Lula, Bolsonaro e urna de Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Antropólogo e professor da UFF-Campos, Carlos Abraão Moura Valpassos é o convidado do Folha no Ar desta quarta (21), ao vivo, a partir das 7h, na Folha FM 98,3. Ele analisará a polêmica declaração do presidente Lula (PT). Que comparou a guerra de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza ao extermínio dos judeus por Hitler na II Guerra Mundial (1939/1945). E abriu uma crise diplomática com o governo israelense de Benjamin Netanyahu.

Abraão também analisará os dias que prometem movimentar ainda mais a semana, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) indo depor à Polícia Federal (confira aqui) na quinta (22) sobre a tentativa de golpe de estado no Brasil, e à av. Paulista no domingo (25), em manifestação convocada por ele. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui e aqui), o antropólogo tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Lula, Bolsonaro, Campos e SJB no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Cientista político e professor da Uenf, Hamilton Garcia é o convidado do Folha no Ar desta terça (20), ao vivo, a partir das 7h15 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará as declarações polêmicas do presidente Lula (PT) dada no domingo na Etiópia, onde comparou a guerra de Israel na Faixa de Gaza com o Holocausto dos judeus pela Alemanha nazista na II Guerra (1939/1945).

Hamilton também falará das investigações sobre o envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com a tentativa de golpe de estado no Brasil em 8 de janeiro de 2023, seu depoimento na Polícia Federal (confira aqui) nesta quinta (22) e a manifestação que convocou em São Paulo no domingo (25).

O cientista político também analisará, dentro da sua visão de enfrentamento de oligarquias, a relação entre o Executivo e o Legislativo goitacá. E, a partir das pesquisas (confira aqui), tentará projetar a eleição a prefeito e vereador de 6 de outubro, em Campos e São João da Barra, daqui a pouco mais de 7 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Do Carnaval à Quaresma: qual o destino de Bolsonaro?

 

“O meu país chegou a um estado de perturbação psíquica das massas. Seu líder pegou vários humanos das ruas e os organizou em torno de si mesmo. Foi o pior afloramento da vida de rebanho: o sistema militar, que abomino. O fascismo tem sido particularmente violento em seu ataque às minorias”.

(Albert Einstein, judeu alemão, sobre a Alemanha nazista de Adolf Hitler)

 

Jair Bolsonaro e Silas Malafaia (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

 

De 2022 ao carnegão amarelo do furúnculo posto a furo em 8 de janeiro de 2023, o Brasil sofreu uma tentativa de golpe de estado? O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que seria o principal beneficiado, o liderou? O capitão e seus generais cometeram crimes? Serão presos? Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes é imparcial para jugar Bolsonaro?

Se o Brasil só começa, de fato, após o Carnaval, reflete os fatos antes e durante o reinado de Momo. Na segunda de Carnaval, dia 12, Bolsonaro criou sua “narrativa” para tentar sair das cordas: acusado de golpista, convocou uma manifestação “em defesa do Estado Democrático de Direito” na avenida Paulista, dia 25. E gerou outra pergunta: o que esperar?

No sábado de Carnaval, dia 10, as revelações da Polícia Federal em 8 de fevereiro de 2023, sobre a tentativa de golpe de estado no Brasil, teve causas e consequências aqui analisadas. Em artigo (confira aqui) que reuniu as impressões do empresário liberal João Amoêdo, candidato a presidente em 2018; da historiadora Guiomar Valdez, professora do IFF; e minhas.

Com o espaçamento normal em meio ao Carnaval, o diálogo em busca de interpretação conjunta foi retomado por Guiomar na Quarta-Feira de Cinzas, dia 14. Já com a expectativa ao dia 25 na Paulista, ela escreveu no grupo de WhatsApp do blog Opiniões, hospedado no Folha 1, e do programa Folha no Ar:

“Meu prezado amigo Aluysio, desculpa a demora. Mas, hoje (14), iniciando a Quaresma, consegui me ‘libertar da Original’, foi bom demais, mas novos tempos se reiniciam. Então, vejo a compreensão do liberal João Amoêdo coerente e pertinente sobre o 8 de fevereiro de 2024. Concordo e reforço: ‘Estamos atrasados’. Quem poderá questioná-lo crítica e seriamente?

Tão importante um Judiciário que exercita a autonomia dentro da legalidade… De fato, crer que ‘os fins justificam os meios’ fragiliza a construção democrática, gerando insegurança jurídica. Que contamina todas as instâncias e espaços de liberdade e igualdade de uma sociedade em construção.

Também sou leiga, mas, como o ‘inquérito de ofício’ não é um instrumento ilegal, apesar de muito perigoso, não dependendo apenas de conteúdo de delação. E essa trilha utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes, em determinada conjuntura histórica, deve ser analisada pelos cientistas das Humanidades.

Como procuro não analisar nada com o fígado, pelo respeito ao leitor, ao interlocutor e ao conhecimento, endosso o que você registrou. Não me alegro e nem fico eufórica com prisões de políticos do alto ou do baixo escalão. Fico, feliz, sim, quando as condenações respeitam o devido processo legal.

Chamo a atenção diante dos fatos comentados a partir de 8 de fevereiro, que já está posta uma reação convocada pelo ex-presidente para 25 de fevereiro, na Paulista, como forma de testar apoios e defender-se. Pergunto: ele pode fazer isso, diante das limitações que a Justiça lhe impôs? A ver”.

Ao que só pude responder na primeira sexta-feira da Quaresma:

“Realmente, querida Guiomar, aprisionados em Original, Amstel e até Heineken, os dias de Momo tornaram este debate espaçado. O que favorece, no entanto, à reflexão. Por partes:

1 – Sim, a projeção do liberal João Amoêdo sobre o Estado Democrático de Direito no Brasil soçobrando, caso Jair Bolsonaro não encarnasse a incompetência histórica de 1º presidente da República a poder e não conseguir se reeleger, é factível. E cada vez mais evidenciada pelas investigações da Polícia Federal.

2 – Jurista e ex-magistrado que respeito, o Walter Maierovitch colocou uma questão grave: ‘Moraes está atuando ética e psicologicamente impedido de atuar. Ele deveria se afastar porque está mencionado. Se o golpe desse certo, ele seria submetido à prisão e até a uma sanção de morte. Não é possível que alguém não se afaste, sob estas circunstâncias’.

 

 

3 – Maierovith nunca rezou na cartilha bolsonarista de juristas como Ives Gandra, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Marco Aurélio Mello. Como além da questão do foro, a clara parcialidade de Sergio Moro foi a causa jurídica para a anulação da condenação de Lula, indago e peço resposta sem paixão: alguém considera Moraes imparcial para julgar Bolsonaro?

4 – Independente da ideologia política, só alguém sem amor-próprio, a si e à sociedade que integra enquanto país, pode comemorar um ex-presidente preso. Até porque, se Bolsonaro o for, será o terceiro, depois de Lula em 2018 e Michel Temer, em 2019. Se acontecer, penso, deporá contra o que somos enquanto República diante da História.

5 – Sim, idealizado pelo insuspeito pastor Silas Malafaia, melhor definido pelo saudoso jornalista Ricardo Boechat, o dia 25 de fevereiro será outro teste à nossa República. A ver”.

 

 

Jornalista, blogueiro do Folha1 e servidor federal, Edmundo Siqueira também entrou no debate:

“Não sou jurista, mas está em curso uma discussão no mínimo interessante sobre a forma de tentativa nos crimes de golpe de estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Bolsonaro está sendo acusado de ambos.

No Direito Penal, a tipificação de um crime na forma tentada precisa do início da preparação. A mera intenção verbalizada não seria tipificado como tentativa. Mas não vejo como, no caso golpe de estado, punir o crime consumado. Consumado, não haveria mais possibilidade de punição com as instituições todas corrompidas.

Ademais, se a reunião de Bolsonaro com os embaixadores para descredibilizar as eleições, a tentativa de coação de parte das Forças Armadas e as minutas de decretos não forem considerados atos preparatórios não sei mais o que seria.

Os juristas podem me corrigir, claro, mas acho difícil, com tudo que se sabe, não imputar esses crimes a Bolsonaro e outros membros do governo passado. Isso fora a formação de quadrilha, pela qual também devem responder”.

Engenheiro de carreira da Petrobras e ex-secretário do Estado do Rio em várias pastas, Wagner Victer também foi assertivo:

“Preparatório de golpe é crime. Até porque, após consumado o golpe, obviamente não se terá como punir com a intervenção nas instituições democráticas! Óbvio também que a identificação de atos preparatórios de outros crimes também tem essa classificação de grave delito. Como, por exemplo, a preparação de um ato terrorista!

As punições têm que ser exemplares! Os militares que comprovadamente se envolveram devem perder a patente e as prerrogativas!”

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Por um liberal, uma historiadora e um jornalista, o 8 de fevereiro de 2024

 

Generais Walter Braga Neto e Augusto Heleno, e o capitão Jair Bolsonaro (Foto: DW)

 

 

 

Pelo envolvimento que gerou nas redes sociais e à História do Brasil que será contada quando todos formos nomes numa lápide, o 8 de fevereiro de 2024 só tem um paralelo: o 8 de janeiro de 2023. Mais que qualquer acadêmico, jornalista, artista ou outro ofício feito sinônimo de “esquerdopata” nos delírios que governaram o Brasil de um cercadinho entre 2019 e 2022, os eventos da quinta foram melhor definidos na manhã de sexta (9) por um empresário liberal:

 

“Espero que para os brasileiros que de fato pensam no país e no futuro dos seus filhos, mas discordam totalmente do PT e de suas lideranças, tenha ficado claro, com os fatos divulgados ontem (8 de fevereiro), que o voto em Lula no segundo turno das eleições de 2022 era absolutamente necessário.

Era a única forma de evitarmos um golpe que aconteceria com grande chance de sucesso em 2026. O resultado da reeleição de Bolsonaro seria um Supremo totalmente aparelhado, as Forças Armadas devidamente submetidas às suas vontades, onde a realidade seguiria sendo distorcida pela desinformação e a espionagem de adversários políticos chegaria a níveis ainda piores.

Muito provavelmente, começaríamos o ano de 2027 em um regime de exceção sob o comando de Bolsonaro.

É preciso agora punir com rigor todos os envolvidos, civis e militares, aprender com tudo que aconteceu, mas virar essa página e iniciar a construção — sem populismo, sem revanchismo, com disposição, com visão de longo prazo e lideranças coerentes — do Brasil que queremos.

Estamos atrasados”.

 

João Amoêdo assumiu a posição que qualquer liberal de verdade deveria ter. Candidato a presidente no mesmo ano de 2018 em que Jair Bolsonaro (hoje, PL) — deputado federal do baixo clero, radical de direita, histriônico e estatista — se “converteu” ao liberalismo de Paulo Guedes. Para receber a benção de boa parte do empresariado brasileiro. Como tinha se “convertido” em 2016 à boa parte do rebanho neopentecostal, ao ser batizado no rio Jordão pelo pastor Everaldo. Que seria preso em 2020 por desvio de dinheiro público da Saúde do RJ.

Recordar é viver! Mas vai que era o final da vertiginosa manhã brasileira da quinta de 8 de fevereiro de 2024. Quando, no grupo de WhatsApp do blog Opiniões e do programa Folha no Ar, a historiadora Guiomar Valdez, professora do IFF, propôs o debate:

 

“Meu prezado Aluysio, apesar da frágil democracia que vivenciamos desde o término da ditadura civil-militar, aprecio quando as investigações são discretas, como têm que ser. E o devido processo legal não se torna espetaculoso. Sobre as ações de hoje (8 de fevereiro), compreendo dessa maneira. Viva a democracia brasileira em cada pequenino passo que reforce o nosso Estado Democrático de Direito. Abaixo as fakenews! Sigamos em frente!”

 

No início da tarde, a proposta de debate foi respondida:

 

“No trabalho hoje (8 de fevereiro) antes de me desligar no Carnaval, aproveito o diálogo sempre estimulante contigo, querida Guiomar Valdez, para dar algumas impressões sobre os fatos:

1 – Só não esperava a operação de hoje (8 de fevereiro), como as que devem se seguir após o Carnaval, quem — por desinteligência, cumplicidade dolosa com crimes graves, interesse pessoal em detrimento do coletivo, ou uma soma desses fatores — tenta relativizar as causas e simular cegueira às consequências.

2 – Modestamente, endosso sua compreensão de que, até onde ora podemos enxergar, os fatos de hoje (8 de fevereiro) transcorreram de maneira republicana. Diferente da espetacularização que marcou as ações da Lava Jato, não vi, por exemplo, nenhuma imagem da prisão de Valdemar da Costa Neto. Que certamente foi registrada, até para proteção dos responsáveis pela ação.

3 – Sou leigo, mas abrir inquérito de ofício, como fez o ministro Alexandre de Moraes para investigar os crimes cometidos do bolsonarismo, rompe com o princípio da inércia do magistrado. Concordo que não havia outro caminho possível diante da prevaricação do ex-PGR Augusto Aras, mas é um princípio muito perigoso. Foi com um juiz de 1ª instância, como era Sergio Moro. É muito mais com um ministro do STF. Nos dois casos, ou em qualquer outro, discordo que os fins justifiquem os meios.

4 – Por outro lado, se convivemos por séculos com o complexo de vira-latas na inevitável comparação continental com a solidez, a eficiência e a longevidade institucional dos EUA de Thomas Jefferson e Benjamin Franklin, os eventos tupiniquins desde a reação ao 8 de janeiro de 2023 até os de hoje (8 de fevereiro de 2024), e os que se seguirão, são didáticos aos EUA de Joe Biden e Donald Trump. E ao mundo. Onde o Brasil leciona: como as democracias podem e devem resistir.

5 – Se todas as robustas evidências reveladas hoje (8 de fevereiro), pela investigação da Polícia Federal, se confirmarem em juízo, o capitão Jair Bolsonaro e alguns de seus generais, que venderam a honra à farda por soldo acima do teto constitucional no bolso, podem ser presos. Se isso acontecer, escreverei o mesmo que escrevi em 6 de abril de 2018, véspera de Lula ser preso: ‘Um dia triste para a República’”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Nominata do MDB a vereador no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vereador governista e presidente do MDB em Campos, Silvinho Martins é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar nesta quinta (8), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a relação complicada entre Executivo e Legislativo campistas, com o fim da pacificação entre Garotinhos e Bacellar, a CPI da Educação e a novela da LOA de 2024.

Silvinho também analisará a nominata que está montando ao MDB, partido do vice-prefeito Frederico Paes, buscando o reforço de outros vereadores e ex-vereadores de outras legendas. Por fim, com base nas pesquisas de 2023 (confira aqui e aqui), ele tentará projetar o pleito a prefeito e vereador de 6 de outubro, daqui a 7 meses e 29 dias.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

No Rio, Lula recebe convite para voltar a visitar Campos

 

Presidente Lula e o dirigente do PT de Campos Gilberto Gomes em encontro ontem à noite, na cidade do Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

Um convite para o presidente Lula (PT) voltar a visitar Campos, ainda este ano, e mais investimentos federais ao RJ com a criação de novos Institutos Federais (IFs). Que terão como referência a experiência exitosa dos campi Centro e Guarus do IFF (Instituto Federal Fluminense) em Campos, município que recebeu investimentos de R$ 1,3 bilhão do Lula 3 em 2023. Foi o que Gilberto Gomes, assessor da Câmara Federal e secretário de Comunicação do PT goitacá, pelo qual é pré-candidato a vereador, trouxe do encontro na noite de ontem, na cidade do Rio, com o presidente:

— Estive lá, levantando a bandeira de Campos, que também conta com dois campi do IFF. E que que provam diariamente o acerto dessa política, que será ainda mais fortalecida no Rio de Janeiro a partir de hoje (ontem). Lula sabe que somente através da educação podemos transformar, de verdade, a vida do povo brasileiro. Nossa cidade, somente em 2023, recebeu mais de R$ 1,3 bilhão em repasses do Governo Federal. O Brasil está de volta e nós queremos fazer parte dessa mudança, construindo também um novo desenvolvimento para Campos — apostou Gilberto.

Em nome do PT goitacá, Gilberto também convidou o presidente Lula a visitar Campos ainda em 2024. Sua última visita ao município foi quando era pré-candidato a presidente em 2018, eleição da qual seria impedido de concorrer a partir da sua prisão pela Lava Jato, em 7 de abril daquele ano. Antes, Lula passou por Campos entre 5 e 6 e dezembro de 2017, quando concedeu entrevista exclusiva (confira aqui e no vídeo abaixo) à Folha da Manhã, que teve (confira aqui) imediata repercussão nacional.

 

 

— Convidei o presidente para visitar Campos. Ele disse se recordar da última em 2017, do comício na Praça do Liceu, da visita ao IFF e da entrevista que deu à Folha. E quer retornar. Coloquei a possibilidade da inauguração dos novos prédios da UFF, que já contou com uma pequena solenidade. Lula pediu para reforçar a possibilidade com (o deputado federal) Lindbergh (Farias, de quem Gilberto é assessor parlamentar) para tentar alinhar — revelou o jovem petista goitacá.

Embora Campos tenha se revelado bolsonarista nos segundos turnos presidenciais de 2018 e 2022, a estratégia nacional de Lula apresentada em 2024 é tentar erodir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em suas raízes. Como fez ontem, na cidade do Rio, com o governador Cláudio Castro (PL). Neste sentido, no lugar de impeditivo, o bolsonarismo de Campos seria estímulo a uma nova visita de Lula à cidade. Que também é governada por Wladimir Garotinho, do PP, partido comandado pelo maior opositor real hoje do Lula 3: o presidente da Câmara de Deputados, Arthur Lira.

 

Da 98ª à 75ª ZEs, Campos a prefeito entre 2020 e 2024

 

Wladimir Garotinho, Edar Chagas Júnior, Rodrigo Bacellar, Rapahel Thuin, Pryscila Marins e George Gomes Coutinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

ZE de Campos diferente em 2020

Na edição da última quarta (31), esta coluna alertou (relembre aqui) à importância estratégica que a 98ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos, a chamada “pedra”, tem na eleição a prefeito daqui a exatos 7 meses e 29 dias. No disputadíssimo segundo turno de 2020, a 98ª foi a única das quatro ZEs do município em que o atual deputado federal Caio Vianna (hoje, PSD) ficou à frente de Wladimir Garotinho (hoje PP). Que venceu aquele pleito e levou a Prefeitura pela vontade da maioria das 75ª, 76ª e 129ª ZEs. Para a tentativa de reeleição em 2024, segundo (confira aqui) as pesquisas de 2023, Wladimir teria assumido a liderança das intenções de voto também (confira aqui) na 98ª.

 

Diferente desde 1989

Com 114.444 eleitores aptos a votar, a maior ZE de Campos é a 75ª, que vai da Penha ao Farol, por toda a Baixada Campista. Com 99.549 eleitores, a segunda ZE é a 76ª, de Guarus à direita da BR 101, no sentido Vitória, até a divisa com o Espírito Santo. Com 93.199 eleitores, a central 98ª é só a terceira ZE de Campos, embora lidere na média socioeconômica. E é onde os Garotinhos, de 1989 a 2020, sempre tiveram votação proporcionalmente menor entre as ZEs de Campos. Com 63.431 eleitores, a 129ª vai da Guarus à margem esquerda da BR 101, no sentido Vitória; e, no sentido Rio, até o limite sul do município. É a menor ZE dos campistas.

 

Convite dos Bacellar e de Wladimir

Ainda que, eleitoralmente, seja só a terceira das quatro ZEs de Campos, sua importância estratégica foi endossada no Folha no Ar de ontem, com o empresário, arquiteto urbanista e ex-presidente da CDL-Campos, Edvar Chagas Júnior. Antes de aceitar ser subsecretário de Turismo de Wladimir, ele confirmou que chegou a ser sondado como possível candidato nas eleições municipais de outubro. Não só pelos governistas, mas também pela oposição. Edvar confirmou que foi procurado pelo grupo político dos Bacellar. Para tentar compor a chapa de oposição que ainda se tenta formar à disputa da Prefeitura.

 

Para tentar equilibrar na 98ª ZE

“Tive mais convites da oposição do que da situação. Especificamente, no grupo dos Bacellar. Sem definir quem seria cabeça ou vice; mas para compor chapa. A conversa, no meio do ano passado, não foi diretamente com o (presidente da Alerj, Rodrigo) Bacellar. Mas o convite mais claro foi de Wladimir. Lógico, ele também é muito bem informado e soube de todos os convites que recebi da oposição. Na minha saída (da presidência da CDL), em janeiro, ele (Wladimir) fez o convite em público”, relembrou Edvar Júnior. Que teria sido sondado pelos Bacellar para tentar equilibrar a vantagem do prefeito também na 98ª ZE.

 

Representantes da 98ª ZE

Vereador de oposição, além de também empresário e cria da 98ª ZE, Raphael Thuin (de saída do PTB) disse e a coluna registrou na quarta: “Nessa política assistencialista (do governo Wladimir), não só nos RPAs, a LOA deste ano reservou R$ 48 milhões ao Cartão Goitacá, aumento de R$ 12 milhões em relação ao ano passado”. Foi para tentar reativar um histórico antigarotismo na pedra, após a votação da LOA ter sido imposta (confira aqui) à oposição na Câmara Municipal pela sociedade civil organizada. Aquela que, como a advogada Pryscila Marins, presidente da Apoe, e como o subsecretário Edvar e o edil Thuin, representa emblematicamente a 98ª ZE: a pedra.

 

Da 98ª ZE, outra visão dela

O eleitor da 98ª não é uniforme. Como ocorre nas outras três ZEs de Campos, tem diferentes visões. Inclusive, de si mesmo: “Minha única questão é um pressuposto sobre a 98ª ZE. Que este eleitorado seria mais propenso a tomar decisões pautado por maior qualidade da reflexão e menos refratário a políticas públicas ou movimentos da máquina. Eu realmente discordo. Parte da classe média local, do empresariado, é tão ou mais dependente da máquina do que as classes D e E”, ampliou o cientista político George Gomes Coutinho. Que é professor da UFF em Campos — cidade em que nasceu, se criou e até hoje reside na pedra.

 

“Clientelismo transclassista” de Campos

O cientista político foi além no juízo do campista de classe média e eleitor da 98ª ZE, perfil que também integra. E questionou a análise do vereador de oposição: “A perspectiva de Thuin identifica um ‘assistencialismo‘ somente com os de baixo. Mas ignora solenemente privilégios, isenções, tráfico de influência, sabujice e favores na pedra. Já chamei isso (a dependência generalizada da Prefeitura) de ‘clientelismo transclassista’, justamente por conta do perfil socioeconômico da cidade. Que é dotado de um setor produtivo que gera poucos empregos de qualidade, caracterizado por baixo investimento e gestão temerária”, afirmou George.

 

75ª ZE foi Minas Gerais em 2020

Simbólica por ser a ZE de Campos em que os Garotinhos têm mais dificuldades, a 98ª não é o melhor retrato do eleitor campista. Na última eleição a prefeito, essa condição de termômetro foi da 75ª, maior ZE do município. Com base nas pesquisas, foi possível projetar (relembre aqui) em 21 de novembro de 2020, oito dias antes do segundo turno a prefeito: “A ZE da mítica Baixada da Égua deve definir a eleição”. Oito dias depois, a 75ª registrou nos votos válidos: Wladimir 50,54% x 49,46% Caio. Entre as quatro ZEs, deu o placar mais próximo ao total: Wladimir 52,40% x 47,60% Caio. A prefeito de Campos, foi o que Minas Gerais é a presidente do Brasil.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Patrimônio histórico e eleições no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Historiadora e diretora do Museu Histórico de Campos, Graziela Escocard é a convidada do Folha no Ar desta quarta (7), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará da ação das chuvas de verão dentro do prédio e Museu (confira aqui e aqui) e sua ação danosa (confira aqui) sobre todo o patrimônio arquitetônico do município, entregue à própria sorte.

Graziela também analisará o turismo histórico, com a entrada do arquiteto urbanista Edvar Chagas Júnior na subsecretaria municipal de Turismo, como possível solução à preservação. Por fim, com base (confira aqui) nas pesquisas de 2023, tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 6 de outubro, daqui a exatos 7 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.