Opiniões

Promotor mantém vistoria do GAP em hospitais conveniados

Mesmo diante da posição dos 32 médicos solidários ao colega Hugo Manhães Arêas, preso por acusação de cobrar de paciente da rede pública, revelada aqui pelo neurologista Paulo Romano, de só suspenderem o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após cumprirem todas as consultas e procedimentos já agendados pela central de regulação do município, o promotor Marcelo Lessa reafirmou que o Grupo de Apoio à Promotoria (GAP) vai manter a inspeção nos hospitais conveniados. Como ele já havia adiantado aqui, se algum médico estiver atendendo pela “consulta social”, se negando a fazê-lo pelo SUS, será preso por corrupção passiva. Se sonegar atendimento pelas suas formas, a prisão se dará por crime de prevaricação.

Também como o promotor já havia dito, depois de cumprirem o atendimento já agendado pelo SUS, os médicos podem realmente optar por se desligar do atendimento pela rede pública. Ele, no entanto, não acredita que os hospitais conveniados estejam mesmo dispostos a fazê-lo:

— Antes da prisão, já estava marcada para a próxima segunda-feira (dia 21), uma reunião na Prefeitura, entre município, Ministério Público e hospitais conveniados, para acertamos a questão da remoção de pacientes do Ferreira Machado aos hospitais conveniados, que precisa ser feita mediante a guia da central de regulação, não pela informalidade dos bilhetinhos de médicos, que acompanhem esse doente, mas não acompanham aquele, como vinha sendo feito em Campos, com critérios no mínimo pouco republicanos. Como desafogar o Ferreira Machado, se permitirmos que isso continue assim? A reunião será uma boa oportunidade para impormos critérios técnicos a esse processo, para saber dos hospitais conveniados se querem ou não continuar a atender pelo SUS. Ele paga pouco e todos os hospitais reclamam. Mas o fato é que todos o querem.

Em relação ao desafios lançados pelo médico Paulo Romano, de também ameaçar prender a prefeita Rosinha e seu secretário de Saúde, Paulo Hirano, pela queda de até 40% no pagamento da complementação dos serviços prestados pela rede conveniada, ou de debater abertamente a questão da saúde pública em Campos, Marcelo preferiu não polemizar:

— Pelo menos da minha parte, não há a pretensão de queda de braço. Houve a identificação de um crime e foi efetuada uma prisão que, até agora, está mantida. Foi prometida uma reação por 32 colegas do médico preso e, sobre ela, foi e será imposto o limite da lei. Ao que parece, esse limite foi devidamente entendido. Quanto à redução na complementação da Prefeitura de Campos pelos serviços prestados, que só passou a existir a partir de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado por mim, não tenho maiores informações, embora saiba que, muitas vezes, os atrasos se devem a problemas na prestação de contas dos próprios hospitais. Mas não vou entrar nesse jogo baixo de querer ficar jogando um contra o outro. Não tenho o que dabater sobre isso. Há momentos em que o Estado tem que se impor, sobretudo quando envolve a saúde da parcela mais carente da população.

Este post tem 8 comentários

  1. Tive a tristeza de acompanhar um amigo vitima de aneurisma cerebral no Ferreira Machado, e pude ver como esse médico citado (trecho excluído pela moderação) trata mau aos pacientes, me tratou com falta de educação, alguns médicos só pensam em dinheiro!

  2. Parabéns ao Marcelo Lessa!!! Isso demonstra seu compromisso com a sociedade no posto que ocupa, fazendo valer a Lei! Tem muito médico que pensa que é Deus e vive pisando sobre aqueles mais humildes e carentes, os tratando como cachorro em porta de açougue. A postura de Marcelo Lessa demostra sua seriedade e imparcialidade diante de uma das instituições mais sérias do país que é o MP. O povo não aguentava mais tanta humilhação. Que esse exemplo sirva de lição para o povo saber exigir seus direitos. Não tema! Procure o MP. O sigilo é mantido do início ao fim. A instituição é séria. No MP existe cumprimento da Lei, ao contrário da nossa saúde que está um caos, onde falam que está tudo bem! Uma vergonha isso estar acontecendo em Campos, pois demonstra que muitos médicos só querem status e dinheiro no bolso, salvo aqueles que têm o verdadeiro espírito humano de médico, que não vem ao caso do acusado e dos 32 que o apoiam. Cadê vocês 32 médicos que tentaram bater de frente com o MP???? Bater de frente com o povo humilde e leigo é fácil, mas batam de frente do MP para vocês verem o que acontece com vocês. Vocês foram postos em seus lugares conforme manda a Lei, Agora cumpram com suas obrigações pois o povo paga os seus salário$$$$. Respeitem o povo para serem respeitados também!!!

  3. Muito bem Promotor Marcelo Lessa. Ponha ordem nessa bagunça. A parcela mais carente da população merece sim, muito respeito e tem muito médico mercenário em Campos. Todos reclamam do SUS, mas ninguém larga. Por que será? Todo apoio ao MPE!

  4. Estava em uma consulta de revisão de um paciente, operado pelo esse médico preso, a cirurgia foi pelo SUS, mais tivemos que pagar a consulta e o Raio-X da revisão. Na proxima vez, 35 médicos solidarios, vou aos seus consultórios pegar 5 reais de cada para pagar ao seu amigo!! Não encontrando, vou nos seus apartamentos de 1 Milhão na pelinca!

  5. Mais uma vez este promotor “confete e serpentina” deseja aparecer! Ao invés de investigar a roubalheira descarada na cidade faz aquilo que mais lhe convém para “mostrar serviço”. A obra da beira-valão, um monumento ao cocô, custa 18 milhões seu Marcelo Lessa? Um sambódromo de 65 milhões numa cidade que sequer tem carnaval não merece investigação seu Marcelo Lessa? Mas pra que cutucar onça com vara curta quando vc pode usar um porrete para ficar matando formiga já que no final do mês seu gordo salário é depositado da mesma forma, não é? Não defendo o crime cometido por Hugo Areas mas a forma como vc vem escrachando a classe médica como se vc fosse de uma casta superior. Vc não é! É apenas um funcionário da (in)justiça como outro qualquer. A diferença é que gosta de plumas e paetês e de pendurar abóbora no pescoço.

  6. De fato é necessária a atuação do Poder Público para fiscalizar e coibir este tipo de atitude que, de forma prejudicial, atinge aos que já pertencem à classe mais carente de nossa sociedade. Contudo, apesar da manifestação de alguns profissionais, não podemos considerar que a maioria daqueles que cuidam da saúde da população mais necessitada concordem com este tipo de atitude. A melhoria das condições de trabalho e melhores salários podem e devem ser buscadas sim, mas não de forma a tirar daqueles o pouco ou quase nada que ainda tem.

  7. O gap deveria ter entrado nessa briga a mais tempo, a populaçao carente sofre por nao como pagar o sus e ruim mais todos querem entrar, deveriam melhorar tambem o tratamento aos pacientes que muitos drs tratam como lixo.

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