Opiniões

Rosinha ganha prazo — TRE confirma hoje o que revelou ao blog há seis dias

 

Ato falho ou não da assessoria de comunicação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que no último dia 23 informou aqui sobre a prorrogação da liminar para a prefeita Rosinha recorrer no cargo da sua cassação pela 100ª ZE de Campos, o fato é que essa extensão de prazo se confirmou oficialmente hoje. Aqui, o procurador municipal Francisco de Assis Pessanha Filho anunciou oficialmente o que este blog já havia antecipado há exatos seis dias.

Aguardada para hoje, a apreciação do mérito da questão pelo plenário do Tribunal fica para quando Deus quiser, provavelmente só em 2012, após o recesso da Justiça dos homens.

Mauro Silva mira na Câmara e pode acertar sua presidência

Embora, por óbvio, ressalte que seu objetivo é primeiro se eleger vereador, o pré-candidato ao cargo, atual secretário de Comunicação de Rosinha e presidente municipal do PT do B, Mauro Silva, destaca que a capacidade de agregar e harmonizar é fundamental para quem, na nova Legislatura, quiser ocupar sua presidência. Características pelas quais se tornou conhecido e bem quisto até pelos opositores mais ferrenhos do grupo político de Anthony Garotinho (PR), que integra há mais de 20 anos, ele não foge a elas ao apostar que a reconciliação entre o deputado federal e seu irmão, Nelson Nahim (PRB), é uma questão de tempo. Todavia, em relação aos vereadores de oposição, Mauro não deixa de alfinetar, identificando a falta de elementos propositivos numa postura política que considera exclusivamente crítica. Dos bastidores à linha de frente, ele não se mostra acrítico em relação a Garotinho, em quem, no entanto, indentifica “muito mais acertos do que erros”. A mesma parcial independência demonstra em relação aos 80% de aprovação de Rosinha, creditando-os ao que o governo faz, mas também ao que se sabe que ele faz.

 

 

(Foto: Folha da Manhã)
(Foto: Folha da Manhã)

 

 

Folha da Manhã – Embora esteja há muito tempo no primeiro escalão do grupo de Garotinho, você sempre evitou atuar diretamente na política partidária, até assumir a presidência do PT do B em Campos. Por que, só agora, exceder a atuação dos bastidores à linha de frente?

Mauro Silva – A vida é feita de desafios. Aceitei ao convite de assumir a presidência do PT do B porque sei que posso contribuir de uma nova forma com o grupo político que acompanho há mais de 20 anos. Quero ajudar com novas idéias e o governo da Rosinha me estimulou a isso. Um governo que trouxe para Campos mais emprego, mais saúde, mais educação, obras em todo o município e que planeja a cidade para o futuro. Hoje a auto-estima da população está muito melhor e tudo isso me estimula a esse novo desafio.

 

Folha – Até que ponto sua entrada no PT do B teve o papel de tentar anular a atuação do vereador Marcos Bacellar. Como foi a relação entre vocês, até que ele migrasse ao PDT? Há a possibilidade do suplente, Guilherme Negão, requerer o mandato na Justiça?

Mauro – A minha entrada no PT do B não tem qualquer relação com o vereador Marcos Bacellar. O partido já tinha se aliado com o PR nas eleições de 2010, onde indicou os dois candidatos ao Senado na chapa com o Fernando Peregrino ao governo do estado.  Entrei no PT do B porque o partido se propôs a caminhar com o Garotinho e apoiar o governo da Rosinha. Desde o início tive diálogo franco e aberto com todos os colegas do partido, inclusive com o Bacellar. Como presidente do partido, eu liberei o Marcos Bacellar. Não sei se o Guilherme Negão pensa em requerer o mandato na Justiça, mas posso afirmar que em momento algum se discutiu isso no partido.

 

Folha – Como vai ficar o PT do B na eleição proporcional? Vocês vão se coligar com alguém?

Mauro – Em princípio não há essa perspectiva de se coligar com outro partido. Formamos uma chapa muito equilibrada, onde temos apenas um vereador de mandato, que é o Jorginho Pé no Chão, e os outros concorrem no mesmo patamar. Agora, tudo vai depender da conjuntura, já que o partido é um dos 14 que integram o movimento “Campos de Todos Nós”. Se houver necessidade, estamos prontos para o diálogo.

 

Folha – Além de você, dos também secretários Cecília Ribeiro Gomes (Trabalho e Renda) e Eduardo Crespo (Agricultura) e do vereador Jor-ginho Pé no Chão, o partido conta com algum outro puxador de voto? Quantos vereadores o partido pretende eleger?

Mauro – Sim, o Chico da Rádio, por exemplo, fez mais de 3,5 mil votos nas últimas eleições. O próprio Guilherme Negão fez mais de dois mil votos. E com a renovação do partido, temos nomes novos, de vários segmentos da sociedade, com novas propostas para ajudar Campos a crescer ainda mais, e que vão ser testados com perspectiva de muitos votos. Eu prefiro não citá-los para não cometer injustiça com o conjunto de companheiros que compõe a nossa nomina-ta. Pelos nossos cálculos, devemos eleger dois vereadores e, eu acho, Aluysio, que até três, dependendo dos votos válidos e da legenda.

 

Folha – Presidente municipal do PR, Wladimir já declarou enxergar a possibilidade dos governistas conquistarem todas as 25 cadeiras da nova Câmara, o que gerou forte reação da oposição. E você, chega a ser tão otimista?

Mauro – Em 2008 nós iniciamos um grande processo de transformação política com a eleição da Rosinha. Agora, podemos fazer o mesmo com a Câmara Municipal, já que teremos vários colegas secretários, além de outros bons nomes que surgem com a proposta de estar contribuindo com o desenvolvimento do município. O aumento do número de cadeiras pode trazer uma renovação ainda maior. Respeito a opinião do Wladimir, mas não sei se faremos as 25 cadeiras, mas podemos chegar perto, sabe, Aluysio. Temos o maior número de candidatos, os partidos mais fortes, uma militância aguerrida e o governo da Rosinha que tem 80% de aprovação popular e é daí que vem a nossa maior força.

 

Folha – Independente de quantas cadeiras os governistas irão fazer, se as perspectivas de maioria realmente se cumprirem, você é um dos nomes do grupo que, se eleito, é apontado entre os favoritos para ser o próximo presidente da Câmara. Trabalho com esse planejamento? Para que ele se cumpra, seria necessário ser também o vereador mais votado do seu partido?

Mauro – (Risos) Aluysio, eu preciso primeiro ser eleito. Você sabe que eleição de vereador é a mais difícil de todas. Todo mundo tem um amigo, um parente, que é candidato (risos). Estou otimista e muito disposto a trabalhar. Conto com o apoio do Garotinho e da Rosinha que me confiaram essa missão. A eleição da mesa vai ser discutida em outro momento. O que posso afirmar é que esses 20 anos com o nosso grupo foi um grande aprendizado. Sempre me colocarei à disposição para o que for melhor para a nossa cidade. E digo mais, Aluysio, nem sempre o mais votado é o escolhido para presidir a Câmara, mas o que tem mais habilidade em agregar e harmonizar o Legislativo.

 

Folha – Mesmo entre os opositores mais aguerridos de Garotinho, você sempre foi considerado um canal aberto ao diálogo. Acredita que es-sa característica, presente também no vereador Nelson Nahim (PRB), reforçaria sua condição para sucedê-lo na presidência da Câmara?

Mauro – Aluysio, já disse que preciso vencer as eleições primeiro (risos). Mas na política, como na vida, é mais importante ouvir do que falar. Isso facilita o diálogo. Eu gosto de ouvir as pessoas, suas posições, e de argumentar, deixar as coisas claras. A experiência nos mostra que o ruído é o avesso da comunicação. Isso tudo ajuda no processo político, seja ele qual for. Eu sou candidato a vereador não para suceder Nelson Nahim, mas para dar início a um novo momento da minha trajetória política, como você mesmo disse, agora no front, e acumular mais experiência para galgar novos patamares. Para quem me conhece, sabe que meus sonhos vão além de uma cadeira na Câmara Municipal de Campos. Tenho a certeza de que posso contribuir ainda mais para o futuro de nosso município.

 

Folha – Dentro do mesmo raciocínio, julga ser importante dialogar com a oposição? Como enxerga hoje o papel que ela exerce na Câmara, com os vereadores Nahim, Bacellar, Ilsan Viana (PDT), Odisséia Carvalho (PT) e Rogério Matoso (PPS)?

Mauro – Eu acho que a crítica é saudável desde que seja construtiva. Vejo os vereadores de oposição criticar, mas o que eles propõem para o município? A oposição poderia melhorar o nível da discussão. Eu defendo, como a prefeita Rosinha, que Campos precisa de todos nós, de todos que tenham contribuições para dar a este momento tão importante de nossa história. Com proposições construtivas, que não sejam presas apenas a posturas políticas ou partidárias. Mas que se somem ao esforço de todos por uma Campos que hoje é referência na geração de empregos e de renda, na atenção básica à saúde, no volume de investimentos municipais em in-fraestrutura, na ampliação da rede de proteção social.

 

Folha – Por falar em Nahim na oposição a Garotinho, como avalia o processo que levou à ruptura entre os dois irmãos? Em sua opinião, é algo incontornável?

Mauro – Acho mais adequado que os dois falem sobre isso, é uma questão familiar. São irmãos, são políticos experientes e nesta condição tão particular tenho certeza de que eles estão mais próximos do que desejam seus adversários. Vejo que é uma questão de tempo, e torço e acredito que eles voltem a caminhar numa mesma direção.

 

Folha – Inicialmente proposto para dezembro, o prazo para os secretários candidatos deixarem seus cargos ficou para março. Já tem planejado a Comunicação Social após sua saída?

Mauro – Sim, a prefeita Rosinha, preocupada com a estabilidade e a continuidade das ações de governo, num gesto de gentileza, pediu a todos os secretários que indicassem os seus sucessores. Aí, partir desse momento, ela vai decidir se aceita ou não a indicação. Na secretaria de Comunicação o cenário hoje é muito tranqüilo e eu já indiquei o nome de minha confiança, que vai dar seqüência a tudo que está planejado em nosso programa de governo.

 

Folha – Líder governista, o vereador Jorge Magal já fez alguns alertas (aqui) contra qualquer eventual uso da máquina pelos secretários candidatos. Como encara essas declarações? Há alguma tensão entre os vereadores governistas em busca de reeleição e aqueles que deixarão o governo para tentarem se eleger?

Mauro – Os vereadores de mandato e todos os secretários se relacionam muito bem, independente de serem candidatos ou não. Até entendo a posição de Magal, mas acho que ele não precisa se preocupar. Cada secretário é responsável por seus atos e a prefeita Rosinha já deixou muito claro que vai punir qualquer um que cometer essa irregularidade.

 

Folha – Enquanto ainda secretário, qual sua avaliação das relações entre o grupo político de Garotinho e os meios de comunicação, sobretudo depois que a acusação do seu uso indevido já gerou a prefeita Rosinha duas cassações?

Mauro – A relação de Garotinho com os veículos de comunicação, com a mídia local, sempre foi muito boa, até porque ele é um profissional de comunicação, tanto ele como a Rosinha. E acho que essa foi uma injustiça, uma dose exagerada em um momento inoportuno, porque a Rosinha concedeu apenas uma entrevista de rádio quando nem era candidata a prefeita.

 

Folha – Analisando o grupo de Garotinho, as relações entre situação e oposição, embora quase sempre extremadas, parecem meio confusas, no sentido de que o aliado de hoje muitas vezes se torna o opositor de amanhã, e vice-versa, alguns a se perder de conta nessas idas e vindas. Até por ter sido um dos poucos que nunca mudou de lado, como enxerga essa aparente bipolaridade? Qual seria a causa desse processo?

Mauro – O Garotinho construiu seu próprio caminho e liderou a formação de seu grupo político. Quem foi lançado ou se juntou ao nosso grupo, nunca foi enganado, conhecia o estilo transparente e franco de Garotinho exercer sua liderança política. Muitos deixaram o grupo, depois reviram suas posições e voltaram. E o Garotinho não faz política olhando pelo retrovisor, ele tem a capacidade de perdoar. Todas as pessoas erram e acertam, mas no caso de Garotinho, ele tem muito mais acertos do que erros. Garotinho é uma referência nacional e tenho certeza de que ainda vai entrar para a história como um dos maiores políticos deste país.

 

Folha – Um desses ex-aliados, ex-desafetos e novamente aliados, o ex-prefeito Alexandre Mocaiber declarou ter feito um bom governo, só que mal divulgado. Em relação a Rosinha, Wladimir já se queixou que a população não teria conhecimento de todas as realizações administrativas da mãe. Que avaliação faz do seu trabalho na Comunicação e como ele o credenciaria a buscar uma vaga na Câmara?

Mauro – (Risos) Olha, Aluysio, você conhece bem isso, de futebol e comunicação todo mundo acha que entende e quer dar um pitaco. O governo da Rosinha fez muito e faz muito, e é difícil mesmo divulgar e mostrar tudo o que ela está fazendo, de tanta coisa boa que ela realiza. Mas, o que eu posso afirmar é que se hoje ela tem 80% de aprovação do povo, não é só pelo que ela fez, mas foi também pelo que o povo e as pessoas tomaram conhecimento do que ela fez. Isso mostra que a comunicação e a política de governo estão no caminho certo. Ninguém tem 80% de aprovação por gravidade, por inércia. É porque a informação chegou à ponta, as pessoas avaliaram e concordaram que o que ela está fazendo é muito bom.

Juninho Selem: “Somos a única oposição em Quissamã”

Numa entrevista feita por e-mail, como foi o caso de todas com os pré-candidatos a prefeito em Quissamã, a última palavra sempre cabe ao entrevistado, pela impossibilidade do entrevistador em fazer alguma réplica. A limitação não foi sentida nas entrevistas anteriores, com a vereadora petista Fátima Pacheco e o ex-prefeito Octávio Carneiro (PP), mas se fez notar com o vereador Juninho Selem (PR), que hoje fecha o ciclo quissamaense. Em terceiro lugar nas pesquisas divulgadas, ele disse ter feito “várias outras”, mas não revelou nenhum número. Sobre a possibilidade aberta por Octávio, para que o PR o apoiasse, feita em entrevista à Folha, Selem disse desconhecer. Quanto à lembrança de que a oposição teve uma inédita maioria na última eleição municipal — quando as candidaturas de Octávio e Arnaldo Matoso (PMDB), juntas, superaram em votos a vitória do prefeito Armando Carneiro (PSC) —, Juninho ignorou o raciocínio matemático ao se declarar a única oposição em Quissamã. Ele também contestou sua rejeição (27,9%), revelada por Octávio em pesquisa, assim como a do seu principal apoio, o deputado federal Anthony Garotinho, para quem não traçou limites de influência num seu eventual governo. Hiatos à parte, o vereador revelou a vitória jurídica que permitiu a oposição retomar a presidência na Câmara, onde combate a administração que classifica como “desgoverno”.

 

 

(Foto de Luciano Vieira)
(Foto de Luciano Vieira)

 

 

Folha da Manhã – Indagado sobre a pesquisa do IBPS, feita em julho (aqui), que definiu a vereadora Fátima Pacheco como pré-candidata governista, o ex-prefeito e também pré-candidato Octávio Carneiro citou dados de outra, que teria sido feita em setembro. O fato é que você apareceu em terceiro lugar em ambas, na corrida à Prefeitura de Quissamã. Como fazer para descontar essa aparente desvantagem numa eleição de turno único?

Juninho Selem – Acho que essa pergunta deve ser feita eles, como eles devem fazer para evitar o meu crescimento. Mesmo que esses números sejam reais, não considero isso desvantagem. Fátima é declarada, há muito tempo, a candidata da situação; Arnaldo foi usado pelo prefeito para desviar o foco. E Octávio Carneiro já foi prefeito. Se eu apareço em terceiro lugar na pesquisa deles, eles é que têm que trabalhar para evitar meu crescimento, o que tem sido motivo de preocupação visível para o prefeito.

 

Folha – Fez ou teve acesso a outras pesquisas às eleições em Quissamã?

Juninho – Sim. O meu partido, o PR, fez várias pesquisas e está terminando uma agora que vamos divulgar ainda neste final de ano. Todas as pesquisas feitas mostraram o nosso crescimento, quando até mesmo ainda nem tínhamos declarado uma pré-candidatura. Com certeza a próxima pesquisa já vai mostrar que o quissamaense quer mudança.

 

Folha – Considerado seu principal apoio, o deputado federal Garotinho é conhecido por trabalhar sempre com base em pesquisas. Caso sua condição de terceiro colocado nas intenções de voto não se reverta até as convenções, não teme que ele passe a considerar uma outra opção, além da sua candidatura?

Juninho – Como você disse, o deputado federal Garotinho trabalha com pesquisas e é exatamente baseado nisso que ele está nos apresentando como candidato. Ele acompanhou a evolução do meu nome, desde quando eu aparecia em terceiro lugar e nem mesmo me apresentava como pretenso candidato. Agora, com os resultados recentes, cada vez mais se consolida a nossa aliança.

 

Folha – Em entrevita à Folha, quando indagado se o alinhamento recente entre os deputados Dr. Aloí-zio e Garotinho poderia levar o PV (partido do primeiro) para o colo do PR em Quissamã, Octávio apostou na possibilidade oposta, abrindo a porta para que o partido passe a apoiá-lo. É uma possibilidade?

Juninho – Não sei de onde surgiu essa informação (basta conferir aqui). O ex-prefeito Octávio Carneiro é um político experiente e em momento algum fez qualquer deselegância nesse sentido. Mas de qualquer maneira, se fez esse convite, o PR retribui a gentileza e também abre suas portas para receber seu apoio, que aliás será muito bem vindo.

 

Folha – Outro fato lembrado por Octávio na entrevista à Folha é que, na última eleição municipal, a oposição junta superou a situação pela primeira vez na história de Quissamã. Isso não é uma tendência clara demais para ser ignorada em 2012, caso a oposição caminhe novamente separada?

Juninho – Não existe oposição separada. Na política só existem duas posições: situação e oposição. Em Quissamã, só existe uma oposição que é a nossa; uma oposição que denuncia os desmandos, o desrespeito, o descaso com o povo, o mau uso dos recursos, feito por este desgover-no que aí está e que tem o aval da candidata do prefeito, que compac-tua com tudo isso. Somos nós que denunciamos e somos nós que fazemos oposição.

 

Folha – Embora negue publicamente, não é segredo para ninguém em Quissamã que o também ex-prefeito e atual secretário de Educação, Arnaldo Matoso, ficou contrariado por ter sido preterido como candidato oficial. Octávio revelou à Folha que pessoas do seu grupo buscariam contato com Matoso. E você?

Juninho – Como disse antes, lamentavelmente, Arnaldo Matoso, se deixou servir de holofote apagado pelo prefeito e sua candidata, para desviar a atenção da nossa oposição. Não sei a quem Armando queria enganar, pois já sabíamos da sua preferência. A nossa tendência é continuar na linha de buscar apoios das pessoas de bem e que se comprometam a romperem com tudo isso que aí está. Com essa política desqua-lificada que a atual gestão implantou no município. Se essas pessoas se alinharem com nossa política de recuperação do orgulho de ser um quissamaense, com certeza serão muito bem vindas. Sempre há lugar para pessoas de bem.

 

Folha – O principal ponto alegado pelo prefeito Armando, na opção por Fátima, foi a rejeição menor desta em relação a Matoso. Octávio revelou que na tal pesquisa de setembro, você ficaria com a segunda rejeição, com 27,9%. Tem números mais atuais e/ou diferentes?

Juninho – Desconheço os números dele, mesmo porque qual seria o motivo da minha rejeição? Fátima ter menos rejeição que Arnaldo é mais do que lógico, ela sempre foi vereadora e ele já foi prefeito. Da mesma forma, Octávio já foi prefeito e este fato pode levá-lo a ter uma rejeição mais contundente. As próximas pesquisas, em que agora eu apareço efetivamente como pré-candidato pelo PR, vão poder mostrar melhor os índices de rejeição e de aprovação da população. Com certeza, depois da definição da candidata do prefeito, a rejeição de Armando tem nova hospedeira.

 

Folha – Para quem está atrás nas intenções de voto, esse índice de rejeição não se torna ainda mais importante, pela função de fixar o teto de crescimento da pré-candidatura?

Juninho – Com certeza. Não tenho dúvidas de que a pré-candidata do prefeito deve se preocupar, sim, com esses índices de rejeição, pois pode perder a vaga.

 

Folha – Ainda na questão da rejeição, com os altos índices que Garotinho tem não só em Campos, como também em municípios vizinhos como São João da Barra e Macaé, onde o alinhamento entre o presidente do PR e Dr. Aluízio passou a ser encarado pelos partidários deste como um novo obstáculo na disputa à sucessão de Riverton. A rejeição de Garotinho é menor em Quissamã? Ter ele ao seu lado na campanha, fator evitado até por Rosinha em 2008, ajuda ou atrapalha?

Juninho – Fico me perguntando: se com esse alto índice de rejeição que vocês propagam, Garotinho obteve 700 mil votos para deputado federal no estado, em cada um dos municípios que você falou aí, ele foi muito bem votado, imaginem se ele não tivesse rejeição? Se Dr. Aluízio contar com o apoio de Garotinho em Macaé, com certeza sua vitória está a um passo de ser consolidada e nunca soube que partidários do Dr. Aluízio fossem contrários ao apoio de Garotinho. Ter o apoio de Garotinho em Quissamã é uma honra e a certeza de ter o apoio da população. Confesso que jamais gostaria de estar do lado contrário a ele; e nem os adversários.     

 

Folha – A rejeição a Garotinho, em relação aos candidatos por ele apoiados, parece se dar no temor pela influência que ele exerceria num governo que ajudasse a eleger. Qual seriam os limites impostos à influência do deputado numa eventual administração sua? Neste caso, por que não ocorreria em Quissamã o racha que houve, por exemplo, em São João da Barra?

Juninho – Não ocorreria porque eu não traio. A influência de um político como Garotinho em qualquer administração deve ser comemorada por qualquer governante. Veja o sucesso da administração de Rosinha em Campos, exemplo para todo país. Garotinho é o seu grande conselheiro. Quem traiu quem em São João da Barra e aqui também em Quissamã?

 

Folha – Em entrevista à Folha, Fátima demonstrou aqui, na análise à postulação de Octávio um respeito que deixou de lado para falar da sua pré-candidatura. Isso se dá por conta dos embates na Câmara, visto que você e Fátima são vereadores de lados opostos?

Juninho – Não. Isso é natural porque eu represento a oposição a tudo que ela apóia de errado que este desgo-verno está impondo ao nosso município. Nosso grupo representa a verdadeira mudança, a esperança de Quissamã ter um novo planejamento na utilização dos recursos, oferecendo melhor qualidade de vida pa-ra todos. Fátima representa um des-governo que até hoje não oferece nem água suficiente para sua população; um desgoverno que até hoje não oferece um transporte digno para os moradores dos distritos mais distantes, como Barra do Furado; um desgoverno que, enquanto o povo agoniza nos descasos, o governante e seus familiares fazem viagens internacionais de turismo. Isso é o que ela representa e apóia.

 

Folha – Por outro lado, a polarização entre você e Fátima não pode deixar as coisas ainda mais fáceis para Octávio, que já aparece à frente nas pesquisas?

Juninho – Em quais pesquisas? Na dele, na de Fátima ou em outra? Nada disso. Eu tenho uma convicção comigo: eu não compactuo com nada disso que aí está e estou disposto a pagar qualquer preço para mudar, porque sei que essa é a vontade do povo de Quissamã, que já se esgotou e quer mudança. A população me deu quatro mandatos de vereador, sendo que em três deles eu fui o mais votado, porque confiou a mim lutar por eles e agora surge o desafio da Prefeitura. O povo sabe que pode contar comigo.

 

Folha – Ainda em relação aos seus embates com Fátima na Câmara, não acha que sua posição e a de seu grupo saiu desgastada com a decisão judicial que possibilitou ao governo o controle da mesa diretora? Falando sobre isso, a vereadora disse ser contra a política dos que apostam no “quanto pior, melhor”. Em que ela está errada?

Juninho – Me desculpa, mas há uma correção a ser feita: a Justiça já devolveu o cargo ao verdadeiro presidente, Nilton Fu-ringa desde o dia 16, quando foi publi-cada a decisão no Diário Oficial. Nosso grupo está indo às sessões e obedecendo a Justiça, mas os colegas governistas, não. Que o desgaste foi geral não há dúvidas, porém, com certeza foi bem menor para nós, já que o “controle total” do governo é ilusório, haja vista a enorme rejeição da população para com o prefeito, coisa visível em todos os lugares do município. Quanto ao posicionamento dela, ela não me parece estar errada em nada, mesmo porque está se referindo ao pensamento do seu próprio grupo político. Já, o nosso grupo, não aposta nessa visão e nem nosso comportamento condiz com essa referência.

 

Folha – O Complexo Logístico de Barra do Furado está programado para entrar em funcionamento na próxima administração. Caso se eleja prefeito, como otimizar seus benefícios econômicos e atenuar seus impactos sociais.

Juninho – Como prefeito, em primeiro lugar vou cumprir o que combinar, ou seja, ao assumir um pacto de parceria entre dois municípios, vou reservar os recursos e pagar a parte que couber ao nosso município. Não é decente dar calote, muito menos descumprir acordos sobre os ônus e bônus de qualquer investimento dessa envergadura. Um prefeito tem que ter a humildade de recorrer a organismos técnicos que garantam o desenvolvimento para o bem comum da sua população, minimizando os impactos ambientais e sociais. A primeira coisa que um gestor público deve fazer é primeiro planejar para depois executar.

TRE não julga e Rosinha continua prefeita

No mar de indefinições jurídicas que assolam a política de Campos desde 2004, quando às vésperas da eleição municipal, o então prefeito Arnaldo Vianna foi afastado num dia para voltar no outro, passando pelas cassações de Carlos Alberto Campista, Alexandre Mocaiber e Rosinha Garotinho (duas vezes), ainda não há porto seguro à vista. Segundo informou aqui o procurador do município Francisco de Assis Pessanha Filho, a nova expectativa da defesa de Rosinha é que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) analise seus embargos declaratórios na próxima terça-feira, dia 29. Em outras palavras: pode ser que seja…

Assim, ainda que não tenha sido confirmada oficialmente hoje, a informação passada ontem pela assessoria do TRE, dando conta da dilatação do prazo de Rosinha na Prefeitura (aqui), pelo menos por enquanto, assim como quem não quer nada, vai se confirmando extra-oficialmente…

 

Atualização às 19h05: Segundo informou aqui a blogueira Jane Nunes, a decisão do plenário do TRE será mesmo na próxima terça. Na falta de outra opção, é esperar para ver…

Novo prazo de Rosinha na Prefeitura — AINDA não???…

Ontem, por telefone, a assessoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) informou ao blogueiro que o segundo prazo de 30 dias de Rosinha na Prefeitura de Campos, que vence no próximo dia 28, havia sido prorrogado para o início de dezembro. A nova data, porém, a assessoria ficou de passar hoje, quando após nova ligação, se limitou a informar que não podia confirmar a informação do adiamento, só depois do assunto ser apreciado na sessão de hoje do Tribunal, ou do relator se pronunciar oficialmente sobre o caso.

Também ontem, o jornalista Alexandre Bastos confirmou com Jonas Lopes de Carvalho Neto, advogado de Rosinha, as expectativas ou pela nova prorrogação de prazo, ou pelo acolhimento de embargos pleiteando a impossibilidade do processo gerar a cassação da prefeita. E hoje, sobre a primeira alternativa, o procurador do município, Francisco de Assis Pessanha Filho, primo de Jonas Neto, informou aqui, em seu blog, que a nova dilatação do prazo AINDA não era uma certeza.

Entre tantas indefinições, que parecem acometer até a assessoria do TRE, o fato é que Jonas Neto está neste momento acompanhando a sessão administrativa do Tribunal, da qual deve trazer, nos próximos minutos, alguma informação concreta sobre o caso.

Libertadores de 1981 — 30 anos que ecoam por todos os amanhãs

 

 

Fazem hoje exatos 30 anos que o Flamengo arrebatou a Libertadores da América. Eu tinha apenas 9 anos, mas nem que um dia alcance à improvável casa dos 90, jamais esquecerei o futebol e as conquistas daquele time de Raul, Leandro, Figueiredo, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. 

Disputando a final contra o Cobreloa do Chile, o Fla venceu a primeira partida no Maracanã, pelo placar apertado de 2 a 1. No segundo jogo, com Adílio e Lico obrigados a deixar o campo com os rostos ensanguentados, fruto das agressões covardes de jogadores chilenos jogando futebol com pedras nas mãos, sob o beneplácito de uma arbitragem omissa e da polícia do ditador Augusto Pinochet, que literalmente soltou os cachorros sobre o time da Gávea, o Cobreloa conseguiu vencer por 1 a 0.

Dado o clima de violência instaurado, que pode parecer surreal para quem só passou a acompanhar a Libertadores a partir da década seguinte, o jogo desempate teve que ser marcado não apenas em campo, mas num país neutro. No mítico estádio Centenário de Montevidéu, no Uruguai, após um bate-rebate dentro da área chilena, Zico aproveitou para abrir o placar. 

Mas aquela conquista do Flamengo teria que ser selada na maior especialidade do maior jogador da sua história. Numa cobrança de falta da entrada da área, Zico, sempre ele, artilheiro daquela Libertadores com 11 gols, deu números finais à partida, que ainda teria espaço para a entrada do atacante rubro-negro reserva, Anselmo, só para desferir o murro certeiro com que levou a nocaute Mario Soto, carniceiro-chefe do Cobreloa.

Trinta anos, hoje… Acima daquela sensação batida de que parece realmente ter sido ontem, ecoa um grito de gol de Jorge Curi por todos os amanhãs.

Rosinha consegue no TRE mais prazo na Prefeitura

O segundo prazo seguido de 30 dias, que Rosinha conseguiu no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para permanecer na Prefeitura, após ter sido cassada pela 100 ZE de Campos,venceria no dia 28 deste mês, próxima segunda-feira. Segundo informou ao blogueiro a assessoria do TRE, a prefeita  já teria, no entanto, conquistado a prorrogação deste prazo para o início de dezembro. Ainda sem a revelação da nova data, a informação foi confirmada pelo jornalista e blogueiro Alexandre Bastos, em consulta ao advogado Jonas Lopes de Carvalho Neto, que coordena a defesa de Rosinha.

Sindicato dos Médicos ameaça greve e acusa: “A saúde em Campos é mentira e caos!”

Por e-mail, o blogueiro recebeu dos e-mails do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), com dois posicionamentos oficiais da categoria sobre a prisão do médico Hugo Manhães Arêas, por acusação de cobrar consulta de paciente da rede pública, bem como da posição anunciada aqui e aqui pelo promotor Marcelo Lessa, que passou a ser cumprida desde ontem, de colocar o Grupo de Apoio à Promotoria (GAP) para fiscalizar a atuação dos médicos que atendem nos hospitais do município conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS).

Abaixo, a íntegra dos dois textos…

 

 

 

Hirano questiona representatividade do movimento

(Foto de Mariana Ricci)
(Foto de Mariana Ricci)

“Não sei que representatividade tem o Dr. Paulo Romano, em nenhum sindicato, associação ou conselho da categoria,  não só para falar em nome dos médicos, como para propor uma paralisação no atendimento na rede conveniada ao SUS”. Foi o que questionou agora há pouco, por telefone, ao blogueiro, o secretário municipal de Saúde Paulo Hirano, sobre a ameaça de 32 médicos que assinaram e publicaram uma nota (aqui), em solidariedade ao colega Hugo Manhães Arêas, preso na última terça-feira, dia 8, sob acusação de cobrar de paciente da rede pública.

Em relação à denúncia feita aqui por Romano, de que a Prefeitura teria reduzido em 30% a cobertura aos serviços prestados pelo SUS, com previsão de diminuir em mais 10%, Hirano esclareceu que se trata de uma complementação não obrigatória do poder público municipal. “Cabe a este, portanto, definir quanto, como e se deve ou não pagar além daquilo que já é custeado pelo SUS”, frisou.

Ainda sobre a amaeaça dos médicos de paralisarem os serviços, o secretário de Saúde destacou que o contrato da prestação de serviços de saúde pública é celebrado entre o município e os quatro grandes hospitais conveniados: Santa Casa de Misericórdia, Beneficiência Portuguesa, Álvaro Alvim e Plantadores de Cana. “A escolha dos profissionais que prestarão esses serviços é uma prerrogativa dessas instituições, não da Prefeitura. Mas se, por um motivo ou outro, os serviços deixarem de ser prestados, serão os hospitais que arcarão com as consequências desse descumprimento”, alertou.

Promotor mantém vistoria do GAP em hospitais conveniados

Mesmo diante da posição dos 32 médicos solidários ao colega Hugo Manhães Arêas, preso por acusação de cobrar de paciente da rede pública, revelada aqui pelo neurologista Paulo Romano, de só suspenderem o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após cumprirem todas as consultas e procedimentos já agendados pela central de regulação do município, o promotor Marcelo Lessa reafirmou que o Grupo de Apoio à Promotoria (GAP) vai manter a inspeção nos hospitais conveniados. Como ele já havia adiantado aqui, se algum médico estiver atendendo pela “consulta social”, se negando a fazê-lo pelo SUS, será preso por corrupção passiva. Se sonegar atendimento pelas suas formas, a prisão se dará por crime de prevaricação.

Também como o promotor já havia dito, depois de cumprirem o atendimento já agendado pelo SUS, os médicos podem realmente optar por se desligar do atendimento pela rede pública. Ele, no entanto, não acredita que os hospitais conveniados estejam mesmo dispostos a fazê-lo:

— Antes da prisão, já estava marcada para a próxima segunda-feira (dia 21), uma reunião na Prefeitura, entre município, Ministério Público e hospitais conveniados, para acertamos a questão da remoção de pacientes do Ferreira Machado aos hospitais conveniados, que precisa ser feita mediante a guia da central de regulação, não pela informalidade dos bilhetinhos de médicos, que acompanhem esse doente, mas não acompanham aquele, como vinha sendo feito em Campos, com critérios no mínimo pouco republicanos. Como desafogar o Ferreira Machado, se permitirmos que isso continue assim? A reunião será uma boa oportunidade para impormos critérios técnicos a esse processo, para saber dos hospitais conveniados se querem ou não continuar a atender pelo SUS. Ele paga pouco e todos os hospitais reclamam. Mas o fato é que todos o querem.

Em relação ao desafios lançados pelo médico Paulo Romano, de também ameaçar prender a prefeita Rosinha e seu secretário de Saúde, Paulo Hirano, pela queda de até 40% no pagamento da complementação dos serviços prestados pela rede conveniada, ou de debater abertamente a questão da saúde pública em Campos, Marcelo preferiu não polemizar:

— Pelo menos da minha parte, não há a pretensão de queda de braço. Houve a identificação de um crime e foi efetuada uma prisão que, até agora, está mantida. Foi prometida uma reação por 32 colegas do médico preso e, sobre ela, foi e será imposto o limite da lei. Ao que parece, esse limite foi devidamente entendido. Quanto à redução na complementação da Prefeitura de Campos pelos serviços prestados, que só passou a existir a partir de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado por mim, não tenho maiores informações, embora saiba que, muitas vezes, os atrasos se devem a problemas na prestação de contas dos próprios hospitais. Mas não vou entrar nesse jogo baixo de querer ficar jogando um contra o outro. Não tenho o que dabater sobre isso. Há momentos em que o Estado tem que se impor, sobretudo quando envolve a saúde da parcela mais carente da população.

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