Opiniões

Morre aos 41 Kobe Bryant, “filho” mais brilhante de Michael Jordan e Magic Johnson

 

Depois de Michael Jordan, nenhum jogador de basquete voou como Kobe Bryant

Morreu hoje, aos 41 anos, em acidente de helicóptero na Califórnia, um dos maiores gênios da história do basquete: Kobe Bryant. Para ampliar a tragédia, ele estava com sua filha Gianna, de 13 anos, e mais sete pessoas. Todos morreram. Kobe foi campeão cinco vezes da NBA, maior título do basquete, sempre como protagonista e atuando pelo Los Angeles Lakers. Em 2000, 2001 e 2002, o ala-armador fez uma dupla inesquecível com o pivô Shaquille O’Neall. O ego enorme de ambos era equilibrado pelo comando “zen” do técnico Phil Jackson, que vinha da experiência de ter antes treinado o maior time de basquete todos os tempos: o Chicago Bulls de Michael Jordan, vencedor seis vezes do título da NBA, nos anos 1990.

Com a saída de Shak do Lakers, Kobe assumiria de vez a condição de estrela maior do time. E escudado por outro grande pivô, o espanhol Paul Gasol, ele ganharia mais dois títulos da NBA, em 2009 e 2010, quando foi o MVP (Most Valuable Player, “jogador mais valioso”) daquelas duas finais. Seu melhor ano na NBA, no entanto, é considerado o de 2008, quando foi o MVP da temporada. Mas perderia a final do campeonato para o Boston Celtics de Kevin Garnet e Paul Pierce, em série de seis jogos.

Naquele mesmo ano de 2008, Kobe liderou a seleção de basquete dos EUA na conquista do seu primeiro ouro olímpico, em Pequim, batendo na final a Espanha do companheiro de clube Paul Gasol. Aquele time, que tinha também LeBron James no auge da forma, seria o único comparado do “Dream Team” (“Time dos Sonhos”) original. Aquele de 1992, em Barcelona, que reuniu monstros como Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Scottie Pippen, Charles Barkley, Karl Malone, John Stcokton e David Robinson, na primeira Olimpíada aberta aos jogadores profissionais da NBA. “Filho” mais brilhante daquela geração inigualável de duas décadas antes, Kobe conquistaria em Londres-2012 sua segunda medalha de ouro olímpica pelos EUA, contra a mesma Espanha de Gasol.

 

Maiores jogadores de basquete das décadas de 80 e 90 do século 20, Magic Johnson e Michael Jordan

 

De fato, Kobe era filho do também jogador de basquete Joe Bryant. Após atuar na NBA pelo Philadelphia 76ers e Houston Rockets, foi jogar na Itália nos anos 1980. E levou junto seu filho caçula, que cresceria tendo como ídolo no esporte um certo brasileiro que àquela época brilhava no basquete italiano: Oscar Schmidt. A criação na Itália fez com que Kobe fosse também um apaixonado por futebol, torcedor do Milan e fã do jogo brasileiro. Quando voltou aos EUA em 1991, a grande habilidade demonstrada na High School (ensino médio) fez com que fosse draftado em 1996 com apenas 17 anos, sem passar por nenhuma universidade, como é o hábito no maior basquete do mundo.

 

O cestinha brasileiro Oscar Schmidt e seu grande  fã dos tempos da Itália, Kobe Bryant

 

No draft da NBA, feito para dar a preferência dos melhores reforços jovens aos clubes de pior desempenho na última temporada, o jogador não pode escolher seu time. A não ser que você seja Kobe Bryant. Sem nunca esconder que queria jogar no Los Angeles Lakers, ele foi draftado pelo New Orleans Hornets, pelo qual não chegou a jogar nenhuma partida. Ainda mera promessa, forçou sua troca com o já consagrado pivô sérvio Vlad Divac, que era ídolo do Lakers.

 

Menino de 17 anos, Kobe foi o mais jovem a estrear como jogador profissional na NBA

 

Kobe nunca vestiu o uniforme de nenhum outro clube. Desde 1996, quando foi o jogador mais novo a pisar numa quadra da NBA. Até se aposentar, em abril 2016, quando abriu mão de disputar a Olimpíada daquele ano no Rio. Sempre com a camisa roxa e dourada do Lakers, Kobe só mudou de número: a 8 com que jogou até 2007, e a 24, com que atuaria pelo resto da carreira. As duas seriam aposentadas em 2017 pelo único clube que defendeu por duas décadas, conduzindo-o a cinco conquistas do maior título de basquete da Terra.

 

Quatorze anos depois da sua estreia, Kobe abraça os cinco títulos da NBA que deu ao Los Angeles Lakers

 

Considerada sua maior atuação em um jogo de basquete, Kobe marcou 81 pontos pelo Lakers contra o Toronto Raptors, em 22 de janeiro de 2006. É a segunda maior pontuação da história da NBA. Pela evolução na marcação e placares menos elásticos, é considerada pelos especialistas como mais difícil que a primeira: os 100 pontos do pivô Wilt Chamberlain, pelo Philadelphia Warriors sobre o New York Knicks, em 2 de março de 1962. Confira no vídeo abaixo os 81 pontos de Kobe, 44 anos depois:

 

 

Para quem nasceu anos 1970 como Kobe, e começou a gostar de basquete nos anos 1980 por conta do Lakers de Magic Johnson, outro campeão cinco vezes da NBA, os anos 1990 existiram para ficar boquiaberto com o talento de Michael Jordan. E aplaudir seus seis títulos pelo Chicago Bulls. Até que Kobe surgiu ainda adolescente naquela mesma década, para se tornar homem na seguinte. E voar como Jordan, por sobre as cabeças de gigantes, para igualar a façanha de Johnson, vestindo a camisa do mesmo clube.

 

Companheiros de Lakers, Paul Gasol e Kobe Bryant defendem Espanha e EUA na final olímpica de Pequim-2008

 

Mesmo torcedor do Lakers por conta de Johnson, confesso: para mim, as atuações de Kobe que nunca vou esquecer foram com a camisa dos EUA. Eram as Olimpíadas de Pequim-2008 e estava “internado” na casa de uma namorada no inverno de Teresópolis. Vendo pela TV, com o Pico do Dedo de Deus pela janela, jamais esquecerei da semifinal de 22 de agosto contra a Argentina, campeã das Olimpíadas de Atenas-2004 batida na seguinte por 101 a 81. Nem da final contra a Espanha, dois dias depois, vencida por Bryant e companhia por 118 a 107.

Kobe foi um gênio do esporte. Dos maiores que vi em meu tempo de vida. E marcou uma fase dela, aquecida entre pernas e edredons, que guardo dentro de um estojo.

 

Confira o vídeo com as 40 melhores jogadas de Kobe na sua brilhante carreira de 20 anos na NBA:

 

 

Conselho à esquerda goitacá para outubro: “que não seja festiva, em resumo”

 

Servidor público federal, Edmundo Siqueira estreou como blogueiro do Folha1 com uma cobertura jornalística irretocável sobre a greve dos médicos na Saúde Pública de Campos (relembre aqui), em agosto de 2019. Em 2020, ano de eleições municipais, ele parece disposto a retomar o ritmo.

Ao comentar a polêmica aberta com a posição (aqui) do petista André Ceciliano, presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que gerou forte reação do PT de Campos, com críticas igualmente contundentes do sociólogo e professor da Uenf Roberto Dutra, Edmundo fez uma postagem no sábado (25). Que, confesso, só tive tempo para ler neste domingo (26).

Edmundo Siqueira, servidor federal e blogueiro do Folha1

Com um dia de atraso, indico antes tarde do que nunca: a análise do Edmundo vale a leitura. Sobretudo pela esquerda goitacá que não pretenda sair das urnas de outubro com a descoberta de que a luz no fim do túnel era, mais uma vez, a do trem na direção contrária. Abaixo, um trecho da postagem feita por um analista de orientação política progressista, que merece ser conferida na íntegra aqui:

 

“Em Campos o recente episódio André Ceciliano X Roberto Dutra X Odisséia Carvalho (entenda aqui) evidencia as dificuldades internas de partidos progressistas promoverem a tal “união da esquerda”. É preciso levar em consideração o excessivo desgaste do Partido dos Trabalhadores (PT) para as forças de esquerda sejam vitoriosas em novas eleições e que estejam unidas. Seria preciso um reconhecimento do PT de seus erros, que foram muitos e graves, uma reformulação interna aliada a modernização do pensamento, menos alijada do ‘homem comum’, que dialogue mais com a realidade fática e menos com um marxismo ultrapassado e anacrônico e com um pensamento gramsciano batido e visivelmente fracassado nas trincheiras extra-cultura. Que não seja esquerda festiva, em resumo”.

 

Prefeitura garante que GCM vai trabalhar com PM na fiscalização do Tamandaré

 

 

Na madrugada de quinta (22), duas viaturas da PM passam por carro de clientes da boate na Pero de Góis, que permaneceu parado na contramão, ilícito que caberia a GCM fiscalizar (Foto: Reprodução)

GCM promete agir

O Ponto Final da última sexta (23) foi inteiramente dedicado aos reincidentes transtornos e incidentes das noites e madrugadas do Parque Tamandaré, causados pela clientela de outros lugares levados por uma boate instalada no bairro residencial. Além dos leitores da Folha, o texto viralizou nas redes sociais. E, antes tarde do que nunca, gerou uma reação. Completamente ausente do seu dever de fiscalização das filas duplas, por vezes triplas de carros, formadas na rua Pero de Góis pelos frequentadores da casa noturna, a Guarda Civil Municipal (GCM) promete agora agir, sempre que acionada, em parceria com a Polícia Militar.

 

Desabafo da PM

Além dos residentes do Tamandaré, impedidos de dormir pelos potentes sons automotivos da seleta clientela da boate, que fazem da rua a sua extensão, a fiscalização do poder público municipal foi cobrada pelo comandante do 8º BPM, tenente-coronel Henrique. Ele desabafou (relembre aqui) na quinta (22), cuja madrugada terminaria com mais um baile funk a céu aberto na Pero de Góis, a despeito das viaturas da PM que foram ao local: “os demais poderes públicos têm que comparecer, têm que se fazer presentes também. A Guarda Municipal tinha que ter ido lá, infracionado. Tá complicado de ir sozinho? Pede o auxílio da Polícia Militar”.

 

Fim do jogo de empurra?

A superintendência de Comunicação informou que a GCM não se furtará mais a cumprir seu papel. Se ela não foi acionada na noite de quarta e madrugada de quinta, é porque os residentes do Tamandaré desistiram de fazê-lo, após dezenas de tentativas sem resultado. Para acabar com o jogo de empurra de responsabilidades entre GCM, Postura e PM, finalmente o óbvio acena: os três têm que atuar juntos para impor a lei a quem não tem educação para respeitá-la. Privação de sono é uma forma de tortura. Tanto pior quando usada com quem dorme à noite para trabalhar de manhã. Aguardemos os próximos capítulos…

 

Equipe do NF Transplantes (Supcom)

 

Primeiro

O NF Transplantes fez ontem (aqui) a primeira captação de órgãos na região em 2020. Dois rins e o fígado de um paciente de São Francisco de Itabapoana, de 53 anos, vítima de AVC que veio a óbito no Hospital Ferreira Machado (HFM), foram doados com a autorização da viúva. Ele deixa três filhos e outras vidas que seus órgãos vão ajudar a prolongar. Coordenador do NF Transplantes, o médico Luiz Eduardo Castro de Oliveira explicou que, pela vida útil menor do órgão, o fígado seria transplantado ainda ontem. Os rins devem sê-lo até a manhã de hoje.

 

Consciência

A seleção para transplante, com base em lista de espera e em critérios pré -estabelecidos, já estava sendo definida, desde ontem à tarde, pelo Programa Estadual de Transplantes (PET). Lançado em abril de 2010, o PET é responsável pela aplicação do novo regulamento técnico do Ministério da Saúde, através do Sistema Nacional de Transplantes. Psicólogo do NF Transplantes, Luiz Antonio Cosmelli destacou que a ação para salvar vidas vem sendo favorecida pelo trabalho de conscientização realizado em hospitais, igrejas, escolas e universidades, com apoio da imprensa.

 

Ibsen Pinheiro em seu maior momento na política nacional, como presidente da Câmara Federal no processo do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em 1992 (Foto: Lula Marques – Folhapress)

 

Luto na política

Morreu na noite de sexta-feira, aos 84 anos, o ex-deputado Ibsen Pinheiro (MDB-RS). Ele foi presidente da Câmara dos Deputados entre 1991 e 1993, quando conduziu o início do processo de impeachment do então presidente Fernando Collor, em 1992. Ibsen fazia tratamento de saúde no Hospital Dom Vicente Scherer, na Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, quando teve uma parada cardiorrespiratória. Antes de entrar para a política, Ibsen trabalhou como jornalista, procurador de Justiça e promotor. Foi ainda advogado e dirigente do Sport Club Internacional.

 

Histórico

No início da década de 1990, Ibsen foi um dos nomes mais importantes da política nacional, inclusive cotado para disputar a presidência da República. No entanto, acabou afastado da vida política diante do escândalo dos anões do Orçamento. Ele teve o mandato cassado por 296 votos a favor e 139 contra, em um processo polêmico. A ação criminal foi arquivada por falta de provas. Voltou à Câmara em 2006. É dele a emenda que em 2010 deflagrou a polêmica sobre a divisão dos royalties do petróleo, que prejudica os municípios produtores. O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para 29 de abril o julgamento da constitucionalidade da partilha.

 

Com Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (26) na Folha da Manhã

 

Miguel Fernández y Fernández — Rio Paraíba do Sul: um bem de interesses múltiplos

 

Foz do rio Paraíba fechada entre o antigo Pontal de Atafona e a antiga ilha da Convivência (Foto: Divulgação)

 

 

Miguel Alvarenga Fernández y Fernández, engenheiro civil da Fiocruz, professor de Engenharia Civil do Cefet/RJ e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – seção Rio de Janeiro

Rio Paraíba do Sul: um bem de interesses múltiplos

Por Miguel Alvarenga Fernández y Fernández

 

A necessidade da água para abastecimento é inerente à história da civilização humana. A disponibilidade de mananciais determinava a própria localização das comunidades. A urbanização tornou o assunto mais complexo, pois os mananciais iniciais tornavam-se escassos e, para equacionar o problema, passou-se a incluir o seu transporte (transposição) para o abastecimento das populações desses aglomerados.

Vários registros de intervenções para transposição de água são encontrados. O primeiro sistema público de abastecimento noticiado é uma transposição através do canal Atrush, identificado pelo Aqueduto de Jerwan. Ele teria sido construído pelos Assírios entre os anos de 703-690 a.C., como parte de um sistema de captação e condução de água do rio Khenis por mais de 50km.

No Brasil, a primeira grande transposição de água foi iniciada na década de 1930, através de um empreendimento hidrelétrico conhecido como Sistema Gerador Light “Santa Cecília”, que transpõem as águas do rio Paraíba do Sul, na altura do município de Piraí, por um complexo conjunto de barragens, reservatórios, túneis, tubulações, estações de bombeamento e turbinas. O rio Guandu foi a calha utilizada pela Light para o escoamento das águas transpostas do rio Paraíba do Sul.

Na década de 1950, iniciou-se um planejamento para suprir as crescentes necessidades de água do então Distrito Federal (atual município do Rio de Janeiro), e o manancial escolhido foi esse rio Guandu, “engordado” pela transposição da Rio-Light. Uma transposição que orginalmente foi implantada para gerar energia, hoje é responsável por garantir a fonte de água para mais de 80% dos 10 milhões de habitantes da “Grande Rio”.

Os interesses pelos usos das águas de um rio são múltiplos: geração de energia, abastecimento humano, deságue de esgotos, abastecimento industrial, irrigação agrícola, vias de navegação, etc. Muitas das vezes, esses interesses são conflitantes e no principal rio da região mais populosa do Brasil, não poderia ser diferente principalmente em períodos de escassez hídrica.

Em virtude destes conflitos, em 1997 o congresso federal aprovou a Lei das Águas que prevê que os usos prioritários da água são para abastecimento humano e dessedentação animal. Em tempos de escassez hídrica, estes devem ser os usos garantidos.

Claro que nem sempre essa condição é tão simples. Transposições para sistemas de abastecimento de água urbano com grande ineficiência por perdas devem ser priorizados em detrimento da irrigação agrícola que gera alimentos para a mesma região? É um questionamento razoável. Porém, questionar uma transposição que é fonte de água e energia para milhões de pessoas, porque a morfologia da foz do rio está se modificando, foge da razoabilidade.

Alterações da foz de rios são fenômenos naturais de difícil determinação do como e porque ocorrem. Além disso, em termos de prioridades para o uso da água de um rio essa deveria estar entre as últimas.

No Paraíba do Sul, as alterações de sua linha de costa na foz, onde se instalou a comunidade de Atafona, podem estar ocorrendo pelos mais diversos motivos. Áreas costeiras como essa, de idade geológica recente, sofrem modificações pelas mais diversas ações como: correntes marítimas, ventos, chuvas, chegada de material sedimentável, etc.

Indagações sobre erosão/assoreamento de uma pequena área de restinga na foz (delta) de um rio culpando uma transposição, seja pela questão física que gera o fenômeno, seja pela questão social de garantir a segurança hídrica de milhões de pessoas, não são corretas e não ajudam a resolver a questão.

Um rio não sangra quando é transposto. Um rio transposto compartilha oportunidade, desenvolvimento e igualdade a uma nova região através de suas águas.

 

Publicado hoje (26) na Folha da Manhã

 

Às 7h desta segunda, Gil Vianna abre a semana do Folha no Ar 1ª edição

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta segunda (27), quem abre a semana do Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3, é o deputado estadual Gil Vianna (PSL), pré-candidato a prefeito de Campos. Entrevistado por Marco Antônio Rodrigues e por mim, ele falará no PSL depois que o clã presidencial Bolsonaro abandonou o partido e sobre as farpas trocadas durante a semana o clã Vianna. Com Caio (PDT), também pré-candidato a prefeito e de quem foi vice na chapa derrotada em 2016, e o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT). Gil também analisará o tabuleiro, do qual é peça importante, para a eleição a prefeito de Campos de outubro.

Quem quiser participar ao vivo da entrevista, pode fazê-lo com comentários no streaming do programa. O link será colocado alguns minutos antes do seu início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Com paciente de SFI morto no HFM, NF Transplantes faz 1ª captação de órgãos de 2020

 

Equipe do NF Transplantes (Foto: Supcom)

 

 

O NF Transplantes fez hoje a primeira captação de órgãos na região em 2020. Dois rins e o fígado de um paciente de São Francisco de Itabapoana, de 53 anos, vítima de AVC que veio a óbito no Hospital Ferreira Machado (HFM), foram doados com a autorização da viúva. Ele deixa três filhos e outras vidas que seus órgãos vão ajudar a prolongar.

Coordenador do NF Transplantes, o médico Luiz Eduardo Castro de Oliveira explicou que, pela vida útil menor do órgão, o fígado será transplantado ainda hoje. Os rins devem sê-lo até a manhã deste domingo (26). A seleção, com base em lista de espera e em critérios pré-estabelecidos, já está sendo definida pelo Programa Estadual de Transplantes.

Psicólogo do NF Transplantes, Luiz Antonio Cosmelli destacou que a ação para salvar vidas vem sendo favorecida pelo trabalho de conscientização realizado em hospitais, igrejas, escolas e universidades, com apoio da imprensa.

 

PT fala de Ceciliano, eleição a prefeito e rebate Dutra, que reforça críticas ao partido

 

Presidente — ou presidenta, na guerra ideológica levada à gramática em que as duas formas estão corretas — do PT de Campos, a ex-vereadora Odisséia Carvalho enviou hoje ao blog uma nota pública. Ela trata da posição do diretório municipal da legenda sobre a declarações de apoio do presidente da Alerj, deputado estadual André Ceciliano, também do PT, na eleição a prefeito de Campos de outubro.

A despeito do PT de Campos manifestar a vontade de ter candidato próprio a prefeito no município, o petista Ceciliano reafirmou (aqui) na tradicional Festa de Santo Amaro, no último dia 15, o que já havia relevado na Feijoada da Folha, em 26 maio de 2019: caminhará com quem seu colega deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) apoiar. E tudo indica que o apoiado será o pré-candidato a prefeito Caio Vianna (PDT).

Odisséia aproveitou a nota para também rebater os questionamentos contundentes de Roberto Dutra, sociólogo e professor da Uenf. Também blogueiro do Folha1 e militante de esquerda, mesmo da Alemanha ele acompanhou a polêmica pelo portal do maior jornal de Campos e região. E, em postagem nas redes sociais reproduzida (aqui) neste blog, aproveitou a polêmica para classificar o PT de “um PP de grife”, criticando ainda o ex-presidente Lula.

Abaixo, a nota pública do PT enviada por Odisséia, reproduzida (aqui) nas redes sociais pelo secretário de Comunicação do partido em Campos e também blogueiro do Folha1, Gilberto Gomes. O texto é seguido da tréplica de Roberto Dutra. Mesmo em viagem pela Europa, a partir da Folha, o professor da Uenf continua acompanhando e intervindo no noticário político de Campos. No qual reforçou suas críticas ao PT local, estadual e nacional.

 

 

Nota pública

Sobre as recentes declarações do presidente da Alerj, deputado André Ceciliano, o diretório municipal do PT de Campos dos Goytacazes reafirma que terá candidatura própria no município, fruto de um esforço coletivo de dezenas de militantes dispostos a apresentar à população campista uma alternativa à esquerda nos moldes do programa democrático-popular.

O partido conta com apoio do diretório estadual (aqui), nacional e do próprio presidente Lula, que em recente declaração deixou clara a orientação aos diretórios do PT de apresentarem candidaturas próprias em cidades com mais de 100 mil habitantes.

Ceciliano não foi somente infeliz em ignorar as construções locais do partido, mas em supor que seu apoio a qualquer outro nome, que não seja aquele oficialmente apresentado pelo PT, possua alguma relevância.

O respeito às instâncias partidárias faz parte do único caminho possível de reconstrução do PT no estado do Rio de Janeiro. E declarações que não dialoguem com esta compreensão devem ser repudiadas.

Mais infelizes ainda foram as declarações de um professor universitário, quadro do PSB local, em recente entrevista ao portal Folha1.

Embora seus ataques ao PT carreguem um falso clamor por uma esquerda “de verdade”, o professor esconde que o PSB em Campos é muleta do terminal governo Rafael Diniz que, cercado por tecnocratas insensíveis socialmente, foi incapaz de compreender quais as reais necessidades do povo e apresentou a Campos uma crise social sem precedentes.

Estas declarações refletem o medo com a reorganização em Campos do maior partido de esquerda da América Latina.

O PT mantém claro qual seu papel junto à população e não abrirá mão de apresentar uma alternativa real, com uma candidatura própria que terá o trabalhador como prioridade.

Quem já mudou o Brasil, vai mudar Campos.

 

Secretaria de Comunicação do PT Campos

 

Presidenta municipal

Odisseia Pinto de Carvalho

 

Roberto Dutra, sociólogo, professor da Uenf e em processo de filiação ao PSB, no “Ele Não!” da praça São Salvador, em 29 de setembro de 2018

 

Minhas críticas ao PT não são de agora. São feitas em análises sobre a crise da política de esquerda desde de 2016. Fui filiado ao PT por muito tempo. Sempre votei em Lula e em Dilma. Não votei no Haddad, porque já não acreditava na existência de um projeto ousado de transformação social representado pelo PT. Quando critiquei a postura do deputado estadual do partido sobre as decisões do partido em Campos, meu foco foi o desrespeito com o diretório local. Quanto mais desprovido de projeto de transformação social é um partido, mais este partido pode ser um PP de grife.

Minha crítica não é moralista. O foco é a incompetência política do partido em oferecer alternativas de políticas públicas transformadoras. Não falo como membro do PSB. Mas cabe destacar que o partido está buscando oferecer políticas que transformem estruturas sociais de modo duradouro, cumulativo e crescente. Sua contribuição ao governo Rafael Diniz é marcada por políticas ousadas que estão, por exemplo, melhorando a qualidade da educação, como nunca foi feito. Nesta área, o PT confunde corporativismo sindical com interesse público.

A nota do partido sequer tem a coragem de entrar no mérito de minhas críticas. Limita-se a dizer que são infelizes. Infeliz é uma esquerda controlada pelo interesse organizacional desprovido de programa para o Brasil, o Estado do Rio de Janeiro e Campos. O PT estadual e o de Campos são uma versão piorada deste PT nacional sem rumo para ofertar ao país.

Roberto Dutra

 

Na crise financeira, quem lucra com baile funk a céu aberto no Tamandaré?

 

 

Na madrugada de hoje, duas viaturas da PM passam por carro de clientes da boate Luxx, que permaneceu parado na contramão da Pero de Góis (Foto: Reprodução)

Só dinheiro?

Parte da mesma população que considerou a segunda gestão Rosinha Garotinho (hoje, Patri) tão ruim ao ponto de eleger Rafael Diniz (Cidadania) no primeiro turno de 2016, não faz juízo diferente de quem hoje a governa. Se a ex-prefeita teve em seus oito anos de administração, sem correção pelo IPCA, a média de R$ 120 milhões de Participação Especial (PE) de petróleo, as dificuldades financeiras são bem maiores (confira o contraste aqui) para quem teve média de PE de R$ 40 milhões, como Rafael. Sendo que a última, paga em novembro, não chegou a R$ 17 milhões. Mas dinheiro, ou sua falta, não é a única explicação.

 

Procura-se a GCM

Desde que o grupo que explora a boate Luxx se instalou comercialmente na rua Pero de Góis, ainda no governo rosáceo, o bairro residencial do Parque Tamandaré, com um dos IPTUs mais caros da cidade, passou a viver um inferno nas suas noites e madrugadas antes tranquilas. Só que, com Rosinha no poder, a Guarda Civil Municipal (GCM), atendia às chamadas e enviava viaturas para coibir o estacionamento em fila dupla, por vezes tripla, dos clientes da casa noturna na Pero de Góis. Só que, nos três anos do governo Rafael, a GCM simplesmente deixou de fazer esse tipo de serviço.

 

Brigas e tiros

Autorizada provisoriamente pela superintendência de Postura a cada novo evento, a seleta clientela da boate Luxx transformou as madrugadas das ruas do Parque Tamandaré em palco (confira todos os vídeos aqui) para brigas generalizadas, agressões físicas e verbais a mulheres, e até disparos com arma de fogo, como foram flagrados por câmeras de segurança na madrugada de 1º de novembro de 2018. Diante da divulgação do fato pela Folha, a Postura foi forçada a agir. Em dezembro daquele ano fechou a casa noturna para tratamento acústico. Depois do qual foi novamente liberada em maio de 2019.

 

Fogueteiro

A vedação acústica da Luxx é cobrada com juros por seus frequentadores. Com a inação da GCM, os baladeiros de outros bairros não só voltaram a parar carros em filas duplas e até triplas no Tamandaré, como acintosamente elevam potentes sons automotivos à máxima altura. E transformam noites e madrugadas de quem quer dormir, dentro da sua casa, em um inferno. Seu início é bem conhecido dos residentes do bairro. Como fogueteiro do tráfico, uma moto passa pela Pero de Góis roncando o motor. É a senha para que o baile funk a céu aberto comece. Quase sempre, até raiar o dia.

 

Adestrados

Com o movimento nas praias nos finais de semana, o verão trouxe uma novidade. Os ilícitos dos frequentadores da boate, que fazem da rua sua extensão, começaram esta semana na noite de quarta (22). E se estenderam pela madrugada de ontem. Avisado da bandalha acústica, o solícito comandante do 8º BPM, tenente-coronel Henrique, enviou uma viatura ao local. Mas, na mesma sincronia com o ronco da moto como fogueteiro do tráfico, os frequentadores da Luxx abaixam o som dos seus carros quando chega a patrulha. Que retornam ao máximo volume assim que a PM dobra a esquina.

 

Confira nos flagrantes de vídeos o baile funk a céu aberto na rua Pero de Góis, que só cessa enquanto passa a PM:

 

 

 

Jogo de empurra

Nesse jogo de gato e rato, duas viaturas da PM flagraram um carro parado na contramão, em frente à Luxx, que acabara de abaixar o volume do som. Saudados pelos seus ocupantes, como filmado por um morador insone do Tamandaré, os PMs nada fizeram. Após assistir ao vídeo, o comandante Henrique disse que a função de coibir o estacionamento na contramão é da GCM sempre ausente. Como a Postura diz que sua obrigação é coibir o som da boate, não dos carros, que seria função da PM. E nesse jogo de empurra, o prejudicado é o cidadão pagador dos seus impostos e impedido de dormir.

 

Confira nos flagrantes de vídeo o carro na contramão com som na máxima altura, em silêncio só quando passam as viaturas da PM, que nada fazem com o veículo em estacionamento irregular:

 

 

 

Quem lucra?

O superintendente da Postura é pré-candidato a vereador. Se confirmar a pretensão, dificilmente terá um voto no Parque Tamandaré. Por enquanto, é membro da mesma gestão cuja GCM se omite. E é estranho que um governo sem receio de se indispor com a população carente no corte de programas sociais, ou com médicos, hospitais, servidores e comerciantes da CDL, pareça ter medo em fazer cumprir a lei sobre uma boate instalada em bairro residencial. Em um município em crise financeira, até onde se saiba, só quem tem lucrado com o inferno do Tamandaré são os donos da Luxx.

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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