Opiniões

Gil Vianna: Como não ser oposição a um governo que fez esse código tributário absurdo?

Gil Vianna (foto: Folha da Manhã)
Gil Vianna (foto: Folha da Manhã)

 

 

“Como não ser oposição a um governo que fez esse código tributário absurdo, para meter a mão no bolso dos mais humildes: os camelôs e os feirantes?”

“Quem vai estar no pleito, Deus sabe. Mas a cara é de mudança, a cara é da oposição”.

“Se for para vir de vice, se for para o bem do grupo, se for para ganhar a eleição, não tem problema algum”.

 

Estas foram algumas das colocações feitas por Gil Vianna, pré-candidato a prefeito pelo PSB e vereador que hoje prefere se identificar mais como da oposição, do que “independente”. A íntegra da entrevista você confere amanhã (25/03) na edição da Folha da Manhã.

 

 

 

 

Ponto Final — “Sou, mas quem não é?”

Ponto final

 

 

Ledo engano

Engana-se quem pensa estar definida a questão do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Do Planalto Central à planície goitacá, não é preciso ser grande observador para perceber que são duas as táticas de quem defende o governo federal. A mais óbvia é a simples negação da realidade, primeiro caso a ser estudado pelo pai da psicanálise, Sigmund Freud (1856/1939), a partir da sua filha Anna.

 

Da mente à alma

Diretor dos dois filmes “Tropa de elite”, que prepara agora uma série internacional sobre a operação Lava-Jato, José Padilha ressalvou (aqui) a negação como defesa psiquiátrica contra realidades externas que ameaçam o ego. Não há dolo. A segunda tática de defesa lulopetista, no entanto, além de dolosa, é mal intencionada. E quem a melhor definiu foi outro grande intérprete do bicho homem, menos pela mente, do que pela alma: o comediante Chico Anysio (1931/2012).

 

“Sou, mas quem não é?”

Copo de whisky sempre à mão, terno, gravata e os indefectíveis óculos Rayban aviador, o personagem Tavares imortalizou o bordão na TV brasileira dos anos 1970: “Sou, mas quem não é?” Assim, após um pronunciamento (aqui) agressivo na negação da realidade, visivelmente abatida e ecoada por uma claque que parecia “importada” do companheiro venezuelano Nicolás Maduro, a presidente Dilma teve a tensão aliviada no dia seguinte. Às 11h27 de ontem, pela revelação (aqui) de planilhas apreendidas pela Polícia Federal (PF) desde 22 de fevereiro, com doações em dinheiro a políticos de quase todos os partidos, incluindo o PT.

 

“Companheiros”

Coincidentemente, a revelação coube ao site UOL, parceiro da Folha de São Paulo, novos “companheiros” do lulopetismo na “mídia golpista”. Coincidentemente, aqueles mesmos para quem a manifestação nacional de 13 de março, maior na História do Brasil, colocou (aqui) 500 mil pessoas na av. Paulista, número que a estimativa oficial da PM contabilizou (aqui) em 1,4 milhão. Já nas planilhas da Odebrecht, sobraram números para quase todos e codinomes para alguns. Desde o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), o “Caranguejo”, ao ministro da Casa Civil apeada de Lula, Jaques Wagner (PT/BA), o “Passivo”.

 

Os Garotinho

Sem codinome que não o apelido do radialista José Carlos Araújo transformado em nome de família, os Garotinho estiveram presentes com quase todo o clã: a prefeita Rosinha (PR), seu secretário Anthony (PR) e a deputada federal Clarissa (PR). Também outros prefeitos da região, como Dr. Aluízio (PMDB), de Macaé, e Alcebíades Sabino (PSC), de Rio das Ostras. Isso sem contar a cúpula do PMDB fluminense, atual aliada de Dilma, como já foi de Cunha e Garotinho: o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani, o “Grego”; o ex-governador Sérgio Cabral, o “Proximus”; e o governador Luiz Fernando Pezão, sem alcunha além da própria.

 

O “Lindinho”

Todos, por óbvio, negaram qualquer irregularidade. Uns negaram (aqui) sequer os repasses, enquanto outros disseram (aqui) os ter recebido dentro da lei. Foi o caso dos Garotinho, para quem a Odebrecht construiu 6,5 mil casas populares em Campos, no valor total de R$ 930 milhões e cuja primeira fase teve o resultado anunciado meses antes (aqui) nesta mesma coluna. Mas, se nada falaram antes sobre a Odebrecht, pelo menos os Garotinho o fizeram agora. Atitude mais digna que a do senador petista Lindbergh Farias, “Lindinho” também da maior empreiteira do país, que se calou.

 

Moro vazado?

Mesmo à custa do “sangue” de companheiros como “Passivo” e “Lindinho”, as planilhas da Odebrecht vazadas pela “companheira” UOL foram comemoradas pelos companheiros da mídia, sem aspas, mas com verbas públicas, como o site Tijolaço, que deu (aqui) à matéria a manchete: “‘Listão da Odebrecht’ tem mais de 200 nomes de políticos. E nenhum deles é Lula”. O juiz federal Sérgio Moro, que parece ter sido atingido pelos vazamentos seletivos dos quais é acusado, após Eugênio Aragão ter assumido o ministério da Justiça, decretou ao caso o sigilo do cadeado após a porta arrombada.

 

“Hora de ir”

Enquanto isso, a imprensa séria do mundo ecoa quem ainda tenta sê-la no Brasil. Nesse final de semana, a revista britânica “Economist” trará (aqui) um editorial sobre a crise brasileira. Nele, a denúncia: “A indicação de Lula parece uma tentativa grosseira de impedir o curso da Justiça. Mesmo que isso não fosse sua intenção (de Dilma), esse seria o efeito. Foi o momento em que a presidente escolheu os limitados interesses da sua tribo política por cima do Estado de Direito”. Ilustrado pela foto de Dilma, trajando seu tailleur vermelho tão indefectível quanto os óculos Raiban do Tavares, o título do editorial é “Time to go” (“Hora de ir”).

 

Publicado hoje (24/03) na Folha da Manhã

 

Picciani: Minha ascendência é da Itália e Síria, não Grécia

Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual Jorge Picciani também comentou sobre seu nome nas planilhas de pagamento da Odebrecht, nas quais aparece com o codinome de “Grego”. Confira abaixo:

 

Jorge Picciani (divulgação)
Jorge Picciani (divulgação)

 

 

Nota de esclarecimento

Sobre a divulgação de planilhas apreendidas na casa de um executivo da Odebrecht referentes a supostas programações de doações da construtora para políticos diversos durante as campanhas de 2012 e 2014, o deputado Jorge Picciani esclarece que:

1 – Nas eleições municipais de 2012, ele não concorreu a nenhum cargo público.

2 – Na eleição de 2014, quando foi eleito deputado estadual, não constam doações da empreiteira ao candidato, nem de forma direta nem indireta, via partido.

3 – Picciani nunca foi chamado de grego. Até porque sua ascendência vem da Itália e da Síria — e não da Grécia.

 

Leia amanhã a cobertura completa do caso na Folha da Manhã

 

Garotinho na Lava Jato: “Quem não deve, não teme e prova a verdade”

Secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), acabou de usar seu blog para falar sobre o envolvimento do seu nome nas planilhas apreendidas na Odebrecht pela Operação Lava-Jato. Confira abaixo:

 

Lava-Jato

 

 

“Quero me antecipar e esclarecer os fatos, porque quem não deve, não teme, e prova a verdade. Antes que pessoas inescrupulosas possam fazer qualquer associação entre o meu nome e o esquema da Lava Jato, quero deixar claro que meu nome aparece numa doação oficial, com CNPJ da campanha, e conta registrada no Banco Itaú, informada à Justiça Eleitoral, relativa à campanha de 2010, quando concorri para deputado federal. Quero afirmar categoricamente que não há qualquer citação ao meu nome relativo ao Petrolão, como meus adversários podem tentar insinuar. Ressalto ainda que misturar doações oficiais, legalmente declaradas à Justiça Eleitoral, de acordo com a lei então vigente, que permitia às empresas fazerem doações de campanha, com propinas, confunde as pessoas.

Agora é importante: reparem na planilha apreendida pela Polícia Federal, que foi feita uma doação de R$ 800 mil para o Comitê Financeiro Único do PR – RJ. Portanto é bom esclarecer tudo, porque tenho as mãos limpas, para que daqui a pouco não venha alguém querer insinuar que recebi propina. Esta é a verdade dos fatos”.

 

Leia amanhã a cobertura completa do caso na Folha da Manhã

 

Porque rir é sempre melhor do que chorar em posição fetal

Por certo a tragédia da política brasileira eviscerada já em decomposição em operações como a Lava-Jato e a Zelotes, tem proporcionado uma competição até certo ponto desleal com os comediantes brasileiros. Estes, para competir, têm se desdobrado para tentar retratar o competidor, produzindo alguns resultados tão hilariantes quanto a realidade. É o caso da turma da Porta dos Fundos, produtora de vídeos de comédia na internet, em parceria com o site humorístico Kibe Loco.

Até porque rir é sempre melhor do que chorar e babar em posição fetal, embaixo da mesa, com o punho na boca, confira abaixo o prólogo e o vídeo — sem deixar de atentar, no final deste, à sátira enluvada na mão de quem assina como ministro dos Esportes:

 

“Em qualquer lugar do mundo é assim: quando um ministro é foco de investigações, o presidente trata de afastá-lo para que ele não contamine o Governo. No Brasil, é o contrário. E isso mostra que a disputa que vivemos não é só pelo poder substantivo, mas também pelo poder verbo. Aqui pode tudo”.

 

 

Presidente da OAB-Campos a favor do impeachment de Dilma

O presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre, é favorável à abertura do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Embora respeite a posição contrária do presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, que foi candidato a vereador pelo PT (e perdeu) em 2004, Humberto não apenas concorda com decisão de apoiar o impeachment de Dilma, tomada por 26 votos a 2 pela OAB nacional, como cobra que esta endosse formalmente o pedido já em apreciação na Câmara Federal, ou também faça um por conta própria. Ao questionar a criação de “heróis nacionais”, o presidente da OAB Campos criticou arbitrariedades que estariam sendo cometidas pelo juiz federal Sérgio Moro, na condução da operação Lava-Jato.

 

 

Presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre (foto de Tércio Teixeira - Folha da Manhã)
Presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

 

Folha da Manhã – Com a OAB-RJ se posicionando em defesa do governo Dilma e a OAB-Brasil a favor do impeachment da presidente, como a OAB-Campos se posiciona e julga essa aparente oposição de posições? 

Humberto Nobre – Falando apenas por mim, é difícil reconhecer que, mesmo diante de momento tão difícil, com a ética sendo discutida no esgoto das instituições que antes eram alicerces da democracia, se tenha posições antagônicas sobre o impeachment. Mas é forçoso também reconhecer que não necessitamos todos comungar das mesmas idéias. Enquanto homens e mulheres da Ordem, somos todos obrigatoriamente defensores da Constituição e do estado democrático de direito. O presidente da seccional (Felipe Santa Cruz) tem demonstrado ser líder dirigente e árduo cumpridor de seus deveres institucionais à frente da OAB-RJ. Então, penso que possa demonstrar entendimento diverso de outros juristas, posto que seu posicionamento se alicerça em argumento também jurídicos. Penso eu, no entanto, que no caso presente do impeachment (da presidente Dilma), houve procedimento interno no Conselho Federal da OAB, com ampla análise das provas, com exposição dos motivos jurídicos para deflagração do processo de impeachment. Diante disso não tenho como pessoalmente me posicionar em sentido diferente. Entendendo, inclusive, que se houve a votação pela presença dos elementos autorizadores do impeachment, a cada minuto que se passe sem o ajuizamento da respectiva ação, a OAB Nacional se demonstra omissa no seu dever institucional.

 

Folha – Como você e a OAB-Campos analisam a atuação do juiz federal Sérgio Moro, dos procuradores da República e delegados da Polícia Federal envolvidos nas investigações da operação Lava-Jato?

Humberto – Pessoalmente não acho de devamos criar “herois nacionais”. O juiz federal Sérgio Moro é um servidor, que a exemplo de tantos outros juízes, enfrenta diariamente o labor de uma profissão difícil e pessoalmente custosa. E cumpre seu dever da forma como esperamos e a lei impõe. Mas também não tenho dúvidas de que a infringência a direitos legalmente instituídos, em especial pelas várias notícias publicadas de que as prerrogativas dos advogados dos acusados estariam sendo violadas, não pode ser tolerada. Conforme expressão amplamente repetida, ninguém está acima da lei. Nem o ex-presidente Lula, tampouco o juiz federal Sérgio Moro. Quando se trata de direitos fundamentais, nenhum desvio é permitido ou tolerado. E penso que há, no mínimo, acusações de arbitrariedades que devam ser investigadas.

 

Página 3 da edição de hoje (23/03) da Folha
Página 3 da edição de hoje (23/03) da Folha

 

Publicado hoje (23/03) na Folha da Manhã

 

Presidente da OAB-Campos a favor do impeachment da presidente Dilma

Presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre (foto de Tércio Teixeira - Folha da Manhã)
Presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

“No caso presente do impeachment (da presidente Dilma), houve procedimento interno no Conselho Federal da OAB, com ampla análise das provas, com exposição dos motivos jurídicos para deflagração do processo de impeachment. Diante disso não tenho como pessoalmente me posicionar em sentido diferente. Entendendo, inclusive, que se houve a votação pela presença dos elementos autorizadores do impeachment, a cada minuto que se passe sem o ajuizamento da respectiva ação, a OAB Nacional se demonstra omissa no seu dever institucional”.

Foi o que disse hoje o presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre, que é favorável à abertura do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Embora respeite a posição contrária do presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, que foi candidato a vereador pelo PT (e perdeu) em 2004, Humberto não apenas concorda com decisão de apoiar o impeachment de Dilma, tomada por 26 votos a 2 pela OAB nacional, como cobra que esta endosse formalmente o pedido já em apreciação na Câmara Federal, ou faça um por conta própria. Ao questionar a criação de “heróis nacionais”, o presidente da OAB Campos criticou arbitrariedades que estariam sendo cometidas pelo juiz federal Sérgio Moro, na condução da operação Lava-Jato.

 

Confira amanhã a íntegra da entrevista na Folha da Manhã

 

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