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Fevereiro Negro — Poupança perde R$ 6,3 bilhões em seu pior desempenho na história

Os depósitos na caderneta em fevereiro somaram R$ 135,9 bilhões, enquanto as retiradas foram de R$ 142,2 bilhões (foto de Tiago Queiroz - O Estadão)
Os depósitos na caderneta em fevereiro somaram R$ 135,9 bilhões, enquanto as retiradas foram de R$ 142,2 bilhões (foto de Tiago Queiroz – O Estadão)

 

 

A caderneta de poupança teve o pior desempenho mensal da história em fevereiro. Os saques da contas poupança superaram em R$ 6,3 bilhões os depósitos no mês passado. O cenário indica que está sobrando menos dinheiro no fim do mês na conta dos brasileiros. Além disso, o atual ciclo de alta dos juros básicos e do dólar em disparada tornam outros investimentos mais atrativos e rentáveis que a poupança.

Os depósitos na caderneta em fevereiro somaram R$ 135,9 bilhões, enquanto as retiradas foram de R$ 142,2 bilhões. No primeiro bimestre do ano, a poupança já acumula um resgate líquido de R$ 11,8 bilhões.

De acordo com dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira, 5, o saldo de fevereiro estava bem pior. Até o dia 26, os saques somavam R$ 10,5 bilhões. O valor registrado até o penúltimo dia útil do mês era maior, inclusive, do que o ano inteiro de 2003, primeiro ano do governo do PT, quando os resgates líquidos da poupança somaram R$ 10,4 bilhões – o maior volume de retiradas em um ano dos últimos 20 anos.

Só no último dia de fevereiro entraram aplicações no valor de R$ 4,2 bilhões. O movimento de concentração no fechamento dos meses é comum por conta de economias dos salários dos poupadores que muitas vezes vão de forma automática para a aplicação.

Com o resultado de fevereiro, o saldo total da poupança ficou em R$ 658,1 bilhões, já incluindo os rendimentos do período, no valor de R$ 3,7 bilhões. O Banco Central começou a compilar os dados atuais em 1995. Até o dado conhecido hoje, o maior resgate líquido mensal da poupança havia sido em março de 2006, de R$ 3,8 bilhões, superado posteriormente pelo resultado de janeiro. No primeiro mês de 2015, as retiradas já foram superiores às aplicações em R$ 5,5 bilhões. Foi a primeira vez que isso ocorreu após nove meses consecutivos de depósitos superiores aos resgates.

Rumores — Em meados do mês passado, o Ministério da Fazenda divulgou nota à imprensa informando que não procediam as “informações que estariam circulando pela mídia social de que haveria risco de confisco da poupança ou de outras aplicações financeiras”. A nota da pasta dizia ainda que “tais informações são totalmente desprovidas de fundamento, não se conformando com a política econômica de transparência e a valorização do aumento da taxa de poupança de nossa sociedade, promovida pelo governo, através do Ministério da Fazenda”.

Remuneração — A forma de remuneração da aplicação mudou em maio de 2012. Pela nova regra, sempre que a taxa básica de juros, a Selic, for igual ou menor que 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). Atualmente, a taxa básica está em 12,75% ao ano. Quando o juro sobe a partir de 8,75% ao ano passa a valer a regra antiga de remuneração fixa de 0,5% ao mês mais a TR.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

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