Opiniões

Deputado eleito, Aluízio trabalhou pela vitória de Dilma em Macaé

Um dos que trabalhou pela vitória folgada de Dilma em Macaé (62,07% a 37,93%), assim como Garotinho parece ter sido importante à vantagem de Serra em Campos (52,85% a 47,15%), o deputado federal eleito Aluízio Júnior (PV) enviou e-mail ao blogueiro, revelando seu voto no segundo turno e o motivo para defini-lo pela candidata petista. Vamos à declaração do deputado verde e pré-candidato à Prefeitura de Macaé, endossando que seus desejos se cumpram em relação ao novo governo federal, escolhido pela vontade da maioria, ainda que necessidades como as reformas tributária e previdenciária tenham sido solenemente ignoradas nos oito anos da gestão Lula, mesmo com níveis estratosféricos de aprovação popular…  

 
 
(Foto de Jorge Ronald)
(Foto de Jorge Ronald)

Boa tarde, Aluysio, agradeço mais uma vez pelo espaço cedido pela Folha.

 Durante todo o segundo turno me mantive independente, conforme sugestão do Partido Verde.

Em 1989, votei em Leonel Brizola e, desde então, sempre votei em candidaturas com compromissos sociais. A ausência da Marina no segundo turno  evidenciou um processo eleitoral monótono, sem grandes debates.

Como cidadão e homem público, não poderia deixar de definir o meu voto.Votei em Dilma e espero que eleita faça as reformas necessárias ao país. Destaco a reforma política, a reforma tributária, a reforma da previdência. Que invista em educação.Valorize os professores e prepare nossos jovens como cidadãos e como profissionais através da qualificação profissional. Anseio que aproveite as oportunidades  e transforme o Brasil numa nação sustentável, onde o lucro de hoje não seja a miséria do amanhã. Ofereça água potável e esgoto tratado a todos os brasileros. Por fim, acredito que faça a opção por um mandato ético, que valorize a vida em toda sua plenitude e diversidade.

Um grande abraço, Aluízio.

Barbosa entrega Garotinho no apoio a Serra

Em sua rádio, ao querer justificar a vitória expressiva de Serra em São Francisco de Itabapona, munícipio que já governou e não deixou saudades, o radialista Barbosa Lemos creditou a votação do candidato tucano ao apoio de Garotinho, confissão que o próprio ex-governador e deputado federal eleito tem evitado fazer.

Saudade que pia e voa

Entre os anos 80 e 90, eram famosas as festas nos aniversários de Liana, na casa dos seus pais e avós, em Grussaí. Em setembro, velas enfunadas de vento sul, oposto ao nordeste dominante na maior parte do ano, a praia tinha pouca gente, o que a fazia mais nossa, naqueles churrascos regados a cerveja, fraternidade e violão.  

Depois que ela foi morar em Rio das Ostras e passou a moderar na bebida, assim como tantos de nós, ficaram as memórias mais dos bons momentos, do que das ressacas do dia seguinte. Não por outro motivo, volta e meia, quando passo por Grussaí, vindo de Campos, com destino a Atafona, cruzo por aquela rua ainda de terra, para rever a casa e reviver as lembranças.

Liana tinha um amigo mineiro, o Marcelo, que acabou se tornando também meu, muito embora não o veja desde seu casamento, em meados dos anos 90, na cidade de Turmalina, quase na fronteira das Minas Gerais com Bahia. A estrada Turmalina/Diamantina, serpenteando pelos imponentes cânions da Chapada batizada com o nome da segunda cidade, está entre as mais belas que já vi, ao lado daquela que liga Esparta a Olímpia, cruzando o Peloponeso de Leste a Oeste, na Grécia; de quase todas os caminhos das regiões rurais do Sul da Toscana, na Itália; e das Highlands, no Norte da Escócia. Mas essas são outras estórias…

O fato é que Marcelo, além de costumar aparecer nos aniversários de Liana, tinha o hábito de trazer alguns amigos da sua Belo Horizonte. Dessa vez, ele levara um sujeito pequeno e falante, cujo nome perdi na memória, e umas duas ou três meninas, cujas graças também se apagaram da lembrança. Saímos todos da casa de Liana, já tarde da noite, e fomos à casa do Marcelo, ali por perto, também em Grussaí, onde continuamos a beber as cervejas que havíamos “roubado” da festa.

O papo, a música e os flertes com as meninas se estenderam por toda a madrugada, até que, em dado momento, naquela ausência de motivo típica dos bêbados, levantei-me do chão da sala, atravessei a cozinha, peguei mais uma cerveja na geladeira e saí pela porta que dava ao quintal dos fundos, divisando sobre o muro aquele horizonte com cheiro de maresia que já anunciava a aurora nos “dedos róseos” de Homero. Sem que tivesse visto, Marcelo me seguiu. Apoiados no muro do quintal, passamos a dividir a cerveja e um cigarro, enquanto engatávamos num daqueles papos inteligentíssimos dos quais nunca ninguém se lembra. 

Distante do som da sala, pude distinguir, sobre a voz de Marcelo, os assobios das marrecas irerê, que voavam acima de nós. Mesmo que não pudesse vê-las na imensidão ainda escura do céu, impossível não reconhecer aquele típico piado:  fi-fi-fiu/fi-fi-fiu/fi-fi-fi-fi-fi-fi-fi-fiu…

Pedi a Marcelo que fizesse silêncio e passei a imitar o assobio, gerando um diálogo com as marrecas, com estas voando em torno da origem do som em terra, recurso geralmente utilizado por caçadores, já que elas tendem a encará-lo como convite de um semelhante para descer, provalmente numa lagoa ou outro olho d’água qualquer. A única coisa que cacei foi a atenção de Marcelo, em seu fascínio tipicamente urbano por aquele contato íntimo e inesperado com a natureza.

Após alguns minutos de assobios trocados entre mim e as marrecas, Marcelo entra de novo na casa e anuncia na sala, em alto e bom som, a grande novidade:  “Gente, Aluysio está falando com marrecas voando no céu. E o pior é que elas respondem”. A gargalhada geral como resposta se repetiu durante todo o dia seguinte, aliás o mesmo, interrompido apenas pelo necessário sono até o despertar e a ressaca, em parte aliviada pelo rememorar dessa e outras estórias igualmente divertidas.

Como o nome do amigo do Marcelo e das meninas que os acompanhavam, havia esquecido essa passagem até ver, na bela foto publicada no blog Imaginar (aqui), algumas irerê em pleno vôo, “caçadas” pela lente do Diomarcelo Pessanha. Segundo ele informou no post, o pássaro tão marcado pelas manchas brancas em contraste com bico, olhos e pescoço negros, como pelo som dos seus pios, é conhecido também por vários outros nomes.

Pois para mim, a partir da imagem do Dio e da lembrança revisitada daquele diálogo ébrio com a natureza, o nome certo é saudade.

 

Foto de Diomarcelo Pessanha, publicada no blog Imaginar, em 27/10/10
Foto de Diomarcelo Pessanha, publicada no blog Imaginar, em 27/10/10

Capas de ontem para o dia de hoje

Capa do livro da ANJ, com as melhores capas do jornalismo brasileiro
Capa do livro da ANJ, com as melhores capas do jornalismo brasileiro

 

Enquanto a eleição presidencial não se define, aproveito a expectativa que ainda possa existir, diante da provável vitória de Dilma, para cumprir uma promessa que fiz ao também jornalista e blogueiro Rodrigo Gonçalves, na edição de sexta do Folha no Ar. Entrevistado junto com o editor de Arte da Folha, Eliabe de Souza, o Cássio Júnior, e a editora-executiva do jornal, Suzy Monteiro, sobre a capa da Folha escolhida entre as melhores da história do jornalismo brasileiro, pela Associação Nacional de Jornai (ANJ)s, aceitei a sugestão de Rodrigo para publicar, aqui no blog, algumas outras primeiras páginas de jornais brasileiros igualmente selecionadas.

Começo, pois, com duas capas que julgo providencialíssimas ao dia de hoje. A primeira, de O Diário do Norte do Paraná, de 1º e 2 de janeiro últimos, elencava as grandes decisões que o ano traria, entre elas: Dilma ou Serra?

Já a segunda, de O Estado de São Paulo, quando o jornal ainda se chamava A Província de São Paulo, nome de acordo com as divisões do país nos tempos do Império, é de 16 de novembro de 1889, dia seguinte à proclamação da República. Além da sua importância histórica e da clara mensagem republicana (adjetivo com o qual os petistas, pelo menos no discurso, gostam de classificar as ações federais), a capa impressiona pela ousadia gráfica, mesmo 121 anos depois.

Enquanto não começa a apuração, vamos a elas…

 

Capa de O Diário do Norte do Paraná de 1º e 2 de janeiro de 2010
Capa de O Diário do Norte do Paraná de 1º e 2 de janeiro de 2010

 

 

Capa de O Estado de São Paulo de 16/11/1889
Capa de O Estado de São Paulo de 16/11/1889

Garotinho nega concorrer a prefeito e elogia Nahim

Garotinho votando no Ciep da Lapa (foto de Silésio Corrêa)
Garotinho votando no Ciep da Lapa (foto de Silésio Corrêa)

 

Segundo informou Aloysio Balbi,  jornalista da Folha e de O Globo, que entrevistou Garotinho e Rosinha em seus locais de votação, respectivamente no Ciep da Lapa e na Faculdade de Direito de Campos, o ex-governador e deputado federal eleito descartou a possibilidade de ser candidato a prefeito de Campos numa eleição suplementar. De acordo com ele (e também ela), o processo que cassou a prefeita, e cujo mérito do recurso aguarda julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), voltaria ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o que permitiria a Rosinha recorrer no cargo, retorno que ambos estimam para ocorrer ainda em novembro, como a Folha Online já havia adiantado aqui.

Pela primeira vez, sob pressão das perguntas de Balbi, Garotinho comentou a atuação do irmão, Nelson Nahim, como interino à frente da Prefeitura: “Ao seu modo, ele vem administrando bem a cidade, sem conflitos”.

Sobre o rompimento com Geraldo Pudim, Garotinho negou, apesar da neutralidade do PR ter sido quebrada pelo apoio à candidata Dilma Rousseff dado pelo deputado federal que não conseguiu se eleger a estadual, espremido entre as candidaturas vitoriosas do líder à Câmara Federal e da filha deste, Clarissa, à Alerj. O ex-governador disse que passou à noite em claro, devido a morte de uma vizinha de rua, na Lapa. Ele viaja daqui a pouco, às 14h, para um hotel-fazenda.

A pedido, outra capa da Folha

Em comentário (aqui) ao post que anunciou a escolha da capa da Folha escolhida pela ANJ entre as melhores do jornalismo brasileiro, o jornalista Thiago Freitas, que hoje reside e trabalha em Nova Friburgo, lembrou da séria de entrevistas feitas por ele, quando era repórter da Folha Dois, durante a eleição de 2004, com todos os candidatos à Prefeitura de Campos, sobre as propostas de cada um à cultura do município. Como ele bem lembrou, o único que se recusou a gravar a entrevista foi Geraldo Pudim, então no PMDB.

Não por outro motivo, em obediência ao princípio de equidade, dedicamos o mesmo espaço que havia sido dado aos demais candidatos, na capa da Folha Dois, às propostas de Pudim diante do gravador: Nada! Abaixo da manchete “Propostas à CULTURA de CAMPOS gravadas por PUDIM”, usando o recurso da poesia concretista nos destaques gráficos, o espaço vinha todo em branco. Curioso que o candidato processou a Folha, exigindo direito de resposta pelo que se recusara a responder diante do gravador, mas acabou derrotado na Justiça, assim como perdeu aquela eleição no voto, insucesso bisado na eleição suplementar de 2006 e na mais recente, para deputado estadual, em 3 de outubro último.

Bem, o fato é que Thiago pediu e o blog resolveu atender, reproduzindo abaixo aquela capa de Folha Dois, criada por mim, em parceria, se não me falha a memória, com o designer gráfico Aldir Mata, outro dos tantos que mantém seus laços afetivos com a Folha, ainda que não trabalhe mais conosco…   

 

Capa da Folha Dois de 28/08/04
Capa da Folha Dois de 28/08/04

Garotinho lança Garotinho à Prefeitura

Desde que foi anunciada ontem, pelo jornalista e blogueiro Fernando Leite (aqui), e amplificada na Folha Online, a partir do Ponto de Vista do Christiano Abreu Barbosa (aqui), a possibilidade de Anthony Garotinho (PR) disputar a eleição suplementar à Prefeitura de Campos tem movimentado todas as rodas de conversa política local, nestes três dias que nos separam do segundo turno à presidência da República. E, segundo este blog ficou sabendo de uma fonte, esta seria exatamente a intenção de quem teria gerado inicialmente a informação: o próprio Garotinho.

À parte as discussões jurídicas sobre seu impedimento de disputar a eleição, pelo parentesco com Rosinha e pela aprovação ontem do Ficha Limpa (detalhadas aqui no Blog do Bastos), a intenção do ex-prefeito, ex-governador e deputado federal eleito, além de manter Nelson Nahim na rédea curta, seria colocar um termômetro acerca da possibilidade. Afinal, não custa lembrar que, na última eleição municipal, em 2008, Rosinha chegou ao ridículo de processar a Folha (e perder), para que o nome Garotinho não viesse associado ao seu, dada a imensa rejeição do marido em sua cidade natal.

Em todo caso, é lógica a conclusão de que, ao especular seu nome à eleição suplementar, nem Garotinho parece acreditar mais na volta de Rosinha…

Resposta pronta de Colla, com atraso do blogueiro

O blog ecoou aqui uma provocação do Alexandre Bastos (aqui), sobre o papel do PSDB de Campos na campanha de Serra na cidade, mas devido ao hiato nas atividades deste blogueiro, acabou não sendo conferido aqui o devido destaque à educada resposta, dada no dia seguinte, pelo presidente tucano local e também blogueiro da Folha, Robson Colla.

 Bem, antes tarde do que nunca para garantir o princípio da equidade, e até porque ainda faltam quatro dias para o segundo turno da eleição presidencial, segue abaixo, na forma mais destacada de post, a satisfação dada pelo Robinho em comentário de 15 dias atrás, não sem as devidas ecusas pelo atraso tanto a ele, quanto a você, leitor…

 

Robson Colla
outubro 12th, 2010 em 23:03 

Caro Aluysio,

O PSDB de Campos está estruturado e funcionando normalmente em sua sede no final da avenida Pelinca. Depois de um período conturbado que atravessamos (2006/2008), estamos cuidando de remontar a base do partido em nossa cidade, trabalho este que vem sendo executado por mim, como presidente, contando com a ajuda de nossa executiva e também de filiados históricos, como Gel Coutinho e Marcelo Mérida.

Entendo a provocação do jornalista Alexandre Bastos, mas o meu estilo é mais de trabalhar do que de criar factóides para aparecer na imprensa, como vimos em recentes episódios acerca da criação de uma pretensa terceira via para um eventual pleito suplementar.

Trabalhamos muito para o Serra no primeiro turno, inclusive tivemos a vinda do seu Vice, o Deputado Índio da Costa, à nossa cidade, onde cumpriu extensa agenda.

Só a titulo de curiosidade, informo que foram distribuídos/colocados cerca de 1.000 adesivos de Serra em todo o município, mas esse montante ainda é insuficiente para fazer aparecer uma campanha como estamos acostumados a ver.

Vamos nos esforçar mais ainda no segundo turno.

Quanto ao fato do Alckmin ter vindo a Campos em 2006 é exatamente porque a região contava, então, com o deputado federal do PSDB Paulo Feijó, que tinha tido em 2002 cerca de 111.000 votos. Quanto a isso, não há como negar a influência de Feijó para que tal evento acontecesse.

Em relação a questão de participarmos do Governo Municipal, afirmo que em momento nenhum recebi qualquer orientação contrária ao meu apoio ao Serra, até porque sabem de minha condição de presidente do PSDB, desde que ali adentrei.

Sou amigo pessoal de Feijó, seu companheiro principalmente nos momentos mais difíceis de sua vida política, mas não o segui para o PR quando de sua filiação e nem cogito fazê-lo.

Ele respeita minha decisão e jamais tentou me fazer agir ao contrário.

Sou filiado desde 1998 e o PSDB é o meu único partido até hoje e dele não pretendo sair.

Abraços fraternos do seu amigo

Robson Colla

Capa da Folha entre as melhores do jornalismo brasileiro

Capa do livro da ANJ com as melhores capas dos jornais brasileiros
Capa do livro da ANJ com as melhores capas dos jornais brasileiros

 

Após mais de duas semanas de recesso, inclusive na net, retornei ontem à lida na Folha, com um sedex bem pesado me esperando na portaria do jornal. Ao chegar à minha sala e abrir o pacote, pude constatar que se tratavam de cinco exemplares do bem acabado livro “As Melhores Primeiras Páginas dos Jornais Brasileiros”, editado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e organizado por sua presidente, Judith Brito, e seu diretor executivo, Ricardo Pedreira. 

Lembrei-me, então, da inscrição que a nossa editora executiva e também blogueira, Suzy Monteiro, havia feito há alguns meses, no concurso da ANJ para eleger as melhores capas dos jornais brasileiros, entre seus 146 associados, responsáveis por mais de 90% da circulação de diários impressos no país. E entre as escolhidas, ao ler o sumário, pude perceber que, entre as capas de O Globo, Folha de São Paulo, Correio Braziliense, O Estado de São Paulo, Extra, O Dia, Lance!, Estado de Minas e Zero Hora (RS), entre outros, lá também estava, na página 100, aquela que havíamos optado por inscrever, concebida por mim e pelo editor de Arte da Folha, Eliabe de Souza, o Cássio Júnior.

Tratava-se da capa da Folha de 1º de julho de 2006, dia do jogo Brasil x França, pelas quartas-de-final da Copa da Alemanha. Recordo-me que, por parte de nós, brasileiros, o clima antes da partida era de desforra, de confirmar o ditado popular “ri melhor, quem ri por último”, na expecativa de uma resposta pela acachapante derrota por 3 a 0 na final da Copa da França, em 1998, imposta por Zidane e cia. Não por outro motivo, a capa gráfica trazia as fotos dos perfis opostos e sorridentes de Ronaldo e Zizou, astros em 2006 como eram oito anos antes, com a indagação entre ambos, em forma de manchete: “Quem vai rir hoje?”

Pois no hoje de quatro anos depois, sabemos muito bem quem riu ao fim daquele jogo, na mais humilhante derrota já sofrida pela Seleção Brasileira na história das Copas. Não por ter perdido pelo placar mínimo e ter sido eliminada, mas por ter encontrado alguém inapelavelmente superior naquilo em que sempre nos julgamos melhores do que todos: o domínio da arte no futebol. Diante do espetáculo de Zidane naqueles 90 minutos, com direito a lençóis em Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, bola em baixo das pernas de Juan, giro de balé com o corpo e a bola nos pés sobre o corpo impotente de Gilberto Silva, fieiras de jogadores brasileiros driblados em arrancadas verticias, sem contar o passe na medida para o gol de Henry, o gênio francês calou definitivamente a boca de quem ainda insistia em buscar motivos nebulosos para o resultado da final de 98. 

Mais que uma derrota brasileira, o êxito francês de 2006 foi uma vitória da arte, de um artista superior. Muito embora, como todos hoje também sabem, ao aceitar a provocação e trocar a arte pela violência, naquela cabeçada no peito do zagueiro italiano Materazzi, Zidane acabaria também não rindo no fim, com o título da Azurra sendo providencialmente selado pelo gol do… Grosso.

Menos mal que com a conquista da Espanha e seu jogo lúdico, os deuses do futebol tenham determinado rumo diverso à Copa de 2010.

Como viajei às vésperas do prazo final do concurso da ANJ, e havia esquecido esquecido da inscrição, pedi a Suzy que a fizesse. É dela, pois, o texto que consta no livro como apresentação da Folha e sua primeira página. Nele, porém, só consta um erro, pois o então editor-geral do jornal, Sebastião Carlos Freitas, não participou especificamente da feitura daquela capa. De qualquer maneira, não está errada na medida em que Tião, assim como também o ex-jornalista e hoje blogueiro da Folha Antunis Clayton, foram parceiros naquele que ainda considero, sobre todos, o melhor trabalho de que participei nestes mais de 20 anos de redação: a cobertura daquela Copa de 2006.

A seleção da capa da Folha entre “As Melhores Primeiras Páginas dos Jornais Brasileiros”, mais que ao mérito individual do Cássio Júnior, do Tião, do Tuneco, da Suzy, ou meu,  é um reconhecimento nacional ao trabalho coletivo desenvolvido por todos os profissionais que atuaram e atuam nos mais de 32 anos de história deste jornal. Sobretudo, é um endosso ao mesmo crédito que você, antes leitor só do impresso e hoje multiplicado virtualmente, em escala geométrica, nos confere diariamente. E por todos nós fica aqui externado o orgulho diante à demonstração, neste nosso dia-a-dia de dar e receber informação, de toda a arte e obstinação que podem ser reunidas em um drible de Zidane.

Até onde se possa estender a parte que me cabe neste latifúndio, confesso, não sem emoção, ter sido uma alvissareira surpresa para quem retoma suas atividades, neste blog e na Folha…

Abaixo, o (belo) texto da Suzy:

          

Em 32 anos de existência foram mais de 10 mil capas. Então, como selecionar uma entre milhares, repletas de tantas histórias que retrataram esperança, amor, sofrimento, alegrias e decepções de um povo durante as últimas três décadas? É como pedir a uma mãe que escolhesse um entre seus filhos.

Nesse mundo de opções, por que escolher a capa — criada pelo diretor de redação Aluysio Abreu Barbosa, pelo então editor-geral Sebastião Carlos Freitas e pelo editor de arte Eliabe Souza — que estampa o fenômeno brasileiro Ronaldo e o fenomenal francês de origem argelina Zidane, astros da Copa da Alemanha, em 2006? Porque essa capa consegue reunir todas as expectativas e sentimentos não só dos campistas ou dos fluminenses, mas de todos os brasileiros, irmãos no amor pelo futebol. A Seleção Brasileira, mais uma vez, conseguia unir etnias, religiões, homens, mulheres e crianças na perspectiva de ser, de novo, o melhor futebol do mundo.

Tínhamos Ronaldo. A França tinha Zidane. Mas era só mais uma etapa rumo ao título. “Quem vai rir hoje?” dizia a manchete sobre o duelo contra os algozes de 1998, colocando uma dúvida na esperada vitória do Brasil.  O jogo trouxe resposta que todos nós gostaríamos que fosse diferente. A capa do dia seguinte trazia o “lençol” de Zidane em Ronaldo retratando toda decepção, sofrimento e vexame da derrota brasileira. Essas capas resumem os sentimentos desse povo, que tem no futebol uma de suas maiores (senão a maior) paixão e que nele extravasa todos os sentimentos.

 

 

Capa da Folha de 1º de julho de 2006
Capa da Folha de 1º de julho de 2006
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