Opiniões

Edson Batista: governar para todos, com mais atenção aos excluídos

Brizolista antes de Anthony Garotinho (PR), Edson Batista (PTB) não disfarça a dureza que lhe é atribuída, ao negar ser contraposto por questões colocadas por aliados em entrevista anteriores, mas demonstrou na sua um conhecimento histórico superior à média dos políticos locais. Presidente da Câmara Municipal e pré-candidato a prefeito, ele defende o governo Rosinha Garotinho (PR) e a manutenção do projeto social que não vê na oposição: “governar para todos, mas com mais atenção aos excluídos”.

 

(Foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
(Foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

PTB, não PR – Nos formamos uma frente ampla e popular. Todos os partidos colaboraram na sustentação do governo Rosinha. O êxodo da sua administração se deve a essa frente. Não tenho, nem podemos ter, restrição a nenhum desses partidos.

Ferrugem prega candidatura do PR – Não vou me pautar pela entrevista (aqui) de ninguém. Eu vim falar de Edson Batista.

Dois candidatos governistas – Não sei como vai se desenrolar o processo. Em princípio, a prévia entre nossos militantes é que vai definir o candidato. Temos que ouvir a base, afinal ninguém é candidato de si mesmo. Respeito meus colegas (cinco outros pré-candidatos governistas), todos têm uma folha exemplar de serviços prestados à cidade. A aspiração de cada um deles é legítima. Mas temos que ter desapego pessoal. Temos um projeto que se sobrepõe aos nomes: governar para todos, mas com mais atenção aos excluídos. Historicamente, todos sabemos que a base da colonização de Campos foi a escravidão. Acabou a escravidão, mas prevaleceu sua mais valia (conceito de Karl Marx, pelo qual o esforço do trabalhador excede o pagamento do patrão). Quando a prefeita Rosinha assumiu em seu primeiro mandato, herdamos um déficit de 40 mil excluídos, na linha do trem (antiga Comunidade da Linha), em áreas à margem do rio. Não falo só de renda, mas cidadania: educação, esgoto, água potável, saúde, segurança. Hoje, com 6,5 mil casas populares reunidas, se você multiplicar por quatro, temos uma média de 26 mil pessoas resgatadas. Esse é o nosso maior patrimônio. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de Campos (apresenta gráficos) era de 0,505 em 1991, passou a 0,618 em 2000 e chegou a 0,716, em 2010. É inegável a evolução social do município. E o que mais cresceu foi a educação.

Campos em antepenúltimo no Ideb – Essa avaliação do ministério da Educação (sobre os 92 municípios do Estado do Rio) é pontual. A projeção que apresentei antes fala sobre duas décadas, não apenas sobre o ano de 2013, que foi o analisado pelo Ideb. O município assumiu muitas escolas estaduais. No contexto de duas décadas do IDH, houve crescimento de renda, educação e saúde. O município está caminhando.

Fogueira das vaidades – Acho que não existe fogueira das vaidades. O mais importante é o projeto, não as pessoas. Ele está acima de todos nós. Todos os companheiros ajudam a colocá-lo em realidade no município. Somos todos subalternos ao nosso compromisso histórico.

Oposição – É dividida e desunida. Não é falácia. Basta ver seu grande número de pré-candidatos: João Peixoto (PSDC), Rafael Diniz (PPS), Nildo Cardoso (DEM), Gil Vianna (PSB), Tô Contigo (PRB), Caio Vianna (PDT), Rogério Matoso (PMB). Ela não verbaliza um caminho. É só a crítica. O que a caracteriza é a divisão. Não tem o projeto, a bússola que nós temos: governar para todos, mas com especial atenção aos excluídos. Críticas à competência serão sempre subjetivas, mas os dados do IDH mostram que os objetivos estão sendo alcançados. A crise afetou a todos, sobretudo com a queda do preço do barril de petróleo e, não quero dizer assalto, mas o desmantelamento da Petrobras, gerando uma reação em cadeia. Tivemos que fazer o ajuste no código tributário. Na crise, todos os setores da cidade têm que ajudar para tornar o cenário mais tranquilo. A crise política nacional se agrava a cada dia, levando consigo a crise econômica, e nós ainda não sabemos o desfecho disso.

Renovação – Renovação é avaliação crítica de resultado e correção, se necessário. Não é mera questão de idade. Renovação é não ter nenhuma postura estanque, num mundo dinâmico em constante mudança.

 

Página 2 da edição de hoje (22/03) da Folha
Página 2 da edição de hoje (22/03) da Folha

 

Publicado hoje (22/03) da Folha da Manhã

 

De quando o Brasil se unia em vermelho, verde e amarelo

Uma das grandes vantagens das mídias sociais são as recordações que elas trazem às datas, como o barbante amarrado no dedo de tempos mais remotos. A partir de uma dessas lembranças virtuais fui lembrado que, se fosse vivo, Ayrton Senna da Silva (1960/94) estaria completando hoje 56 anos.

Vendo sua foto, com o macacão da McLaren e o capacete apoiado sobre o joelho esquerdo, tudo que pude sentir, refletido nos pelos arrepiados do corpo e olhos marejados, foi a saudade de quando o Brasil se unia em vermelho, verde e amarelo.

 

Senna

 

Edson Batista: “Acabou a escravidão em Campos, mas prevaleceu sua mais valia”

Edson Batista (foto de Rodrigo Silveira  - Folha da Manhã)
Edson Batista (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

“Temos um projeto que se sobrepõe aos nomes: governar para todos, mas com mais atenção aos excluídos”.

“A base da colonização de Campos foi a escravidão. Acabou a escravidão, mas prevaleceu sua mais valia”

“Renovação é avaliação crítica de resultado e correção, se necessário. Não é mera questão de idade”

 

Estas foram algumas das citações mais fortes do presidente da Câmara de Campos e pré-candidato, vereador Edson Batista (PTB). Na condição de pré-candidato governista a prefeito, ele esteve hoje na Folha, onde deu uma entrevista e demonstrou conhecimento histórico acima da média dos políticos locais. Confira amanhã sua íntegra na Folha da Manhã.

 

 

Não vai ter golpe!

Com o pingo no único “i” da sentença muito bem pontuado pelo historiador Leandro Karnal, entre os maiores intelectuais viventes do Brasil e dos raros imunes ao desvario das paixões políticas de lado a lado, é fato: Não vai ter golpe!

Entenda por quê:

 

 

Para tentar entender a crise nacional

A gravidade da situação do país pode ser não só explicada, mas até atenuada por aqueles que se esforçam para tentar entendê-la junto aos seus leitores. Neste sentido, alguns textos de opinião publicados hoje, em mídia nacional e local, foram soberbos. Abaixo, este “Opiniões” toma a liberdade de reproduzir dois:

 

Jornalista José Casado
Jornalista José Casado

Em maio, dupla chance de solvência da crise

Por José Casado

 

Desde 1988 todas as crises no Brasil foram resolvidas dentro da Constituição. Vai continuar assim, sabem juízes e políticos. Pelos ritos constitucionais, começa em abril o desfecho do jogo de poder em que Dilma Rousseff e Lula se meteram.

A presidente tem até 1º de abril para apresentar defesa no impeachment na Câmara. O processo vai ao plenário a partir do dia 20. Garantindo 171 aliados em votação aberta no plenário, Dilma resolve seu problema (o de Lula é com a Justiça, que ele julga “acovardada”). Se perder, passa à decisão do Senado.

Assim, maio começaria com a legitimidade de Dilma testada simultaneamente em duas instâncias — no Senado e na Justiça Eleitoral, onde avança o processo sobre suposta fraude na campanha de 2014, com dinheiro de empresas beneficiárias da corrupção na Petrobras.

No Congresso, o futuro de Dilma depende do PMDB de Eduardo Cunha, Renan Calheiros, José Sarney e Michel Temer, o vice que conspira em duas frentes: impeachment já, na parceria com a oposição, ou eleição indireta a partir de janeiro de 2018.

No TSE, Dilma e Temer estão abraçados. Sua sorte depende da desmontagem de provas colhidas nos inquéritos sobre corrupção. A relatora, juíza Maria Thereza Moura, deu celeridade ao processo para que possa ser julgado a partir de maio. Caso a presidente e o vice sejam cassados, novas eleições podem coincidir com as municipais, em outubro.

Sob a névoa desse fim de verão de fortes emoções políticas, maio se insinua como mês de possibilidades para solvência da crise, na rota constitucional. Até lá o horizonte deve ficar ainda muito mais turvo, antes de desanuviar.

 

 

Historiador Arthur Soffiati
Historiador Arthur Soffiati

O bote da jararaca

Por Arthur Soffiati

 

Confuso com as crise do Brasil, procurei um velho amigo que ajudou Lula a fundar o PT. Nossa conversa foi longa, mas saí dela mais tranquilo por concordar com ele em grande parte. Ele não rompeu com Lula. Apenas se afastou dele. Ambos seguiram caminhos diferentes. Hoje, ele não está filiado a nenhum partido. Suas opiniões estão sendo publicadas com seu consentimento.

“Lula e eu tínhamos os mesmos ideais, mas temperamentos diferentes. Ele era combativo, mas sabia negociar com os patrões. Ele acreditava numa política socializante sem romper com o capitalismo. Era pragmático. Eu mais teórico. Disse-lhe muitas vezes que Trotski achava inviável um país socialista num mundo capitalista. Stalin desejava consolidar o socialismo num só país. A União Soviética acabou engolida pelo contexto mundial capitalista.”

“Era esse seu projeto na fundação do PT e nas suas campanhas para a presidência da República. Creio que o governo dele só foi possível com a “Carta aos Brasileiros”, assegurando que não era tão perigoso quanto alardeavam. Quando ele ganhou, um amigo me disse que precisávamos de uma corda grossa para segurá-lo do nosso lado. Caso contrário, ele seria puxado pelos empresários.”

“A elite brasileira se divide em econômica, que só pensa em dinheiro, e a ideológica, que não gosta do povo, mesmo que ele tenha enriquecido. Lula apostou na elite econômica. Nos seus governos e nos de Dilma, os bancos enriqueceram e as grandes empreiteiras se agigantaram. Percebi claramente uma política de leniência com as elites econômicas, política esta anterior ao PT. Lula deu continuidade a ela. Não digo que os programas “Minha Casa, Minha Vida”, “Bolsa Família e PAC”, por exemplo, tenham sido criados para atender às empresas. Eles tiveram a intenção legítima de elevar o padrão de vida da população pobre. As empresas adoraram esses programas porque uma classe média emergente passou a ter poder aquisitivo e a consumir. Não houve educação adequada para o uso da renda.”

“Até aí, tudo bem. Sem combate à corrupção dentro do capitalismo, passa a ser inevitável o controle das empresas e dos bancos. O populismo do PT não freou a gula das empreiteiras. Pelo contrário, alimentou-a. Ao mesmo tempo, para agradar os manifestantes de 2013, que sabiam o que não queriam, Executivo e Legislativo Nacionais promoveram um arremedo de reforma política. Embora parcial, essa semirreforma permitiu que o Ministério Público e o Poder Judiciário ganhassem força. Mesmo com os protestos de 2013, a população elegeu um Congresso hoje desmoralizado. Que moral tem Eduardo Cunha para conduzir um processo de impeachment? As alianças que o PT fez para garantir sua governabilidade representam sua grande ameaça. O PT, hoje, dorme com o inimigo. Aliás, o PT é inimigo do PT. O próprio Lula reconheceu que Dilma ganhou com um discurso bem diferente da prática que ela tem agora. Houve maquiagem da marola, que arrebentou como vagalhão agora.”

“E não é só. Do PT, tem vindo a delação de Delcídio do Amaral. Do PMDB, vieram Temer e Cunha. Quem tem aliados assim não precisa de oposição, que só colhe as sujeiras que vazam para usá-las como chicote. As grandes empreiteiras formaram um cartel para roubar a Petrobras. Mesmo que Lula e Dilma não tenham qualquer envolvimento com elas, foi no governo de ambos que elas cresceram. Viu-se, então, a judicialização da política. Até mesmo o Executivo e o Legislativo recorrem ao Judiciário para dirimir suas dúvidas.”

“Novos escândalos vieram à tona, levando a sucessivas manifestações. A do dia 13 foi monstruosa. Sei bem que novamente a classe média é sua promotora. Mas é preciso reconhecer que o Brasil tem classes sociais, e a classe média tem peso. Sei que suas reivindicações são simplistas e até perigosas, como o apelo a um novo golpe militar. São pessoas despolitizadas. Mas as manifestações, como um todo, são um solavanco no governo. É preciso lidar com elas de frente. Não adianta recorrer a escapismos, como fazem os despolitizados nas redes sociais. Inclusive, fico assustado com os intelectuais de ambos os lados, que, irresponsavelmente, só colocam lenha na fogueira. Nessa altura dos acontecimentos, fica difícil uma solução. Se Dilma sair, quem entra no lugar dela e resolve a crise econômica num passe de mágica? De fato, enfrentamos uma crise política alimentada pela crise econômica que o PT negou existir.”

“Por isso, não fui às manifestações do dia 13. Não quis acirrar ainda mais os ânimos já exaltados. Espero que não marchemos para um golpe político, mas lamento que Lula volte ao governo na situação delicada e que está. Seria melhor que ele se calasse. Ele foi e continua sendo um boquirroto. Ele nunca teve autocrítica. E Dilma, cheia de problemas, convida-o para um ministério. Sua missão é aquietar as formigas, mas, seus telefonemas só assanham essa formigas. Enfim, os petistas estão metendo os pés pelas mãos. Pelas conversas gravadas e divulgadas (não entro no mérito da legalidade da difusão), nota-se o esforço para arranjos nada éticos, que repudiávamos quando fundamos o PT. Não sei se Lula, como um superministro será a solução, pois as manifestações demonstraram sua insatisfação com ele. O governo não governa mais. Apenas manobra para ficar no poder.”

 

Pense rápido (II)

O que é mais patético?

 

Garotinho e Arnaldo em tempos de aliados (foto: arquivo de Ricardo André Vasconcelos)
Garotinho e Arnaldo em tempos de aliados (arquivo de Ricardo André Vasconcelos)

 

1 – Arnaldo Vianna dizer que pode ser candidato a prefeito?

2 – Garotinho pagar recibo e mandar seu jornal perseguir Arnaldo?

 

Pense rápido (I)

Qual a principal diferença entre Collor e Dilma?

 

Capa do Estadão Online
Capa do Estadão Online (clique na reprodução para ler a matéria)

 

Pelo menos com elle, Renan foi até o final.

 

Então presidente Fernando Collor de Mello desejando feliz natal com um dos seus mais fieis aliados (reprodução)
Então presidente Fernando Collor de Mello desejando feliz natal com um dos seus mais fieis aliados (reprodução)

 

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