Campos dos Goytacazes,  19/06/2018

 

por Aluysio Abreu Barbosa

Brasil na Copa da Rússia: VAR, arbitragem e necessidades do campo

 

Neymar na síntese da sua atuação no Brasil 1×1 Suíça: valorizando a falta sofrida numa jogada individual e distante da área (Foto: Li Ming – Xinhua)

 

Hoje, um amigo e torcedor raiz de futebol, que não brota só na nutela servida de quatro em quatro anos, perguntou sobre um suposto complô contra a Seleção Brasileira na Copa da Rússia. É o mesma tipo de conversa surgida após a crise convulsiva de Ronaldo Fenômeno, antes da final da Copa de 1998, vencida com integral justiça pela França de Zinédine Zidane.

É como se o Brasil não pudesse perder um jogo por uma infelicidade. Ou simplesmente porque teve pela frente um time melhor. Particularmente, julgava que esse “complexo de vira-latas” às avessas tivesse sido sepultado pela humilhação dos 7 a 1 impostos pela Alemanha na última Copa, em pleno Mineirão. Mais eis que, após o empate de 1 a 1 com a Suíça, ele parece ressurgir dos mortos, como zumbi de filme B.

A CBF fez hoje uma queixa formal à Fifa, que já confirmou ver acerto nas decisões do árbitro mexicano Cesar Ramos. Ela se refere à não utilização do recurso do VAR (árbitro assistente de vídeo) e suas 33 câmeras em dois lances polêmicos: o empurrão trocado entre o zagueiro Miranda e o meia Zuber, no lance do gol suíço; além do suposto pênalti do zagueiro Akanji, que envolveu com os braços o atacante Gabriel Jesus, antes do brasileiro cair dentro da área.

Sobre essas queixas, tratadas desde ontem aqui, na matéria sobre o jogo, mas também sobre o futebol apresentado pela Seleção Brasileira na Copa da Rússia, algumas observações talvez sejam pertinentes:

 

(Reprodução de TV)

1 – Como mostra a foto, o uso dos braços entre Miranda e Zuber foi recíproco, no contato que existe dentro da área em qualquer lance de bola parada, desde que ela é redonda. Depende de interpretação afirmar se foi suficiente para tirar o zagueiro do lance. De concreto: não seria se ele estivesse marcando o adversário, não a bola.

2 – Miranda não acusou o empurrão de imediato. Assim como os demais jogadores brasileiros, ele só passou a se queixar ao árbitro após o lance ser reprisado no telão do estádio. Ironicamente, jogando pelo São Paulo, o zagueiro usou o mesmo recurso de Zuber, em gol validado contra o Corinthians, na semifinal do Paulistão de 2009. Confira abaixo:

 

 

3 – Inquestionável que Akanji envolveu Gabriel Jesus com os braços dentro da área. Mas se o motivo da queda foi o zagueiro suíço ter agarrado por trás o jovem atacante brasileiro, como este caiu para frente? Não depende de interpretação, mas de lógica: não foi pênalti.

 

Por trás, Akanji envolve com os braços Gabriel Jesus, que caiu para frente (Foto: Laurence Griffiths/Getty Images)

 

4 – Ao contrário do que se pensa, o VAR não fica nos estádios da Rússia, mas numa central em Moscou. E funciona como via de mão dupla: tanto o árbitro de campo pode acioná-lo, quanto ser acionado por ele. Se o juiz Cesar Ramos não foi acionado, é porque o VAR não constatou evidência contrária à sua decisão. E lances de gol ou suposto pênalti têm checagem obrigatória.

 

Árbitros auxiliares ficam na central do VAR, que não fica em cabines nos estádios da Rússia, mas numa central em Moscou (Foto: Dmitri Lovetsky – AP)

 

5 – Noves fora o mi-mi-mi da arbitragem, como também foi constatado na matéria após o jogo de ontem, Neymar sofreu 10 das 19 faltas contra o Brasil. Destas, quatro foram relativamente próximas à área belga, não as outras seis. Neymar sofre muitas faltas ou chama muitas faltas? Se for o segundo caso, qual a finalidade de forçá-las longe da área?

6 – Neymar atua pelo lado esquerdo do campo. No Brasil, joga com Marcelo atrás, Phillipe Coutinho ao lado e Gabriel Jesus (ou Firmino) à frente. São todos habilidosos, leves e rápidos. Por que, então, forçar tanto as jogadas individuais? Cercado de jogadores de características semelhantes, dividir a posse da bola não seria mais inteligente? Tite vai fazer algo a respeito?

 

Phillipe Coutinho, no belo chute de fora da área com que abriu o placar contra a Suíça no primeiro tempo. No segundo, sobrecarregado, se apagou (Foto: Getty Images)

 

7 – O Brasil não tem um organizador no meio de campo. É o tipo de jogador bem representado no espanhol Iniesta, no francês Pogba, no croata Modric, no alemão Kross e no belga De Bruyne. A sobrecarga de Phillipe Coutinho por ter que fazer também essa função, voltando para buscar a bola, pode ter sido a causa da sua sensível queda de rendimento no segundo tempo.

8 – Tite foi criticado em suas substituições. Mas agiu certo ao colocar Fernandinho no lugar de Casemiro, que tinha cartão amarelo e seria forçado a marcar faltas pela necessidade do Brasil atacar, após o empate da Suíça. Ao colocar Renato Augusto no lugar de Paulinho, ele tentou dar a criatividade que faltava ao seu meio de campo, mas pelo menos ontem não surtiu efeito.

 

Na disputa entre Gabriel Jesus e Firmino pelo comando de ataque, o segundo foi melhor na Major League e o primeiro, na Seleção antes da Copa

 

9 – A dúvida entre Gabiel Jesus e Firmino é tão difícil quanto o lance entre Miranda e Zuber. Na Major League, Firmino fez 15 gols em 37 jogos na última temporada pelo Liverpool, onde é titular. Reserva do argentino Agüero no Manchester City, Gabriel fez 13 gols em 29 partidas. Na Seleção, Gabriel foi melhor: 10 gols em 18 jogos, contra os 6 gols em 22 partidas de Firmino.

10 – Como registrou a matéria que anunciou aqui o Brasil x Suíça, nada indicava vitória fácil, com placar elástico. Até ontem, o confronto direto entre as duas seleções marcava três empates, três vitórias brasileiras e duas suíças. Grandes Seleções Brasileiras, como a de 1950, de Zizinho; e a de 82, de Zico; empataram com a Suíça. Agora, com mais um empate, se reforça o equilíbrio.

11 – Contra a Costa Rica, adversária do time de Tite às 9h da manhã desta sexta (22), a estatística aponta uma história bem diferente. Em 10 jogos, foram nove vitórias brasileiras, nenhum empate e uma derrota. Atual líder do Grupo E, a Sérvia só conseguiu bater a Costa Rica com um gol de falta. Fazer mais é obrigação de qualquer candidato sério à conquista da Copa.

 

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Bélgica estreia com 3 a 0 contra o debutante Panamá

 

O experiente Lukaku usou a cabeça para marcar seu primeiro gol, após passe de três dedos do maestro belga De Bruyne (Foto: Richard Heathcote/Getty Images)

 

 

Oito seleções integram o seleto clube dos campeões mundiais de futebol: Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Uruguai, Espanha, França e Inglaterra. Há apenas 20 anos, o grupo era ainda elitizado: apenas seis, já que a França conquistou seu único título em 1998,  enquanto a Espanha, só em 2010. E até o terem feito, sempre que apresentavam um bom time em Mundiais, era comum se questionar: mas nunca venceram a Copa.

Coube a jogadores de exceção como o francês Zinédine Zidane, além dos espanhois Xavi Hernández e Andrés Iniesta, reescrever com seus pés os conceitos do mundo da bola.

Isso posto, pode se dizer que a única coisa que separa seleções como Portugal e Bélgica da condição de favoritas ao título na Copa da Rússia, é o fato de não terem sido antes campeãs. Da estreia portuguesa no empate de 3 a 3 com a Espanha — ainda com Iniesta —, muito já se escreveu sobre a atuação (aqui) do atacante Cristiano Ronaldo.

Do que já vi em Mundiais desde 1982, acompanhando-as como jornalista desde 90, afirmo com alguma segurança: abaixo apenas de Diego Maradona nas quartas de final contra a Inglaterra, em 86; e de Zidane em 2006, também na fase de quartas, diante do Brasil; o que o português fez na Rússia foi o melhor desempenho individual que já vi num jogo de Copa.

Para Portugal, é preciso ainda demonstrar a consistência do time para além do seu grande craque. Além de descobrir se CR7 vai conseguir manter o nível himalaio do seu primeiro jogo e não padecer de vertigem. Mas quem agora há pouco também estreou com pé direito, com uma vitória de 3 a 0, foi a Bélgica.

Bem verdade que diante do Panamá, debutante em Copa do Mundo, os “Diabos Vermelhos” da Europa até que ameaçaram atear fogo à partida, mas acabaram cozinhando o primeiro tempo em banho maria. A temperatura se elevaria já no início do segundo, quando o atacante Dries Merten abriu o placar num belo chute de primeira, de fora da área.

Com os panamenhos visivelmente cansados pelo esforço de suportar o volume de jogo belga, mais a necessidade de correr atrás do placar adverso, coube ao centroavante Romelu Lukaku definir a partida. Maior goleador da história da sua seleção, ele hoje guardou mais dois: aos 24 e 30 da etapa final.

Do seguro goleiro Thibaut Cortouis ao seu experiente artilheiro, a Bélgica tem uma grande geração. Jovem em 2014, já era apontada como candidata ao título, mas caiu nas quartas de final contra a Argentina. De lá para cá, com vários jogadores brilhando nos principais clubes europeus, dá sinais de ter adquirido a maturidade necessária para voos mais altos na Rússia.

Embora o maior valor da Bélgica seja o equilíbrio coletivo, tecnicamente nivelado por cima, dois meias são destaques: o incisivo Eden Hazard e o clássico Kevin De Bruyne, cérebro do time. O segundo gol do jogo nasceu de uma tabela entre os dois, quando De Bruyne bateu de três dedos para colocar a bola na cabeça de Lukaku. Já no terceiro, foi Hazard quem puxou o contra-ataque e serviu ao centroavante, que concluiu com categoria por cima do goleiro Penedo.

A Bélgica nunca ganhou uma Copa do Mundo. Diferente de Portugal, que ao menos conquistou a Eurocopa de 2016, não venceu nem seu campeonato continental de seleções. Mas está invicta há quase dois anos e exatos 19 jogos, contabilizado o encerrado agora há pouco. Nele, estreou com uma boa vitória no Mundial em que os favoritos Espanha (aqui), Argentina (aqui) e Brasil (aqui) só empataram.

Pior foi a campeã Alemanha (aqui), derrotada por 1 a 0 pelo México. Pelo mesmo placar mínimo o Uruguai suou para bater um Egito desfalcado (aqui) do craque Mohamed Salah. Como foi magra a vitória da França, definida apenas pelo VAR, no 2 a 1 diante da Austrália.

No próximo confronto, contra a Tunísia, essa geração belga terá outra boa chance de adquirir gradativamente confiança, antes de encarar seu último jogo no Grupo G, contra a Inglaterra. Até onde poderá chegar sem até hoje ter ganho uma Copa, só o tempo dirá. Mas não deixará de ir a lugar nenhum por falta de talento.

 

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Igor Franco — Pela Onda Celeste¹

 

 

 

Conforme amplamente divulgado na semana passada, a Câmara dos Deputados da Argentina, em votação apertada, aprovou a legalização do aborto até a 14ª semana de gestação mediante vontade exclusiva da mãe. Embora o projeto precise ser votado no Senado e seguir para sanção presidencial, a expectativa é que seja aprovado e a Argentina passe a figurar, junto de Cuba, Uruguai e Cidade do México (a legislação é regional) no rol de países/capital que permitem o aborto sem condicionantes específicas como estupro ou anencefalia. Tal fato foi repercutido em artigos dos colegas Gustavo Oviedo e Vanessa Henriques.

Oviedo argumenta pela via do direito de escolha da mulher sobre seu corpo — direito esse que não pode ser constrangido por imposição estatal ou de outra pessoa. Ainda, ele lembra que países desenvolvidos são praticamente unânimes na legalização do aborto, ponto compartilhado por Vanessa, que também defende que a interrupção da gravidez indesejada seja liberada durante a ausência de atividade cerebral e menciona fatores psicológicos e sociais para justificar o aborto. Vanessa também menciona dados a respeito da ocorrência de abortos no país. Com o respeito pelas posições de ambos, discordo.

Primeiro, e mais importante, parece-me que estabelecer um período específico (e longo) para a autorização do aborto contraria evidências de que, por exemplo, a atividade cerebral no feto começa antes da 14ª semana. A determinação do início e término da vida dependerem do veredito científico é intrinsicamente problemática, uma vez que a ciência biológica é, por natureza, descritiva e não prescritiva, além de sujeita a constante mutação dado o patamar tecnológico em que se encontra.

O argumento pela liberdade de decisão sobre o próprio corpo também não me parece suficiente. Mesmo que concedamos o ponto de que o feto é parte constituinte do corpo da mulher durante a gestação, o que não soa muito lógico e de bom senso, é amplamente aceito socialmente que pode haver limites legais à utilização do próprio corpo. Uma pessoa que esteja tentando se matar, por exemplo, deve ter seu direito respeitado? O consumo compulsivo de drogas deve estar livre de amarras estatais? É aceitável que se permita a uma pessoa submeter-se a situação vexatória ou degradante? Esses exemplos extremos, como o aborto, são apenas algumas das situações onde a atuação estatal sobre uma manifestação de vontade pode ser não só aceitável, como desejável.

Quanto à pesquisa mencionada por Vanessa, embora a metodologia tente aproximar a amostra do universo sobre o qual pretende-se realizar afirmações, há pouca evidência que possa sustentar as conclusões. Dado o caráter ilegal da prática, a falta de registros oficiais impede a confirmação da estimativa feita pela pesquisa. Porém, um exercício mental simples pode colocar em dúvida a conclusão dos pesquisadores, que estimaram em 416 mil o número anual de abortos clandestinos. Isso equivale a uma média de 1.140 abortos ilegais diários. Dados de 2016 indicavam a morte de quatro mulheres por dia no Brasil decorrente de complicações por aborto. Assumindo que todas essas tenham morrido de abortos ilegais — o que não é o caso — o número de mortes em decorrência de abortos inseguros seria de apenas 0,35% do total. Ou se acredita que a prática de aborto ilegal é, em sua maioria esmagadora, ultra-segura, ou se duvida do número divulgado. Essa falta de clareza sobre os números não é exclusividade da pesquisa: mesmo sobre a recente questão argentina é possível encontrar em veículos de reputação números completamente dissonantes.

Por fim, entendo que um ponto central para partirmos da discussão do aborto é estabelecer que a gravidez não surge espontaneamente, mas depende de um ato deliberado para que ocorra. Por óbvio, é possível que se engravide sem que haja intenção da gravidez, mas a ocorrência de resultados alheios à nossa vontade que geram responsabilidade pelo resultado não é restrita a essa questão. Sendo a gravidez e a consequente criação de um bebê um fato de grande risco ao longo de vários anos, não acho suficiente que se argumente pelo sofrimento psicológico da mãe — ainda que lamentável. Este é, inclusive, um caminho perigoso, como demonstra a argumentação do filósofo utilitarista Peter Singer, para quem a morte de bebês e fetos não é diferente.

Reconheço a grande complexidade do tema. Porém, sob pena de decretar a morte de um inocente, permaneço à espera de maiores e melhores evidências que me demovam da ideia de que nossa legislação já abrange o suficiente nesta questão.

 

¹ – Nome pelo qual ficou conhecido o movimento a favor da legislação em vigor na Argentina.

 

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Brasil na Copa da Rússia e violência em Campos sob análise

 

Enquanto a maioria dos brasileiros não deixava o empate de 1 a 1 com a Suíça jogar água no chope da “comemoração”, na noite de ontem rolou a segunda edição do “4 em Linha”. Na tabela ao vivo no Youtube sobre a Copa da Rússia e a violência em Campos, repetimos a escalação o especialista em finanças Igor Franco, o advogado Gustavo Alejandro Oviedo, o ondotólogo Alexandre Buchaul e eu.

Com novo tema ainda a ser definido, a conversa terá nova edição no próximo domingo (24), mas começando um pouco mais cedo, às 20h. Quem não assistiu a de ontem e quiser fazê-lo, é só conferir o vídeo abaixo:

 

 

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Copa da Rússia: Brasil não vai além do empate de 1 a 1 contra a Suíça

 

Phillipe Coutinho comemora o golaço com que abriu o placar, depois empatado pela Suíça (Foto: Marko Djurica – Reuters)

 

Se a Suíça sempre soube se defender, hoje provou que pode também não apenas atacar, como se igualar no placar com o Brasil. Um dos favoritos ao título, o time de Neymar e Tite não foi além do empate de 1 a 1, em outra estreia decepcionante na Copa da Rússia. Ontem, a Argentina já havia empatado (aqui) de 1 a 1 com a Islândia. E hoje, um pouco mais cedo, a campeã Alemanha foi batida (aqui) pelo México por 1 a 0.

A Seleção Brasileira fez um bom primeiro tempo, quando abriu o placar aos 19 minutos, num belo chute de Phillipe Coutinho de fora da área. O arremate de categoria se deu após uma trama do lado esquerdo do ataque, entre o próprio Coutinho, Neymar e Marcelo. Mas, visivelmente, o time se acomodou a partir dos 35 minutos. E, após o intervalo, voltou ao segundo tempo com o mesmo (des)ânimo.

Aos 9 minutos da etapa final, o preço foi cobrado: em cobrança de escanteio do habilidoso meia canhoto Shaqiri, seu companheiro Zuber marcou de cabeça, numa falha do zagueiro Miranda, que marcava o jogador suíço, além de Thiago Silva e Danilo, que não marcaram ninguém. Bem verdade que os brasileiros reclamaram que Zuber teria empurrado Miranda. De fato, houve o contato, mas o juiz mexicano Cesar Ramos pode não ter errado ao interpretá-lo dentro dos limites da disputa na área em em lance de bola parada.

Depois de sofrer o empate, o Brasil sentiu o golpe e não reagiu de imediato. Shaqiri continuava a infernizar com sua perna esquerda pelo lado direito do campo. Ele deu bastante trabalho ao lateral-esquerdo Marcelo, desestabilizado também pelas provocações do suíço. Aos 28 minutos, em outro lance polêmico, o zagueiro Akanji envolveu com os braços o brasileiro Gabriel Jesus, que foi ao chão dentro da área e pediu o pênalti, não marcado. Na dúvida, o certo é que o jovem atacante do Manchester City pouco foi notado em campo. Cinco minutos depois, ele seria substituído por Firmino.

Com o relógio diminuindo suas chances de vitória no jogo de estreia na Rússia, o Brasil passou a pressionar a Suíça nos momentos finais, quando criou e desperdiçou boas oportunidades. Aos 42 minutos, Neymar forçou o goleiro Sommer a trabalhar, cabeceando uma bola cruzada na área por Willian. Dois minutos depois, foi Neymar que cruzou. E quem cabeceou foi Firmino, forçando Sommer a uma grande defesa.

No sufoco, até os zagueiros partiram para o ataque. Foi o caso de Miranda, que deu um chute forte de fora da área, aos 45 minutos, com a bola passando rente à trave esquerda. Aos 49, na última chance clara de conseguir a vitória, após cobrança de falta de Neymar, Renato Augusto — que havia entrado no lugar de Paulinho — acertou um chute dentro da área, mas a bola foi rebatida pela defesa suíça.

Eleito pela Fifa como melhor em campo, Phillipe Coutinho só mereceu por conta da sua atuação no primeiro tempo, coroada com um golaço. Mas na segunda etapa foi uma figura apagada em campo. Apesar de ter buscado o jogo, Neymar não estava em dia inspirado. Bem verdade que ele sofreu com a marcação forte e por vezes desleal dos suíços, sobretudo pelo volante Behrami, substituído por Zakaria após tomar um cartão amarelo que pode ter saído barato. Mas o fato é que, das 19 faltas cometidas pela Suíça no jogo, 10 foram sobre Neymar.

Para quem tem o cuidado de opinar em cima de dados estatísticos, o empate não foi uma supresa. Com o 1 a 1 de hoje, agora são quatro empates nos nove confrontos diretos entre as duas seleções, com três vitórias do Brasil e duas da Suíça. E, em todos esses jogos, uma equipe nunca conseguiu marcar mais de dois gols no adversário.

Como curiosidade, alguém poderia lembrar que quando a Espanha conquistou a Copa de 2010, na África do Sul, ela estreou naquele Mundial com uma inesperada derrota de 1 a 0 contra a Suíça. A Seleção Brasileira não perdeu e tem contra a Costa Rica, às 9h da próxima sexta-feira (22), uma boa oportunidade de (re)adquirir confiança. O empate na estreia, contra um adversário que sempre dificultou sua vida, não é uma tragédia. Mas também não foi o cartão de visita que se esperava de um candidato ao título.

 

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México derrota a campeã Alemanha

 

Lozano comemora o gol que deu a vitória ao México sobre a favorita Alemanha (Foto: Christian Hartmann/Reuters)

 

Depois da Argentina, que ontem (aqui) não foi além do empate em 1 a 1 contra a pequena Islândia, hoje foi a vez de mais um favorito ao título na Copa da Rússia decepcionar. Atual campeã do mundo, a Alemanha foi derrotada pelo aplicado México, por 1 a 0, O gol foi marcado aos 35 minutos da etapa inicial pelo atacante Hirvin Lozano, destaque do holandês PSV, clube que já abrigou os talentos dos brasileiros Romário e Ronaldo Fenômeno.

Desde o começo do jogo, os mexicanos mostraram que estavam dispostos a endurecer contra os campeões. E souberam explorar uma deficiência na defesa germânica: o corredor aberto pelas subidas ao ataque do lateral-direito Joshua Kimmich, que não recebeu cobertura eficaz do volante Sami Kedhira. Foi pela esquerda do seu ataque que o México contra-atacou sempre com perigo e onde o passe de Javier Chicharito achou Lozano para abrir e definir o placar. A comemoração na cidade do México foi tanta que, segundo o Instituto de Investigações Geológicas e Atmosféricas, chegou a literalmente causar um abalo sísmico na capital do país.

No final do segundo tempo, após fazer várias substituições, mas sem conseguir furar o bom esquema defensivo mexicano, até o goleiro alemão Manuel Neuer subiu à área adversária, para tentar o gol como atacante. Conhecido pelo inovador trabalho como líbero, jogando com os pés fora de sua área, não adiantou. Agora, a Alemanha se junta a Espanha em 2014 e a França, em 2002, campeões dos Mundiais anteriores que estrearam com derrota quatro anos depois.

Antes da Copa, o presidente russo, Vladimir Putin, provocou os campeões do mundo, com uma referência clara à II Guerra Mundial (1939/45): “a Alemanha não costuma se dar bem na Rússia”. E parece não ter errado, pelo menos em relação ao jogo encerrado há pouco. Ele foi disputado em Moscou, capital russa que os alemães não conseguiram tomar, depois de invadirem o país na II Guerra. A diferença é que, hoje, o Exército Vermelho usou a camisa verde do México.

Para os brasileiros que comoraram a derrota inesperada do seu algoz na Copa de 2014, é bom lembrar que caso o time de Neymar e Tite se classifique em primeiro lugar no Grupo E, cruzará nas oitavas de final com o segundo do Grupo F, posição em que a Alemanha pode ficar, depois da derrota de hoje.

 

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Brasil estreia hoje contra o ferrolho suíço na Rússia

 

(Foto: Pedro Martins – Moa Press)

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Ausência sentida na Copa da Rússia, a Itália é famosa no mundo do futebol pela eficiência do seu sistema defensivo. Pois a Suíça também. A diferença é que a seleção que enfrenta o Brasil de Neymar, às 15 de hoje, na Arena de Rostov, nunca ganhou um Mundial — título conquistado quatro vezes por italianos e outras cinco, pelos brasileiros.

Ainda que não tenha conquistas importantes no currículo da sua seleção — nunca ganhou uma Eurocopa—, o esquema de jogo dos adversários do Brasil tem nome e nacionalidade no sobrenome: ferrolho suíço. Em línguas faladas no país, é conhecido como “Verrou suisse” em francês e “Schweizer Riegel”, em alemão. O sistema defensivo da Suíça foi apresentado ao mundo pela primeira vez na Copa de 1938, na França, na qual só caiu nas quartas de final, depois de eliminar a Alemanha. Bem verdade que o Brasil terminaria aquele Mundial com a 3ª colocação e sua vocação ofensiva representada no artilheiro da competição: o centroavante Leônidas da Silva (1913/2004), então jogador do Flamengo, com sete gols.

Em tempos mais recentes, a manutenção do esquema tático foi responsável por uma façanha defensiva: na Copa de 2010, na África do Sul, ficou 558 minutos sem tomar gol, estabelecendo o recorde de defesa menos vazada num Mundial. No jogo de abertura, após resistir ao toque de bola da melhor Espanha de todos os tempos, a Suíça fez um gol em contra-ataque e derrotou na fase de grupos o time que seria campeão daquela Copa do Mundo.

Pelo retrospecto, o jogo de hoje promete ser um teste de fogo ao time do técnico Tite, considerado pela imprensa internacional como um dos favoritos ao título na Rússia. Composto de jogadores leves, rápidos e habilidosos, o quarteto ofensivo Philippe Coutinho (Barcelona), Willian (Chelsea), Gabriel Jesus (Manchester City) e Neymar (Paris Saint-Germain) tentará se sobrepor aos atletas suíços, maiores e mais fortes. Pelas características, pode ser um embate semelhante ao enfrentado ontem (aqui) pela Argentina de Lionel Messi, diante dos vigorosos e aplicados vikings da Islândia, no jogo que terminou empatado em 1 a 1.

Para também não decepcionar na estreia, o Brasil não pode repetir os erros cometidos por los hermanos, que afunilaram muito o jogo pelo meio da área adversária. Daí a importância de outro destaque brasileiro, o lateral-esquerdo Marcelo (Real Madrid), considerado o melhor do mundo em sua posição. Ele poderá ser fundamental para abrir o jogo pelo lado canhoto do campo, onde também costuma atuar Neymar.

Sem o lateral-direito Daniel Alves (Paris Saint-Germain), cortado por contusão antes do Mundial, não se espera que seu substituto no time titular, Danilo (Manchester City), tenha a mesma importância. Muito embora as Copas também sejam feitas de surpresas, a expectativa é que as ações ofensivas brasileiras pelo lado destro sejam comandadas por Willian, com apoio do meia Paulinho (Barcelona). Ainda assim, a força pela faixa esquerda do campo, com Marcelo e Neymar, promete ser uma característica da Seleção Brasileira nos campos da Rússia.

Depois que Tite assumiu o comando, a campanha da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias da América do Sul foi considerada excelente: 12 jogos, 10 vitórias e dois empates, se classificando em primeiro lugar. Embora tenham conseguido sua vaga só na repescagem, com uma vitória por placar mínimo e um empate com a Irlanda do Norte, a Suíça só ficou atrás de Portugal em seu grupo. Com o mesmo número de pontos (27) as duas seleções europeias tiveram os mesmos 10 jogos, nove vitórias, um empate e nenhuma derrota. Os portugueses só ficaram na frente pelo saldo de gols: 28 contra 16, dos suíços.

E o time do atacante Cristiano Ronaldo estreou na Copa da Rússia (aqui) com muita autoridade, no empate de 3 a 3 contra a Espanha, candidata ao título, na última sexta (15). Ademais, a Suíça tem no time aquele que é apontado como o maior jogador da sua história: o meia canhoto Xherdan Shaqiri (Stoke City), nascido em Kosovo, na antiga Iugoslávia.

No retrospecto do confronto direto entre as duas seleções, foram oito jogos, com três vitórias brasileiras, duas suíças e três empates. Em Copas do Mundo, só se enfrentaram uma vez: em 1950, no Brasil, num empate de 2 a 2. No último jogo, um amistoso em 14 de agosto de 2013, a vitória foi suíça: 1 a 0. Para quem espera uma goleada no jogo de hoje, bom lembrar que a Seleção Brasileira nunca conseguiu marcar mais de dois gols na Suíça. E vice-versa.

 

 

Publicado hoje (17) na Folha da Manhã

 

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Modric dá vitória a Croácia e faz pensar: por que não produzimos mais jogadores assim?

 

Categoria de Modric contra a Nigéria

 

Por conta do trabalho na cobertura da Copa da Rússia, ironicamente não pude assistir ao primeiro tempo de um dos confrontos que prometiam nesta primeira rodada: Croácia x Nigéria. Mas conferi o segundo tempo, quando aos 26 minutos foi ampliada a vitória croata para 2 a 0.

Não só por ter cobrado com muita categoria o pênalti bem marcado pelo árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci, mas pela capacidade de ler e mudar o jogo, dá um grande prazer ver o meia Luka Modric jogar.

Como a seleção da Croácia depende mais dele do que o Real Madrid, no qual brilha em meio a tantas estrelas, Modric notou que a Nigéria pressionava pelo empate no segunto tempo, enquanto perdia de apenas 1 a 0. E, ato contínuo, ele saiu da meia cancha para se aproximar do seu ataque e equilibrar a presão africana.

 

Sob a festa da torcida, jogadores da Croácia abraçam seu craque, após ele definir a partida (Foto: Jamie Squire/FIFA/Getty Images)

 

O resultado? Com volume de jogo igualado, Modric cobrou o escanteio que gerou o pênalti, também batido por ele, bola para um lado, goleiro para o outro. Garantidos os três pontos, a Croácia fica em posição privilegiada no difícil Grupo D, com o empate de 1 a 1 (aqui) entre Argentina e Islândia.

Ao brasileiro com algum conhecimento de futebol, ver Modric em campo torna inevitável o questionamento: após décadas com pelo menos um meia criativo em cada time de primeira divisão do país, como e por que paramos de produzir jogadores como esse cerebral croata?

 

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Argentina empata com a Islândia e Messi põe a barba de molho

 

Messi teve o pênalti defendido pelo bom goleiro islandês  Hannes Halldórsson (Foto: Albert Gea – Reuters)

 

Ontem, no empate Portugal 3×3 Espanha,  foi o dia (aqui) de Cristiano Ronaldo. Hoje, no empate Argentina 1×1 Islândia, não foi o dia de Lionel Messi. Se o atacante português fez três gols, de pênalti, bola rolando e cobrança de falta, o argentino perdeu um pênalti, cobrou faltas e tentou de tudo com a bola rolando, mas os caprichosos deuses do futebol simplesmente não lhe sorriram.

Bonito ver os fortes homens louros de uma pequena nação viking, com população menor do que o município de Campos, igualar o placar contra uma potência do futebol mundial. Dublê de goleiro e cineasta, o goleiro Hannes Halldórsson foi personagem de filme ao defender o pênalti de Messi, aos 19 do segundo tempo. Assim como passou à história do seu país o atacante Alfred Finnbogason, ao marcar o primeiro gol da Islândia em Copas do Mundo, aos 23 da etapa inicial, para empatar o placar aberto quatro minutos antes pelo argentino Sergio Agüero.

Ontem, após marcar o primeiro do seus três gols, Cristiano Ronaldo puxou (aqui) uma barbicha imaginária, numa referência à cabra — “goat” em inglês, abreviatura de “greatest of all time” (melhor de todos os tempos) — com que o craque argentino posou antes da Copa para uma revista dos EUA. Ao passar em branco hoje, Messi ostentava uma barba real. No contraste, melhor deixá-la de molho.

 

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Vanessa Henriques — Nem uma a menos

 

 

 

No último 14 de junho os movimentos feministas da América Latina conquistaram uma significativa vitória: um projeto de lei que despenaliza o aborto até a 14ª semana de gestação foi aprovado pela maioria na Câmara de Deputados da Argentina. Foram 129 votos a favor e 125 contra em uma vitória apertada que fez vibrar a multidão que ostentava lenços verdes ao lado de fora do Parlamento, em vigília desde a noite anterior, a despeito do frio de quase 0 grau. O projeto agora segue para o Senado, de composição mais conservadora, mas que não estará imune à pressão das milhares de mulheres, sobretudo jovens, que abraçaram fervorosamente a luta pelo direito de abortar na Argentina. Dezenas de colégios foram ocupados por meninas secundaristas que se manifestaram a favor do aborto e que se recusaram a desocupar as salas de aula até que obtivessem a aprovação do projeto.

O atual ministro da Saúde argentino, Adolfo Rubinstein, foi um dos defensores da aprovação do projeto de lei, afirmando que “47 mil mulheres deram entrada nos hospitais públicos do país, em 2014, após a realização do aborto em clínicas clandestinas” e que “em 2016 foram registradas 43 mortes maternas por aborto”.

Defender o direito à interrupção da gravidez até cerca de três meses de gestação não significa que se é “contra a vida”, como grupos conservadores querem fazer crer à população, de forma apelativa. Não se trata de matar crianças, de não gostar de crianças ou mesmo de gostar de abortar. Trata-se de defender um direito de interromper uma gravidez não desejada em um período da gestação em que o feto não possui atividade cerebral, critério esse que teve significativa importância na decisão do Supremo Tribunal Federal de descriminalizar o aborto de fetos anencéfalos no Brasil, em 2012. Na ocasião, de acordo com o entendimento firmado, “o feto sem cérebro, mesmo que biologicamente vivo, é juridicamente morto, não gozando de proteção jurídica e, principalmente, de proteção jurídico-penal”. Vale salientar que este também é o entendimento adotado na maior parte dos países considerados desenvolvidos.

A Pesquisa Nacional de Aborto, realizada em 2016, que é um inquérito domiciliar cuja amostra probabilística representa a população feminina de 18 a 39 anos alfabetizada no Brasil, aponta que uma em cada cinco mulheres já realizou um aborto no país. Metade dessas mulheres abortou usando medicamentos e cerca de metade dessas mulheres precisou ser internada para finalizar o aborto (48%). As taxas de aborto são maiores entre mulheres nas regiões Norte, Centro Oeste e Nordeste, em capitais do que em áreas não metropolitanas, em mulheres com escolaridade até o quinto ano do que com nível superior frequentado, entre negras e pardas do que em brancas, entre as mulheres que já tinham filhos do que entre as que nunca tiveram. Por fim, a pesquisa estima que no ano de 2015 ocorreram cerca de meio milhão de abortos no Brasil.

Estes dados nos permitem afirmar que o aborto é um fenômeno comum no Brasil. Mulheres abortam todos os dias por inúmeros motivos. Porque não se sentem preparadas para serem mães, porque não tem um relacionamento afetivo estável, porque não possuem boa condição financeira, porque se julgam jovens demais, porque não querem atrapalhar os estudos e/ou a vida profissional, porque não desejam ter filhos em nenhum momento da vida, porque não desejam ter mais um filho, porque sabem que terão que criar um filho sem a ajuda do pai, ou porque simplesmente não querem. Por qualquer motivo que seja, não querem. É sabido que nenhum método contraceptivo é 100% eficaz. E que atire a primeira pedra aquele que nunca cometeu alguma irresponsabilidade com relação à proteção na hora do sexo.

Cá no Brasil, para agosto está convocada uma audiência pública no STF para discutir a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Em 2016, uma decisão do mesmo STF firmou o entendimento de que o aborto até a 12ª semana é um direito constitucional das mulheres. A decisão não é vinculatória, mas estabelece um precedente importante. O debate promete avançar com a discussão pública sobre tema tão caro às mulheres de todo o país.

Encerro com o bordão entoado pelas argentinas: “Educação sexual para decidir, métodos contraceptivos para não abortar, aborto legal para não morrer”.

 

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