Opiniões

Diário Oficial desaparecido com decreto da auditoria de Rosinha só no Justiça Brasil

lupa

 

 

 

Bússola para quem busca jornalismo sério em Campos, o Ricardo André Vasconcelos localizou aqui, desde ontem, o registro do decreto nº 002/2013,  de 1º de janeiro de 2013, no qual a atual prefeita Rosinha Garotinho então determinou que “os procedimentos contábeis e financeiros, dos últimos quatro anos, incluindo as aplicações e rendimentos delas decorrentes, deverão ser auditados pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes”.

É o mesmo decreto que misteriosamente desapareceu do Portal da Prefeitura de Campos, junto com todo um ano de publicações do Diário Oficial do município, entre 18 de outubro de 2012 e 23 de outubro de 2013, conforme noticiado em primeira mão aqui, na matéria da jornalista Ulli Marques, do Terceira Via. E é a mesma auditoria cuja revelação do relatório, a partir das cópias entregues ao vereador Marcão (PT), tem finalmente trazido a furo tantas “tenebrosas transações”, como cantou Chico Buarque de Hollanda, feita nas aplicações do governo Rosinha com o dinheiro dos contribuintes e dos servidores do município de Campos Goytacazes.

Pena que, para finalmente chegar ao tal decreto da prefeita, Ricardo André foi obrigado a tê-lo buscado aqui, no site JusBrasil. Confira abaixo, enfim, a determinação de Rosinha para auditar o seu próprio primeiro governo. Para saber parte do que nele foi encontrado, enquanto não têm início as investigações da Polícia Federal e dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, a partir da notícia crime e das denúncias respectivamente formalizadas por Marcão, se atualize aquiaquiaquiaqui, aquiaquiaquiaquiaqui, aqui e aqui.

 

Decreto audotoria

 

 

 

Acic repudia exoneração do coronel Ramiro do comando do 8º BPM

Por e-mail, a Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic) enviou uma nota de repúdio pela exoneração do coronel Ramiro de Oliveira Campos do 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM), enviada ao comandante da PM no Estado, que o blog republica abaixo. Mais informações sobre o caso foram dadas aquiaqui e aqui, respectivamente, pelos jornalistas Esdras Pereira, Alexandre Bastos e Suzy Monteiro.

 

Acic

 

 

Auditoria de Rosinha aponta seus prejuízos ao Previcampos

Info auditoria 1
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, reproduzindo tabela da auditoria determinada por Rosinha sobre seu primeiro governo, cujo relatório é assinado e rubricado página a página pelo ex-presidente do Previcampos Benilson Paravidino, além de outros seis auditores

 

 

José Paes Neto
Advogado e diretor do Observatório Social de Campos, José Paes Neto lamentou que os recursos do Previcampos tenham sido aplicados “irresponsavelmente” pelo governo Rosinha, impondo prejuízos ao dinheiro do servidor revelados na auditoria determinada pela própria prefeita (foto: Folha da Manhã)

Segundo a auditoria interna determinada pela prefeita Rosinha Garotinho (PR) em 2013, sobre o seu próprio governo, no período de 2009 a 2012, do pouco mais de um bilhão de reais (ou exatos R$ 1.004.253.007,49) dos recursos públicos de Campos “contabilizados nas contas correntes bancárias”, a grande maioria do dinheiro pertencia aos mais de 17 mil servidores do município, que tiveram prejuízos com as aplicações da Prefeitura. Do saldo auditado das aplicações financeiras do governo Rosinha no período, 85,3% do dinheiro em conta era do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Campos dos Goytacazes (Previcampos), mais precisamente R$ 853.450.226,28 (como evidencia o infográfico acima). “Mas deveria ser mais”, frisou o advogado e diretor geral do Observatório Social de Campos, José Paes Neto, “já que o relatório da auditoria do próprio governo apontou prejuízo nas aplicações financeiras”.

Na sexta-feira, no seu “Ponto de Vista” (aqui), e em matéria reproduzida (aqui) na edição impressa da Folha de sábado, o blogueiro Christiano Abreu Barbosa já havia adiantado que “grande parte dessas aplicações ‘alternativas’ era com dinheiro da Previcampos, a previdência dos servidores da Prefeitura”. O adjetivo “alternativo”, segundo informou Christiano, se deve ao fato de que “a auditoria mostra que em 31/12/2012, cerca de 58% de todas as aplicações financeiras da Prefeitura de Campos estavam no Banco do Brasil e na Caixa Econômica. Os outros 42% estavam aplicados em instituições privadas, o que por si só já é contra a recomendação e, conforme inúmeros julgados nos tribunais do país, configuraria ato de improbidade administrativa”.

Por sua vez, José Paes destacou alguns trechos do próprio relatório da auditoria determinada por Rosinha, tendo como alvo o governo Rosinha, para destacar que as aplicações não foram as mais seguras, e que talvez por isso mesmo tenham gerado prejuízo aos fundos dos servidores:

— As aplicações ‘alternativas’ com o dinheiro do Previcampos foram justamente que mais geraram prejuízo. Em duas tabelas apresentando as aplicações financeiras em fundos de investimento (reproduzidas abaixo), a auditoria conclui que “em se tratando de prejuízo, podemos citar o Banco Mercatto, que teve uma perda de 133%, ou seja, 33% a mais que os Rendimentos, somando em Prejuízo de R$ 148.731,44”.

O diretor do Observatório continuou citando os auditores escolhidos por Rosinha para investigarem seu governo, para dimensionar o tamanho do prejuízo imposto pelas aplicações no dinheiro dos servidores de Campos feitas pela Prefeitura: “Ressaltamos ainda a aplicação do Banco Santander que teve um percentual de perda de 160,86%, mais de 60% superior aos Rendimentos, trazendo um prejuízo de R$ 988.008,54 para a instituição”.

José Paes seguiu o roteiro do prejuízo a Previcampos, imposto pela má aplicação de seus fundos pelo governo Rosinha, traçado pela própria auditoria interna, que relata: “se referindo ao Deutsche Bank (Cruzeiro do Sul), em entrevista com os agenciadores dos títulos, com a presença dos representantes legais da instituição auditada, realizada na sede da própria PREVICAMPOS, no dia 20/06/2013, foi constatado que existe riscos do não recebimento de todo o saldo em poder do liquidante da instituição responsável”.

Advogado que derrubou a contratação temporária de mais de mil servidores pelo Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), às vésperas da eleição municipal de 2012, pelo governo Rosinha, que mesmo assim seria reeleito, José Paes continuou citando a auditoria que pode ter somado ainda mais prejuízos aos recursos do Previcampos: “Os valores a serem liquidados pelo Deutsche Bank (Cruzeiro do Sul) se referem a três fundos de investimento com os seguintes saldos: FIDC BC360 SEM saldo a receber de R$ 3.262.502,43, FIDC BCSUL CREDITO CONSIGNADO II  saldo a receber de R$ 17.580.811,73 e ainda FIDC ABERTO CPPP 540 RPPS – SENIOR com saldo a receber de R$ 23.400.805,90, somando ainda um montante de R$ 44.244.120,06”.

Com base no que destacou na auditoria, o advogado finalizou: “São dois prejuízos concretos e a possibilidade de outro, em aplicações irresponsáveis com o dinheiro do servidor de Campos, impondo-lhe perdas. Lamento que o dinheiro do Previcampos tenha sido gerido dessa forma, mas que de certa maneira revela como este governo trata seu servidor”.

 

Info auditoria 2
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, reproduzindo tabela da auditoria determinada por Rosinha sobre seu primeiro governo, cujo relatório é assinado e rubricado página a página pelo ex-presidente do Previcampos Benilson Paravidino, além de outros seis auditores

 

 

Info auditoria 3
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, reproduzindo tabela da auditoria determinada por Rosinha sobre seu primeiro governo, cujo relatório é assinado e rubricado página a página pelo ex-presidente do Previcampos Benilson Paravidino, além de outros seis auditores

 

Publicado hoje na Folha

 

Saiba mais sobre o caso: Empresa do Mensalão comprou sem licitação e superfaturado para Rosinha

 

 

Em Campos, o que deveria ser exceção, virou a regra de uma cidade com dono

Ponto final

 

 

Campos tem dono? (I)

Um governo municipal que entrega mais de R$ 218 milhões do dinheiro público para uma empresa sabidamente ligada à medula ao “Mensalão” e com cabeludos pareceres de inidoneidade proferidos pelos Tribunais de Contas dos Estados do Rio de Janeiro e Pernambuco, mas assim mesmo usada para a compra superfaturada de títulos públicos federais, gerando um prejuízo de R$ 4,7 milhões ao contribuinte (aqui)? E se for o mesmo governo municipal que mandou auditar esta e outras “tenebrosas transações” dentro da sua própria administração, mas nada faz para identificar ou punir os culpados, mesmo mais de um ano depois de saber de tudo?

 

Campos tem dono? (II)

Improbidade administrativa em qualquer estado democrático de direito do mundo que seja regido por um mínimo de honestidade, lógica, ou conte com alguma instituição capaz de cumprir seu papel constitucional de investigar, em Campos o que deveria ser exceção se assemelha cada dia que passa à regra de uma cidade com dono. Parece ser o mesmo que, depois de tudo isso, ainda desperdiçou mais dinheiro público para propagar fartamente em televisão e rádio que você, cidadão campista, se não pagar o IPTU, ISS ou qualquer outro tributo municipal, terá seu nome incluído como devedor no Serasa.

 

Publicado hoje na Folha

 

Desaparece Diário Oficial no qual Rosinha mandou fazer auditoria em seu governo

sumiu

 

No início desta madrugada, o jornal virtual Terceira Via publicou aqui uma matéria interessante, dando conta do misterioso desaparecimento dos Diários Oficiais de Campos, no Portal Oficial da Prefeitura, no período de 18 de outubro de 2012 a 22 de outubro de 2013. A reportagem lembra que, neste exato período, “por coincidência ou não”, está o edital de convocação dos contratados do Processo Seletivo de Educação, de 3 de setembro de 2013.

Pois, coincidência ou não, é também o mesmo período em que a prefeita Rosinha Garotinho (PR) mandou publicar no Diário Oficial seu decreto nº 002/2013,  em 2 de janeiro de 2013, no qual instituiu naquele mesmo dia a hoje polêmica auditoria para “apurar a irregularidade das operações financeiras e contábeis procedidas pelos órgãos de Administração Direta e Indireta da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, nos exercícios de 2009 a 2012” — elegendo como alvo da investigação todo seu próprio primeiro governo. Para saber parte dos seus resultados, basta acessar aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

Com a devida licença, confira abaixo a matéria do Terceira Via:

 

Terceira Via

 

Os Diários Oficiais do município no período de um ano – entre 18 de outubro de 2012 e 22 de outubro de 2013 – desapareceram do Portal Oficial da Prefeitura de Campos há pelo menos nove meses. Procurada pela reportagem do jornal Terceira Via na última quinta-feira (27), a Secretaria de Comunicação Social (Secom) informou que, até a próxima terça-feira (2) as edições online estarão disponíveis para acesso. Por coincidência ou não, no Diário Oficial do dia 3 de setembro, que está entre os desaparecidos, consta o edital de convocação dos contratados do Processo Seletivo da Educação.

Segundo a nota encaminhada pela Secom, o sumiço das edições online do Diário Oficial aconteceu após a “migração do banco de dados (todas as informações contidas no portal) de 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014 para um novo servidor, em março deste ano”. A Secom explicou que “nesta migração, ocorreram problemas que afetaram alguns arquivos, como bancos de imagens, notícias etc; mas tais problemas, assim que constatados, são solucionados, com as informações perdidas sendo adequadamente repostas”, informa o texto.

A Secom disse ainda que “pode oferecer os arquivos em mídias para pessoas que estejam necessitando emergencialmente”. A secretaria acrescentou que “todas que as edições já publicadas estão disponíveis ao público na Biblioteca Municipal”.

 

Na inexistência física das crases, o que era ruim, pode ter ficado pior na Prefeitura

Eu penso que

 

TEM MAIS CULPADO NESSA HISTÓRIA

Por Ricardo André Vasconcelos, em 27-11-2014 – 21h33

 

dinheiro-voando (1)

 

A despeito da “inexistência física das crases”, a nota oficial divulgada pela Prefeitura de Campos na última terça-feira sobre o chamado “rombo” nas contas públicas, joga luz num descontrole contábil que parece vir de bem mais longe. O texto raso da nota joga a culpa nos governos anteriores (Arnaldo, Campista e Mocaiber), mas não explica que, quando assumiu o governo em janeiro de 2009, a equipe da secretaria de Fazenda da prefeita Rosinha já teria encontrado cerca de R$ 56 milhões numa conta do extinto BANERJ sem “evidência de existência física desses valores nos cofres do governo municipal”. É o que consta no relatório e uma auditoria determinada por decreto da própria prefeita e que agora é objeto de investigação policial.

De acordo com o relatório, em março de 2009 (e portanto, por sua equipe), “vários lançamentos foram realizados no Siafem-2008 que ainda não havia sido encerrados. Os valores contabilizados, no total de R$ 64.404.511,63, referentes à diferenças apuradas pela comparação dos saldos dos extratos bancários com saldos do balancete contábil de dezembro de 2008, elevaram o saldo da conta “Bancos em Análise” para R$ 120.448.877,45.

Ou seja, o que era ruim, pode ter ficado pior!

 

 

Empresa do Mensalão comprou sem licitação e superfaturado para Rosinha

dinheiro-voando

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Ricardo André Vasconcelos e Arnaldo Neto

 

Enquanto se discute quanto do rombo de quase R$110 milhões auditado pelo governo Rosinha Garotinho (PR), em 2013, foi gerado em sua primeira administração municipal, entre 2009 a 2012, e quanto dele seria herança de governos anteriores ou teria sido neles enxertado, o que não deixou dúvida em nenhum dos sete auditores da Prefeitura foi que recursos públicos de Campos foram fartamente usados, em plena gestão Rosinha, na compra superfaturada de títulos públicos federais, dispensando licitação, em descumprimento da lei nº 8666/93, com a utilização empresas notoriamente inidôneas, que provocaram prejuízos milionários aos cofres do município.

Uma das empresas utilizadas por essas operações financeiras ilegais do primeiro governo Rosinha, a Quantia DTVM, não só já havia sido declarada inidônea pelos Tribunais de Contas do Estado (TCEs) do Rio de Janeiro e Pernambuco, como sabidamente estava envolvida à medula no escândalo da CPI dos Correios, que teve como desfecho o “Mensalão”. Ainda assim, o governo Rosinha buscou a Quantia DTVM para lhe confiar R$ 218.746.027,52 de dinheiro público na compra de títulos, que depois seriam resgatados por R$ 213.948.043,46, para vendê-los.

O resultado para os cofres do município dessas “tenebrosas transações”, como cantou Chico Buarque de Hollanda? Nas palavras sem poesia da auditoria do governo Rosinha: “As operações de compra e venda de títulos através da empresa Quantia DTVM, resultaram em prejuízos decorrentes das operações de compra e venda de títulos públicos — O PREÇO DA VENDA NÃO ATINGIU O PREÇO DA COMPRA. Essas transações resultaram em perda de capital no valor de R$ 4.797.984,06”.

Por motivos parecidos, uma outra auditoria, feita pelo TCE de Pernambuco, já havia prevenido sobre aquilo que foi aparentemente ignorado em Campos, mas que os auditores de Rosinha só lembraram depois do cadeado arrombado: “O Ministério Público fez uma pequena pesquisa, trazendo à tona várias irregularidades envolvendo operações com a Quantia DTVM. Ao que tudo indica, esta empresa fazia parte de um esquema fraudulento que lesou várias instituições públicas em todo o País, sendo alvo principal os fundos de pensões. As operações envolviam a venda de títulos públicos superfaturados para fundos de previdência e algumas delas foram realizadas com a conivência dos Gestores dos Regimes de Previdência, que participaram do esquema fraudulento”.

Enquanto a Polícia Federal e os Ministérios Públicos Estadual e Federal não investigam o caso, é impossível saber se a Quantia DTVM contou em Campos com a mesma “conivência” de algum gestor público, mas o fato é que a auditoria de Rosinha comprovou o superfaturamento das compras de títulos, às custas do dinheiro campista, feitas pela empresa envolvida no “Mensalão”. Nas seis compras listadas pelos auditores da Prefeitura, feitas durante a gestão Rosinha, houve superfaturamento em todas.

Em 10 de novembro de 2009, enquanto o valor de mercado de cada título era de R$ 900,82, o governo municipal pagou R$ 932,70 por unidade, comprando 10 mil deles e gerando um prejuízo de R$ 318.872,67. No dia seguinte, enquanto cada título valia no mercado R$ 900,87, a Prefeitura pagou R$ 933,13 para comprar outros 30 mil, jogando fora mais R$ 27.026.100,00 do dinheiro público. A compra de títulos com preços superfaturados, por intermédio da Quantia DTVM, se repetiu nos dias 16, 18 e 19 de novembro de 2009, além de 10 de abril de 2010, gerando mais R$ 3.327.872,19 de prejuízo ao contribuinte de Campos. Tudo isso durante o governo Rosinha, segundo auditoria feita pelo governo Rosinha.

 

Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, com base nos dados da auditoria determinada pela prefeita Rosinha sobre seu próprio governo
Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, com base nos dados da auditoria determinada pela prefeita Rosinha sobre seu próprio governo

 

Paulo HiranoHirano diz que “rombo” é herança

“Quando você faz uma auditoria vai ter algo que veio de herança do governo anterior”. A justificativa é do líder do governo Rosinha Garotinho (PR) na Câmara, vereador Paulo Hirano (PR), que defendeu a nota divulgada pela Prefeitura de Campos, afirmando que do rombo financeiro de quase R$ 110 milhões apontados numa auditoria interna, R$ 100 milhões seriam referentes a pendências de conciliações bancárias de gestões anteriores. Segundo o vereador do PR, no próprio documento apresentado pelo vereador Marcão Gomes (PT) já estaria indicado que essas dívidas seriam dos governos de 1998 a 2008. Paulo Hirano foi o convidado de quinta-feira (27) do Folha no Ar Entrevista, transmitido simultaneamente pela Plana TV e Rádio Continental, ambos do Grupo Folha.

Para o líder do governo na Câmara, o fato das contas da prefeita no exercício de 2009 a 2013 terem sido aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), comprovariam que não há irregularidades no governo. “Quem determinou a abertura da auditoria foi a própria prefeita. O Tribunal de Contas já tinha identificado isso (pendências de conciliações bancárias de gestões anteriores). Os mesmos valores já tinham sido apurados no TCE”, afirmou o vereador.

Mas a conta ainda não fecha. Se da auditoria na primeira gestão da prefeita Rosinha havia pendência de quase R$ 110 milhões e R$ 100 milhões seriam de gestões anteriores, qual teria sido o destino do restante do dinheiro? Segundo Paulo Hirano, a determinação foi de abertura de tomada de contas e o parecer final será dado pelo TCE. “O que foi feito foi a abertura de tomada de contas para apuração das responsabilidades e defesas. A tomada foi feita e encaminhada ao TCE. Depois vem o parecer final do Tribunal”, disse o vereador, afirmando que todas as recomendações da auditoria teriam sido seguidas pela administração pública.

Paulo Hirano comentou ainda sobre o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA), que ainda não foi debatida na Câmara. O projeto já esteve com os vereadores, mas voltou para o Executivo realizar alterações. O vereador governista alegou redução na arrecadação dos royalties entre os fatores para repensar o orçamento para 2015.

 

Marcão7R$ 64 milhões jogados para trás

Parte do “rombo” de R$ 109 milhões que resultou da auditoria cujo relatório foi encaminhado pelo vereador Marcão Gomes (PT) à Polícia Federal e Ministérios Públicos Federal e Estadual, foi herdada das administrações que antecederam a administração da prefeita Rosinha Garotinho. O relatório aponta que em 2006, quando foi criado o Sistema Integrado de Administração Financeira de Estados e Municípios (Siafem), havia um saldo em 11 bancos no total de R$ 56.044.365,82 sem “evidência de existência física desses valores nos cofres do Tesouro Municipal”.

Em 2009, a equipe da Secretaria de Fazenda que assumiu o governo com a prefeita Rosinha, lançou nesta contabilidade outros R$ 64.404.511,63, retroativamente ao ano anterior. Esse expediente, segundo conclusão da auditoria “fere um dos Princípios Fundamentais da Contabilidade, o Princípio da Oportunidade, bem como o Princípio da Prudência”. Esses valores são lançados numa conta que, no jargão contábil, é chamada de “bancos em análise”, onde são lançados extratos e movimentos bancários para apuração posterior.

Para o vereador Marcão Gomes, não há possibilidade de a atual administração fugir da sua responsabilidade quanto ao rombo descoberto pela auditoria determinada pela própria prefeita Rosinha Garotinho:

— São responsáveis sim, pelo rombo que existe e não há dúvidas que eles enxertaram R$ 64 milhões nessa conta que, quando assumiram em 2009, já tinha lá R$ 56 milhões e chegou a um total de R$ 120 milhões.

O vereador recebeu uma cópia do relatório em seu gabinete na Câmara Municipal e, depois de não conseguir discuti-lo no Plenário, porque a maioria da bancada governista se retirou para não dar quórum, entregou o documento à Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual. Nos próximos dias, ele vai entregar cópias ao procurador-geral de Justiça do Estado, Marfran Vieira e à Superintendência da Polícia Federal, ambas no Rio de Janeiro.

 

TJ SP

 

Em SP, improbidade administrativa

Se vale a jurisprudência de caso similar às compras de títulos públicos superfaturadas e sem licitação feitas pela Quantia DTVM, em nome do governo Rosinha Garotinho, pode ser relevante o ocorrido no município de Igaraçu do Tietê e julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em julho de 2013. Na condenação, diz a ementa assinada pelo desembargador Edson Ferreira, relator do caso:

— IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. Fundo de Aposentadoria e Pensões dos Funcionários Públicos de Igaraçu do Tietê. Aplicação de recursos da previdência pública municipal na aquisição de títulos da dívida pública da União (NTN-B). (…) Contratação de instituição financeira para aplicar recursos públicos previdenciários sem licitação. Legitimidade passiva do Prefeito porque o Fundo estava subordinado à administração direta, de acordo com o artigo 93 da Lei Municipal 2647/2005, enquanto não estruturado o quadro próprio de servidores. Contratação de instituição financeira sem licitação. Alegação de que não havia necessidade de licitação com base na Resolução CMN 3244/04. Norma administrativa que não pode criar hipótese de dispensa de licitação. Sentido apenas de maior rigor para a contratação de instituição financeira. Entendimento dos Tribunais de Contas pela necessidade de licitação. Configurada hipótese de improbidade administrativa. Prejuízo da ordem de R$ 61.682,33, pela compra de títulos públicos federais com sobrepreço de 15,48%. Responsabilidade de Prefeito, da Presidente do Fundo e da Tesoureira (…)

 

Atualização às 2h02 de 29/11/14: Matéria republicada aqui, no blog “Eu penso que…”, e aqui, no jornal Terceira Via

 

 

A fragilidade dos homens errados nos momentos certos

Ponto final

 

 

É, no mínimo, estranho

Relação entre repórter e fonte se baseia na confiança, tanto quanto honrar a palavra é questão de caráter. Se o ex-prefeito Alexandre Mocaiber disse mesmo que não teria dito apenas duas frases, das seis apuradas por telefone na noite de quarta e publicadas na matéria da página 2, que deu a manchete de capa da Folha, o que qualquer pessoa medianamente inteligente poderia concluir é o mesmo que o ex-prefeito de fato disse, sem se desmentir no dia seguinte: “É, no mínimo, estranho”.

 

Parasitas

Mais estranho ainda dizer que não disse o que disse para um jornal, é fazê-lo falando a outro no qual até bem pouco tempo era publicamente pedida sua prisão como ladrão dos cofres públicos. Mas não se deve condenar Mocaiber. Quem conviveu com ele, sabe que tem bom coração. Se possui um defeito, é a fragilidade, que muitas vezes já o fez refém de canalhas de toda a espécie, inclusive os que levaram seu governo a ser considerado o pior da história de Campos, muitos deles agora esforçados em fazer o mesmo com Rosinha, desde que, como qualquer outro parasita, se fartem daquilo que destroem.

 

Publicado hoje na Folha

 

Nino Bellieny e Arnaldo Neto põem Itaperuna e SJB na pauta diária da Folha Online

Dois jornalistas. Dois dos mais importantes municípios da região na pauta. Dois novos blogs hospedados na Folha Online, sítio mais acessado do interior do Estado do Rio. Nino Bellieney é um velho conhecido da Folha,  bem como da Itaperuna que escolheu há muito tempo como sua cidade de adoção e a qual pretende retratar diariamente no“Blog do Nino Bellieny”. Já Arnaldo Neto é um reforço recente e promissor da redação da Folha, que no blog também batizado com seu nome, promete trazer as novidades diárias de São João da Barra, sempre mais quentes quando se tratam da política, disputada naquele município de maneira talvez ainda mais passional do que em seu polêmico vizinho Campos dos Goytacazes.

Antes de atravessar Campos, o Paraíba toma a água do Muriaé que corta Itaperuna, até finalmente desaguar no Atlântico, no Pontal de Atafona, em São João da Barra. Pode-se dizer, portanto, que os dois novos blogs navegam e confluem nas mesmas águas. Confira o que cada um dos dois novos blogueiros pretende apresentar a partir de amanhã, com link direto a todas as dezenas de milhares de leitores diários da Folha Online:

 

Nino Bellienny
Nino Bellienny

De 1982 a 1997, por exatos 15 anos, fui colaborador do jornal Folha da Manhã, na coluna Mistura Fina, publicando poemas e pequenas crônicas. Também tive a oportunidade de apresentar dezenas de eventos promovidos pela casa, como shows no Trianon, nas praias, nas feijoadas e nos coquetéis de meio de ano. Atuar neste espaço como blogueiro é voltar às raízes, onde também estagiei como revisor em 1981 e ao mesmo tempo ao futuro, afinal, a internet já é. A Folha da Manhã tem a maior e melhor rede online de blogs, com colaboradores qualificados e bem informados, cheios de credibilidade e apuro. Com este intuito, vou falar sobre Itaperuna e o resto do Noroeste, mas, também de tudo o que possa ser interessante, de qualquer lugar e época: política, esporte, sociedade, literatura, justiça, segurança, comportamento, poesia e algo mais. Conto com a ajuda do leitor. E agradeço ao diretor da Folha, Aluysio Abreu Cardoso Barbosa, a honra concedida ao convidar-me para fazer parte de uma seleção campeã.

 

 

Arnaldo Neto
Arnaldo Neto

“Jornalismo é sacerdócio, é vocação. Não se aprende: você tem vocação ou não tem”. No meio da caminhada acadêmica no curso de Jornalismo, momento em que veio a vontade de desistir, ouvi do professor Orávio de Campos Soares a citação que abre este texto, seguida de uma conclusão que lembro todos os dias ao chegar à redação. Foi motivador, mas ficará sempre em segredo. Dois anos mais tarde foi no mínimo instigante, após editar por um ano um jornal online de São João da Barra, começar na Folha da Manhã em uma editoria que eu não tinha experiência: Esporte, com o “agravante” de ser ano de Copa do Mundo.

Passou o inesquecível 7×1 e o diretor de redação Aluysio Abreu Barbosa me deu a oportunidade de ir para outra editoria, Política. Como a Alemanha encarou o Brasil no Mineirão, nossa equipe de jornalismo passou pela cobertura de uma eleição histórica, que dividiu o país. Desde então, com convite e o incentivo do Aluysio, começamos a amadurecer a ideia deste espaço.

A política sanjoanense, que vive em combustão, será um dos assuntos mais debatidos no meu blog. Não o único. A intenção é abrir a possibilidade de um debate saudável, como um bom bate-papo no fim de tarde no meu quintal de casa, onde o rio encontra o mar, lá no Pontal de Atafona.

 

 

Rombo na Prefeitura: quem governou Campos entre 2009 e 2012?

Coincidência? Após o vereador Marcão ter anunciado na terça que iria levar sua denúncia sobre o rombo no governo Rosinha também à Procuradoria Geral de Justiça, o titular desta, Marfan Vieira, veio a Campos na quarta-feira (26) visitar a prefeita, em foto usada como principal destaque do portal da PMCG. Quem levou Marfan para Rosinha foi o promotor Marcelo Lessa, da Tutela Coletiva (foto: Secom)
Coincidência? Após o vereador Marcão ter anunciado na terça que iria levar sua denúncia sobre o rombo no governo Rosinha também à Procuradoria Geral de Justiça, o titular desta, Marfan Vieira, veio a Campos na quarta-feira (26) visitar a prefeita, em foto usada como principal destaque do portal da PMCG. Quem levou Marfan para Rosinha foi o promotor Marcelo Lessa, da Tutela Coletiva (foto: Secom)

 

De quem é o rombo? Em nota oficial, emitida na terça-feira (25) só após o vereador Marcão (PT) denunciar sua existência na Polícia Federal (PF), o governo Rosinha Garotinho (PR) afirmou que R$ 100 milhões, do rombo de R$ 109.819.539,37 encontrado numa auditoria interna de 2013, seriam na verdade de responsabilidade dos governos anteriores Carlos Alberto Campista, Arnaldo Vianna e Alexandre Mocaiber. Porém, na introdução e na conclusão do relatório vazado da auditoria, feita a partir do decreto nº 002/2013 de 2 de janeiro de 2013, publicado em Diário Oficial, os sete auditores foram categóricos ao colocar como objetivo da investigação “apurar a regularidade das operações financeiras e contábeis procedidas pelos órgãos de Administração Direta e Indireta da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, nos exercícios de 2009 a 2012” — correspondentes ao primeiro governo de Rosinha.

Se alguma dúvida há, basta ler o primeiro parágrafo da conclusão dos auditores, mais atento às datas e informações, do que aos deslizes na gramática: “Como se depreende de tudo que foi exposto no presente Relatório e segundo o apurado pela auditoria, no período de 01 de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2012 a Prefeitura através das empresas D.T.V.M, ORLA, QUANTUM E ATRIUM, realizou operações de compra e venda de títulos públicos federais provocando prejuízos que requer (sic) apuração de equipe especializada e acesso a todos os documentos necessários a (sic) quantificação desses danos causados a (sic) Prefeitura”.

Ainda assim, a nota oficial da Prefeitura, mesmo sem dar satisfação sobre cerca de R$ 9 milhões do rombo auditado, afirmou “em respeito a (sic) verdade dos fatos” que “do saldo total de 109 milhões apontado pela Auditoria Financeira Interna deve-se ressaltar que R$ 100 milhões referem-se a pendências de conciliações bancárias de gestões anteriores ao ano de 2009”. Sem nenhuma menção às operações de compra e venda de títulos públicos federais danosas à Prefeitura, feitas pela Prefeitura, enquanto era Rosinha a prefeita (entre 01/01/09 e 31/12/12), a nota oficial relatou que “o Tribunal de Contas do Estado (TCE) confirmou dados referentes a (sic) inconsistência de conciliação bancárias anterior a 2009, e em face disso determinou aos ex-prefeitos Carlos Alberto Campista, Arnaldo Vianna e Alexandre Mocaiber que recolhessem os respectivos valores aos cofres públicos com recursos próprios”.

Enquanto Arnaldo e Campista não conseguiram ser localizados, nem retornaram às ligações feitas na quarta-feira (26) pela reportagem da Folha, Mocaiber contestou a versão apresentada na nota oficial de Rosinha:

— Desconheço completamente essa história de que o TCE mandou que eu devolvesse qualquer dinheiro a partir de uma auditoria feita por Rosinha. Aliás, como toda a população campista, eu também só fui saber da existência dessa auditoria depois que o vereador Marcão a denunciou. Meu governo foi o mais vasculhado na história de Campos e todas as acusações da Telhado de Vidro (operação da PF que prendeu e levou num avião negro vários integrantes do governo municipal) foram refutadas na Justiça. Pelo que ouço, o governo vive muitos problemas e eles podem piorar a partir de janeiro, quando acaba a imunidade parlamentar. Mas se o relatório da própria auditoria, feita por determinação de Rosinha, começa e termina falando que o período investigado foi de 2009 a 2012, como a prefeita pode querer agora jogar a responsabilidade sobre mim ou qualquer outro antecessor? É, no mínimo, estranho.

 

Publicado aqui, na Folha Online

 

Fechar Menu