Opiniões

Rogério Siqueira — Uenf: o carisma enquanto saber científico

 

 

 

A Uenf é tudo. Um templo do saber onde soluções para problemas complexos se dão através de arranjos de conhecimentos e técnicas tão complexas quanto o problema a ser solucionado. É um lugar onde a ciência, em suas diversas manifestações, é a arte suprema. É um espaço cultural e de convivência. É onde contemplamos a  beleza da transformação dos saberes empíricos em métodos científicos, o desenvolvimento de indicadores, a transformação do intangível em algo mensurável. O conhecimento, por si só, é excitante. E o espaço físico no qual ele acontece, um oásis para as mentes inquietas.

No entanto, uma crise profunda se abateu sobre a universidade. Crise essa, provocado pelo própria natureza da Uenf na estrutura do Governo do Estado, na qual sua independência financeira e orçamentária não lhe é garantida, deixando a universidade prisioneira da política econômica do executivo estadual. Um modelo conservador, que não permite que a Uenf estimule ao máximo a dinâmica necessária ao moroso processo científico.

A crise está posta. Se sairemos dela vitoriosos ou derrotados ainda não sabemos. Mas, de certo, tal coisa nos força a pensar novas soluções, novos métodos, novas perspectivas. E nesse caso, este exercício seria de bom tom para a Uenf, pois, na iminência até do fechamento da universidade como foi alardeado por muitas vezes, não se viu uma comoção geral da sociedade campista, tampouco das populações dos municípios vizinhos.

Tal fato sempre me causou espanto. E ficava a pergunta: porque uma​ universidade com tantos títulos e posições soberbas em rankings de avaliação nacionais e internacionais não conseguiu arregimentar uma grande parcela da sociedade à sua causa? Ou melhor: como grande parte da sociedade não foi às ruas defender um patrimônio tão importante para o município, para o estado e para o país? Por que tanta indiferença?

Talvez, ao longo dos anos, a Uenf tenha se focado tanto, com justa razão, em desenvolver conhecimento, trazer novas soluções, que esqueceu de compartilhar isso com seu principal cliente: os​ cidadãos campistas e do Norte Fluminense como todo. “Oi, estamos aqui. Somos de vocês e vocês são nossos. Somos um na causa do desenvolvimento da nossa sociedade. Disponha sempre que precisar”, poderia ter dito.

A Uenf é uma lutadora, sua natureza é de luta e superação. E neste momento, mais do que nunca, é preciso arregimentar mais pessoas a mesma causa. E fazer mais pessoas entenderem que a causa da Uenf é um causa de todos. Em momentos assim, se comunicar passa a ser a estratégia derradeira, pois, por mais justa que uma causa seja, é bom que a maioria do conjunto de uma sociedade possa entendê-la. É preciso montar uma estratégia firme de comunicação, além de identificar cientistas-carismáticos que possam traduzir, ao limite do espectro social, toda a beleza e relevância dessa instituição.

Se pudesse sugerir diria aos aos alunos, professores e profissionais para se organizarem em células e começar a circular por todas as escolas do ensino médio falando da Uenf,  chamando os alunos não só para se prepararem para o ingresso, mas para defenderem o seu direito legítimo de brigar por uma vaga em uma universidade que esteja situada em sua cidade. Conclamaria as universidade e instituições de ensino superior e organizaria um ato com os companheiros de diretórios acadêmicos, coordenações de cursos e demais funcionários, para estarem engajados na mesma causa, pois, uma instituição conceituada de ensino, precisa se organizar para cativar, acima de tudo, os que mais precisam de uma instituição de ensino.

É hora de botar todo mundo dentro da Uenf e abaixar o muro que separa este templo do conhecimento do resto do conjunto espacial que habita. A Uenf não pode ser só o sonho de Darcy, ou dos que nela habitam. A Uenf tem que ser o sonho de toda uma sociedade.

Vida longa a Uenf e aos que fazem a Uenf ser o que é!

 

Este post tem um comentário

  1. A não reação seja a perplexidade .É um fato tão absurdo que não acredita-se que vai ocorrer , ela não acabará porque é boa demais…

Deixe uma resposta

Fechar Menu