Opiniões

Gabigol se iguala a Zico na artilharia do Brasileiro, que é do Flamengo. A Libertadores, veremos…

 

Com o gol marcado hoje, terceiro dos 3 a 1 na virada do Flamengo sobre o Bahia, Gabigol se igualou aos 21 marcados por um tal de Zico, nos Brasileiros de 1980 e 1982 (Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No dia 23 deste mês, daqui a apenas dois sábados, é o River Plate, em Lima, no Peru. E contra o tradicional copeiro argentino, atual campeão da Libertadores, quatro vezes senhor da América do Sul, não há favoritimo ao Flamengo. Na sua primeira final de Libertadores após 38 anos, qualquer juízo racional dirá que as chances rubro-negras são, no máximo, iguais.

Mas hoje, após a vitória de 3 a 1 no Maracanã, de virada, vendida cara pelo perigoso e leal time do Bahia, não dá para ignorar que o destino vem sorrindo ao clube de futebol reconhecido pela Fifa como o mais popular da Terra. Nome da partida com movimentação incessante e duas assistências a gol, para o menino Reinier e o decisivo Bruno Henrique, Gabigol também marcou o seu, terceiro do Fla. E com ele chegou aos 21 neste Brasileirão, se igualando à marca anotada por um tal de Zico. Que também balançou as redes adversárias 21 vezes, nos Brasileiros de 1980 e 1982.

O gol de Gabigol foi no rebote de uma cobrança de falta de Arão, à la Zico, que explodiu no travessão. E ver o aguerrido Arão batendo falta como o maior gênio da história do Flamengo só evidencia como as coisas andam boas para o time da Gávea.

Salvo as possibilidades matemáticas ainda contrárias e mais remotas a cada rodada, o time do treinador português Jorge Jesus — que hoje viu o jogo das tribunas, supenso pelo terceiro cartão amarelo — é o campeão brasileiro de 2019. Da Libertadores, com os pés devidamente plantados no chão, veremos.

 

Quem mais perdeu com Lula Livre hoje, após a decisão do STF de ontem?

 

(Foto: Ricardo Stuckert)

 

Quem mais perdeu com Lula livre hoje, após a decisão do STF de ontem e os 580 dias de cadeia na Superintendência da PF em Curitiba? Eles mesmos: Carluxo, Dudu e Flávio Bolsonaro. Agora os respectivos filhos 02, 03 e 01 do presidente deixam de ser a principal força de oposição ao governo do pai.

 

(Foto: Antonio Milena – Veja)

 

Rodrigo projeta 2º turno a prefeito de Campos entre Wladimir e Caio, que apoiaria

 

Deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campos, Rodrigo Bacellar fechou a semana do Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3 (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

“Por pesquisa (a prefeito de Campos em 2020), hoje, quem se sobressai é o Caio Vianna (PDT) e o Wladimir Garotinho (PSD), na cabeça. Se a gente olhar uma qualitativa, o meu nome aparece muito bem, em função até de, entre os nomes colocados (como pré-candidatos a prefeito), eu ser um debutante em política e o mais desconhecido. Então, claro, se você tem um conhecimento menor, tem um potencial de crescimento absurdo. Por isso até há grande pressão de bastidores para que eu saia candidato. Se a eleição fosse agora, o segundo turno seria Caio e Wladimir Garotinho”. Foi o que disse no início da manhã hoje (08) o deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campos Rodrigo Bacellar (SD), durante entrevista que fechou o Folha no Ar 1ª edição da semana, na Folha FM 98,3. Perguntado sobre quem apoiaria, caso sua previsão se cumprisse ao segundo turno da eleição a prefeito em 2020, o parlamentar não teve dúvida: “Apoiaria Caio, sem sombra de dúvida”.

Sobre a pré-candidatura à reeleição do prefeito de Campos, Rafael Diniz (Cidadania), Rodrigo disse logo na sequência:

— Falei com ele: se realmente você pensa em reeleição, você tem que trabalhar muito rápido. Porque seu poder de recuperação só tem aí até o início do ano de verdade, que é março, quando voltam as aulas, volta a vida ao normal. Porque se não recuperar até ali, é natural, todo mundo sabe, a debandada é enorme. A gente sabe como é o poder público, seja com Rafael ou em qualquer lugar. Quando você não está indo muito bem, a coisa não se recupera, na reta final, quando vai começar o processo eleitoral, todo mundo pula.

Sobre o Restaurante Popular de Campos, na qual tem trabalhado junto com Rafael na união do governo municipal com a gestão estadual de Wilson Witzel (PSC), Rodrigo apostou na reabertura e deu prazo:

— O estado está quebrado, o município está quebrado. Nada melhor que juntar os cacos de um com o outro para poder beneficiar o povo. Houve uma mudança na secretaria (estadual) de Assistência Social, que o governador (Witzel) nos ouviu, a gente tem andado muito junto. A gente que eu digo, é sempre o presidente (da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Alerj) André Ceciliano (PT), que é o meu líder político, é uma pessoa a quem eu tenho estado muito próximo. Até porque está havendo um movimento da Alerj de abrir mão de parte da sua arrecadação, do seu duodécimo, retornando ao governo, para que desenvolva e mantenha algumas ações. Nessas reuniões conjuntas, eu pedi ao governador que deliberasse de maneira especial o Restaurante Popular de Campos, que começasse por aqui. E falei bem claro para o governador e assim será: todos os deputados da região estarão aqui presentes (na reabertura do Restaurante Popular). Não tem que ter: “Ah, eu sou o ‘pai da criança’”. Não tem essa palhaçada! Eu não sei se, por conta do fechamento do ano, já estamos quase na metade de novembro, mas se não sair até este ano, no mais tardar, até o primeiro trimestre do próximo ano.

O entrevistado também falou sobre uma versão de bastidor que dá conta de um acordo entre ele, André Ceciliano e Caio, em torno do apoio a este, para tentar se eleger prefeito de Campos em 2020. E, em troca, Rodrigo seria indicado como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele negou a acordo, mas admitiu a pretensão:

— Nunca existiu esse tipo de conversa. Conversa minha, de Caio e de Gil (Vianna, PSL, deputado estadual e também pré-candidato a prefeito de Campos) existia, falando sobre eleições (de 2020). Agora de Caio, envolvendo André (Ceciliano), nunca. Até porque Caio, ou qualquer prefeito que ganhe aqui as eleições do ano que vem, não tem ingerência alguma na escolha de novos conselheiros (do TCE). Não vou dizer que fujo disso, trabalhei lá por muitos anos, tenho um carinho especial pelo Tribunal (de Contas do Estado), sou amigo e convivi com muitos dos conselheiros que hoje se encontram afastados (que chegaram a ser presos na operação Quinto do Ouro, da Polícia Federal), como tenho muito boa relação com os conselheiros atuais. Todo mundo sabe da minha paixão pelo Tribunal. Eu falo muito que eu estou deputado, mas sou advogado. E, de fato, isso já foi até falado na Casa (Alerj).

Confira nos três vídeos abaixo o último Folha no Ar 1ª edição da semana, com a entrevista do deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campos Rodrigo Bacellar:

 

 

 

 

IFF tem três candidatos a reitor na eleição de 11/12: Jefferson, Jonivan e Maurício

 

IFF terá como candidatos a reitor os professores Jefferson Manhães de Azevedo, Jonivan Coutinho Lisbôa e Maurício Gonçalves Ferrarez (Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Com a publicação hoje do edital de homologação das candidaturas a reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), começou hoje oficialmente a campanha eleitoral ao comando da instituição federal de ensino de Campos e região. Serão três candidatos: o atual reitor, professor Jefferson Manhães de Azevedo (1005323), e os professores Jonivan Coutinho Lisbôa (1000552), diretor de Extensão e Pós-Graduação do campus Campos-Centro; e Maurício Gonçalves Ferrarez (1185146), coordenador adjunto do curso de bacharelado em Engenharia de Controle e Automação. A campanha se estenderá até 10 de dezembro, com o pleito ocorrendo das 9h às 21h do dia 11.

Além do reitor, também serão eleitos os diretores dos 11 campi do IFF: Campos-Centro, Guarus, São João da Barra, Quissamã, Macaé, Itaperuna, Cambuci, Bom Jesus do Itabapoana, Santo Antônio de Pádua, Cabo Frio e Maricá. As três categorias da instituição — professores, técnicos e estudantes — têm o mesmo peso na votação: 1/3.  Mas como a instituição tem cerca de 20 mil alunos, 1.100 professores e 700 técnicos, o voto destes acaba tendo o maior peso unitário na divisão. O professor José Boynard, do Conselho Superior (Consup) do IFF, informou que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) dará apoio à eleição com as urnas eletrônicas nos locais de votação, além de inseminar as urnas e treinar os mesários.

O blog pediu na tarde de hoje uma declaração em resumo a cada um dos três candidatos a reitor do IFF. Jonivan e depois Jefferson enviaram suas respostas. Devido a um problema de contato, Maurício só pode se manifestar na tarde de sexta (08), sendo acrescido na postagem:

Jonivan Lisbôa

— Sou Jonivan Lisbôa, professor do campus Campos-Centro, e estou me candidatando ao cargo de reitor do IFF, após 26 anos de experiência como docente e coordenador, e oito anos como diretor, atuando nesse período na gestão da Extensão, Pesquisa e Pós-Graduação. Acompanhei todas as transformações institucionais desde a época de Escola Técnica Federal de Campos (ETFC), passando por Cefet e atualmente Instituto Federal Fluminense (IFF). Minha candidatura tem o lema “Dialogar, Inovar e Evoluir”, representando uma gestão que ouvirá todas as instâncias da comunidade acadêmica e atores externos. E melhorará práticas e processos, para que os índices de governança atinjam níveis compatíveis com nossa tradição, permitindo assim a evolução da nossa instituição e a satisfação da nossa comunidade.

Jefferson de Azevedo

— São 30 anos de trabalho e aprendizado no IFF, como estudante, servidor técnico-administrativo e docente. Sou professor titular e doutor em engenharia de sistemas e computação. Como gestor público, ao longo de 19 anos, exerci as funções de Coordenação, Direção de Pesquisa e Pós-graduação e vice-direção geral do Cefet-Campos e a pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação do IFF. Eleito e reeleito diretor-geral do IFF Campos-Centro e, em 2016, eleito reitor do IFF. Como reitor, assumi a presidência do Fidesc, a coordenação do Centro Unesco/Unecov e da Câmara de Internacionalização do Conselho dos Reitores dos Institutos Federais. O que me credencia a pleitear mais um mandato para dirigir nossa casa não são as respostas que julgo ter e o que tenho a compartilhar profissionalmente, mas minha disposição para continuar a questionar, perceber o que pode ser um sonho comum ao nosso IFF e a nossa rede federal, no sentido de intervir na realidade social em qualquer ponto onde esteja um de nossos campi, referenciados pelas melhores experiências desenvolvidas no país ou pelos parceiros internacionais — disse Jefferson.

Maurício Ferrarez

— Iniciei carreira na instuição em janeiro de 1996 e, atualmente, exerço pela terceira vez o cargo de coordenador do Curso de Engenharia em Controle e Automação no campus Campos-Centro. Ao longo destes 23 anos, participei de forma ativa em todos os momentos da instituição, contribuindo para a melhoria dos processos. Entendo que a nova reitoria do IFF terá a missão de elevar a instituição a um novo patamar de gestão, por meio da utilização de ferramentas e práticas gerenciais mais modernas e eficientes. Além disso, é necessário ampliar a atuação do IFF na solução das demandas da região onde atua, seja por meio de parcerias com empresas ou atuando diretamente na sua região de atuação. Neste sentido, me coloco à disposição da comunidade, lançando algumas propostas de programas/projetos mas, acima de tudo, disposto a ouvir os anseios dos servidores e dos alunos, sendo estes o mais valioso bem e a quem devemos nossa maior dedicação — pregou Maurício.

Confira abaixo o edital de homologação das candidaturas a reitor do IFF, da sua Comissão Central Eleitoral, para o pleito de 11 de dezembro:

 

 

Atualizado às 21h13, para incluir a declaração de Jefferson Manhães de Azevedo

 

Atualizado às 16h18 de 08/11, para incluir a declaração de Maurício Gonçalves Ferrarez

 

Bianca e Maria Laura analisam o Flamengo de Jesus no Brasileiro e na Libertadores

 

Craques na bola e na análise de futebol hoje no Folha no Ar: Maria Laura Gomes e Bianca Inojosa (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

 

No país de Marta — seis vezes escolhida pela Fifa como melhor jogadora do mundo recentemente conquistado pelos EUA da também craque Megan Rapinoe — futebol é papo de mulher, sim, senhor. E ninguém no futebol brasileiro tem sido mais tema de papo que o Flamengo, líder isolado do Brasileiro e finalista, após 38 anos, da Libertadores da América. No dia seguinte ao time do treinador português Jorge Jesus massacrar o Corinthians no Maracanã por 4 a 1, duas flamenguistas entraram em campo no Folha no Ar 1ª edição, no início da manhã de hoje (04), para falar do que conhecem — e jogam — melhor que muito marmanjo: a empresária e atleta de futevôlei Bianca Inojosa e a jornalista e atleta de futebol amador Maria Laura Gomes.

— Eu agradeço ao Jorge Jesus por ele conseguir tirar tudo de cada jogador. Antigamente, o Flamengo dependia muito de um só jogador. Hoje não. Você tem vários. Ontem, por exemplo, mesmo sem Gabigol (suspenso), Bruno Henrique conseguiu fazer três gols. Depois, o Vitinho (reserva que entrou no segundo tempo) conseguiu fazer mais um. Então o Flamengo, hoje em dia, não depende de um só jogador. Qualquer jogador que você colocar vai surtir efeito — ressaltou Maria Laura.

— É muito importante o trabalho de resgate que ele (Jorge Jesus) fez com jogadores como Arão. E agora a gente vê aquele golaço que Vitinho fez (o quarto). Nossa mãe! Antes o cara pegava a bola e sempre isolava. Agora, em um pequeno espaço, não precisou de distância, limpou o lance e fez um golaço. Acho até que o principal reforço que o Flamengo tem que manter, primeiro, é o técnico. Ele está conseguindo resgatar muita gente. E o que o Corinthians sempre pregou, de ter a melhor defesa, tem Gil (zagueiro campista), que joga muita bola. Mas o Flamengo realmente deu um passeio — completou a tabela Bianca.

As duas consideram que, com apenas mais oito rodadas para o final e com oito pontos de vantagem sobre o Palmeiras, segundo colocado, a conquista do Brasileiro está praticamente definida para o Flamengo. Mas e a final da Libertadores contra o tradicional copeiro argentino River Plate, marcada para 23 de novembro, no Chile incendiado por protestos?

— O River é preocupante. Mas outro dia eu vi em um programa da SportTV, que eles queriam ganhar do Boca (Juniors, adversário que bateram na semifinal) pela rivalidade. Tudo bem que não pode dizer que vai baixar a guarda. Mas acho que não vai jogar com essa disposição toda. Eu penso que (a tradição) pode pesar, já foi campeão ano passado, já tirou o Boca. Eles vão chegar lá querendo ganhar, são raçudos. Mas eu acho que o Flamengo tem uma grande chance de se sagrar campeão, sim — apostou Bianca.

— Eu acho que a gente tem que ter respeito total, porque o River é o River. Mas eu vi o último jogo deles (pela Libertadores) contra o Boca e não foi nada demais. Eles têm quatro Libertadores, são os atuais campeões, têm que ser respeitados. Só acho que, pelo que o Flamengo está jogando, o time está muito embalado. A gente tem possibilidade, sim, de ganhar. Mas tem que ter o pé no chão — pregou Maria Laura.

 

Heloísa Landim será a entrevistada do Folha no Ar 1ª edição na manhã desta terça (05)

 

Na manhã desta terça (05), sempre a partir das 7h, a convidada do Folha no Ar será outra mulher ligada aos esportes e flamenguista: a professora de educação física e secretária do Envelhecimento Saudável e Ativo de Campos, Heloísa Landim. Até lá, confira nos vídeos abaixo, os áudios da entrevista com Bianca e Maria Laura:

 

 

 

 

Após 4 a 1 no Corinthans, Jesus reverencia Fla de Zico e pontua: ainda não ganhamos nada

 

 

O massacre de 4 a 1 do Flamengo sobre o Corinthians na tarde de hoje no Maracanã, com atuações de gala do atacante Bruno Henrique e do meia Gérson, deixa o título do Brasileiro praticamente garantido ao clube da Gávea.

Ainda assim, na coletiva após o jogo, o treinador português Jorge Jesus calçou as sandálias da humildade ao reverenciar o passado de glória de clube. Que só será repetido se, além do Brasileiro, o Flamengo conquistar também a Libertadores, contra o River Plate, e o Mundial, diante do mesmo Liverpool de 38 anos atrás.

Ao ser perguntado que inspiração sua equipe busca no Flamengo de Zico, o “Mister” pontuou: “Aqueles jogadores fizeram sua história, conquistaram títulos e hoje fazem parte da história. Nós estamos fazendo nossa história, mas só com títulos faremos parte da história. E ainda não ganhamos nada”.

 

Flamengo de Zico ou Jesus — Qual seria o melhor time entre 1981 e 2019?

 

(Arte:Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Entre o Flamengo de 1981 e o de 2019: Raul/Diego, Leandro, Rodrigo Caio, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zixo.; Tita, Gabigol e Bruno Henrique. Técnico: Jorge Jesus (Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

O Flamengo de Zico ou o de Jesus? O primeiro foi campeão brasileiro três vezes, em 1980, 82 e 83 — quatro, se contabilizada a Copa União de 87 —, e conquistou a América do Sul e o mundo em 1981. O segundo, ainda não ganhou nada, mas está com oito pontos de vantagem no Brasileiro deste ano, em que disputará a final de Libertadores da América no próximo dia 23 contra o tradicional copeiro argentino River Plate. E, se ganhar, poderá jogar outra final de mundial em 13 de dezembro contra o mesmo clube inglês Liverpool que goleou por 3 a 0, em ritmo de treino, exatos 38 anos antes. Gênio e líder do Flamengo que realizou o maior feito da sua história, Zico é até hoje considerado o messias da Gávea. De fato, para os flamenguistas mais apaixonados, o Natal é celebrado em 3 de março, dia em que nasceu seu grande craque, 66 anos atrás. Com o nome do messias cristão, o treinador português Jorge Jesus fez o Flamengo de hoje resgatar a tradição daquele futebol técnico e ofensivo que se assenhorou do Brasil, da América e do mundo, no início dos anos 1980. Quase quatro décadas depois, a expectativa gerada gerou também a pergunta que imprensa e torcida, não apenas a rubro-negra, têm se feito: e entre o Flamengo de Zico e Jesus? No mano a mano hipotético entre os dois times, quem são os 11 que entrariam no gramado? A busca de resposta, sempre subjetiva, é tão difícil que a Folha saiu a campo atrás dela e achou 12 jogadores. Além do seu treinador.

No exercício sempre instigante de comparar um passado de glória com o presente e o porvir, ouvimos 24 pessoas ligadas ao futebol, entre ex-craques e treinadores, jornalistas esportivos da mídia nacional e regional, além de torcedores — não só do Flamengo. Na comparação jogador a jogador, foi registrado um único empate: entre os goleiros Raul Plassmann e Diego Alves. Com 12 votos cada, jogariam um em cada tempo. O resto dos titulares rubro-negros dos sonhos ficou com Leandro na lateral-direita (22 votos), Rodrigo Caio na zaga central (10 votos), Mozer na quarta-zaga (23 votos), Júnior na lateral-esquerda (24 votos), Andrade como volante (22 votos), Adílio de meia (21 votos), Zico como antigo ponta de lança (24 votos), Tita na direita do ataque (13 votos), Gabigol como centroavante (13 votos) e Bruno Henrique (21 votos) nas ações ofensivas pela esquerda. Ele foi o mais bem votado entre os jogadores do Flamengo atual. Seu técnico, Jorge Jesus comandaria o time fora do campo, com 18 votos.

Apesar da expectativa gerada pelo Flamengo de hoje, ele colocaria apenas três jogadores — quatro no empate de Diego com Raul — no misto hipotético com o maior Flamengo do passado. Mas daria também o seu treinador, português que vem revolucionando o futebol brasileiro. Sem a burrice sentenciada pelo tricolor Nelson Rodrigues, a unanimidade dos 24 votantes se deu apenas com os dois gênios mais conhecidos do Fla de 1981: Zico, maior jogador do Flamengo em todos os tempos, considerado pela Fifa e pelas tradicionais revistas europeias World Soccer e France Football entre os 10 melhores camisas 10 produzidos no século XX; e Júnior, destaque na história do time e do futebol brasileiro, como lateral ou meia.

 

Colégio eleitoral: José Trajano. Paulo Vinícius Coelho. Paulo César Caju, Bianca Inojosa, Josué Teixeira, Gecildo Souza. Jorge Sena, Péris Ribeiro. Igor Siqueira, Paulo Renato Porto, Viviane Siqueira, Antunis Clayton, Arnaldo Garcia, Luiz Costa, Marco Antônio Rodrigues, Sebastião Carlos Freitas, Thiago Corrêa. Roberto Dutra, Leonardo Moreira, Rafael Abud, Heloísa Landim, Carlos Alexandre de Azevedo Campos. Christiano Aberu Barbosa e Eron Simas (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não apenas flamenguistas, os votantes foram o ex-craque tricampeão pela Seleção Brasileira de 1970 e colunista de O Globo, Paulo César Caju; o ex-artilheiro do Atlético de Madri e técnico Jorge Sena; os treinadores do Americano e do Campos, respectivamente Josué Teixeira e Gecildo Souza. Entre os jornalistas, participaram da enquete três titulares da mídia nacional: José Trajano, do Portal Ultrajano, TVT e rádio Brasil Atual; Paulo Vinícius Coelho, o PVC, da Fox Sports e da rádio Globo/CBN; e Igor Siqueira, repórter campista hoje em O Globo e Extra. Pela crônica esportiva regional, teve voz o seu decano, Péris Ribeiro, com passagem nacional pela revista Placar e autor do livro “Didi, o Gênio da Folha Seca”; além de Paulo Renato Porto, Marco Antônio Rodrigues, Viviane Siqueira, Antunis Clayton, Luiz Costa, Sebastião Carlos Freitas e Arnaldo Garcia. Também participaram a profissional de educação física Heloísa Landim e o presidente da Embaixada do Fla-Campos, Thiago Corrêa.

Entre os “simples” torcedores, votaram quatro que representam bem o arquétipo do flamenguista apaixonado: a empresária e atleta de futevôlei Bianca Inojosa, o motorista Leonardo Moreira, o médico Rafael Abud e o sociólogo Roberto Dutra. A lista de eleitores foi completa por três não rubro-negros: o advogado botafoguense Carlos Alexandre de Azevedo Campos, o empresário e triatleta tricolor Christiano Abreu Barbosa e o juiz de Direito e atacante de futebol amador Eron Simas. Mesmo torcedor do Grêmio, goleado por 5 a 0 pelo Flamengo na semifinal da Libertadores, no Maracanã do último dia 23, o magistrado não se furtou em julgar o que há de melhor entre o passado e o presente do time que eliminou o seu.

Na dúvida diante da pergunta que só tem resposta na imaginação, uma coisa é certa. Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico; treinados pelo ex-craque Paulo César Carpegiani; entraram no campo do Estádio Nacional de Tóquio, no começo da tarde japonesa de 13 de dezembro de 1981, madrugada no Brasil, para escrever a página mais importante dos 124 anos de história do Clube de Regatas do Flamengo. Foi quando aquele time, campeão da Libertadores da América, conquistou também o mundo, ao bater por 3 a 0 o Liverpool — o mesmo que levantaria quatro Champions da Europa. “Em dezembro de 81/ Botou os ingleses na roda/ Três a zero no Liverpool/ Ficou marcado na história”, como canta hoje a maior torcida do mundo. É uma adaptação da música “Primeiros Erros”, do músico santista Kiko Zambianchi, que se tornou um segundo hino do clube da Gávea.

Ainda sem ter conquistado nada, o Flamengo do “Mister” lusitano vem apresentando grande futebol. Vem de tropeço, é verdade, ao ceder o empate em 2 a 2 com o Goiás na última quinta (31). E às 16h de hoje encara no Maracanã o Corinthians, clube da segunda maior torcida do país. Independente da vantagem na tabela com que sair de campo sobre o Palmeiras, vice-líder do Brasileiro, seu maior desafio está marcado para a final da Libertadores contra o River Plate, às 17h30 do próximo dia 23, no Estádio Nacional de Santiago — se os protestos do Chile não alterarem local e data. Mas, sob a batuta de Jesus, Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Arão, Gérson e Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Gabibol e Bruno Henrique; tornaram possível acreditar em um sonho. Que é cantado a plenos pulmões por 40 milhões de rubro-negros: “E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”.

No Brasil de hoje, o Flamengo é uma das poucas coisas que vem dando certo. Até quando e onde, só os caprichosos deuses do futebol dirão.

 

Antropóloga Fernanda Huguenin

Flamengo e Brasil, misto de dor e glória

Por Fernanda Huguenin(*)

 

O gosto pelo Flamengo deu-se na infância vivida nos anos 80, ainda sob a ditadura, quando aos pés do pai sobre o tapete da sala recebia chutes acidentais para um gol imaginário que se transmutava da TV para o ar. Zico era o herói ao qual a reverência foi marcada no registro de nascimento do irmão, como dádiva pela vitória no Mundial de 1981.  A explicação das regras do jogo tinha a didática dos exemplos hipotéticos e, às vezes, da bola jogada no quintal, embora futebol não fosse para meninas na época. Ainda não é.

Depois, já adulta, entendi a paixão brasileira ao ler um artigo antropológico que defendia que as leis do futebol são acessíveis e compreensíveis a todos, ao contrário das leis do Estado, tantas vezes válidas apenas para os inimigos. Por outro lado, a malandragem, a catimba e o jeitinho são partes da disputa pela vitória e, sabemos, pela própria vida neste país de múltiplas faltas.

No entanto, a paixão teve seu momento de ódio, como crítica ao Capitalismo que se apropria de jogadores transformados em produtos e à exclusão de torcedores expropriados da “geral”. Enquanto craques viram marcas e são vendidos por milhões aos times de fora, fabricamos em campinhos improvisados nas ruas as matérias-primas que agregam valor aos grandes clubes estrangeiros. O futebol-arte se reinventa no futebol-empresa, refazendo o percurso colonialista.

A crítica se arrefeceu ao acompanhar a mistura de talento com indisciplina do Baixinho e do Imperador. Era preciso entender a gente brasileira com empatia, reconhecendo na bricolagem um caminho para a resistência. É difícil entender como o Flamengo pode, neste ano, vivenciar a tragédia do incêndio que matou os meninos-promessa da base ao mesmo tempo em que anseia se tornar vitorioso na Libertadores. O Flamengo, como o Brasil, é o misto de dor e glória.

O time que provavelmente será o campeão do Brasileiro e (quem sabe?) chegará ao Mundial enfrenta mudanças importantes. Malandragem, catimba e jeitinho já não passam despercebidos diante do VAR. Treinar é mais importante do que saber o que fazer. E pode ser que Gabigol, Rafinha, Arrascaeta e todos os outros talentos encontrem lugar em times brasileiros.

Dizem que o Clube de Regatas fez suas lições de casa, como arrumar as contas, e por isso o time ascendeu. Já o país mantém-se na desordem de um quarto de despejo repleto do ódio de duas torcidas fanáticas e ferozes. No esporte é certo que só a união traz vitórias. Já na vida, a unanimidade é sempre burra, como disse Nelson Rodrigues. De qualquer forma, estarei ao lado do pai, que secretamente deve sofrer pelo fato de que o filho que tem o nome do herói rubro-negro de 1981 é botafoguense. Mas afinal, a liberdade de escolha é o preço da democracia!

 

*Antropóloga e aluna do curso de Direito do Isecensa

 

 

Página 12 de hoje (03) da Solha da Manhã

 

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

Rafael Diniz: “É triste ver o nome de Campos mais uma vez nas páginas policiais”

 

(Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

“É triste ver o nome de Campos mais uma vez associado às páginas policiais. O momento é delicado, porque vivemos a situação financeira mais grave de nossa história recente, que pode se agravar ainda mais caso, no dia 20 de novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) vote a favor da partilha dos royalties. Mas, pelo bem de nossa população, espero que a Justiça cumpra o seu papel. Vamos continuar trabalhando para nossa cidade superar o passado e dar a volta por cima”.

Foi o que disse o prefeito de Campos, Rafael Diniz (Cidadania), sobre a decisão da tarde de hoje (29) da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que determinou (aqui) a nova prisão do casal de ex-governadores Anthony (sem partido) e Rosinha Garotinho (Patri). O TJ derrubou a liminar do desembargador Siro Darlan que concedia liberdade ao casal. Os novos mandados de prisão já foram expedidos para ambos, que já tinham sido presos (aqui) em 3 de setembro pela operação Secretus Domus. Desdobramento da Lava Jato, a investigação apontou prática de crime nas relações do governo municipal Rosinha com a construtora Odebrecht no programa habitacional Morar Feliz.

Em setembro, as prisões de Garotinho e Rosinha foram decretadas pelo juiz Glicério de Angiolis Silva, da 2ª Vara Criminal de Campos, a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Em plantão na madrugada do dia seguinte (04/09), Siro Darlan concedeu liminarmente (aqui) o habeas corpus ao casal. Que foi revogado com a decisão de hoje da 2ª Câmara Crininal do TJ-RJ.

 

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