Opiniões

Apenas questão de tempo

E porque Jean-Jacques Rousseau (1712/78) sempre fica melhor na boca de quem já se deu ao trabalho de ler sua obra antes de citá-lo, fica a dica do filósofo suíço para todo profissional que tiver seu trabalho roubado na cara dura por um medíocre qualquer: “A força fez os primeiros escravos, a sua covardia perpeteou-os”.

Até porque coragem é como caráter, já que nem toda paciência do mundo pode fazê-las frutificar em quem sempre foi deserto às suas semeaduras. Quanto a estes, a paciência só tem serventia para aguardar até quando, mais dia, menos dia, secos de qualquer polpa, cairão à brisa doce sem ficar nem para semente.

A resposta: Fim dos plágios e caso encerrado…

Na última terça-feira, ciente a partir do excelente trabalho de apuração feito aqui pela blogueira Gianna Barcelos, de que uma das empresas denunciadas pelo “Fantástico” por corrupção em licitações públicas, a Rufolo, também atuava junto ao poder público de Campos, dediquei toda tarde e boa parte da noite daquele dia a também apurar o caso. Entre várias outras fontes, liguei para uma do primeiro escalão do governo Rosinha, alertando que caso a Prefeitura de Campos não seguisse o exemplo dos governos estadual e municipal do Rio de Janeiro, que já haviam rompido desde segunda os contratos com os denunciados, esse contraponto seria o gancho óbvio a ser jornalisticamente exposto e explorado. Como a fonte me disse que eu havia sido o primeiro a procurar a Prefeitura para buscar o contraditório sobre o caso, solicitei em contrapartida que qualquer decisão tomada a partir dali me fosse imediatamente comunicada.

Coincidência ou não, logo após essa minha conversa com a fonte, foi realizada uma reunião entre ela e vários outros integrantes do governo com a prefeita Rosinha, como o ex-prefeito e blogueiro Sergio Mendes revelou em primeira mão aqui, que se estenderia por toda a tarde e início da noite de terça. Finda a reunião, um outra fonte da Prefeitura, que antes também havia procurado sem sucesso, pois também estava na tal reunião, me retornou a ligação e revelou que o contrato com a Rufolo não seria renovado quando vencesse no final deste mês, decisão que seria divulgaria por uma nota oficial que estava sendo feita naquele momento. Assim que encerrei a ligação, antes mesmo de receber a nota, noticiei a novidade imediatamente no blog, atualizando-a com a posição formal tão logo a recebi por e-mail, alguns minutos depois.

Todo trabalho jornalístico bem feito, quando se chega com exclusividade à notícia, ao chamado “furo”, é extremanete prazeroso, sobretudo quando o desfecho, que se ajudou a ensejar, é positivo à sociedade. Poucos, no entanto, conseguem ter repercussão oficial tão imediata, posto que alertada por uma assessora do que este blog acabara de noticiar, a vereadora petista Odisséia Carvalho, na sessão da Câmara de terça, que acontecia paralelamente à reunião da Prefeitura, anunciou do plenário a não renovação municipal com a Rufolo, dando o crédito devido ao blog e ao jornalista que revelaram a notícia e constrangendo a bancada governista que até então defendia a manutenção do contrato com a empresa denunciada.

Em outras palavras, não só os cerca de 60 mil leitores diários da Folha Online, que teve  link para o post do blog como sua manchete principal, mas todos os que também assistiam à sessão de terça, de corpo presente, ou ao vivo pela UniTV e pela internet, puderam saber tanto da notícia, quanto de quem primeiro noticiou.

Todavia, a pressão feita por telefone com a fonte do primeiro escalão de Rosinha, cobrando uma safisfação sobre o caso, bem como o consequente “furo” da não renovação do contrato com a Rufolo e da divulgação da nota oficial da Prefeitura, tornam-se ainda mais prazerozos quando constatado que todo o processo foi uma construção coletiva, iniciada pela revelação da atuação da empresa em Campos pela Gianna, passou pela notícia da reunião na Prefeitura dada por Sérgio, teve sequência em outros pertinentes questionamentos feitos aqui e aqui pelo advogado e blogueiro Cléber Tinoco, além da posterior divulgação aqui, também neste Opiniões, do contrato inicial e do termo aditivo entre o governo municipal e a empresa. Muitos outros blogueiros que não conseguiram chegar a informações em primeira mão, mas deram repercussão às conseguidas pelos colegas de lida virtual, hospedados ou não da Folha Online, tiveram também papel fundamental na pressão que obrigou a Prefeitura a rever sua relação com a Rufolo.

Ao contrário do que chegaram a propor alguns radiciais de si mesmos, o caso serve para evidenciar que as mídias tradional e virtual, ressalvados os eventuais conflitos entre os interesses existentes em todos os lados, no lugar de necessariamente antagonistas, podem ser também complementares, sobretudo quando o que está em jogo é o interesse público. E é uma pena que esse exitoso momento de união tenha sido parcialmente desvirtuado por uma cópia sem o devido crédito, feita aqui pelo advogado e blogueiro Cláudio Andrade, da nota oficial divulgada primeiro e quase duas horas antes, aqui, neste Opiniões.

Depois que o Ctrl+C/Ctrl+V foi denunciado aqui, Andrade disse, numa atualização do dia seguinte, que sua fonte havia sido o site Ururau. Todavia a emenda tardia, por descaradamente falsa, revelou-se ainda pior que o soneto omisso, haja vista que o Ururau só postou a nota oficial da Prefeitura às 21h53 da terça-feira, enquanto o advogado e blogueiro já a havia divulgado desde às 21h25. Como, a não ser que tenham inventado a máquina do tempo, não é possível republicar algo de alguém que só publicaria 22 minutos depois, ficam desnudas até a virilha as penas curtas da grosseira mentira. Na verdade, a nota oficial foi pega diretamente deste blog, ou então da jornalista e blogueira Jane Nunes, que a havia republicado aqui, às 20h08, mas com o crédito e o respeito devidos ao trabaho alheio, solemente ignorados pelo outro blogueiro.

A coisa seria menos grave se não fosse uma reincidência de apropriação sem crédito, pelo mesmo Cláudio Andrade, do trabalho de apuração feito neste blog. Às 8h30 de 25 de agosto de 2010, o Opiniões divulgou aqui a possibilidade então existente do vereador Dante Pinto Lucas (ex-PDT e hoje PSC) assumir a presidência da bancada governista do prefeito interino Nelson Nahim (ex-PR e atualmente PPL). E,  às 15h17 daquele mesmo dia, Andrade não só fez aqui o plágio da informação, sem creditar a fonte, como ainda caiu na esparrela de afirmar que Dante já era o novo líder do governo, noticiando aquilo que não se confirmaria de lá até hoje, cometendo aquilo que no jargão jornalístico chama-se de “barriga”.

Como, naquela época e desde sempre, tenho muito respeito pelo trabalho dos outros, tanto quanto exijo pelo meu, reagi aqui ao Ctrl+C/Ctrl+V sem crédito e de palpite infeliz. Como naquela época o assunto chegou a render uma desagradável polêmica virtual entre mim e o outro blogueiro, que encerrei a pedido do amigo Felipe Estefan, presidente da OAB local, contra quem Cláudio concorreu, muitas vezes de maneira virulenta e desleal durante a campanha, levando por isso mesmo uma constrangedora sova nas urnas da sua própria categoria profissional, não esperava que ele voltasse nunca mais a me plagiar.

Ocorre que, como provado numa simples contraposição entre os horários das postagens mais recentes da nota oficial do caso Rufolo, ele tentou novamente se aproveitar do meu trabalho, na mesma acintosa pretensão de não reconhecê-lo. Até porque nunca fiz isso durante os dois anos e cinco meses em que milito como blogueiro, ou nos meus quase 23 anos como jornalista, não admitirei que ninguém o faça comigo, sobretudo nas condições abusivas da reincidência.

Tanto pior porque essa reincidência na apropriação não creditada do trabalho alheio não se deu apenas comigo, tido, não sem razões, como um camarada de não levar desaforo para casa. Quem, como eu, tiver conhecimento pessoal com o empresário Christiano Abreu Barbosa ou com o jornalista Ricardo André Vaconcelos, que julgo os dois sujeitos mais equilibrados, respectivamente, entre os blogueiros hospedados na Folha Online e os fora dela, pergunte a ambos se o mesmíssimo plagiador também já não se adonou das suas produções virtuais, sempre sem creditar o trabalho a quem de fato o fez.

Sinto, nisso tudo, que a questão, tanto antes como agora, tenha chegado ao nível pessoal. Mas assim como não aceitarei que meu trabalho seja roubado na cara dura, tampouco serei passivo quando, ao exigir que o que fiz seja reconhecido como meu, for respondido com insinuações vis, dúbias e covardes, sobretudo por alguém que não tem coragem para repeti-las quando, fortuitamente, se encontra cara a cara.

Todavia, creio que também errei ao lembrar tragédias familiares passadas, muito embora estas, assim como a prática de “proteção” blogueira em troca de anúncios, além de assessorias parlamentares ocultas e recentes, sirvam para evidenciar que todos têm seus esqueletos no armário, notadamente aqueles desprovidos de senso de ridículo ao arrotar uma “independência” insustentável para alguém conhecido e reconhecido como cabo eleitoral virtual, que vive a pulular de um lado ao outro, em troca de soldo, entre os grupos políticos da cidade, capaz de alternar juras de amor incondicional e manifestações de ódio irrestrito por uma mesma pessoa. Mas o fato é que, até por não ter nada com isso, errei ao aceitar provocações pessoais.

Peço, portanto, as desculpas devidas a você, leitor, por ter permitido que o foco da questão fosse desviado por quem, sempre quando em desespero pela incapacidade de contrargumentar dialeticamente, apela ao sofisma barato de tentar atacar a pessoa do argumentador.

Naquilo que realmente interessa, enquanto meu trabalho, bom ou ruim, for respeitado como meu, a questão está encerrada.

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