de Bolsonaro em lidar com a crise do novo coronavírus, como os pré-candidatos a prefeito do município reagiram à posição do maior mandatário do país? Até as 13h de ontem, o que ele chamou “gripezinha” já tinha infectado 621.636 pessoas em todo o mundo, causando 28.658 mortes. No Brasil e em Campos, o pico da doença é esperado por volta de 20 de abril, com projeção de queda só em agosto ou setembro. E já é considerada a maior crise mundial de saúde desde a pandemia da gripe espanhola entre 1918 e 1920, causada pelo vírus Influenza H1N1 e que se estima ter matado até 100 milhões de pessoas, incluindo no Brasil e em Campos. Um século depois, e a Covid-19?

Rafael Diniz

— Em Campos seguimos e continuaremos a seguir as orientações das autoridades em saúde, também em nível municipal, estadual, federal e mundial. E a recomendação para este momento é o isolamento social. É ficar em casa. Vimos o que aconteceu em outros países, que não fizeram o isolamento, pensando apenas na questão econômica. O posicionamento não é exclusivo da Prefeitura. Envolve, além das autoridades em saúde, incluindo o Cremerj, a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e o Ministério Público Estadual. Nosso decreto estabelece quarentena até 5 de abril. Dependendo da evolução da doença em Campos, vamos fazendo adequações. Ele poderá ser estendido ou abreviado. Estamos sensíveis à questão econômica. Mas por mais importante que ela seja, nossa prioridade é a vida do cidadão — pontuou o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), pré-candidato à reeleição em outubro.

Wladimir Garotinho

— Todos temos preocupação com a economia, entendo a fala do presidente, mas não pode o líder máximo na nação contrariar todas as autoridades de saúde, inclusive as do seu próprio governo. A nossa curva de contaminação deve atingir seu ápice perto de 20 de abril. Até lá o recomendado é o isolamento social total. Após esse período, deve-se rever os protocolos e aí sim poderemos implantar o isolamento vertical. Os países que não respeitaram o período necessário do isolamento total, pagam preços muito alto em vidas, o que vai refletir também em um sério problema econômico mais adiante. Neste momento de incerteza, o governo federal deve implementar medidas de compensação aos trabalhadores e empregadores, através de medidas de subsídio total e parcial.  É verdade que começou a se caminhar nesse sentido, mas demorou muito — observou o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD).

— Em um momento como esse, o mais importante e prudente a se fazer é ouvir as orientações das autoridades sanitárias e da área de saúde, além de seguir os exemplos dos países que estão efetivamente combatendo o coronavírus e apresentando resultados reais. O objetivo de qualquer ação de combate à essa doença deve ser sempre o que coloca a segurança, a saúde e a vida das pessoas em primeiro lugar — criterizou Caio Vianna (PDT), também pré-candidato a prefeito de Campos.

Gil Vianna

— Os posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro, sempre autênticos, causam muitas reações. Isso desde quando ele era deputado. Nesse discurso sobre o novo coronavírus, ele recomendou a flexibilização das medidas de isolamento social, para que a economia não pare. A pandemia é preocupante e o isolamento deve sim ser adotado, ainda mais por quem faz parte do grupo de risco ou tem contato direto com eles. Respeito o entendimento do presidente e ele tem direito a expor sua opinião. No entanto, sei da importância do isolamento orientado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste momento, são essas recomendações que devem ser seguidas pela população, até passar o período previsto para o pico da Covid-19 no Brasil — ponderou o deputado estadual Gil Vianna (PSL), ainda ligado ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) e “pré-candidatíssimo” a prefeito de Campos.

Roberto Henriques

— O presidente foi na contramão da Organização Mundial da Saúde. Todos os que não adotaram restrições a tempo, acabaram se curvando, como fizeram só tardiamente os Estados Unidos e a Itália. O administrador de uma crise não pode ser um falastrão que se orienta por seus desejos. Já passou da hora do presidente Bolsonaro abandonar o Twitter e ser o que a nação precisa: coordenar o Gabinete Nacional da Crise, ser o ponto catalizador de iniciativas conjuntas para o controle do Covid-19, solucionar o abastecimento, garantir renda mínima aos mais pobres, promover um plano de recuperação econômica nos moldes do “New Deal” do presidente Franklin D. Roosevelt  (nos EUA, após a Grande Depressão de 1929), inverter a lógica da supremacia do capital financeiro e dar soberania ao capital comercial e industrial — aconselhou Roberto Henriques (PPL), ex-prefeito e pré-candidato a prefeito de Campos

Marcelo Mérida

— É um momento muito grave para o país e essa decisão depende do diálogo e consenso entre governos e autoridades da saúde pública. A população, os trabalhadores, as pequenas empresas, em todo o Brasil, estão sofrendo com as restrições. Se a paralisação persistir, é preciso já, agora, de um novo Brasil no socorro a estados e cidades, com apoio direto, com liberação imediata de recursos ao trabalhador e ao empreendedor, sem restrições administrativas. No enfrentamento da pandemia da Covid-19, proteger a vida, preservar o emprego e a atividade dos micros e pequenos empreendedores, é assegurar ao Brasil e ao Estado do Rio condições de sobreviver à crise atual e também após ela — pregou o empresário Marcelo Mérida, presidente e pré-candidato a prefeito do PSC em Campos.

Lesley Beethoven

— Temos imediatamente de encontrar alternativas para o confinamento geral. Porém, as decisões não podem ser oriundas de um cabo de guerra institucional. Liberar tudo parece ser contra as recomendações médicas e científicas. Está provado que o sistema de saúde não suportará um aumento acelerado de atendimentos. O povo brasileiro está dando um show de comportamento, apesar do confinamento total, como o de agora, e das terríveis dificuldades que inúmeras famílias já estão passando. Espero que as forças políticas brasileiras, principalmente o presidente da República, consigam chegar a um consenso sobre a reabertura das atividades econômicas nas cidades. Não podemos deixar a fome vencer a quarentena. Não é um dilema entre saúde e economia. As vidas também precisam sobreviver — opinou Lesley Beethoven, presidente e pré-candidato a prefeito do PSDB em Campos.

José Maria Rangel

— A temporalidade do período de confinamento deve considerar, antes de mais nada, a capacidade de atendimento do sistema de saúde no Brasil e ter como meta o alongamento da fase de pico da epidemia no Brasil. Caso contrário, poderemos ser acometidos por um estrangulamento do sistema de saúde que não será capaz de lidar não só com os casos da Covid-19, como também com outras doenças. O governo deveria se preocupar em criar medidas para proteger a vida dos trabalhadores, preservando seus empregos e renda. O apoio ao empresariado deve ter cláusulas de não demissão e pagamento dos salários. A flexibilização da quarentena precisa ser analisada no âmbito da saúde pública. Não ser usada como instrumento de disputa política-ideológica do governo federal — ressalvou o petroleiro José Maria Rangel, um dos três pré-candidatos do PT a prefeito de Campos.

Odisséia Carvalho

— A gravidade do quadro em que vivemos hoje no Brasil, tem como ponto de partida a falta de liderança do governo Bolsonaro e sua oposição ao isolamento social. Mas principalmente da política econômica neoliberal de Guedes, que precarizou o SUS. Em 2019, foram cortados R$13,5 bilhões da Saúde. E, neste ano, mais R$ 4,5 bilhões. O Brasil tem que parar. O presidente Bolsonaro não vai parar, ele está alucinado, tem que ser detido, ou promoverá genocídio. Quem vai sair mais uma vez perdendo é o povo brasileiro, principalmente os mais pobres, os moradores de rua, de cortiços e favelas. É momento de ações extremas para minimizar o sofrimento da população e questionar o modelo econômico. O PT propõe duas medidas urgentes: taxar as grandes fortunas e o “seguro quarentena” durante a pandemia — expôs a ex-vereadora Odisséia Carvalho, também pré-candidata a prefeita do PT

Hélio Anomal

— Diante do atual cenário não só no Brasil, mas mundial, com a Covid-19, além de todos os cuidados preventivos, entendo também ser necessário que tenhamos também equilíbrio. Lamentavelmente, é uma característica dissociada da liderança do nosso país. O presidente não colabora e se faz constantemente contraditório. Afinal, a solução mais inteligente seria ignorar recomendações de especialistas da área de saúde e os fatos ocorridos em outros países? Tudo isso, essas milhares de mortes mundo afora, é simplesmente irrelevante? Na minha opinião, ainda há aqueles que merecem ser ouvidos. Cabe discernimento e sabedoria para que possamos vencer esse inimigo invisível. Cuide-se e, se possível, fique em casa — aconselhou o sindicalista Hélio Anomal, outro pré-candidato do PT a prefeito de Campos.

 

Manifestações em Campos durante quarentena da Covid-19 vão gerar prisão

 

Se o protesto do“Volta Campos” se repetir neste domingo, como anunciado, seus organizadores serão presos (Divulgação)

 

Depois do protesto intitulado “Volta Campos” e que aliou lojistas e grupos bolsonaristas da cidade, para pedir pela reabertura do comércio no dia de ontem (27), se alguém insistir será preso, conduzido à delegacia e autuado nos artigos 268 e 287 do Código Penal. O primeiro, pode gerar detenção de um mês a um ano, enquanto o segundo, de três a seis meses.

Um comunicado neste sentido foi divulgado na noite de hoje pelo delegado titular da 146ª DP de Guarus, Pedro Emílio Braga. E visa a manutenção do isolamento social no combate à proliferação da Covid-19, com base em decretos das esferas federal, estadual e municipal, seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Na noite de quinta, o movimento “Volta Campos” divulgou (relembre aqui) que faria manifestações, com concentração a partir das 9h na Igreja do Saco, partindo em carreata pela cidade, tanto na sexta, quanto neste domingo (29). A de sexta gerou aglomeração, inclusive com a participação de idosos, grupo em que o novo coronavírus é mais letal. E foi dispersada pela PM, em frente à Prefeitura.

A manifestação marcada para este domingo, se acontecer, levará à prisão em flagrante dos seus organizadores. Como de quaisquer outros que gerem aglomeração de pessoas, enquanto durar a quarentena imposta no município pelo combate à Covid-19. O mesmo vale para qualquer lojista, de ramo não essencial, que tentar abrir seu comércio.

O endurecimento da fiscalização foi anunciado (confira aqui) tanto pelo delegado Pedro Emílio, quanto elo promotor estadual Marcelo Lessa, na coletiva dada ontem na Prefeitura. Enquanto o “Volta Campos” aglomerava gente para protestar do lado de fora, em desrespeito às regras de isolamento social, por conta da pandemia do novo coronavírus.

 

Na manifestação de 15 de março de apoio a Bolsonaro, já na pandemia da Covid-19, campistas se aglomeraram para pedir intervenção militar no país (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Certo de que as medidas são necessárias para o achatamento da curva de contaminação da Covid-19, em quadro que começará a se definir a partir de 20 de abril, o anúncio da fiscalização não deixa de ser irônico. Com um presidente que insiste no isolamento vertical para combater a pandemia do coronavírus, no que foi desautorizado hoje (veja aqui) por seu próprio ministério da Saúde, quem gosta de sair às ruas para apoiá-lo e pedir por um regime de força, terá a força da lei aplicada sobre si, caso insista em fazê-lo. E sairá preso.

Confira abaixo o comunicado:

 

Covid-19 — Justiça Federal proíbe campanha de Bolsonaro pelo fim da quarentena

 

 

A juíza plantonista Laura Bastos Carvalho, da Justiça Federal do Rio de Janeiro, acatou pedido do Ministério Público Federal (MPF) e ordenou a União a suspender a campanha ‘O Brasil Não Pode Parar’, que prega o fim do isolamento social e a reabertura do comércio.

A decisão manda o Planalto a se abster de veicular por rádio, televisão, jornais, revistas, sites ou qualquer outro meio físico ou digital as peças publicitárias da campanha ou qualquer outra mensagem que sugira à população ‘comportamentos que não estejam estritamente embasados em diretrizes técnicas, emitidas pelo Ministério da Saúde, com fundamento em documentos públicos, de entidades científicas de notório conhecimento no campo da epidemiologia e da saúde pública’.

“O descumprimento da ordem está sujeito à multa de R$ 100.000,00 (cem mil reais) por infração”, determina a magistrada.

Em análise do caso, Carvalho afirma que a campanha ‘O Brasil Não Pode Parar’ é de incentivo para as pessoas irem às ruas e retomarem a rotina, ‘sem que haja um plano de combate à pandemia definido e amplamente divulgado’.

A campanha ‘O Brasil Não Pode Parar’ defende a flexibilização do isolamento para um modelo ‘vertical’, na qual apenas idosos e pessoas do grupo de risco do novo coronavírus ficam em casa. A iniciativa é parte de estratégia de comunicação do Planalto iniciada com o pronunciamento de Bolsonaro na última terça, 24, na qual defendeu que o restante da população volte a transitar livremente, reabrindo o comércio.

A proposta vai na contra-mão de recomendação de órgãos de saúde, como a Organização Mundial de Saúde, que recomenda a quarentena e o isolamento social como medidas de prevenção ao novo coronavírus. No Brasil, já foram registrados 3417 casos confirmados de Covid-19 e 97 mortes em apenas um mês da pandemia.

Os números, no entanto, podem ser ainda maiores, visto que o universo apresentado pelo Ministério da Saúde engloba somente quem foi testado para a doença – no Brasil, apenas casos graves passam pelo teste para coronavírus.

 

Publicado aqui, no Blog do Fausto Macedo, do Estadão

 

Elisa Peralva — Conselhos psicológicos para o isolamento da Covid-19

 

 

Para atenuar as consequências do isolamento social adotado em todo o país por conta da Covid-19, a despeito do questionamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o blog abriu na quarta (25) uma série com a postagem diárias de vídeos com conselhos úteis enquanto durar a quarentena.

Primeiro, o médico geriatra Emanuel Oliveira falou (aqui) do cuidado com os idosos. Na quinta (26) o bispo diocesano de Campos, Dom Roberto Ferrería Paz deu (aqui) conselhos espirituais para o confinamento. Na sexta (27), foi a vez do economista Igor Franco tratar (aqui) das consequências econômicas da crise, que não podem ser feitas sem descuidar da grave crise que se avizinha na Saúde Pública.

Hoje é a vez da psicóloga e psicanalista campista Elisa Peralva trazer conselhos para você distensionar as consequências psicológicas do confinamento. Neste sentido, ela ressalva: “a gente pode estar isolado, mas não tem que estar sozinho”. E recomenda a utilização de recursos como a fala, a arte, a música, a dança e o cinema.

Confira no vídeo abaixo:

 

 

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