Opiniões

Mauro Silva: “Rosinha será nossa candidata!”

A mesma habilidade com que sempre operou nos bastidores, fiel há mais de 20 anos à liderança política de Anthony Garotinho, mas com polidez para não reproduzir o comportamento que fez o ex-governador colecionar tantos desafetos, o jornalista Mauro Silva demonstrou nesta entrevista, respondida na tarde da última sexta, mesmo dia em que Berenice Seara, colunista do Extra, anunciou que a prefeita Rosinha Garotinho desistiu de desistir da sua candidatura à reeleição, em outubro. Sabendo ou não disso, o fato é que Mauro afimou a mesma coisa. Como a entrevista foi feita por e-mail, sem a oportunidade de réplica ao entrevistador, aquelas que se fizeram necessárias acompanham, entre parênteses, algumas das respostas do presidente municipal do PT do B. Ele continua a apostar na inelegibilidade de Arnaldo Vianna, mesmo quando o julgamento do TSE foi favorável ao ex-prefeito. A análise, por óbvio, é oposta sobre as condições de elegibilidade de Rosinha, mesmo a despeito dos recursos às suas duas condenações, à espera de julgamento no TRE e TSE.

Folha da manhã – O PT do B está namorando com o prefeito carioca Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição apoiado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), e descarta qualquer aproximação com a deputada estadual Clarissa (PR), que é vice na chapa encabeçada pelo federal Rodrigo Maia (DEM). Em Campos, o partido já foi Mocaiber (PSB) e hoje é Rosinha (PR). Afinal, o PT do B se aproxima do que cantou Raul Seixas: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante”?

Mauro Silva – O PT do B está coligado com o PR em 50 cidades do Estado, que é o nosso maior aliado. O presidente do partido, Vinicius Cordeiro, deixou claro que o maior compromisso do PT do B estadual é com o projeto do Garotinho para 2014. Mes-mo que em algumas cidades o PT do B tenha outras parcerias, nós estamos fazendo valer a regra de autonomia plena dos diretórios municipais. Por exemplo, em cinco municípios, entre eles Niterói, Búzios e Nova Iguaçu, estamos apoiando o PDT, que são parcerias antigas do partido. Em Parati, estamos coligados com o PT, onde temos dois vereadores de mandato. Com relação à chapa no Rio, o PT do B não fez parte do governo César Maia. Apesar da presença de Clarissa na chapa como vice, o fato dela ser encabeçada pelo deputado Rodrigo Maia criou embaraços que não puderam ser transpostos pela direção estadual do partido.

Folha – Além de você, o PT do B conta com dois outros ex-secretários e potenciais puxadores de voto na nominata ao Legislativo, Eduardo Crespo e Cecília Bainha. O vereador Jorginho Pé no Chão já desistiu da reeleição, mas como está a situação de Chico da Rádio? Quantos vereadores o partido espera eleger?

Mauro – Como você mesmo disse, o PT do B tem fortes nomes que serão confirmados por nossa convenção. O radialista Chico da Rádio está firme e é pré-candidato. Temos uma nominata forte que pode fazer de dois a três vereadores.

Folha – Logo após o vereador Marcos Bacellar (PDT) anunciar que não vai concorrer à reeleição, para apoiar um pré-candidato governista, o líder da situação Jorge Magal (PR) disse que o colega de oposição seria bem vindo ao grupo político de Garotinho. E você, o que acha?

Mauro – Eu acho que o vereador Marcos Bacellar já teve a oportunidade de participar do grupo quando eu assumi o partido e o convidei para permanecer no PT do B, que está na base de apoio a Rosinha. Acho que ele refletiu melhor, viu o belo trabalho que está sendo realizado pela Rosinha e resolveu apoiar um candidato da base governista. Já que ele não é candidato, acho que ele tomou uma medida acertada.

Folha – Independente da resposta, se era para ter Bacellar no grupo de Garotinho, não seria mais fácil se você o tivesse mantido no PT do B? Tentou fazer isso? Como e por quê?

Mauro – Sim, seria mais fácil se ele quisesse. Como já disse (sabendo previamente da existência das duas perguntas), o convidei para ficar, e acho que agora ele refletiu melhor e resolveu mudar de idéia. Como disse, apoiar um candidato da base da prefeita Rosinha é o reconhecimento do trabalho que ela vem realizando.

Folha – O pré-candidato governista que Bacellar abriu mão da sua reeleição para apoiar Diego Dias (PSB). Ele foi assessor parlamentar do vereador, antes de se casar com uma das herdeiras da Nova Rio, empresa prestadora de serviços públicos. Diz-se que Diego está disposto a jogar pesado, não só para se eleger vereador, como para depois chegar à presidência da Câmara. Em nossa última entrevista, você também assumiu esse objetivo. Como dois corpos não ocupam o mesmo espaço, ao mesmo tempo, sobretudo quando pertencem ao mesmo grupo político, de que maneira isso será equacionado?

Mauro – Primeiro, é preciso vencer as eleições. É muito cedo para essa discussão (sete meses ainda mais cedo, na  entrevista publicada na Fo-lha em 27 de novembro do ano passado, respondendo à esta mesma questão, Mauro disse: “Para quem me conhece, sabe que meus sonhos vão além de uma cadeira na Câmara Municipal de Campos”). A Câmara vai ter 25 vereadores e todos podem pleitear a presidência. No momento, eu quero mostrar a importância da continuidade do governo Rosinha, apresentar minhas ideias, me colocar à disposição para ajudá-la na Câmara, no próximo mandato.

Folha – Assim como com você, a Diego é atribuída habilidade nas operações de bastidores. Caso vocês dois se elejam, o que poderá ser o diferencial à pretensão comum de presidir a Câmara: a votação de cada um em outubro? E Magal, também não estaria nessa briga?

Mauro – As eleições da mesa diretora não ocupam minha agenda neste momento e é muito cedo para fazer qualquer análise (Em 27 de novembro, sobre a relação entre votação e presidência da Câmara, Mauro analisou: “E digo mais, Aluysio, nem sempre o mais votado é o escolhido para presidir a Câmara, mas o que tem mais habilidade em agregar e harmonizar o Legislativo”).

Folha – Também em nossa última entrevista, você apostou na reconciliação entre os irmãos Anthony Garotinho (PR) e Nelson Nahim (PPL). Continua a fazê-lo? No debate proposto por ambos, quem está com a família e quem está com a quadrilha nessa história?

Mauro – Defendo o diálogo sempre em todas as instâncias. Tenho esperança na reconciliação, mas este é um assunto pessoal e muito delicado, deve ser tratado em família.

Folha – Numa série de reportagens, publicadas pela Folha na quarta e quinta-feira, foi abordado o fato de que, enquanto enfrenta uma oposição dividida em Campos, nos municípios vizinhos de Quissamã e São João da Barra, Garotinho consegue unir a oposição. Preconizada desde o chinês Sun Tzu, em seu “A arte da guerra”, unir aliados e dividir inimigos é uma estratégia tão antiga, quanto eficiente. Que outras lições políticas você aprendeu no convívio de mais de 20 anos com Garotinho?

Mauro – O Garotinho faz a diferença. Tanto na situação quanto na oposição. Ele tem uma capacidade ímpar de articulação política. Aprendi e aprendo muito nesses 20 anos de convivência com o Garotinho e com a Rosinha, que para mim devem servir como exemplo para Campos. Garotinho é um dos sete políticos no Brasil que ultrapassou a marca de mais de 15 milhões de votos para presidente. Garotinho foi governador do Estado e elegeu Rosinha no primeiro turno. Vejo no Garotinho a determinação como uma de suas principais qualidades.

Folha – Além de Sun Tzu e seu releitor italiano, Nicolau Maquiavel, outro pensador político que Garotinho gosta de citar é Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, sobretudo sua frase mais famosa: “Uma mentira, repetida mil vezes, se torna verdade”. Foi este o caso, por exemplo, quando o deputado insistiu na versão de que Arnaldo Vianna (PDT) tinha sido considerado inelegível pelo TSE, em decisão do último dia 24, enquanto a própria assessoria do Tribunal assegurou exatamente o contrário?

Mauro – Garotinho não está mentindo (segundo a assessoria do TSE, sim, está), ele defende a tese dos advogados que o assessoram de que Arnaldo está inelegível, tanto que Arnaldo não pôde assumir como suplente de deputado. E não sei qual é a interpretação da assessoria do Tribunal para este fato.

Folha – Ainda que Arnaldo seja declarado inelegível, tendência que o presidente do TRE, Luiz Zveiter, já adiantou para todos os incluídos na lista enviada pelo TCE por contas rejeitadas, essa insistência em tirar o ex-prefeito do páreo não pode parecer, sobretudo ao eleitor mais esclarecido, medo de enfrentá-lo nas urnas?

Mauro – Arnaldo concorreu sem registro em 2008 e os seus votos não foram contados. Em 2010 foi a mesma coisa. Como você bem disse sobre o presidente do TRE, é bom deixar claro que quem está insistindo que Arnaldo permaneça inelegível não somos nós, mas a Justiça, pelos erros cometidos por ele.

Folha – E quanto aos problemas jurídicos da prefeita Rosinha Garotinho (PR), que tem os recursos a duas condenações de inelegibilidade aguardando julgamento, numa Ação de Impugnação de Mandato Eleitoral (Aime), no TSE, e numa Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), no TRE?

Mauro – A Rosinha deu apenas uma entrevista de rádio em 2008 quando nem era ainda candidata e foi punida por isso de forma desmedida. A Dilma estava em campanha para presidente quando Lula pediu voto para ela em um palanque oficial e os dois pagaram só multas.  Rosinha reverteu (com base em liminares, mas ainda esperando julgamento) em instâncias superiores decisões desfavoráveis a respeito dessas sanções.

Folha – Em relação à Aije, não houve por parte do jurídico da prefeita outra repetição da máxima de Goebbels, quando o advogado Jonas Lopes de Carvalho Neto afirmou, no blog do procurador municipal Francisco de Assis Pessanha Filho que “a Aije, o TSE já anulou e mandou descer ao TRE”? Por que omitir a verdade: que a defesa de Rosinha alegou supressão de instância no TSE, trazendo a Aije de volta à 100ª Zona Eleitoral de Campos, onde no lugar de “anulada”, ela gerou outra condenação, cujo recurso aguarda julgamento no mesmo TRE que já havia condenado a prefeita?

Mauro – A prefeita Rosinha está elegível e não há nenhum impedimento para que ela concorra à reeleição. Ela está quite com a Justiça Eleitoral, com certidões favoráveis do TRE-RJ, seu nome não consta da lista de ficha suja do Tribunal de Contas do Estado, e nem tem pendências no Tribunal de Contas da União.

Folha – Até que ponto essa incerteza jurídica pode ter motivado o anúncio da desistência de Rosinha? Até onde você sabe, ela será ou não candidata?

Mauro – Para Rosinha, não há qualquer incerteza jurídica (haverá enquanto não forem julgados seus recursos no TRE e no TSE), não há nada que a impeça de ser candidata e ela nunca afirmou que não disputaria a reeleição. Campos precisa de todos nós e principalmente dela, por isso tenho a convicção, falo por mim, de que ela será candidata. É bom lembrar que o governo tem mais de 80% de aprovação (na verdade, segundo a última pesquisa, do Precisão, divulgada em 30 de novembro, tem um pouco menos: 79%) pelo trabalho que a Rosinha tem realizado.

Folha – A partir do anúncio da desistência de Rosinha, vários nomes do grupo foram cogitados para assumir a candidatura majoritária. Entre eles, surgiram com mais força o de Geraldo Pudim (PR), o de Chicão de Oliveira (PP) e o seu. Quem reuniria maiores condições para encabeçar esse plano B? Estaria preparado para assumi-lo?

Mauro – É compreensível que em um momento desses haja várias especulações. A vida é feita de desafios e acho que todos os citados teriam condições de cumprir essa missão, mas isso não vem ao caso agora. Para o nosso grupo não existe plano B. Rosinha vai ser a nossa candidata.

Folha – Como, ao que tudo indica, Rosinha tem reconsiderado a desistência, por que anunciá-la para depois voltar atrás? Falando em termos de estratégia eleitoral e midiática, não foi um erro evitável?

Mauro – Rosinha nunca anunciou que não seria candidata à reeleição. O que houve foi uma especulação, uma conversa em família que se tornou pública. Rosinha além de prefeita é mãe, dona de casa, e desenvolve um trabalho com as crianças de sua igreja. É natural que, em algum momento, possa ter ficado dividida, mas não em dúvida.

Folha – Durante todos esses quase quatro anos de governo, foi nítido o trabalho da Comunicação capitaneada por você, no sentido de blindar a prefeita do debate administrativo e político que envolvesse qualquer polêmica. Por que agir diferente nesse anúncio agora  de abandonar a sucessão?

Mauro – A Comunicação não blindou a prefeita dos debates políticos e administrativos, pelo contrário, sempre trabalhamos para facilitar o trabalho da imprensa, divulgar todas as ações de governo e garantir à população acesso à informação. Mostrar tudo que está sendo realizado pela Prefeitura.

Folha – A oposição sempre bate nos gastos do governo Rosinha com a Comunicação. Ao todo o governo deve aplicar R$ 45 milhões em quatro anos. Foi muito ou está dentro da normalidade? Por quê?

Mauro – Hoje, além das secretarias municipais, todas as ações de divulgação da Prefeitura são realizadas pela Comunicação, incluindo as fun-dações, as empresas e a administração indireta. O investimento da Comunicação, para dar publicidade a todos os atos de governo, campanhas educativas, não chega a um 1% do Orçamento anual. Pelas médias anuais investidas até a minha saída da secretaria a projeção é de que em quatro anos de governo sejam investidos R$ 45 milhões. Tudo é feito através de licitação e está dentro da legalidade. As empresas privadas, por exemplo, investem 5% de suas receitas em comunicação.

Este post tem 5 comentários

  1. Fala papagaio de pirata!!! Versão J. Costa um pouquinho mais encorpado.

  2. Caro “Chico Bernardes”, (IP: 186.219.8.10), comentarista das 10h31 de hoje,

    O e-mail por vc utilizado é inexistente, o que leva a acreditar que todo o resto da sua identificação também seja. Se quiser repetir seu comentário, bem como fazer quaisquer outros, sobre este ou qualquer outro post, necessário que use e-mail e nome verdadeiros. Liberdade, pelo menos nos blogs hospedados na Folha Online, tem que rimar com responsabilidade.

    Aluysio

  3. Põe “metamorfose” nisso!!! É impressionante como esse rapaz conseguiu uma alomorfia perfeita com o Deputado Garotinho! Até fisicamente está tão semelhante, que chego a duvidar se não assimilou até mesmo o DNA daquele! É impressionante o que o Poder pode fazer com as pessoas. Quem te viu, quem te vê!

  4. sera nossa candidata?

  5. Dizer que esse cidadao que nao passa de um (trecho excluído pela moderação) aonde ja esteve/esta como dono de radios e emissoras e um bom candidato e com varias coberturas por parte da imprensa (leia-se folha da manha), e brincadeira com nossa cidade !

    Esse cidadao e um nada, isso e ponto !

    Vai entrar na politica pra fazer o que o patrao determinar e mais nada….

    ATE QUANDO TEREMOS ESSA DOENCA EM NOSSO MUNICIPIO ? ISSO E UM CANCRO…

    ACORDA CAMPOS !

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