Opiniões

Crítica de cinema — Longa cumpre seu papel de entretenimento

Bagdá Café

 

Qualquer gato vira-lata 2 (1)

 

Mateusinho 3QUALQUER GATO VIRA-LATA 2 — “Qualquer gato vira-lata tem a vida sexual mais sadia que a nossa”, espetáculo montado em 1988 e escrito pelo ator Juca de Oliveira, deu origem às duas versões do filme “Qualquer gato vira-lata”, lançados, respectivamente, em 2011 e 2015. Em cartaz nos cinemas de Campos, o segundo longa-metragem, dirigido por Roberto Santucci e Marcelo Antunez, traz, novamente, o triângulo amoroso entre Tati (Cléo Pires), Conrado (Malvino Salvador) e Marcelo (Dudu Azevedo), com novas tramas e desfecho esperado — que, apesar da obviedade do enredo, consegue entreter os espectadores com boas doses de humor.

Durante viagem a uma ilha do Caribe, ao preparar o pedido de casamento para Conrado e ver seus planos ruírem depois de o namorado dizer que precisa um tempo para pensar, Tati une-se à ex-esposa do homem para provocar ciúmes nele. A visita de Marcelo, seu ex-namorado, é oportuna para a ocasião. Enquanto Tati e Ângela ficam contra Conrado, ele e Marcelo brigam pela protagonista.

Em cena, com elenco formado, também, Rita Guedes, Mel Maia — cuja maturidade artística é notada no filme —, Álamo Facó, Letícia Novaes, Fábio Júnior e Stella Miranda, o embate entre homem e mulher, masculino e feminino, macho e fêmea prevalece, tanto nas conquistas quanto na necessidade de demonstrar força sobre o adversário. Em entrevista recente, o autor da peça, Juca de Oliveira, afirmou que “as mulheres deixaram de ser caça para se tornarem caçadoras”. Em “Qualquer gato vira-lata 2”, a frase do também ator torna-se ainda mais evidente.

A relação humana, tanto no primeiro quanto no segundo longa-metragem, é interpretada a partir do reino animal — visto que Conrado é professor e estuda o comportamento de jovens namorados com o de diferentes espécies. A forma como o homem compreende os vínculos animais e a dificuldade com que vivencia suas próprias relações levam o público ao riso, com humor ora dosado, ora exagerado.

Em certos momentos, como na festa da tequila, “Qualquer gato vira-lata 2” remete quem assiste à lembrança outros filmes brasileiros de comédia, como “Muita calma nessa hora”, cujos personagens se reúnem na praia, com bebidas para comemorar o aniversário de uma das personagens, e a sequência do casamento em “Se eu fosse você 2”. No entanto, apesar das cenas de festas, tal como ocorreu em “Entre abelhas”, há momentos de drama.

A chegada do pai de Tati ao resort onde a moça está hospedada modifica o roteiro brevemente. O homem, interpretado por Fábio Júnior, conversa com a filha sobre casamentos e vida. O aspecto dramático prevalece, principalmente, devido ao contexto em que se encaixam não apenas os personagens, mas também os atores. A encenação, durante a sequência, ultrapassa a barreira da ficção.

A emoção e as trocas entre pai e filha deixam transparecer a realidade. Enquanto dialoga com Tati/Cléo, o pai — personagem e ator — fala sobre a importância e a saudade que sentiu da moça. A pedido dela, canta uma canção e envolve, também, o público, que, brevemente, se esquece do lado cômico que precede a bela sequência.

As últimas cenas de “Qualquer gato vira-lata 2” deixam, no público, a expectativa de um terceiro filme da franquia. Aos diretores, produtores e atores, resta a sabedoria para não deixar que o possível novo longa-metragem perca o humor, que, até o momento, foi conseguido nos dois primeiros momentos, e cumpra o seu papel.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

 

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