Opiniões

PT, PSB e PSDB de Campos avaliam queda na popularidade de Dilma

A queda de 7% da aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff (PT), de 43% para 36% nos últimos três meses, segundo pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada ontem (confira aqui), foi refletida também em Campos, pelas lideranças locais dos principais partidos que devem polarizar a disputa da presidência da República na eleição de outubro. Entre Robson Colla, vice-presidente municipal do PSDB do senador Aécio Neves (MG); o vereador Altamir Bárbara, presidente local do PSB do governador Eduardo Campos (PE) e da ex-senadora Marina Silva (AC); e mesmo no PT presidido em Campos pelo pré-candidato a deputado federal Makhoul Moussallem, a queda revela desacertos do governo federal. Makhoul, no entanto, ressalvou que os erros “se dão pelas falhas de alguns ministros, cuja culpa não deve necessariamente recair sobre a presidente Dilma”.

Realizada entre os dias 14 e 17 de março, a pesquisa não foi feita a tempo de refletir o escândalo da crise na Petrobras,  que tem uma CPI proposta no Senado para apurar as denúncias de corrupção relacionadas à compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Ainda assim, o número daqueles que consideram o governo Dilma “bom ou ótimo”, que em dezembro era de 43%, em outra pesquisa Ibope/CNI, e já havia caído para 39% em fevereiro, em levantamento do Ibope encomendado pelo jornal O Estado de São Paulo,  baixou para os atuais 36% de março. A exemplo das anteriores, a pesquisa mais recente ouviu 2.002 eleitores em 141 cidades, com margem de erro de dois pontos percentuais. As áreas relacionadas à economia do país sofreram as maiores quedas na popularidade foram combate ao desemprego, combate à inflação, taxa de juros e impostos.

Em Campos, o que pensam sobre a queda da popularidade de Dilma o PSB, o PSDB e o PT locais:

 

Queda de Dilma foi analisada por Altamir, Robson e Makhoul (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Queda de Dilma foi analisada por Altamir, Robson e Makhoul (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Altamir Bárbara (PSB) — Tenho 52 anos de vida pública. Comecei em 1962, dois anos antes da Revolução (Golpe Militar de 1964), e posso dizer que nunca vi um governo com tanta corrupção quanto este do PT. A queda de Dilma era uma coisa prevista, pois seu partido e seu governo estão até o pescoço num mar de lama. É o Mensalão, é a CPI na Petrobras, é a inflação galopante de volta, são as divisões que se multiplicam na base governista no Congresso. Até por acreditar no potencial eleitoral de Eduardo Campos e de Marina, o PSB já entregou seus cargos no governo federal. Outros partidos ainda os mantêm, mas até o PMDB do vice-presidente Michel Temer já perdeu o medo de votar contra Dilma na Câmara dos Deputados.

Robson Colla (PSDB) — Acho ainda muito cedo para cravarmos numa tendência de queda de Dilma. Temos que primeiro saber onde vão parar as divisões no Congresso, a CPI da Petrobras que ainda nem entrou nessa pesquisa, como serão as manifestações na Copa do Mundo. Lógico que essa sucessão de escândalos de corrupção, com a volta da inflação e o descontrole do déficit público acabam afetando o governo, mas muita água ainda vai passar embaixo da ponte até outubro. Se essa tendência de queda se confirmar ou se acentuar, muito provavelmente o PT colocará na rua seu plano B, com a volta de Lula, que sempre foi a vontade da grande maioria do partido. Mas com um ou com outro, acredito que haverá segundo turno.

Makhoul Moussallem (PT) — Acho que o governo tem falhas, algumas pontuais, algumas estruturais, dentro do sistema de coalisão necessário a qualquer partido que chegue ao poder no Brasil. Alguns setores do governo não atendem à demanda da população e isso acaba se refletindo no governo como um todo. Não há como se negar que há falhas, mas elas muitas vezes se dão por parte de alguns ministros, cuja culpa não deve necessariamente recair sobre a presidente Dilma. Há que se reformular o que está errado no governo para que a popularidade da presidente não caia mais. Acho que o PT e o governo federal devem encarar essa pesquisa como um puxão de orelhas.

Este post tem 5 comentários

  1. 7% ainda é pouco! Tal queda foi constatada ANTES da divulgação do escândalo da Petrobrás! Foi só nesta quinta-feira que o Senado conseguiu 29 votos, o suficiente para que se instaure uma CPI sobre a absurdo rombo naquela que foi a maior empresa brasileira, a 10ª do mundo, e que agora está no 124º lugar, e com uma dívida de 100 bilhões de dólares!

    A Presidente já indicou um “boi de piranha” como “culpado”, mas tal artifício não foi o suficiente para convencer os políticos e à Nação sobre este escândalo de repercussão mundial. O resultado de tal desastre, jogou o Brasil novamente na ‘lista negra’ dos países com altos riscos na Economia!

    À medida que o povo brasileiro, embora pré-anestesiado com a Copa do Mundo, for tomando atenção à gravidade do problema, aí sim, ela despencará de vez!

    O povo já está tomando conhecimento inclusive sobre os super-faturamentos relacionados às construções dos bilionários estádios para a Copa. As alterações legais impostas pela Presidente, mandando que as obras continuem, mesmo quando há denúncias de faturamentos suspeitos, é outro absurdo, e que trarão desdobramentos legais e políticos!

    Se todos no país tivessem o mínimo conhecimento político, tanto esta Presidente quanto o antecessor, já teriam sido cassados por “impeachment”!

    Prevejo uma queda muito acentuada nos próximos meses! Tivéssemos pré-candidato à Presidência com maior carisma e liderança, esta senhora já seria eliminada no primeiro turno, isso se não vier a ser cassada com todos os escândalos que agora se afloram.

  2. Sr. Altamir, o senhor não precisa ir em Brasília para ver tal corrupção.
    Se tomar conta do seu quintal, vai ver que ele também está com ervas daninhas.

  3. Sr. Makhoul Moussallem (PT) — Muita lealdade de sua parte.
    Mas como pode a culpa não cair sobre dona Dilma SE FOI ELA A CULPADA PELA COMPRA DA PASADENA????

  4. Muito sóbria a posição do Dr. Makhoul. Se os aloprados do seu PT tivessem a mesma capacidade de autocrítica, o partido, o governo, a Petrobrás e o país talvez não estivessem tão atolados na mesma lama, como o povo de Campos, diante de qualquer chuva mais forte. Aliás, na corrupção, na arrogância, na promiscuidade entre público e privado, no assistencialismo eleitoreiro a transformar gente em gado, o PT de Lula e Dilma e o PR de Garotinho e Rosinha têm muito mais semelhanças do que diferenças. Que o PT de Campos sirva de exemplo ao resto do Brasil.

  5. PASSADENA OU PASSADILMA?

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