Campos dos Goytacazes,  23/05/2017

 

por Aluysio Abreu Barbosa

Nome de Garotinho em documentos da delação da JBS gera investigação criminal

 

Charge do José Renato publicada hoje (23) na Folha da Manhã

 

 

 

 

Investigação criminal

Independente dos resultados finais da operação Lava Jato, ela já gerou o que a degeneração da prática política brasileira mais temia: a disposição das instituições de não deixar mais nenhuma suspeita sem investigação. Neste sentido os promotores Fabiano Rangel Moreira e Renata Felizberto, respectivos titulares da 1º e 2º Promotorias de Investigação Penal (PIPs) do Ministério Público Estadual (MPE) de Campos, abriram uma investigação criminal para saber por que o nome do ex-governador Anthony Garotinho (PR) surgiu em documentos na delação de pagamento de propina, feita pela empresa JBS e homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Jornalismo investigativo

A partir de um belo trabalho conjunto de jornalismo investigativo — que deveria ser um pleonasmo, como “humorismo engraçado” —, dos blogueiros Ricardo André Vasconcelos (aqui, aqui, aqui e aqui)  Christiano Abreu Barbosa (aqui e aqui) descobriram que a logomarca do município de Campos aparecia num dos documentos da delação da JBS, no mais recente escândalo nacional de corrupção. E pesquisando no farto material fornecido pela empresa à Procuradoria Geral da República (PGR) e ao STF, Ricardo André e Christiano chegaram a uma nota fiscal, no valor de R$ 3.004.160,00, na qual o nome de Garotinho aparece manuscrito.

 

Coincidências

Segundo Ricardo Saud, delator da JBS, a nota fazia parte do pagamento de propina para compra de apoio político no ano de 2014, quando ocorreram as eleições à presidência da República e ao governo do Estado do Rio de Janeiro, pela qual Garotinho concorreu, mas não conseguiu chegar ao segundo turno. E quem emitiu a nota no valor de mais de R$ 3 milhões foi a empresa Ocean Link Solutions Ltda. Ela tem como sócio André Luiz da Silva Rodrigues, conhecido em Campos como “Deca”, onde é sócio também da Working, empresa que foi grande fornecedora da Prefeitura de Campos no governo Rosinha Garotinho (PR).

 

Estranhezas

Além das coincidências, a operação que a JBS denunciou como pagamento de propina com a Ocean Link tem estranhezas. O contrato para “consultoria, engenharia de telecomunicações e desenvolvimento de softwere (sic)” foi firmado em 28 de agosto de 2014, para um serviço de um ano. No entanto, a nota da Ocean foi gerada em 1º de setembro, quatro dias depois, e pago pela JBS no dia 8 do mesmo mês, pouco antes das eleições. Além da impressionante agilidade de 11 dias entre contrato e pagamento, pelo serviço de um ano, é de se imaginar a qualidade do software desenvolvido, quando não se sabe escrever corretamente a palavra.

 

Verdade e mentira

Rigoroso com os denunciados diretos pelas revelações da JBS, como o (ainda) presidente Michel Temer (PMDB) e o senador afastado Aécio Neves (PSDB), Garotinho ainda não esclareceu o que seu nome está fazendo em documentos que compõem a mesma delação. Após atacar a condenação na Justiça dos envolvidos na troca de Cheque de Cidadão por voto, na eleição municipal de 2016, o máximo que o político da Lapa fez foi falar genericamente: “E eles continuarão inventando mentiras, fabricando falsidades, para tentar enganar aqueles que (…) não sabem discernir o certo do errado, a verdade da mentira”.

 

Oportunidade calçada

De qualquer maneira, Garotinho terá uma boa oportunidade para discernir a mentira da verdade. Apesar de estar proibido pela Justiça de pisar na sua cidade natal, desde 24 de novembro de 2016, para não atrapalhar as investigações da Chequinho, o ex-governador está convocado para depor semana que vem na 1ª PIP de Campos. Lá está em andamento outra investigação criminal, acerca do calçamento de calçadas sem licitação, permissão da Câmara ou dos proprietários das casas, feito pelo governo rosáceo na campanha das eleições municipais perdidas ainda no primeiro turno, como foi dois anos antes, para governador.

 

Desde 1991?

Responsável pela investigação criminal do calçamento, na qual a ex-prefeita Rosinha também está convocada para depor da 1º PIP, o promotor Fabiano Moreira espera aproveitar a oportunidade para também indagar a o ex-governador sobre a investigação mais recente, acerca das delações da JBS de pagamento de propina para compra de apoio político nas eleições de 2014. Além de sócio da Ocean Link e da Working, André Luiz da Silva Rodrigues teria se filiado ao PDT em 1991, quando Garotinho estava no mesmo partido. É razoável que o MPE queira saber mais sobre essa relação entre político e empresário que parece tão antiga.

 

Publicado hoje (23) na Folha da Manhã

 

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Advogado Rodrigo Magalhães não resiste a hemorragia e morre em cirurgia

 

Magalha com sua guitarra entre luzes (Foto: Facebook)

 

 

Quando já estava em fase de conclusão, a cirurgia de emergência a que foi submetido no Prontocardio, o advogado, professor e músico Rodrigo Magalhães não resistiu a uma hemorragia e faleceu. Ele tinha 48 anos e deixa sua esposa, a médica Beatriz, e a filha Alice Magalhães, de 2 anos. Após passar mal de manhã, enquanto dava aula na Universidade Cândido Mendes, um ecocardiograma apontou um aneurisma de grande extensão na artéria aorta, próximo ao coração (aqui). Desde às 19h, ele começou a ser operado pela equipe comandada pelo cirurgião Raphael Barreto. Tudo corria bem (aqui), mas no momento de suturar a prótese instalada na artéria, houve a hemorragia, que os médicos trabalham para tentar conter, sem sucesso.

Comecei a cobrir o caso no início da tarde de ontem (22), tão logo dele soube, informado por meu irmão Christiano Abreu Barbosa. Por telefone, junto a médicos e familiares de Rodrigo, fui passando informações sobre o caso no blog, que gerou grande sensibilização nas redes sociais, pela figura gentil e afável que Magalha, como era chamado pelos amigos, sempre foi em todas as áreas de atuação da sua vida digna e breve. Saí da Folha entre o final da noite e início da madrugada, esperançoso pelos relatos de que sua cirurgia corria bem. Mas, já perto de finalizá-la, ocorreu aquilo que ninguém desejava, contrário aos desejos, orações, trabalho dos médicos e ações anônimas de pessoas que atenderam ao chamamento por doações de sangue no Hemocentro do Hospital Ferreira Machado (HFM).

Como escrevi anteriormente, conhecia Magalha desde a adolescência, nos anos 1980. Vivíamos o auge do BRock, quando ele, ainda garoto e de cabelos compridos, já brilhava como músico nas bandas locais de rock. A partir do convívio numa excursão que saiu de Campos para o primeiro show do ex-Beatle Paul McCartney ao Brasil, no Maracanã, em 1990, nos tornamos amigos. Embora nosso convívio pessoal nos últimos anos tenha se tornado mais espaçado do que, sobretudo agora, desejaria ter sido. E perceber que tantos comungam de lamento parecido, só reforçar a certeza sobre que tipo de pessoa Magalha foi.

Seu enterro será às 16h de hoje  (23) no Cemitério do Caju, onde estão sepultados seus pais, Dona Moema Alves Magalhães e Seu Carlos Abdelkader Magalhães. O velório ocorre a partir das 9h da manhã na capela do cemitério. À família e aos muitos amigos de Magalha, do coração do meu coração, todo o pesar!

 

Atualizado às 8h11 

 

 

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Corre bem a cirurgia do advogado e músico Rodrigo Magalhães

 

Rodrigo Magalhães (Foto: Facebook)

 

 

Corre bem a cirurgia do advogado, professor e músico Rodrigo Magalhães, de 48 anos, no Prontocardio (saiba aqui de maiores informações). A equipe comandada pelo cirurgião Raphael Barreto já abriu o tórax do paciente e o aneurisma na artéria aorta, que não atingiu as carótidas e a válvula cardíaca. Apesar de danificada parcialmente, ela não precisará ser trocada. A prótese na parte afetada da artéria está sendo colocada neste momento. Com expectativa inicial de durar atá a manhã de amanhã (23), a operação foi abreviada e deve durar apenas mais duas ou três horas. Nas redes sociais continua a campanha para doação de sangue de qualquer tipo no Hemocentro do Hospital Ferreira Machado (HFM).

Todos juntos na corrente pela recuperação de Magalha!

 

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Nome de Garotinho em documentos da delação da JBS gera investigação criminal

 

Anthony Garotinho

 

 

A partir da inclusão de Campos e do nome do ex-governador Anthony Garotinho (PR) no escândalo nacional da delação do pagamento de propina pela empresa JBS, como detalharam com farta apresentação de documentos os blogueiros Ricardo André Vasconcelos (aqui, aqui, aqui e aqui) e Christiano Abreu Barbosa (aqui e aqui), as 1ª e 2ª Promotorias de Investigação Penal (PIPs) do Ministério Público Estadual (MPE) de Campos se uniram para abrir uma investigação criminal sobre o assunto. Transformada em denúncia pela Procuradoria Geral da República, a delação já foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Garotinho, que já estava convocado para depor na semana que vem, na 1ª PIP de Campos, sobre a investigação criminal do calçamento de calçadas promovidas pelo governo Rosinha Garotinho (PR) em plena campanha eleitoral da eleição municipal de 2016, pode ser obrigado a dar explicações também sobre a presença do seu nome manuscrito em nota fical do que a JBS denunciou como pagamento de propina para compra de apoio político 2014. Foi o ano da última eleição que Garotinho participou, quando concorreu a governador, mas não conseguiur ir ao segundo turno.

A empresa contratada pela JBS, no valor de mais de R$ 3 milhões, é a Ocean Link, que tem como sócio André Luiz da Silva Rodrigues, sócio também da Working, grande fornecedora da Prefeitura de Campos durante o governo Rosinha.

 

Leia a cobertura completa na coluna “Ponto Final”, na edição da Folha de amanhã (23)

 

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Advogado e músico Rodrigo Magalhães faz cirurgia de emergência no Prontocardio

 

Rodrigo Magalhães (Foto: Facebook)

 

 

Advogado, músico e professor, Rodrigo Magalhães, de 48 anos, está internado na UTI do hospital Prontocardio de Campos, onde está sendo submetido a uma cirurgia de emergência, iniciada por vota das 19h, por conta de um aneurisma na árteria aorta próximo ao coração. Professor de Direito na Universidade Cândido Mendes, ele passou mal hoje de manhã, enquanto dava aula. Acometido de sudorese e forte dor na perna, ele chamou a esposa, a cardiologista Beatriz Magalhães, que decidiu interná-lo primeiro na Unimed, onde um eletrocaridograma identificou um quadro de dissecção da aorta de grande extensão. Com a necessidade de intervenção cirúrgica, ele foi transferido ao Prontocardio, onde outro ecocardiograma constatou lesão também na válvula cardíaca. A cirurgia está sendo conduzida pelo cardiologista Raphael Barreto para tentar colocar uma prótese na parte afetada da artéria.

Embora de convívio não tão próximo nos últimos anos, conheço Rodrigo, Magalha para os amigos, desde a adolescência, nos anos 1980. Vivíamos o auge do BRock, quando ele, mesmo ainda garoto, já brilhava como músico nas bandas locais de rock. A partir do convívio numa excursão que saiu de Campos para o primeiro show do ex-Beatle Paul McCartney ao Brasil, no Maracanã, em 1990, nos tornamos amigos. Sou um dos tantos na torcida para que ele esteja de volta à ativa nas salas de aula, na prática jurídica e na música, o mais breve possível. Na democracia irrefreável das redes sociais é forte e tocante a corrente formada pela recuperação de Magalha, com uma campanha para arrecadação de sangue de qualquer tipo no Hemocentro do Hospital Ferreira Machado (HFM).

 

Atualizado às 20h07

 

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Marcelo Amoy — Justiça

 

 

 

Poucas coisas produzem tanta satisfação quanto a percepção de que a Justiça foi feita – e causam tanta decepção e revolta quando sobrevém a sensação de que não houve Justiça. A maioria das pessoas não será capaz de definir “Justiça” de forma simples, mas todos sabem quando ela está presente ou não de forma imediata. Ela é mais do que uma abstração, é uma necessidade básica das pessoas e pode ser sentida a cada instante – assim como é buscada todo o tempo.

O tempo, aliás, é fundamental para a sensação de satisfação por Justiça. De que adianta um cidadão morrer antes de ver concluído um processo que, ao final, lhe dá ganho de causa? Mesmo que algum direito lhe seja garantido “post mortem” e transmitido aos seus herdeiros… não houve justiça de fato para o maior interessado na disputa. No Brasil, são comuns os processos que duram décadas e que acabam tendo seus resultados transmitidos como herança: são ecos ruidosos de uma Justiça capenga.

De forma análoga, que Justiça realmente pode haver num caso de homicídio se a vida jamais será restituída? Não importa que o assassino seja condenado a séculos de prisão, que pague milhões de indenização… simplesmente não há como se reparar inteiramente o dano causado. Obviamente, existem implicações sociais (além das individuais e jurídicas) que justificam os processos, mas… se lembrarmos que no Brasil menos de 10% dos homicídios são solucionados e seus responsáveis levados à Justiça… a sensação é de terror.

Lidamos todos os dias com a frustração de nossa imensa demanda por Justiça quando vivemos num país como o Brasil – e encaramos uma dose maciça de revolta e desencanto a cada reflexão. É que além dos casos fortuitos – em que não se deveria pensar em Justiça, apenas enfrentar o acaso -, nos sentimos, por uma série de razões altamente justificadas, abusados e vilipendiados por todos os lados, o tempo todo:

– Se eu contribuí para o INSS sobre 10 salários, não é justo que, ao me aposentar, só vá receber 5 – e muito menos que, ao longo de alguns anos, isso vá encolhendo para 4, 3, 2, 1!;

– Se eu trabalho feito um condenado, não é justo que eu receba o mesmo que meu colega que não faz quase nada, só fica no celular, enrolando no expediente;

– Se eu pago tanto imposto, não é justo que tenha que gastar dobrado com plano de saúde, escola particular, pedágios e seguros contra roubo de tudo;

– Se eu trabalhei e poupei a vida toda pra melhorar de vida, não é justo que me olhem como se fosse um crime viver bem com o fruto de meu esforço.

Justiça classe média? Pode ser – mas depende: será justo aplaudir um governo que diz que tirou milhões de pessoas da pobreza só porque decidiu reduzir os parâmetros de classificação de renda que define os miseráveis? Ahn… Mas se nem fosse isso! Que Justiça social existe em “elevar milhões para a classe média” (mesmo que haja quem diga “eu detesto a classe média”, né, Marilena?) e, cinco anos depois: mandar todo mundo de volta pra onde veio (junto com alguns outros milhões que empobreceram pela primeira vez) só porque a preocupação em roubar tudo que fosse possível e fazer a sucessão tivesse determinado rumos desastrosos para a economia do país inteiro?

É justo continuar defendendo bandidos de estimação apesar de todas as evidências de seus crimes e contra toda a ética possível e imaginável? Como é que é? Você diz que “acredita no projeto que eles personificam”? É justo que suas crenças ou caprichos ideológicos sobrepujem a obviedade da razão? Que Justiça pode ser compreendida por quem faz de suas preferências pessoais o motivo pra mandar toda a ética às favas?

Delatores apresentam suas confissões. Para algumas pessoas, elas são justas quando atacam o adversário, mas são “golpe” quando apontam pra seus velhos ídolos. A cegueira não é justa – embora seja um fato que assombra muita gente. Mas não acho justo lamentar a cegueira de quem simplesmente se recusa a ver. Não há Justiça aí; só a feiúra da indecência.

Aliás… em inglês “Justiça” é “Justice”, mas seu adjetivo, “justo”, é “fair”. “Fair” também significa “belo”. A Justiça é bela, sim – especialmente pra quem fala inglês. Tem mais: “Direito” (ciência), em inglês, é “Law”; mas como atributo é “right” – que também significa “certo”. Ou seja: lá por aquelas bandas, o que é de direito é certo e se obtém através da ciência da Lei. Mesmo com rumorosas exceções, não admira que os falantes de língua inglesa vivam majoritariamente mais satisfeitos com sua Justiça e tenham um padrão de vida mais alto. Pena que na nossa realidade latino-americana a coisa seja mais feia. Num país em que se plantando tudo dá, dá-se jeitinho o tempo todo; mas a Justiça é rara como a neve: até cai de vez em quando, mas não em todo lugar.

Por aqui, a riqueza gerada pela economia de mercado é considerada injusta por, alegadamente, concentrar renda – nunca a enxergam pelo lado da oferta de oportunidades; pela realidade da mobilidade social; e pelo potencial de realização pessoal. Mas… e o desastre socialista: será ele (mais) justo por distribuir a fome e o desalento por igual como, por exemplo (e exemplo mais óbvio que esse, só o de Cuba “antigamente”), acontece na Venezuela? Por que a miséria de todos seria “mais justa” que o sucesso de muitos? Qual a Justiça embutida na tesoura totalitária que vive de cortar as asas de indivíduo depois de indivíduo para lhe censurar planos e potenciais?

“Ah… é porque todo mundo merece igualdade em tudo” – diz a resposta infeliz!

Quem disse que isso é Justiça: dar a todos, independentemente de suas vontades, capacidades e esforços, as mesmas recompensas? Isso fora que nem tudo na vida é racionalmente controlado, medido ou providenciado – sequer conquistado. Nair Belo, quando perdeu seu filho, foi a Minas ver Chico Xavier em busca de consolo. Lá, pediu a ele uma explicação: “Por que isso foi acontecer logo comigo?” Ele respondeu: “Mas por que não podia ser com você?” Coisas ruins acontecem com pessoas boas e há cretinos que terão sorte a vida inteira – quer você goste disso ou não. Desonestidade é outra coisa e deve ser combatida – inveja do sucesso alheio também. Se é justo? Depende do que te preocupa mais; se a sua vida ou a dos outros.

No final das contas, todos teremos na vida mais de uma ocasião em que acharemos justo “plagiar” uma notória redação há anos entregue no vestibular de uma concorrida universidade pública:

“A Justiça com que o peito sonhou……………………………………………………………………………………. …………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….. na realidade morreu.”

Afinal… há quem veja morrer no túmulo toda ideia de Justiça.

Mas torço para que, na vida das pessoas, existam outras tantas – de preferência, mais ocasiões até! – em que o tom será o oposto: “Apesar de todo sofrimento, mais deus deu do que o diabo tomou.” Talvez não haja, no íntimo de cada um, maior plenitude do que a constatação de que houve Justiça afinal – e que o coração pode se dar por satisfeito. Este é um dos nomes da Paz.

 

* * *

 

Aproveito estas últimas linhas para falar a todos que encerro hoje este meu período de participação aqui no blog Opiniões. Agradeço profundamente a Aluysio pelo convite que muito me honrou e a todos os colegas de pena (mais justo seria falar de tecla? rsrsrs) pela generosidade com que compartilharam o espaço comigo. Obviamente, agradeço muitíssimo aos que pacientemente me leram nesses cinco meses – que passaram como um raio de tão rápido! Apesar da imensa satisfação de participar deste grupo, a vida me pede atenção a outros de seus aspectos e não seria justo negligenciar tal chamado, rsrs. Quem sabe num outro dia volto? Já a todos que ficam… meu maior desejo de sucesso!!! Ao blog Opiniões: vida longa! E a todos… Justiça e felicidades! Obrigado!!!

 

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Quatro anos da morte de Manzarek, tecladista da poesia de Morrison no The Doors

 

Ray Manzarek

 

 

Manzarek e Morrison nos tempos do The Doors

 

 

Coisas do Facebook. Só agora há pouco, numa postagem feita aqui pelo músico e amigo Nelson Memeia, soube da morte, de Ray Manzarek, tecladista da banda The Doors (1965/71). Na verdade, ele faleceu desde 20 de maio de 2013, mas como só tomei conhecimento hoje do fato, mesmo com quatro anos de atraso, o sentimento de perda é presente. Sou de uma geração que passou a conhecer mais o lendário conjunto de rock estadunidense a partir do filme “The Doors” (1991), de Oliver Stone, com Val Kilmer em interpretação viceral do cantor, poeta e band leader Jim Morrison (1943/71).

Morto em Paris, aos 27 anos, Morrison reforçou o mito das lendas do rock mortas nessa idade emblemática, tradição aberta por Jimi Hendrix (1942/70) e Janes Joplin (1943/70), e que depois seria também seguida por Kurt Cobain (1967/94), do Nirvana. No filme de Oliver Stone, que merece ser visto e revisto, o papel de Mazarek coube ao ator Kyle MacLachlan.

Por conta do filme, virei fã da música do The Doors, que marcaria profundamente minha juventude. Além da trilha sonora da transição à maturidade, o batismo da banda, a partir do livro de ensaios “As portas da percepção” (1954), que o escritor britânico Aldous Huxley escreveu sobre os efeitos da mescalinha e sob influência do poeta místico William Blake (1757/1827), outro inglês, serviu também para ampliar meu conhecimento literário.

“Try now we can only lose/ And our love become a funeral pyre” (“Tente agora, nós só podemos perder/ E nosso amor será uma pira funerária”), “We chased our pleasures here/ Dug our treasures there/ But can you still recall/ The time we cried” (“Nós perseguimos nossos prazeres aqui/ Escondemos nossos tesouros ali/ Mas você pode ainda recuperar/ O tempo que nós choramos”) e “Are you a lucky little lady in the City of Light/ Or just another lost angel?/ City of Night” (“Você é uma mocinha de sorte na Cidade da Luz/ Ou só mais um anjo perdido?/ Cidade da Noite”) foram versos de Morrison que, com o teclado de Manzarek ao fundo, fizeram e fazem parte da minha vida.

Abaixo como despedida quatro anos adiada e cartão perene de boas vindas, as três músicas que escreveram poesia em meus dias, e no de tanta gente mundo afora:

 

 

 

 

 

 

 

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Atafona além do avanço do mar

 

Atafona, seus encantos e e suas ruínas, março de 2015 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Por Jéssica Felipe

 

Como falar de Atafona? Será mesmo um moinho? Quais os ventos que sopram por essas bandas? São as histórias de pescador, a memória do trem, o desastre ambiental ou a beleza do cotidiano que se esconde em meio ao caos?

Atafona, distrito de São João da Barra, fundada por um pescador em 1622, é mais conhecida pelo fenômeno natural do avanço do mar, que desde a década de 50 tem levado diversas ruas e casas na localidade. Guarda também o patrimônio ambiental de ser foz do rio Paraíba do Sul e cenário histórico da economia, com a era do trem. Já foi visitada por figuras ilustres, que sempre aparecem para pesquisar, gravar ou se tratar. Há também a areia medicinal e colônia espiritual, que marcam outros aspectos do lugar. Por Atafona, já passou até disco voador, contam os populares. Mas, o que há por de traz das ruínas? Como vivem as pessoas desse balneário?  Atafona vive, existe e resiste com seus sabores, cores e personalidades.

Um dos marcos da praia sanjoanense é o bolinho de aipim, servido no restaurante do Ricardinho, localizado ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Penha em Atafona. “Vir a Atafona e não comer bolinho de aipim do Ricardinho é como ir a Roma e não visitar o Vaticano”, expressou Carlos Augusto ao aguardar o tão famoso bolinho na mesa do restaurante.

O restaurante foi fundado em 1978 pela família de Ricardo Hissa, campista de coração atafonense, que escolheu o vilarejo para constituir sua família, seus amigos e empreendimentos. A receita veio da sogra do Ricardo, Minervina Pereira, que fazia os bolinhos em casa e passou os ensinamentos para filha Cristina, responsável até hoje pelo tempero do quitute.

Nem sempre o restaurante teve esse endereço, as primeiras versões, ficavam localizadas próximo ao Pontal e tristemente foram tomadas pelo mar. No atual endereço, o Ricardinho funciona há 20 anos.

Segundo a herdeira da receita, Camila Hissa, o bolinho não possui mistério. “É apenas a massa fresca do aipim, que não leva trigo e nenhum outro material de liga. A gente tempera e coloca o recheio, que também é fresquinho”. Camila, administra hoje o restaurante junto de seu esposo, o chef Lucas Miranda. O bolinho, antes só de camarão, carne seca e queijo, hoje sofreu algumas alterações, misturando recheios e recebendo deliciosos molhos, criações do chef Miranda.

Camila conta que o foco dos pais sempre foi trabalhar com pescados, por isso a preocupação atual do restaurante é manter a valorização dos produtos locais e serem reconhecidos pela especialidade em frutos do mar. Além de manter viva a memória do chefe da família. “Muitas pessoas vêm para Atafona para ver o que aconteceu e acabam escolhendo o lugar para gastar seu dinheiro, passar as férias. Atafona tem vida, se não tivesse, ninguém moraria aqui. O que aconteceu é triste, têm muitas histórias e lembranças envolvidas, mas trabalho segue”.

 

 

Amaury nas ruínas de Atafona (Foto: Amaury Albinante)

Ruínas servem de cenário para fotografias

A arte e poesia também podem ser respiradas no litoral sanjoanense. “Fazer as pessoas refletirem sobre si mesmas e sobre o lugar onde vivem”, essa é a tradução do artista contemporâneo Amauri Albinante, mais conhecido como Anjo Amauri, que utiliza da arte da fotografia para expressar suas emoções, crenças e ideologias. “Eu sei que para uns pode ser uma coisa triste e talvez desesperadora essa questão do avanço do mar que ocorre aqui. Mas para mim, que sou artista, desde sempre, todo esse caos me inspira. Eu consigo ver arte, beleza e poesia em meio a tudo isso que, especialmente também gosto de chamar de confusão. É uma fonte inesgotável de inspiração”, diz o fotógrafo amador.

Amauri, de 31 anos, é nascido em Nova Iguaçu, mas desde 94 tem São João da Barra como sua cidade mãe. Mesmo atualmente não morando em Atafona, é por esse local que o artista possui um apego em especial. Ele não gostava de foto, de tirá-las e nem de ser fotografado, muito pelo sentimento de preconceito que sofria, por ter uma deficiência no membro superior.

Atualmente, as ruínas de Atafona servem cenário para suas fotografias.  O artista diz que consegue ver a arte, beleza e poesia em meio a tudo que tem acontecido. “As pessoas dizem que a natureza está errada. Mas e se ela estiver certa? Não somos nós que estamos sempre querendo tomar conta e posse do que de fato, sempre foi dela?”, opinou ao acrescentar que outros locais, como o balneário de Atafona, também servem de inspiração.

Sobre Atafona, Amauri deseja que essa situação da erosão marítima desperte mais atenção para a localidade, não só no sentido do problema em si, mas também para outras questões, como assistência básica e recursos públicos.

 

 

Nico em seu bar (Foto: Jéssica Felipe)

 

Criatividade de bar atrai olhares curiosos

“É uma mistura de roça e praia”. Com sorriso largo no rosto é assim que Nico define Atafona, lugar que escolheu para viver há 4 anos. Dono do bar mais criativo do distrito, ele se tornou uma poesia viva, por valorizar coisas simples e tratar quase tudo como arte.

Nico, atualmente com 46 anos, é um cara simples, que apesar de possuir ensino técnico, escolheu viver de forma independente e criativa. Antes de se fixar em Atafona, Nico administrava um bar em Campos. “Minha irmã tinha um terreno aqui (em Atafona), que acaba sendo meu também porque sempre nos demos muito bem. Então, eu vim para cá e comecei a colocar tudo do meu jeitinho. A ideia era manter o bar com todas as coisas que eu já havia feito”, contou Nico, que mora hoje na estrada da Imbiribeira, nos fundos do Balneário. “Essa estrada é linda. Quando cheguei aqui, coloquei a placa com o nome dela e fui montando minhas coisas. As pessoas estranharam (algumas estranham até hoje), mas muitas admiram e eu recebo muitas visitas. Tenho muitos amigos, até mesmo as pessoas que me conheciam de Campos”.

Para ele, Atafona tem memórias de situações muito tristes, de perdas, que ele mesmo já viveu (como por exemplo, o Pontal). Mas o que importa para o artista é a paz que o lugar o permitiu, é assim que Nico escolheu viver e espera retribuir.

 

 

Bolinho do Ricardinho, iguaria de Atafona (Foto: Jéssica Felipe)

 

Movimentos defendem recuperação de orla

O mar de Atafona continua avançando e muitos estudos sobre o tema foram realizados. Recentemente, o ex-deputado estadual Roberto Henriques, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias, apresentou ao governo municipal o Projeto de Recuperação da Orla da Praia de Atafona, processo que ainda está em avaliação. Em abril deste ano, a vereadora Sônia Pereira (PT) chegou a uma indicação ao poder Executivo, solicitando cópia do projeto apresentado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) para a recuperação da orla de Atafona. O objetivo, segundo ela, é analisar o material com os demais vereadores e tentar obter recursos com o governo federal para realização.

Movimentos sociais, como o SOS Atafona, fortalecem a luta de moradores e admiradores da praia, em prol de minimizar os impactos e exigir atenção por parte dos órgão públicos, para que Atafona não perca mais do que já perdeu. O movimento SOS Atafona, de cunho voluntário e social, existe há dois anos com a participação espontânea de moradores e utilitários da praia sanjoanense, com o objetivo de resgatar as condições de vivência no local. “Atualmente a prioridade do grupo tem sido a retirada da areia, mas há outros interesses, como a valorização da pesca artesanal, que fazem parte da bandeira de luta”, disse o advogado Geraldo Machado, que faz parte do movimento.

Enquanto isso, “bolinhos” vão  consagrando a história dessa terra, que quanto mais perde, mais luta, mais cria, mais vive!

 

 

Página 6 da edição de hoje (21) da Folha

 

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

 

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Marcão: vereadores da Chequinho, CPIs da Lava Jato e das Rosas, e Previcampos

 

Por Aldir Sales, Aluysio Abreu Barbosa e Suzy Monteiro

 

Ao longo dos anos, a Câmara Municipal de Campos teve vários presidentes. Nenhum deles, no entanto, esteve à frente de uma Casa cercada de tantas incertezas quanto Marcão Gomes (Rede). Nesta entrevista feita na última quinta (18), o presidente do Legislativo goitacá anunciou que já publicaria no dia seguinte (sexta, 19), em Diário Oficial, a autorização para o retorno de quatro vereadores da Chequinho: Thiago Ferrugem (PR), Vinícius Madureira (PRP), Jorge Magal (PSD) e Roberto Pinto (PTC). Os outros seis igualmente eleitos e condenados pela troca de Cheque Cidadão por voto, terão, no entanto, que esperar que a Justiça Eleitoral esclareça qual é o capítulo da vez nessa complicada novela jurídica. Mesmo que os 10 assumam, Marcão acha que a maioria governista não só será mantida, como ampliada. Ele também não vê interferência dessas mudanças nas CPIs da Lava Jato e das Rosas, grande temor garotista, e anuncia a demanda de investigação parlamentar também sobre o quadro “escabroso” deixado no PreviCampos.

 

(Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Folha da Manhã – A Câmara foi eleita em outubro. Ela não foi a mesma da diplomação em dezembro, que foi diferente da que assumiu janeiro, modificada em abril, com a entrada de Marcos Bacellar (PDT), e agora em maio parece ser outra, com uma decisão do TSE na última terça-feira e outra de extensão, na quarta, pela 100ª Zona Eleitoral de Campos. Como é que você vê, até aqui, a configuração da Câmara de Campos?

Marcão Gomes – A configuração se dá em total instabilidade política em relação a esse “escandaloso esquema”, nas palavras da Justiça. Inclusive, sendo fundamentado nas sentenças que acompanhamos do juízo até agora e que a gente já imaginava que iria acontecer desde o momento que soubemos da participação de dezenas de políticos num suposto crime praticado contra a ordem pública municipal, utilizando recursos da máquina pública municipal para poder obter vantagem nas eleições de 2016. Desde o período das eleições isso já tinha sido objeto de denúncia minha, inclusive na tribuna da Câmara, onde eu, à época vereador de oposição, cheguei a ser abordado nas ruas por pessoas me pedindo para arrumar um “chequinho”. E eu fui à tribuna e falei: “olha, gente, está acontecendo algo estranho”. Eu expliquei para as pessoas que para conseguir o Cheque Cidadão elas deveriam ter sofrido uma avaliação da situação jurídica delas, da situação de como elas compõe a renda familiar, para saber se elas podem ou não podem ter acesso a um programa social. Cheguei a relatar que estava acontecendo algo muito estranho, quando o Ministério Público, a Polícia Federal acabaram, posteriormente, desbaratando esse grande esquema de compra de votos que acabou resultando em prisões de políticos e servidores públicos e redundando em tudo isso que a gente tem acompanhado hoje. A gente já imaginava que essa legislatura já seria difícil e conturbada. Nós já nos deparamos com isso logo no primeiro dia. No dia da posse, em 1º de janeiro, quando inicia um novo mandato e na diplomação, quando seis dos vereadores não foram diplomados.

 

Folha – Quando a gente fala em vereador da Chequinho, imagina o grupo dos 11 eleitos juntos. Um deles não volta mais, que é Cecília Ribeiro Gomes (PT do B), que saiu após a validação dos votos de Bacelar. O primeiro grupo é dos não diplomados em dezembro, que são Thiago Virgílio (PTC), Ozéias (PSDB), Kellinho (PR), Jorge Rangel (PTB), Linda Mara (PTC) e Miguelito (PSL). Foram eles que receberam habeas corpus criminal do TSE na última terça-feira. E tem outro grupo, que tomou posse e depois saiu, com quatro vereadores: Vinicius Madureira, Jorge Magal, Roberto Pinto e Thiago Ferrugem. Embora acusados do mesmo crime, são dois grupos diferentes com dois trajetos jurídicos diferentes. Esse primeiro grupo de seis volta?

Marcão – Além dessa decisão cautelar do juízo da 100ª Zona Eleitoral, existe uma outra decisão da 99ª Zona Eleitoral que também impedia desde dezembro a expedição do diploma para esses seis vereadores. Primeiro em uma decisão liminar, em dezembro do ano passado, e agora em sentença em 2017 do juízo da 99ª Zona Eleitoral, que é objeto de recurso no TRE na área cível-eleitoral.

 

Folha – Então são dois impedimentos. Eles conseguiram o habeas corpus para o primeiro impedimento. No seu entendimento, o segundo impedimento permanece?

Marcão – No meu entendimento, enquanto não houver um posicionamento oficial das cortes superiores, permanece. Existe uma sentença do juízo da 99ª Zona Eleitoral impedindo a diplomação desses seis vereadores. Então, no meu entendimento jurídico, sou advogado, e no entendimento jurídico da procuradoria da Câmara, nós só nos manifestaremos em termo de posse em relação a esses seis após uma notificação oficial dos tribunais eleitorais a respeito da decisão da 99ª Zona Eleitoral. Da própria 76ª, da 99ª e do próprio TRE, já que isso está em grau de recurso. E saber do TSE se a decisão que houve do habeas corpus é extensiva. Se isso não está claro no mundo jurídico, não posso aqui na Câmara inventar. Eu tenho que ter segurança jurídica para as minhas ações como presidente. Pelo princípio da prudência e segurança jurídica, só vou me manifestar convocando esses vereadores para a posse após o tribunal sinalizar que eles também estão livres da decisão que os sentenciaram de não serem diplomados pela 99ª.

 

Folha – Quando isso será resolvido?

Marcão – Possivelmente na semana que vem (nesta que se inicia). Enquanto nós não formos oficiados, ninguém nos provocar para a questão de posse…  As partes interessadas têm que nos provocar, seja os vereadores, seja propriamente o juízo do TSE, encaminhando para o poder legislativo uma determinação, para que aí eu possa dirimir a dúvida. Se eu não for provocado, não tenho que me manifestar. Hoje temos, de forma certa, que o grupo de quatro vereadores que já foram diplomados e afastados por uma decisão no curso do mandato, pela 100ª Zona Eleitoral, vão ter a publicação no Diário Oficial de amanhã (sexta-feira, 19) para retornarem a seus mandatos. Eu não preciso dar posse a eles. Eles já prestaram seus compromissos de posse, já entregaram todos os documentos na Câmara e apenas retornam ao mandato. No dia de hoje (quinta-feira, 18), já comuniquei aos três vereadores, a Josiane Morumbi, Roberta Moura e Beto Cabeludo, da minha decisão. O quarto seria o Thiago Godoy, que preferiu não assumir, então não precisei notificá-lo.  Notifiquei os três vereadores que retornarão os titulares, por decisão da 100ª Zona Eleitoral, e que a partir de amanhã (sexta-feira, 19), eles são novamente vereadores e os suplentes voltam a ser suplentes. E eu só vou me manifestar sobre os seis quando tiver uma segurança jurídica de que a decisão da 99ª Zona Eleitoral foi alcançada pelo habeas corpus. Se eu não tiver essa certeza jurídica, não darei posse.

 

Folha – É uma novela jurídica difícil de interpretar. A expectativa é de que com a entrada de novos elementos, falando dos quatro que já estão de volta, você tem dois de oposição e dois de base: Magal e Roberto Pinto no governo, e Madureira e Thiago Ferrugem no outro lado. Você acha que esquenta o clima com esses quatro e o clima tende a esquentar ainda mais se os outros seis voltarem?

Marcão – Acho que é natural que, quando aumenta uma bancada que se dirige contra a base do governo, que o clima possa esquentar. Mas, ao mesmo tempo, como tenho dito, é preciso ver o momento de dificuldade em que o município passa. Dificuldade e crise financeira provocada, inclusive, pela gestão anterior, da qual os vereadores da oposição representaram e continuam representando dentro da Câmara quando fazem oposição, não ao governo Rafael Diniz, mas fazem oposição a Campos. Se eles forem fazer uma análise da destruição, do caos financeiro provocado pela gestão anterior, primeiramente eles teriam que analisar suas ações antes de se colocarem contra a cidade. Quando se coloca contra o governo Rafael, hoje, está se colocando contra o município. Ele herdou R$ 1,3 bilhão da dívida da “venda do futuro”, mais um passivo enorme deixado por fornecedores. Quanto à “venda do futuro”, a justificativa do prefeito anterior em exercício, que não era a prefeita, era o Anthony Garotinho, dizia que era para concluir as obras e pagar aos fornecedores. Ele não pagou aos fornecedores e não concluiu as obras. Deixou as obras paradas e os fornecedores com dívidas para serem pagas pelo próximo governo e ainda a dívida bilionária com a Caixa Econômica Federal. Primeiro tem que fazer uma análise disso. Arrombaram as contas previdenciárias. Foi uma série de atropelos e de má administração cometidos anteriormente. Eles não podem querer entrar na Câmara esquentando o debate, até por que a base do governo está preparada para esse debate. Preparada, inclusive, para discutir a forma de ingresso desses vereadores e como existe uma série de denúncias, de ações, seja na esfera eleitoral e na penal.

 

Folha – Dizer que quem está contra o governo Rafael está contra Campos não é maniqueísta demais?

Marcão – Não, não é. No momento em que nós vivemos, de um governo que trabalha de forma austera, de forma transparente, de um governo que arrecada cerca de R$ 90 milhões por mês e tem um custo fixo de R$ 140 milhões, trabalhando desde janeiro com um déficit aproximado de R$ 50 milhões, reduzindo contratos, reduzindo folha de pagamento. Quem faz oposição a esse governo… Se fosse um governo que estivesse nadando em recursos, uma cidade que estivesse faturando, como chegou a faturar no governo Rosinha cerca de R$ 2,6 bilhões de orçamento. Se nós estivéssemos nessa fase, eu poderia estar sendo maniqueísta, poderia estar polarizando.

 

Folha – Por  essa sua linha de raciocínio, qualquer um que tivesse vencido a eleição não poderia sofrer oposição.

Marcão – Não é não sofrer oposição. Mas que a oposição seja construtiva, que possa ajudar ao município.

 

Folha – Você e Rafael foram oposição construtiva?

Marcão – Nós fomos, quando apontei e falei para Rosinha Garotinho: “Olha, Rosinha, não contrate a Expoente gastando mais de R$ 40 milhões porque conseguimos livros gratuitos e de melhor qualidade ali no MEC”. Eu estava apontando um caminho e que foi adotado agora pelo atual governo. Com quase custo nenhum, conseguimos construir projetos importantes, como o Via Esporte, que foi uma ideia que tive lá atrás. Para fechar a Arthur Bernardes aos domingos para a prática de atividades esportivas para a população. E ela não ouvia as boas ideias.

 

Folha – Ela? Você não disse que o prefeito de fato era ele?

Marcão – Era ele, mas em exercício era ela. Eles, na verdade. Os Garotinho não ouviam. Quando eu apontei um caminho, criando um projeto de fundo de reserva de royalties, quando o município arrecadava mais de R$ 2,5 bilhões, eu falava: “olha, prefeita, olha, senhor Garotinho, a gente precisa guardar um pouco dos royalties nesse momento de bonança para termos aonde recorrer em um momento de dificuldade”. Se eles tivessem me ouvido, não teria pedido empréstimo à Caixa Econômica Federal e ter deixado dívidas bilionárias para a atual gestão. Então, isso é fazer oposição construtiva. É você mostrar o que está errado e apontar o caminho certo. Mas eles fazem oposição a pessoas. Única e exclusivamente a pessoas. O que a oposição discute é o motivo pelo qual Rafael Diniz escolheu, por exemplo, determinado secretário e não outro. Estão fazendo oposição às nomeações do prefeito Rafael Diniz para formar seu estafe. Qual outra oposição que eles fazem? Não enxerguei. Tem que estar de mãos dadas para ajudar a cidade superar esse momento de dificuldade. Quando nós encontramos a gestão da Rosinha, eu e Rafael Diniz fizemos oposição a um governo pré-existente de quatro anos. Nós encontramos, no início da Legislatura de 2013, um governo pré-existente de 2009 a 2012, aonde a gente tinha como mostrar oposição à Expoente, às obras da Beira Valão, que gastaram milhões de reais para um abajur de detritos. Oposição a uma obra desnecessária do Cepop, de cerca de R$ 100 milhões, oposição efetiva da contratação da Emec.

 

Folha – É óbvio que, entrando os quatro ou os 10, o objetivo deles será as CPIs da Lava Jato e das Rosas, sobre a Emec. Se entrarem os 10, muda a proporcionalidade das bancadas na constituição das CPIs. Eles podem arguir uma adequação e você, por regimento interno, é obrigado a rever. Na CPI da Lava Jato tem Genásio (PSC) na presidência e José Carlos (PSDC) como relator e na das Rosas, Fred Machado (PPS) como presidente e Cláudio Andrade (PSDC) como relator. Isso muda?

Marcão – Em minha opinião, não tem necessidade de sofrer alguma alteração. Só se houver pela vontade dos vereadores que ali estão, caso eles prefiram não participar nessas posições. Essa é uma decisão que tomamos conjuntamente. No nosso regimento interno diz que o autor do requerimento automaticamente assume a presidência. Fui o autor do requerimento da CPI da Lava Jato na legislatura anterior, que foi arquivado. Nesta legislatura, o autor foi Genásio. E enquanto presidente, não participo das CPIs. O nosso regimento também fala em proporcionalidade dos partidos, mas temos um número muito grande de partidos políticos. O PR é um partido, pode ter direito a uma vaga, mas a escolha é da presidência para a relatoria.

 

(Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

Folha – Quando as CPIs começam a funcionar?

Marcão – As CPIs vão ser instauradas ainda. Temos que obedecer ao passo a passo do nosso regimento interno. Primeiro, é a coleta de assinaturas para atingir um número mínimo de edis para tornar o requerimento apto. Isso já foi feito. A legislação diz que essas CPIs precisam cumprir alguns requisitos. E quem diz se cumpriu cada passo dos requisitos é a procuradoria da Casa. Agora ela está na procuradoria que vai me devolver com o parecer, provavelmente, no início da semana. A procuradoria tem trabalhado muito. Temos dezenas de processos oriundos do concurso público de 2012 que a presidência anterior resolveu arrastar por quatro anos. Isso caiu tudo no meu colo quando assumi a presidência. Estamos trabalhando em centenas de processos judiciais e todos com prazo para serem cumpridos. A procuradoria dando um parecer positivo, vamos instaurar e iniciar os trabalhos com prazo determinado, que pode ser de até 180 dias, segundo nosso regimento interno. Na semana que vem já devemos ter a instauração dessas CPIs e o começo de trabalho dessas CPIs.

 

Folha – Qual a sua opinião pessoal, já que requereu uma delas na legislatura passada, sobre o objeto de ambas?

Marcão – Primeiro, vou falar sobre a CPI das Rosas. Tomei conhecimento de indícios fortíssimos de que houve um conluio na licitação para que o objeto fosse entregue a uma determinada empresa, a Emec, no caso. Fraude em licitação é crime, previsto na Lei de Licitações. E pelas provas apresentadas até o momento dos processos que foram requeridos pela Câmara para a instauração dessa CPI, e aí a comissão vai se aprofundar mais com a orientação dos advogados. Tende a ter ocorrido, de fato, uma fraude em licitação, uma combinação de resultados para beneficiar uma certa empresa, o que me parece ter ocorrido de forma idêntica na CPI da Lava Jato, onde os fatos são muito mais graves.

 

Folha – Inclusive com a confissão dos dois executivos da Odebrecht que assinaram o contrato com Rosinha e participaram da “delação do fim do mundo”: o Benedicto Barbosa da Silva Júnior e o Leandro Andrade Azevedo.

Marcão – Exatamente. E nesses os fatos parecem ser muito mais graves. Inclusive queremos convocar, nós como Câmara de Vereadores, logicamente que isso não vai ser uma decisão minha, presidente da Câmara, mas como já conversei com Genásio, a vontade é de ouvir o Leandro e o Benedicto, porque eles mesmos confessaram que houve combinação de resultados, que a única empresa que poderia ter vencido o certame seria a Odebrecht. E isso também é crime. E eles falaram mais, que entregaram via caixa 2 de campanha milhões e milhões para as campanhas de Rosinha e Garotinho. Alguns falam, nas delações, que já superaram os R$ 20 milhões, entre caixa 2 e doações para campanhas. Precisa ser apurado também, mas o objeto da CPI vai ser única e exclusivamente as obras. Se a quantidade de casas contratadas foi entregue, se o que foi pactuado no contrato foi entregue, se os valores estavam adequados ao mercado, se houve combinação e fraude na licitação, como me parece ter havido.

 

Folha – Na última sessão (quarta-feira, 17), você falou que a auditoria da PreviCampos já estaria pronta e seria apresentada até amanhã (segunda-feira, 22) e até usou a palavra “escabroso” para comentar sobre os resultados. Você já teve acesso ao relatório? O que podemos esperar dessa auditoria?

Marcão – Na verdade, vou deixar claro que o adjetivo “escabroso” é meu. Isso foi mediante uma consulta que fiz ao secretário de Transparência e Controle, Felipe Quintanilha. Quando conheci o requerimento de informação do vereador Marcos Bacelar durante a sessão, tive a preocupação de ligar para saber como estava andando a auditoria interna promovida pelo Executivo na PreviCampos. Liguei para o Quintanilha e perguntei se já estava concluída ou em andamento. Eu provoquei, em outubro do ano passado, o ministério da Previdência e Assistência Social para que Brasília também encaminhasse auditores para poder auditar as contas do PreviCampos. Existem duas auditorias em andamento. A auditoria interna, já foi concluída, e a auditoria do ministério da Previdência e Assistência Social, que está em curso. Quando falei por telefone com o secretário ele me falou: “olha, presidente, os resultados aqui são bem complicados. E vamos ter que solicitar uma auditoria externa para confirmar esta auditoria interna, porque foi de assustar”. Como ele falou comigo que foi “complicado” e “de assustar”, fui à tribuna, onde informei ao vereador Marcos Bacelar que a auditoria interna já havia sido concluída e os resultados foram “escabrosos”. Não tive, ainda, acesso ao relatório, mas já solicitamos para que o Controle encaminhasse à Câmara e eles estão conduzindo esse relatório análise da nossa Casa. Assim que chegar, vou poder dar um parecer mais técnico a respeito da auditoria.

 

Folha – E existe uma previsão para a chegada desse relatório?

Marcão – Acredito que no início da semana (desta que começa) já tenhamos conhecimento. O vereador Marcos Bacelar, que foi autor do requerimento, me pediu para que conduzisse o relatório a seu gabinete para análise. E vamos distribuir não só para Bacelar, mas para todos os demais vereadores.

 

Folha – Tem informação sobre outras auditorias do Executivo?

Marcão – Sei que está tendo uma grande análise em várias pastas, mas a auditoria específica que tive conhecimento foi no PreviCampos. Logicamente que quando a nova gestão entra, até para poder se resguardar, precisa tomar conhecimento de todos os atos praticados pela gestão anterior. Isso indica que, além das CPIs requisitadas pelos vereadores, nós tenhamos outras, como a da PreviCampos, onde também existem indícios de irregularidades da gestão anterior.

 

Folha – Você falou em início da semana para várias coisas. Parece que vai ser tumultuado.

Marcão – Início da semana bem tumultuado. E tende a ter um segundo semestre de legislatura ainda mais forte em relação a indícios de irregularidades, de crimes cometidos. A nossa cidade deve vir à tona, acredito, através de delações que estão acontecendo no âmbito do Tribunal de Contas do Estado (TCE), onde muita coisa pode ser esclarecida, inclusive para a Câmara poder tomar conhecimento também. Alguns vereadores estão solicitando revisão de contas aprovadas da gestão da prefeita Rosinha com fortes indícios de que pode ter havido manipulação no TCE. Demanda evidências, mas elas podem surgir a partir de uma dessas CPIs.

 

Folha – Você falou anteriormente do Bacellar. Você e Rafael são de uma mesma geração, Bacellar é de outra, inclusive de uma legislatura anterior a de vocês. Ele tem um estilo bastante veemente. Como está sendo o convívio com esses estilos?

Marcão – Está sendo muito tranquilo. O vereador Marcos Bacellar sempre teve meu enorme respeito enquanto sua atuação parlamentar e depois, afastado da vida pública, resolveu não concorrer na eleição de 2012, quando eu concorri. Sempre achei o trabalho dele muito combativo, não só enquanto vereador, mas também como sindicalista. Sempre teve um jeito muito peculiar de fazer política, muito duro ao utilizar a tribuna, colocando firmemente seus posicionamentos. Eu também atuo dessa maneira, mas com um estilo diferente. Ele é mais veemente, eu sou mais irônico. Ele costuma se embasar para suas colocações, eu também. Não subo à tribuna sem ter certeza absoluta e provas cabais daquilo que estou falando. Nós temos um estilo parecido e o relacionamento tem sido muito positivo. Não só meu, mas do vereador Fred Machado (PPS), líder do governo. Ele (Bacellar) subiu à tribuna outro dia para elogiar a forma harmônica do trabalho do líder do governo, de como estamos convivendo na Casa e conduzindo os trabalhos e a relação independente dos Poderes.

 

Folha – Ainda sobre Bacellar: é melhor tê-lo a favor do que contra?

Marcão – Lógico. Bacellar é um grande vereador. É um camisa 10. Se tem um craque na política, como tem no futebol, é melhor que jogue no seu time do que no time adversário.

 

Folha – E ele, assim como o G5, originariamente não são da base governista, e, assim como Roberto Pinto e Magal, aparecem como fieis da balança. A maioria segura de qualquer parlamento são dois terços. Entrando esses 10 vereadores, o governo fica exatamente com 17. Se perder um, ficaria sem os dois terços. Pode haver a tendência em cada um achar que seu “passe” está valorizado. Em que termos vão ser feitas essas negociações?

Marcão – As negociações políticas e republicanas, que é o que o prefeito Rafael Diniz não abre mão de fazer. Eu enquanto presidente da Câmara, da mesma forma. Para mim, não existe vereador independente, de oposição ou da base. Para mim, existem vereadores. Eu trato de forma igual a todos os vereadores. O que eu ofereço de trabalho para os vereadores, seja nas comissões, no plenário, são as mesmas condições para a base, da oposição e os que se declaram independentes.

 

Folha – Mesmo que entrem os 10, você acha que a maioria continua?

Marcão – Acredito que essa maioria permaneça e aumente. Eles vão conhecer o nosso estilo de trabalho, que é diferente, não ditatorial, de diálogo. Tenho relatos de vereadores que foram da base do governo anterior que dizem que em quatro meses de mandato, conversaram mais com o prefeito do que nos oito anos anteriores. Lá, a prefeita e o prefeito de fato marcavam para receber às 8h e deixavam esperando em uma sala para, se quiserem atender, iriam atender apenas às 22h, 23h, em um total desrespeito a essa relação de diálogo entre base no Legislativo e o Executivo. O prefeito Rafael Diniz age totalmente diferente. Ele se reúne constantemente com os vereadores de sua base, ouvindo as demandas, o que eles têm a oferecer no seu bairro, no seu distrito, no seu reduto político. Quais são os problemas que eles estão sofrendo, o que eles sentem que a comunidade está ansiando para poder ser suprido. Essa relação de diálogo promove um diferencial. A relação que tínhamos era ditatorial. Cheguei a escrever um artigo na Folha da Manhã dizendo que a prefeita mais parecia uma rainha do que uma prefeita. Lá do alto de seu castelo ela mandava ordens e queria que todos os súditos, seja população ou vereadores, obedecessem a essas ordens. Nós dialogamos de forma republicana, conversamos com todos. A ocupação do espaço político é natural, mas não ocorre prostituição nessa relação, algo que a gente via que acontecia anteriormente.

 

Folha – Você e Fred Machado citam bastante a transparência e citam episódios de pedidos de informações não respondidos pela última gestão. Com a volta de quatro vereadores e, possivelmente dos outros seis depois, qual vai ser a atitude da Câmara com os pedidos de informação da oposição?

Marcão – As atitudes serão de aprovações dos pedidos de informação. Primeiro que a Lei do Acesso à Informação está completando cinco anos, e isso deixa de ser apenas um atendimento e passa ser uma obrigação à legislação, é um dever do político em fazer uma gestão transparente, de prestar contas daquilo que ele está fazendo, dos seus atos. Isso é uma exigência da população e acho muito positivo. Inclusive, há de se elogiar a atitude do TRE que vem mantendo propagandas na mídia para falar: “olha, eleitor, as eleições foram em outubro de 2016, agora cabe a você fiscalizar o trabalho do prefeito e dos vereadores que você elegeu”. Essa constante cobrança faz com que o gestor público viva um momento diferente. Um momento de procurar ser transparente em suas ações o tempo todo. Isso faz com que a população receba um serviço de melhor qualidade. É importante não só no aspecto de se obedecer a lei, mas para gestão, de informar para o contribuinte, que é o cidadão que merece todo o respeito de quem está no poder, em prestar contas sistematicamente.

 

Folha – Uma fonte muito próxima a você disse que sua candidatura a deputado estadual está definida. Está?

Marcão – Nossa candidatura, na verdade, está à disposição ao grupo político do qual pertenço para o ano que vem. Temos a liderança política do prefeito Rafael Diniz. Obviamente temos a preferência de escolher o posicionamento entre deputado estadual ou federal. Se me perguntarem: “vereador Marcão, qual é a sua preferência: candidatura a deputado estadual ou federal?”. Eu vou dizer que minha preferência é pela candidatura a deputado estadual. Pela proximidade, por ficar perto da base, questões familiares e políticas. Além de ter um filho de 10 meses, tenho uma mãe que tem uma certa idade, que depende da minha assistência. Tenho a questão eleitoral, de neste momento de dificuldade da minha cidade, estar mais próximo da minha base eleitoral, ajudar a construir soluções de forma mais rápida para o município. Então tudo isso me faz pesar e ter a preferência pela candidatura a deputado estadual. Mas quero deixar claro, e isso é importante para mim, deixar claro para a população de Campos, que eu não estou preocupado com as eleições de 2018. Estou totalmente focado em meu mandato na Câmara de Vereadores, na presidência da Câmara.

 

Folha – Estadual ou federal, você pode concorrer e ganhar. Quem é a pessoal indicada para assumir a presidência da Câmara?

Marcão – Na minha opinião, temos dentro do grupo político ao qual pertenço, vereadores que podem se candidatar, como o vereador Fred Machado, por exemplo. É um vereador que faz parte da base e pertence ao partido do prefeito. O vereador Abu (PPS), que também faz parte da base e pertence ao partido do prefeito. Tem os vereadores José Carlos e Genásio. Não sabemos a condição partidária do vereador Abdu Neme, que ainda pertence ao PR. Uma série de vereadores que têm bastante experiência. Tem o vereador Bacelar, que já foi presidente da Câmara. Mas isso vai ser debatido no momento oportuno, ao final do segundo biênio dessa nossa legislatura. A base tem que estar sólida. Se as coisas forem bem conduzidas e bem conversadas, não há motivo para racha. A ausência de diálogo é que pode causar algum tipo de racha político.

 

 

Página 2 da edição de hoje (21) da Folha

 

 

Página 3 da edição de hoje (21) da Folha

 

 

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

 

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Crítica de cinema — Rei Arthur repaginado com pedido de bênção na orelha cortada

 

 

 

 

 

 

“Rei Arthur: a lenda da espada” – Desde as histórias de cavalaria da Idade Média, o mito arturiano sempre foi muito popular, dentro e fora da Grã-Bretanha. Ele se baseia em nebulosos fatos históricos, onde teria existido a figura de um Artorius (Arthur, em latim), mais um líder bretão do que propriamente um rei, que teria resistido em batalha às invasões das tribos germânicas dos anglos e saxões. Os fatos teriam se dado deram entre os séculos V e VI, justamente na passagem da Antiguidade à Idade Média, marcada pela queda do Império Romano do Ocidente frente à invasão de inúmeras outras tribos germânicas.

Com o enfraquecimento do seu Império, os romanos foram recuando de suas porções mais distantes, como sua província da Britânia, abandonando os antigos conquistados à própria sorte, ameaçada por novos conquistadores. Nesse contexto, nem é preciso conhecer História, apenas constatar que os britânicos passariam a ser chamados de anglo-saxões, para saber que Artorius, se realmente existiu, lutou do lado perdedor. Qualquer dúvida se desvanece diante ao fato de que a antiga região da Ânglia, que deu nome à Inglaterra, assim como o estado da Saxônia, são ainda hoje partes integrantes da Alemanha.

Mesmo diante da assimilação pelos vencedores, o exemplo de resistência dos vencidos sempre tendeu a sobreviver no imaginário popular ao longo dos tempos. Quando as glórias da Antiguidade Clássica já tinham se transformado em ruínas, a figura histórica de Arthur foi resgatada e misturada à mitologia por autores medievais.

Foi o caso de clérigo gaulês Godofredo de Monmouth (1100/1155) e do escritor francês Chrétyen de Troyers (1135/1191) que não só transformaram Arthur em rei, mas construíram sua lenda em meio a elementos mitológicos como seu pai, o rei Uther Pendragon, o mago Merlin, o vilão Mordred, a távola redonda e a espada mágica Excalibur. E seria o romancista inglês Thomas Malory (1401/1475), no final da Idade Média, quem escreveria a obra responsável pela fundamentação da história como hoje a conhecemos: “Le morte d’Arthur” (“A morte de Arthur”).

“Quando a lenda se torna maior que realidade, publica-se a lenda”. É o que ensina o jornalista no clássico western “O homem que matou o facínora” (1961), do mestre John Ford (1894/1973). Esquecido com o declínio das histórias medievais de cavalaria pré-Gutenberg (1398/1468), o mito arturiano voltou com força total no romantismo do séc. XIX, onde o nacionalismo esteve em alta nas disputas entre as nações européias saídas da Revolução Industrial, achando que a partir dela poderiam dividir o mundo. E não seria diferente no século seguinte, quando essas mesmas disputas tribais redundariam na I e II Guerras Mundiais.

Nesta segunda década do séc. XXI, enquanto Europa e boa parte do mundo se voltam a mesmo tipo de nacionalismo que tanto problema gerou nos dois séculos anteriores, na última quinta (18) teve sua estreia nas telas de cinema de Campos e do Brasil o filme “Rei Arthur: a lenda da espada”. Roteiro e direção são assinados pelo inglês Guy Ritchie, que disse ter se inspirado nas suas memórias de criança do clássico “Excalibur” (1981), transcrição mais fiel ao cinema do livro medieval “Le morte d’Arthur”, pelas mãos de outro cineasta inglês: John Boorman.

Ex-marido da cantora Madonna, Guy Ricthie foi um dos tantos que teve seu início como diretor fortemente influenciado pelo impacto que Quentin Tarantino causou no cinema do mundo, logo a partir do seu revolucionário “Cães de aluguel” (1992) — talvez a maior contundente estreia de um cineasta desde Orson Welles, com “Cidadão Kane” (1941). A partir do sucesso de “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes” (98) e “Snatch — Porcos e diamantes” (2000), escritos e dirigidos por Ricthie, ele chegaria a ser chamado de “Tarantino britânico” no começo de carreira.

Mas isso foi antes do ex-Senhor Madonna se tornar um diretor blockbuster em dois filmes sobre a criação literária de um xará e conterrâneo do rei mitológico: o escritor Arthur Conan Doyle (1859/1930). Usando a herança de Tarantino em diálogos descolados, ritmo frenético e o misto bem dosado entre violência e comédia, Guy Ritchie fez sucesso ao repaginar outro ícone britânico: “Sherlock Holmes” (2009) e “Sherlock Holmes: o jogo das sombras” (2011) foram sucessos de bilheteria, com razoável acolhida da crítica, êxito também devido aos bons desempenhos e à química do “casal” Robert Downey Jr. (Holmes) e Judie Law (Mr. Watson).

Em “Rei Arthur: a lenda da espada”, é o Uther intrepretado por Eric Bana que começa usando a coroa de rei e empunhando Excalibur. A coroa é logo usurpada por seu irmão, Vortigern, na composição sempre convincente de Judie Law, que consuma uma traição dupla e fatal para atender seu desejo desmedido de poder. Mas se consegue a coroa, Vortigern (na verdade, outro rei lendário dos primórdios da Inglaterra pós-Roma) não fica com mágica espada, deixada por Uther trespassada numa pedra até que seu filho Arthur venha reivindicar o que lhe é de direito e resgatar a Inglaterra da tirania do tio.

O roteirista e diretor introduz uma repaginada muito própria no mito: ao fugir ainda criança, Arthur vai se refugiar num prostíbulo de Londinium — nome romano que depois geraria Londres, como a latina Barcino se tornaria Barcelona, na Espanha; Conímbrigia viraria Coimbra, em Portugal; ou Massília, na França, seria Marselha. Criado na malandragem do mundo marginal, a evolução do menino até o Arthur adulto interpretado por Charlie Hunnam se dá numa rápida sequência, típica da cinematografia de Ritchie. Ele aprende a lutar na escola de Kung Fu George (Tom Wu) e se torna um cafetão e líder de gangue, indiferente ao governo tirânico de quem sequer sabia ser seu tio e assassino dos seus pais.

Tudo seguia relativamente bem na sua vida, até que Arthur é confrontado contra a vontade com seu destino, religando-se a uma origem da qual só se lembrava em pesadelos violentos. Conduzido pelos fatos ao enfretamento contra Vortigern, o jovem rei ainda sem coroa, mas já com sua poderosa espada, é guiado pelo antigo guerreiro do seu pai, Sir Beldivere (Djimon Hounson), pela maga vivida por Astrid Bergès-Frisbey e pelo habilidoso arqueiro Bill Ensebado (Aidan Gillen), mas sem abrir mão dos antigos companheiros das ruas de Londinium.

Se a Europa, geograficamente, nada mais é que um promontório da Ásia, ela sempre teve dois corredores de passagem movimentados em sua extremidade ocidental: a Península Ibérica (Espanha e Portugal) ao sul e a ilha britânica ao norte. Todos que passaram pela última estão no filme de Ritchie: os bretões (celtas, cujos sacerdotes da sua religião xamânica eram chamados de druidas, como deveria ser o caso do “Mago” Merlin), os romanos com as ruínas de seus aquedutos, pontes e arenas, e até quem só chegaria bem depois de Arthur: vikings, negros e orientais.

A obra de Ritchie é também habitada por séries televisivas de sucesso. Aidan Gillen foi o Mindinho de “Game of Thrones”, antes de viver Bill Ensebado; ao passo que Tom Wu personalizou o Cem Olhos de “Marco Polo”, antes de virar Kung Fu George. Protagonista do filme, o próprio Charlie Hunnan viveu Jax Teller, em “Sons of Anarchy”, antes de se transformar no Arthur meio monocórdio do filme.

Para quem não conhece tanto de cinema, séries ou História, o filme entretêm. Já para os cinéfilos de carteirinha, mesmo que Ritchie tenha se afastado da influência de Tarantino para repaginar ícones britânicos como Sherlock Holmes e Rei Arthur em movimentados filmes de ação, usando e abusando de efeitos especiais, seu pedido de bênção ao cineasta que revolucionou Hollywood nos anos 1990, com escassos recursos materiais, pode ser ouvido até numa orelha cortada.

 

 

 

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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