Opiniões

Ricardo André, the Lion Heart

Aqui, Jane Nunes anunciou que, após sofrer seu terceiro infarto, o jornalista, blogueiro e amigo comum Ricardo André Vasconcelos já está em casa e passa bem. Aqui, já sabendo do sucesso da sua angioplastia, na quinta-feira, da qual fui solidariamente avisado pela própria Jane, escrevi sutilmente sobre o caso, entre outros igualmente graves e simultâneos, com pessoas igualmente queridas.

Seja como jornalista (lida da qual se diz aposentado), blogueiro, funcionário público e, sobretudo, como homem, Ricardo é um porto seguro para valores éticos e de caráter, infelizmente, cada vez mais raros. A felicidade sincera por sua pronta recuperação, portanto, não nasce de nenhum altruísmo, mas do sentimento mais egoísta possível. É que com ele vivo e bem, todos aqueles que o amam, como eu, têm a certeza de estarem (e serem) também melhores.

 

Atualização às 15h11 de 17/01/11 para relegar à relevância menor (e ainda assim superestimada) de comentário quem não consegue nem mais gerá-los no próprio blog.

Este post tem 9 comentários

  1. É, Aluysio, não é que depois do tal de ser corrigido por você, quando ele indicou o filme “Além da Linha Vermelha”, de Terrence Malick, como sendo de Clint Eastwood, e de ser depois corrigido também por mim, aqui no seu blog, depois que escreveu que “1984”, um dos mais conhecidos livros de George Orwell, era de Orson Welles, o tal do Dogras (sic) não sossegou enquanto não conseguiu peneirar e corrigir um erro seu. Menos mal que o seu erro identificado por ele foi de grafia, não conteúdo. De todo jeito, o sujeito bem que poderia ter em seu próprio blog o mesmo cuidado na revisão ortográfica que tem com este, que lê e relê com tamanha fixação. Verdade que português dele não chega a ser tão ruim quanto do seu messias, o Lulinha paz e amor, mas beira…. RSRSRSRSRSRS

  2. Caro Eduardo,

    Num texto dedicado a alguém tão importante para mim e para tantos, não vou polemizar com uma pessoa por quem, além de certo desprezo moral, nada sinto. De qualquer maneira, o fato dele realmete cometer tantos erros ortográficos e de conteúdo em seus textos, não muda o fato de que está certo naquilo em que me corrigiu. Não por outro motivo, diferente das correções que eu e vc eventualmente já lhe impusemos em conhecimentos de cinema e literatura, aplicadas pelo corrigido só na surdina, pelo orgulho infundado e infantil de quem tem medo de admitir ter dito besteira, a correção de forma aqui será feita com o crédito devido: Douglas Barreto da Mata. Até porque, mais do que se escrever com “l” no lugar do “u”, altruísmo fica sempre mais correto quando sentido e demonstrado.

    Afinal, o que interessa é que o Ricardo André, a quem visitei hoje, antes de vir ao trabalho, está muito bem, obrigado!

    Abraço e grato pela colaboração!

    Aluysio

    Atualizado às 15h18 de 17/01/11: Já que a luz ao canalha, para não repeti-lo, não pode deixar de ser dada, pelo menos evita-se iluminar o lamaçal no qual, solitária e virtualmente, a repugnante figura habita.

  3. Aluysio,
    a partir do link, li o texto que pretende corrigir o seu. Nele, emblemático notar que logo à primeira palavra se revela o débil conhecimento de português em quem se arroga a corrigir o emprego correto da língua nos outros.
    Senão, vejamos:
    “EsSe blog” (na falta do recurso de grifo, maiúscula nossa)
    Ora, se escreveu quem assinou, em seu próprio espaço virtual, como pode ser “EsSe”, no lugar do correto “EsTe”? (novamente, destaques nossos)
    Venhamos e convenhamos que, diferente de uma palavra menos coloquial como altruísmo, a aplicação correta do pronome demonstrativo é conhecimento ensinado pelas professoras do ensino fundamental.
    Lamentável …
    Abçs

  4. Isabel,

    A confusão linguística não se dá só entre o que está longe (esse) e o que está perto (este). Quer dizer que “Esse blog debate-se pelo uso da língua”? Então é o blog que está se debatendo? Seria um delirius tremem do blogueiro em questão? E a confusão entre ênclise e próclise na colocação do pronome oblíquo átono “se”? O certo seria “Neste blog se debate pelo uso da língua”.
    Pela maneira que emprega a língua, a única certeza é de que continuará “debatendo-se” por ela pelo resto da vida.

  5. Caras Isabel e Luísa,

    Escrevi este texto sobre e para o Ricardo André Vasconcelos. Se me permitem, é a ele, não a mim, nem a quem me corrigiu sem saber fazê-lo consigo mesmo, que gostaria de ver como tema dos comentários aqui gerados. Se um erro de forma aqui cometido gerou tantos outros em sua correção, saibamos não repetir por via oposta nenhum desvio de conteúdo.

    Abraços e grato pelas colaborações!

    Aluysio

  6. Só quem conhece de fato Ricardo André sabe que o que postou é a mais pura realidade.
    Abçs!

  7. Valeu, Cilênio! Todos juntos pelo Ricardinho!

  8. Aluysio,

    Obrigado por sua generosa amizade e presença constante, que foram fundamentais para que eu sentisse a segurança necessária para superar esses dias de fragilidade.
    Muito obrigado!
    Ricardo André Vasconcelos

    PS.: A seguir, um dos meus preferidos poemas de Vinicius e que, em alguns versos me faz lembrar de você:

    O Haver

    Vinicius de Moraes

    Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
    Essa intimidade perfeita com o silêncio
    Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo:
    — Perdoai! — eles não têm culpa de ter nascido…

    Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
    Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
    De ferir tocando, essa forte mão de homem
    Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

    Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
    Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
    Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
    Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

    Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
    Da matéria em repouso, essa angústia de simultaneidade
    Do tempo, essa lenta decomposição poética
    Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

    Resta esse coração queimando como um círio
    Numa catedral em ruínas, essa tristeza
    Diante do cotidiano, ou essa súbita alegria
    Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…

    Resta essa vontade de chorar diante da beleza
    Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
    Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
    Piedade de sua inútil poesia e sua força inútil.

    Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
    De pequenos absurdos, essa tola capacidade
    De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
    E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.

    Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
    De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
    E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
    Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.

    Resta essa faculdade incoercível de sonhar
    E transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
    De aceitá-la tal como é, e essa visão
    Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

    E desnecessária presciência, e essa memória anterior
    De mundos inexistentes, e esse heroísmo
    Estático, e essa pequenina luz indecifrável
    A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

    Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
    Na busca desesperada de alguma porta quem sabe inexistente
    E essa coragem indizível diante do Grande Medo
    E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.

    Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
    De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história
    Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
    De não querer ser príncipe senão do próprio reino.

    Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
    Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável
    Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
    E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.

    Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio
    Pelo momento a vir, quando, emocionada
    Ela virá me abrir a porta como uma velha amante
    Sem saber que é a minha mais nova namorada.

    Para ouvir na voz do próprio Vinicius: http://www.vagalume.com.br/vinicius-de-moraes/o-haver.html

  9. Ricardinho,

    Lindo o poema do Vinícius, que não conhecia. Realmente, me vi parcialmente refletido em algumas de suas imagens.

    Quanto ao agradecimento, me permita dizer que ele é desnecessário. Trata-se apenas do que preconizou o primeiro profeta de Israel: “honrarei aos que me honram” (Samuel 2:30).

    Ao fim e ao cabo, o bom mesmo é saber que vc está bem, meu irmão!

    Abraço fraterno!

    Aluysio

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