Opiniões

Ponto final — Qual o tamanho de Garotinho?

Ponto final

 

Anthony Garotinho (PR) é o político mais importante da história de Campos desde o ex-presidente Nilo Peçanha (1867/1924). Em nível paroquial, todos aqueles que lhe fizeram ou fazem oposição, só serão lembrados daqui a uns 100 anos, se o forem, porque um dia ficaram contra Garotinho, porque orbitaram de alguma maneira em torno da sua gravidade social e histórica mais densa. Tomado por assertiva o título desta coluna: ponto final.

Postas as coisas em suas devidas dimensões, qual será aquela que Garotinho hoje possui, após ser derrotado ainda no primeiro turno do pleito de ontem ao governo do Estado? E quando levado em consideração que o buraco é ainda mais embaixo, com a não reeleição de Geraldo Pudim (PR) como deputado estadual, seu fiel escudeiro, mas muito ruim de voto, enquanto seu filho Wladimir Garotinho (PR) conseguiu (aqui) dar ao jovem e promissor Bruno Dauaire (PR) uma cadeira na Assembleia Legislativa?

Como não há nada que não possa piorar, tampouco estava no script o fato de Clarissa Garotinho (PR), herdeira do talento político do pai, ter ficado mais de 100 mil votos atrás do polêmico Jair Bolsonaro (PP), na eleição fluminense para deputado federal. Ainda assim, os 335.061 votos da bela ajudaram a fazer mais cinco candidatos do PR à Câmara Federal, incluído Paulo Feijó, que provou ter uma relação com as urnas oposta à de Pudim e se cacifou dentro do grupo como opção viável a 2016.

Foi o próprio Feijó, na noite de ontem, saindo da famosa casa da Lapa herdada por Garotinho do pai, que disse (aqui) ser a tendência do grupo o apoio a Marcelo Crivella (PRB) no segundo turno com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Ao republicar em seu blog (aqui) uma matéria de O Dia (aqui) na véspera da eleição, dando conta de um pacto com Crivella de apoio mútuo no segundo turno, o próprio Garotinho passou a impressão de estar desde sábado à procura de uma saída para o fracasso eleitoral que sabia inevitável no domingo.

A impressão de que o tal pacto era muito mais necessidade de Garotinho, do que de Crivella, se revelou no ato de votação de ambos. Enquanto o primeiro entrou e saiu da sua seção no Ciep da Lapa, se negando a fazer o sinal da vitória diante dos fotógrafos (aqui), Crivella não fez nenhuma cerimônia para esnobar o concorrente direto por uma vaga no segundo turno contra Pezão. Ao votar no Clube Marimbás, em Copacabana, na Zona Sul carioca, o sobrinho de Edir Macedo foi impiedoso (aqui): “Garotinho é passado!”

De qualquer maneira, foi na reportagem de O Dia que Garotinho deu uma rara demonstração de fraqueza: “Eu não sei como vou começar a campanha se for para o segundo turno”. Como de fato não foi, mais do que seu apoio entre quem permanece na disputa a governador, a dimensão presente e futura de Garotinho será ditada por seus próximos passos na única coisa que lhe restou: a Prefeitura de Campos, com seus 2,5 bilhões de orçamento anual e problemas para resolver, governada de fato por ele, fazendo seu o direito da esposa.

Ontem, ao agradecer (aqui) por seus mais de 1,5 milhão de votos para governador, Garotinho publicou em seu blog ser “melhor perder uma eleição do que a vergonha”. Pudesse ser olhado hoje pelo jovem político que em 2002 também quase chegou a um segundo turno, mas de uma eleição presidencial na qual teve mais de 15 milhões de votos, com que tamanho aquele Garotinho veria esse de agora, 10 vezes menor? Entre uma eleição e a vergonha, até Nilo Peçanha teria cuidado para não perder mais nada.

 

Publicado hoje na Folha

 

Este post tem 17 comentários

  1. TRISTEZA SEM FIM, ESPERANÇA EM FIM.

  2. quero ve a alegria de vcs se crivella derrotar pezinho no segundo turno com apoio do garotinho ja a filha do garotinho deu um banho de votos no filhinho de cabral heim

  3. Pelo visto o Pezão tem mais uma para acertar no trazeiro…… vidal…. será o Jabor travestido?!!!

  4. Cadê os militantes dos inhos? Sumiram?hahahah

  5. Vou resumir antonio vidal: Votei em Crivella e se caso ele compactuar com o patrão, eu voto em pezão assim como muitos campistas farão… rs eeee Campos…

  6. Garotinho que envelhece e não cresce, vira anão!
    Portanto, essa é a sua dimensão.

  7. E para corroborar ainda mais a análise acima, podemos afirmar que a sua esposa e sub-prefeita rosinha também saiu perdendo mais ainda. Demonstrou que já não está com a bola eleitoral tão cheia assim e já não elege qualquer poste, porque seu candidato Pudim, apoiado pela família (ela, ele e a filha), não conseguiu ser eleito deputado e pior, teve uma votação pífia.
    Quanto ao esforço de toda a base de Poder daqui, 21 vereadores, muitos DA’s, Secretários e etc, não resultou em mais de 140.000 votos pro garoto, já que ela teve 168.000 votos em 2012. Ela foi culpada de levar seu marido-candidato a perder para o Crivella.
    Com um pouco mais de competência, já que desdobrou-se na campanha dele por vários municípios, talvez tivesse conseguido esses 40.000 votos derradeiros que enterrou de vez a pretensão de seu marido e grupo político para o governo do Estado em 2014.
    Podemos dizer que ela perdeu força política em sua base eleitoral, que já não tem mais a mesma força e a mesma aprovação de seu desgoverno em Campos.
    Seria o começo do fim ???

  8. Se ate Fernando colo se levantou das cinzas porque porque o garotinho mao levantaria.

  9. Tadinho “deles”…
    A “Pezada” agora vai ser triplicada!!!!!!!!!!!!!!!
    FORA GAROTINHO DERROTADO,NINGUÉM QUER SEU APOIO…VC DÁ AZAR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  10. Pequeno detalhe referente a bela frase “melhor perder uma eleição do que perder a vergonha” O gênio esqueceu de mencionar que em 1º de Janeiro, também perde a imunidade Parlamentar. Vai ficar exposto!!!

  11. Caro “Renan”, comentarista das 18h03 de 06/10/14, IP: 200.222.27.249,

    Seu e-mail é inexistente, o que leva a crer que vc tb seja. Se quiser repetir seu comentário, ou fazer qualquer outro, sobre este ou qualquer outro post, tenha a dignidade de fazê-lo com e-mail e nome verdadeiros. Liberdade, pelo menos nos blogs hospedados na Folha, tem rima necessária com responsabilidade.

    Grato pela chance de usá-lo publicamente como exemplo a não ser seguido,

    Aluysio

  12. Para ser um bom profissional tem que ter ” inteligência emocional”

  13. UM POLITICO QUE FOI “ESQUECIDO” FOI ROCKFELLER DE LIMA MUITOS NÃO SABEM O FEITO POR CAMPOS/RJ! VAMOS VOLTAR A HISTÓRIA DE CAMPOS/RJ?

  14. Mendes, comparar o Ex-Presidente Fernando Collor de Mello ao Garotinho, é até uma brincadeira de sua parte. Se você não sabe, os Ex-Presidente teve toda sua vida investigada em todos os níveis e nada ficou provado contra ele.
    Elegeu-se Senador pelo Estado de Alagoas pelo PRTB e agora, ele se reelegeu novamente pelo PTB. Investigue a vida do Senador Fernando Collor, e verás a injustiça que foi cometida contra esse homem pela classe política desse País. Já o rapaz da Lapa Campista, não se pode falar a mesma coisa, tá muito mal na fita a nível de judiciário e não conseguiu nen passar para o segundo turno das eleições devido ao seu descaso para com o POVO de Campos e do Estado do Rio de Janeiro.

    Alberto Coutinho
    Secretário Geral da Executiva municipal do PSDC de Campos e membro do diretório.

  15. Votei em Crivella no 1º turno, mas se ele receber o apoio de Garotinho, perderá meu voto e o de muita gente. É preciso entender que Garotinho tira voto.

  16. Se a prefeita Rosinha tivesse atendido as reivindicações dos funcionários municipais,hoje não teria esse choro.Afinal a quantidade de funcionários municipal,mais os seus familiares,Garotinho teria não somente ido para o segundo turno,como também teria mais prestígio para eleger candidatos ruim de voto como Pudim.Más ainda há tempo de aprender a valorizar o funcionário concursados,algo que eles não fazem.

  17. Ao Leitor Alberto Coutinho:

    Se eu fosse você. não ia com tanta “sede ao pote” ao defender com tanta veemência o Collor!
    Na revista “Veja” de maio deste ano, tem as fotos dos depósitos feitos pelo doleiro Youssef diretamente numa conta do Collor no Itaú. São vários depósitos, todos eles com o cuidado de quantia menor do que 10 mil reais, pra não chamar a atenção do Banco Central.

    Seja lá como for, comparando ou não, acredito que nem o Collor nem o ‘menininho da Lapa’, são dignos de credibilidade ou confiança, na verdade, são parecidos e nada recomendáveis.

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