Opiniões

“Pontal” e suas muitas histórias reestreiam no Teatro de Bolso, às margens do Paraíba

 

 

 

De 2010, quando “Pontal” estreou numa noite de verão no Pontal de Atafona, muita coisa mudou nos sete últimos anos. A começar pelo próprio palco da peça, no antigo Bar do Bambu — “que agora é ponto de parada de sereias e outros viventes do mar”, como definiu o jornalista José Cunha Filho. Dono do bar, conhecido como “Bambu”, Neivaldo Paes Soares (aqui) desapareceria misteriosamente após sair navegando sozinho pelo foz do rio Paraíba do Sul, numa noite fria de 21 de junho de 2015. Um pouco antes, quem também desapareceu atrás das cortinas foi o genial diretor e um dos autores da peça: Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi (aqui), morto por complicações do HIV em 2 de abril de 2015.

Fiel ao lema “o espetáculo não pode parar”, “Pontal” foi encenada nestes anos seguintes em vários outros palcos, entre São João da Barra e Campos. Antes de voltar à cena a partir das 20h de hoje (30), no Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira, às margens do mesmo rio Paraíba véio de guerra, a última apresentação da peça não poderia ter sido mais emblemática: no mesmo palco, durante o Ocupa TB, movimento que durou entre 9 de maio e 6 de junho de 2016, quando os artistas de Campos tomaram para si (aqui) as rédeas abandonadas do mais tradicional espaço cultural da cidade. Fechado desde 2014 pela gestão Rosinha Garotinho (PR), o TB só seria reaberto (aqui) em 27 de março de 2017, no governo Rafael Diniz (PPS).

Composta de poemas de Aluysio Abreu Barbosa, Kapi, Artur Gomes e Adriana Medeiros sobre Atafona, contados como causos entre pescadores do tradicional balneário sanjoanense, “Pontal” apresentou nessa última encenação, em pleno Ocupa TB, o mesmo elenco que hoje volta ao mesmo palco: os atores Yve Carvalho (que assumiu a direção, após a morte de Kapi), Saullo Oliveira e Jota Z — os dois últimos estavam entre os artistas que participaram da ocupação. Quando o Ocupa TB completou um ano (aqui), em maio deste ano, outro jovem ator e ocupante do teatro, Átalo Willian Sirius, registrou (aqui) em suas memórias do histórico movimento das artes goitacá:

— Enquanto estávamos ocupados, organizamos e participamos de oficinas, shows, aulas, inclusive organizamos o espaço para uma peça, “Pontal”, reabrindo o palco do Teatro de Bolso, que, de conhecimento público, estava fechado há mais de dois anos.

Nestes sete anos, no palco e fora dele, são muitas as histórias que poderiam ser contadas sobre “Pontal”. Muitas delas certamente renderiam outros poemas e peças. Quem ainda não tem as suas, terá chance de escrevê-las por conta própria hoje, nos próximos sábado (01/07) e domingo (02), e na quinta (06), sexta (07), sábado (08) e domigo (09) da semana seguinte, sempre às 20h. O ingresso pode ser comprado no próprio TB e sai por R$ 20 a inteira e R$ 10, a meia.

A benção, Kapi e Neivaldo!

 

 

Pontal na boca da foz do Paraíba aberta ao Atlântico, em 19/06/17 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

muda(*)

 

a memória sai da toca

sobe pela palafita

ainda escorrendo lama

e me fita

com olhos de caranguejo

entre as tábuas do piso

do bar do espanhol

quando o pontal era ponta

tinha fé de igreja

e luz de farol

 

na boca do mangue

passei minha rede de arrasto

mas só peguei filhotes de bagre

que me ferraram o pé

ao chutá-los de volta à água

até que pedro me ensinou

a pegar pitu de mão

entre raízes do mato

na beira do alagadiço

 

hoje passo no mangue

e não piso na lama

mas na asfixia lenta

dos aterros do homem

e do avanço do mar

perto das ilhas da convivência e peçanha

siamesas da mesma terra

onde ficou minha casca da muda

de caranguejo a espera-maré

 

atafona, 06/2000

 

 

(*) Poema de Aluysio Abreu Barbosa, vencedor do FestCampos de Poesia de 2007 e parte da peça “Pontal”

 

Guilherme Carvalhal — Placebos

 

 

 

Onório assistiu uma palestra motivacional. O palestrante falou sobre a importância de superar seus próprios limites, de enxergar a si mesmo sempre como a um vencedor. Disse que pessoas proativas sempre estão um passo adiante em relação às outras. Depois dessa enxurrada de conteúdo, trabalhou com mais motivação do que nunca. Ao contrário de suas expectativas, seu chefe não lhe deu aumento.

Flávia recebeu o panfleto de um vinho francês. A vinícola de três séculos de tradição colhia uvas semi-amarelas, garantindo um tom suave à bebida devido à maturação incompleta. A fermentação matizada gerava uma quantidade maior de açúcares, o que formava seu sabor singular. Ela comprou uma garrafa e a bebeu concluindo jamais ter provado um vinho de tamanha qualidade. Mal sabia que a contrabandearam pelo Paraguai após encherem a garrafa com uma sangria qualquer.

Joca foi assistir ao filme do Capitão Pedrada. Toda a crítica o considerou um grande filme de ação, um dos melhores do gênero já realizados. Apesar de preferir comédias românticas, optou por ele. Vibrou, torceu, até suou. Saiu da sala de cinema realizado diante de tantas aventuras. No outro hemisfério do mundo, críticos que torceram o nariz ao ver o filme torravam os milhares de dólares distribuídos pela produtora para melhorar a imagem da obra.

Américo se desesperou com a falta de chuva e a perda de sua lavoura. Recorreu a um pastor que assentou pela vila uns meses antes, a quem todos atribuíam fama de milagreiro. Entrou na igreja, depositou vários de seus bens no altar, ajoelhou e orou em voz alta. Dois dias depois começou uma forte tempestade que salvaria seu ano. Infelizmente não acessou os relatórios meteorológicos de duas semanas atrás, que já previam a mudança de tempo, nem imaginava a viagem do pastor pela Europa usufruindo o dinheiro dos fiéis.

Mariana deu ré no carro e bateu no que estava estacionado logo atrás. Ele tem mais que eu, pensou na hora que decidiu fugir ao invés de assumir sua responsabilidade. No mais, todo mundo agiria assim, e se escafedeu do local. Deixou um prejuízo de 2 mil reais para o outro proprietário, este em vias de vender o carro para custear o tratamento de câncer do filho de quatro anos, e dormiu tranquilamente à noite.

Joaquim arrumou uma namorada virtual. Trocavam juras de amor todos os dias, conversavam por videoconferência, pareciam fisicamente próximos. Combinavam de se encontrar pessoalmente, aguardando as férias. Enquanto isso ele dormia com a foto dela embaixo do travesseiro, enquanto ela mais uma vez seguia aos clubes de swing que tanto a divertiam.

Roberta se propôs a conhecer os candidatos no horário eleitoral gratuito. E votou em um deles.

 

Gustavo Alejandro Oviedo — O futuro chegou

 

(Foto: Filipe Lemos – Campos 24H)

 

 

“Eu não disse?” Talvez esta seja uma das frases mais odiosas que possam existir. O sujeito se espatifa no chão, se da mal, se lasca, se ferra, etc. Ai vem outro e lhe espeta: “Eu não disse?”. Dá vontade de mandá-lo para algum lugar.

Portanto, desculpem de antemão. Mas, infelizmente, nos não dissemos?

O desembargador Marcelo Pereira da Silva do TRF do Rio de Janeiro derrubou a liminar que mantinha a obrigação do Municipio de Campos de pagar o empréstimo contraído pelos Garotinho em até o limite de 10% das receitas provindas dos royalties e participações especiais. Por enquanto, existe a obrigação de devolver o dinheiro tal e como foi contratado.

É bom recordar que o ex secretario de Rosinha Garotinho conseguiu, graças ao seu amigo Crivella, que o Senado flexibilize a regra de concessão de empréstimos em troca das receitas futuras. Antes da Resolução 002/2015, o prazo para a devolução do dinheiro não podia ultrapassar o mandato da gestão do administrador que pedia emprestado. Após sua aprovação, essa limitação temporal foi relaxada – agora, outros governos podem continuar pagando. Porém, há na norma uma limitação que estabelece que o máximo que pode ser pago é 10% do que entrar nos cofres da prefeitura, por ano.

Essa limitação de devolução do empréstimo com apenas 10% dos royalties recebidos foi muito explorada por Garotinho, dando a entender que o pagamento ia ser quase insignificante. No seu programa de rádio ‘Entrevista Coletiva’ do dia 17 de outubro de 2015, Garotinho explicou (mal) que esse 10% ia significar um sobrecusto de ‘menos de 1% ao mês’, confundindo o teto com a taxa de juros.

Curiosamente, após ter tranquilizado a população indicando que a quantia a restituir seria um décimo do que for recebido de royalties, o co-prefeito  combinou com a Caixa Econômica Federal em devolver muito mais do que isso. Em fevereiro deste ano, a CEF ficou com quase 50% do que o município deveria receber, apesar da resolução do Senado. Isso é o que hoje está sendo discutido na justiça.

Só para lembrar: Garotinho pegou emprestado 562 milhões, e comprometeu os futuros gestores (e a população campista) a devolver 1,34 bilhão, até 2026.

Na edição da Folha da Manhã do dia 17 de outubro de 2015, referindo-me as absurdas desculpas dadas por Garotinho para justificar a operação de crédito, escrevi:

“Tudo o exposto não pode menos do que inquietar qualquer campista com um mínimo de preocupação em relação ao futuro do município. Ainda mais quando o governo municipal se nega a explicar com transparência uma operação financeira que será suportada em mais de 90% pelas próximas administrações- pensando bem, talvez a falta de esclarecimento se deva precisamente a isso.”

A Folha da Manhã batizou as operações financeiras que os Garotinho fizeram desde 2015 como ‘A Venda do Futuro’, o que provocou, à época, o protesto de vereadores, de funcionários da prefeitura e até de jornalistas de outras mídias, que se apresavam a esclarecer que o termo era um subjetivismo do jornal. A foto que encabeça este texto mostra alguns legisladores zoando com a frase.

Caso não se consiga reconhecer as pessoas da fotografia, são eles: Dona Penha , Cecília Ribeiro Gomes, Fábio Ribeiro, Ozéias, Thiago Virgílio, Albertinho,  Neném, Miguelito, Paulo Hirano, Abdu Neme, Mauro Silva, e Edson Batista. Não estão na foto Álvaro César, Auxiliadora Freitas e Altamir Bárbara. Todos eles autorizaram a ‘Venda do Futuro’.

 

Prefeitura vai denunciar governo Rosinha pela destinação da “venda do futuro”

 

Charge do José Renato publicada hoje (28) na Folha

 

 

Ainda esta semana a procuradoria geral de Campos vai denunciar a gestão anterior do município, de Rosinha Garotinho (PR), pela não destinação dos recursos da antecipação dos royalties com a Caixa Econômica Federal (CEF) naquilo previsto pela resolução nº 43 do Senado e na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). De acordo com o procurador José Paes, um levantamento da secretaria de Transparência e Controle constatou que os recursos teriam sido aplicados pelos Garotinho em despesas de custeio e obras que estavam paradas:

— A resolução do Senado e a LRF determinam que o dinheiro dessas operações teriam que ser aplicados no PreviCampos e em investimentos novos. Não em custeio ou em obras que estavam paradas por falta de previsão orçamentária ou prévio empenho. E, quanto ao PreviCampos, todos sabem que o governo anterior, no lugar de colocar, tirou dinheiro da previdência do servidor.

José Paes também disse que se darão em duas frentes a reação jurídica da Prefeitura de Campos contra a decisão do desembargador Marcelo Pereira da Silva, do Tribunal Federal do Estado do Rio de Janeiro (TRF-RJ), que na última segunda (26) derrubou a liminar anterior, da Justiça Federal do Rio, que garantia ao município pagar à Caixa apenas os 10% dos royalties previstos na resolução do Senado. Os recursos serão feitos tanto no TRF-RJ, quanto no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Brasília:

—  Estamos fechando o levantamento das secretarias de Controle e Ciência e Tecnologia (que engola a antiga pasta do Petróleo) para mostrar ao desembargador, ao TRF e ao STJ que essa decisão inviabiliza financeiramente o município. E estou esperançoso de que tenhamos êxito — disse o procurador do município.

A assessoria de Rosinha se manifestou sobre a ameaça da administração dela ser denunciada pelo governo Rafael Diniz (PPS):

— A ex-prefeita Rosinha Garotinho afirma que agiu estritamente dentro da lei. Diz ainda que já passou da hora de o atual prefeito parar de arrumar desculpas e começar finalmente a governar a cidade de Campos.

 

Atualização às 20h26 para correção

 

Atualização às 20h34 para incluir a resposta de Rosinha 

 

Leia a matéria completa na edição de amanhã (29) da Folha

 

Caos à vista: Caixa liberada para cobrar “venda do futuro” nos termos de Rosinha

 

Em 12 de abril de 2016, Garotinho, Rosinha e a presidente da Caixa de Dilma, Miriam Belchior, quando venderam o futuro de Campos (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

Desde ontem à noite, caiu a liminar da Jutiça Federal que impedia Campos de pagar a “venda do futuro” nos termos do contrato celebrado entre o governo Rosinha Garotinho (PR) e a Caixa Econômica Federal (CEF), no apagar das luzes do governo petista de Dilma Rousseff (relembre aqui). A decisão suspensiva ao agravo que a CEF interpôs foi dada pelo desembargador Marcelo Pereira da Silva, do Truibunal Federal do Estado do Rio (TRF-RJ).

Na prática, não há mais nada que impeça a Caixa de cobrar bem mais do que os 10% dos royalties do petróleo recebidos por Campos, além da integralidade das suas Participações Especiais (PEs).  Desde fevereiro  deste ano, o governo Rafael Diniz (PPS) se recusou a pagar além dos 10% dos royalties fixados na lei que autorizou a “venda do futuro”, aprovada pelo então senador Marcelo Crivella (PRB), num acordo com o ex-governador Anthony Garotinho (PR). Mas a recusa só teve respaldo jurídico em abril, com a liminar favorável a Campos concedida pelo juiz Julio Abranches, titular da 14ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Com a decisão de ontem do TRF-RJ, isso deixa de existir.

O procurador geral do município José Paes Neto informou ao blog que irá tentar restabelecer no TRF-RJ a liminar. Caso não seja exitoso, as perspectivas financeiras do município, que já não eram boas, se tornarão alarmantes.

 

Confira a reportagem completa na edição de amanhã (28) da Folha da Manhã

 

Manuela Cordeiro — Moradas

 

 

 

Tinha aberto a porta da sacada da frente da casa da avó e se debruçado. Lembrava quando era criança de sentar no mármore frio do parapeito, junto com a sensação de liberdade que vinha ao somente mudar a perspectiva do olhar. E ver, do alto, a rosa vermelha do jardim que tanto admirava.

Contemplava pela porta de vidro da frente da casa o cenário da vida pacata da roça. O cavalo que gostava de chamar de seu, o pequeno aglomerado de árvores. Sentia-se extremamente feliz com o cheiro da terra molhada e os limites serem traçados só com arame farpado. Ao fundo, o pé de ingá e o balanço de criança sempre afagavam suas tardes.

Ao receber as chaves da quitinete, saberia que muitas outras portas serão abertas. Mesmo sem divisão nenhuma no espaço, conseguia organizar os seus sonhos entre a mesa de estudos, o lugar de dormir e a geladeira emprestada. O cheiro da tinta barata recém aplicada não se comparava ao alto preço da novidade de morar sozinha.

Gostava mesmo do burburinho. Abria a porta de entrada do prédio antigo, estilo português para adentrar um pouco a vida dos outros, o aroma do alho fritando para o almoço. Depois dos três lances de escada, ficava um pouco atordoada com a divisão esquisita dos espaços do apartamento, mas adorava a possibilidade de ter um cantinho na metrópole.

O apartamento não era tão grande, mas talvez a maior viagem de sua vida tenha mudado tudo de perspectiva. Tratou de juntar as malas no quarto que seria seu, com mobília nova, estrear a roupa de cama e apagou. Ao acordar, olhou ainda sonolenta para o pátio e se surpreendeu com a neve. Parecia um quadro emoldurado pela janela hermeticamente fechada por conta do frio. Branco e sereno.

A casa estalava de nova. Em seus planos de vida, fazia parte aquele momento de começar absolutamente do zero e imprimir sua personalidade a um espaço. Se orgulhava de cuidar imaculadamente da mesa de vidro, dos moveis com os tons corretos. Era como se vangloriava de encaminhar a sua vida. Até que os copos começaram a quebrar.

Nos sonhos, as casas tinham grandes corredores com inúmeros armários. Cada pequeno compartimento poderia revelar um segredo, uma pequena lembrança. As casas também geralmente eram perto de água e tinham vários andares. Um empilhar de coisas, fluxos e memórias.

Eram casas muito engraçadas. Tinham teto, tinham coisas, abrigavam sonhos e choros. Ao longo do tempo, percebeu que deveriam ser cuidadas com grande esmero, para que pudesse sentir amparada. Em cada espaço, podia limpar o espelho aos poucos, deixando cada vez mais nítida sua própria imagem. E se perguntava, olhando nos seus olhos: “Quantas casas para ensinar ser o seu coração sua verdadeira morada”.

 

Chequinho: certeza de condenação em WhatsApp atribuído a Garotinho

 

Charge do José Renato publicada hoje (21) na Folha

 

 

 

 

“Serei condenado”

Em grupo de WhatsApp entre dos áulicos do ex-governador Anthony Garotinho (PR), uma mensagem a ele atribuída circulou ontem. Nela, o autor se colocou como quem terá que vir a Campos na próxima terça, dia 27, prestar depoimento como réu do julgamento criminal da Chequinho. Não se pode dizer se foi o próprio Garotinho quem escreveu ou não a mensagem, mas o mi-mi-mi parece familiar: “Serei condenado. Minha culpa, acusado de ajudar a colocar comida na mesa dos mais pobres, desde 1999, quando foi criado o Cheque Cidadão”.

 

O fato

Definido como “prefeito de fato” pela Justiça Eleitoral de Campos durante o governo Rosinha Garotinho (PR), seu marido é também apontado como chefe do “escandaloso esquema” da troca de Cheque Cidadão por voto, na eleição municipal de 2016. Seja dele ou não, a mensagem de WhatsApp de ontem só esqueceu de dizer que a acusação não criminaliza o Cheque Cidadão, apenas o fato do benefício ter passado dos 11,5 mil atendidos, até junho do ano passado, para 30,5 mil em setembro — quase triplicou nos três meses anteriores à eleição. E a denúncia foi feita à Polícia Federal (PF) pelas assistentes sociais da própria Prefeitura.

 

Profeta desastrado

Não há como saber se a mensagem de WhatsApp é ou não de Garotinho. Tampouco se a decisão do juiz Ralph Manhães, da 100ª Zona Eleitoral (ZE), será pela condenação do réu. Mesmo porque, embora possa sair na terça, a sentença poderia ser dada outro dia. De qualquer maneira, caso e a previsão fosse mesmo do ex-governador, a julgar pelas últimas, ele estaria mais uma vez errado.

 

Erros e aposta

Garotinho errou quando apostou em ser governador em 2014 e não chegou nem ao segundo turno. Errou quando apostou em Dr. Chicão (PR) e, na reta final, numa aliança por baixo dos panos com Caio Vianna (PDT), na eleição a prefeito de Campos, vencida em turno único por Rafael Diniz (PPS). Errou ao publicamente profetizar a anulação daquele peito e uma nova eleição em maio. Mas seus liderados ainda acreditam que ele acerta quando aposta em reverter qualquer decisão desfavorável da Chequinho no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E, apesar de tantos erros, a análise fria dos fatos mostra que, neste particular, podem ter razão.

 

Boi voador

Ainda na tal mensagem de WhatsApp atribuída a Garotinho, há um trecho em que se afirma na primeira pessoa: “Em um país onde tudo é possível ao ricos (…) eu mereço ser condenado”. Como a maior esperança no TSE é o bom trânsito que nele goza o advogado Fernando Augusto Fernandes, que cobrou a bagatela de R$ 5 milhões para defender o delator da Lava Jato e ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, é mesmo possível se imaginar que “tudo é possível aos ricos”. Para um TSE que já inocentou a chapa Dilma Rousseff (PT)/Michel Temer (PMDB), na frase celebrizada pelo deputado federal Paulo Feijó (PR): “Só falta boi voar”.

 

Arraiá Solidário

Um dos setores da Uenf que está sendo fortemente afetado pela falta de repasse do governo estadual é o Hospital Veterinário (HV). Para arrecadar produtos de limpeza para a unidade, a comunidade acadêmica tem se mobilizado nos preparativos do II Arraiá do HV. O evento, mobilizado através das redes sociais, acontece nesta sexta-feira (23), a partir das 19h, no estacionamento do hospital. A entrada é apenas a doação de um produto de limpeza, de rodos e vassouras até detergente, sabão em pó e pano de chão.

 

Mobilização

A população atafonense foi às ruas e tem demonstrado garra para conseguir mobilizar todo o município e também pessoas de cidades vizinhas. Além de se reunirem em movimentos como o “SOS Atafona” e “Atafona resiste”, um abaixo-assinado foi lançado em apoio à contenção do mar de Atafona e Barra do Açu. Em quatro dias de coleta de assinaturas mais de duas mil pessoas se manifestaram a favor da causa. O objetivo é enviar o documento para os governos federal e estadual, e autoridades responsáveis pela costa brasileira, em caráter de extrema urgência, para uma visita in loco e obras emergenciais de contenção marítima. Oxalá o objetivo seja alcançado o mais rápido possível, antes de novas destruições.

 

Com a colaboração do jornalista Mário Sérgio

 

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

 

Ricardo André Vasconcelos — Temer e a lei da sobrevivência

 

Principal aliado de Temer no PSDB, Aécio foi afastado do mandato por causa da deleção do mesmo Joesley Batista que delatou o presidente

 

 

Os tucanos, que nasceram de uma costela do PMDB ou, sendo mais justo, de uma depuração do PMDB de José Sarney e assemelhados, têm hoje em suas mãos o destino do governo, mas com papel diferente do que tiveram quando governaram o país de 1995 a 2002. Agora não são protagonistas, mas fiadores de uma administração que caminha numa corda bamba. Apesar de ter seu principal líder (Aécio Neves) pilhado com a boca na botija e na constrangedora condição de “senador afastado do mandato por decisão judicial”, o PSDB ainda empresta alguma credibilidade ao que resta do governo Temer, ao lado, é claro do ministro da Fazenda Henrique Meirelles, preposto que é do “grande capital” dentro do governo. Aliás, o foi também nos oito anos da administração petista como presidente do Banco Central.

São o PSDB e a economia aparentemente sob controle, as frágeis vigas de sustentação de Temer na Presidência da República. Os deputados do baixo clero que lhe garantem os votos necessários para barrar a iminente denúncia da Procuradoria-Geral da República não são suficientes para aprovar as reformas que os patrões de Meirelles exigem. Sendo assim, o descarte de um presidente que se tornou, além de incômodo, incapaz de produzir os frutos que os patrocinadores esperam, é destino líquido e certo.

Revendo antecedentes de crises políticas anteriores, é possível constatar, na atual, a ausência do segmento da sociedade que as protagonizou, como causa ou solução (ou ambas) — os militares —, e a presença de outro — o Poder Judiciário. Tanto em 1945, no golpe que derrubou Getúlio Vargas depois de 15 anos no poder; em 1954, com o suicídio do caudilho gaúcho que quatro anos antes voltara ao poder pelo voto direto, quanto em 1964, as Formas Armadas desempenharam papel fundamental, seja para o bem ou para o mal, dependendo do gosto de quem analisa. Já neste 2017, quase três décadas de vigência da mais democrática de nossas oito constituições, é o Poder Judiciário que tem, pela vulnerabilidade evidente dos outros dois poderes, a oportunidade de exercer o papel literal de juiz para arbitrar um caminho.

Há duas semanas, no entanto, o TSE, se apequenou e deu sobrevida ao governo moribundo ao absolver a chapa Dilma-Temer. No Supremo Tribunal Federal a iminente denúncia da PGR contra Temer somente vira ação penal (e o imediato afastamento do presidente por 180 dias) com a concordância de 342 deputados federais, ou seja, basta que 172 não concordem para a denúncia ser arquivada. Portanto, a solução para a crise há de ser encontrada dentro do regime democrático e no âmbito da mais natural das leis, a da sobrevivência. A pouco mais de um ano das eleições de 2018, deputados e senadores em busca da reeleição e do abrigo do foro privilegiado, hão de achar um caminho nem que sejam apenas compelidos pelo instinto da sobrevivência. A começar pelos tucanos, que são a opção natural na próxima disputa presidencial e precisam, por isso mesmo, se descolar da figura de Temer, a quem se atribui a cada dia mais atos de corrupção.

Em 1961, é bom que se lembre, foi o Parlamento quem resolveu a crise aberta com a renúncia de Jânio. O vice, João Goulart, estava na China e os militares não admitiam sua posse como presidente da República e o Congresso Nacional em 48 horas aprovou mudança na forma de governo e adotou o Parlamentarismo. Durou pouco, mas adiou o golpe militar por alguns meses. O atual Congresso, com grande parte de seus membros de quase todos os partidos investigados nas mesmas falcatruas que envolvem o atual e todos os ex-presidentes da República vivos, tem legitimidade para pouca coisa ou quase nada.

E não é só: além do problema Temer e outras centenas de picaretas envolvidos em corrupção, o país ainda não decidiu como quer financiar a democracia. A doação de pessoas jurídicas foi proibida e as regras das eleições de 2018 precisam estar aprovadas um ano antes, ou seja, até o próximo 07 de outubro. Mas aí é outro assunto…

 

Das hiprocrisias que se criam em Campos, a burguesinha do lanche sem Toddynho

 

 

 

Há algum tempo, o amigo Geraldo Machado, comunista histórico, conceituado advogado e ex-presidente da OAB/Campos, definiu um seu colega de lida, mas reputação duvidosa: “É um analfabeto de pai, mãe e parteira. Só em Campos uma figura dessas se cria”.

Com o passar dos anos, sobretudo a partir da democracia irrefreável das redes sociais, fui constatando serem muitos os exemplos, alguns hereditários, que julgam ter “se criado” nesta planície de hipocrisias cortada pelo rio Paraíba.

O que dizer da típica menina mimada de classe média campista, cujo hobby é posar de defensora dos “frascos e comprimidos”, como diria Didi Mocó, enquanto seu genitor se destacava em alguns governos municipais recentes como um dos mais perniciosos e amorais parasitas do poder?

Certo dia, numa conversa pessoal, perguntei à moça como levava para dentro de casa sua retórica questionadora das ruas. Ao que, num rasgo raro de sinceridade, talvez amolecida pelas cervejas anteriores, ela respondeu: “Uma vez perguntei e ele me disse: Filhinha, não pergunte como papai faz para pagar o seu Toddynho”.

Na dúvida se existe exemplificação mais clara do conceito marxista de pequeno burguês, a certeza ecoa ao canto de Seu Jorge: “Burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha, burguesinha/ Só no filé”.

Quem não tem filé, nem Toddynho, que se contente com a distribuição de lanche e café no Centro de Campos, em ato político partidário travestido de caridade. Tudo a mando de quem, além de quebrar a cidade e ser o empregador do papai, municipalizou o Restaurante Popular sem deixar para ele nenhuma previsão orçamentária.

E, no cocho mal disfarçado em prato raso, a distribuição de lanche — sem Toddynho — só durou um dia…

Nem é preciso perguntar como essa gente dorme. Afinal, ausência de noção de ridículo pode ter propriedades mais poderosas que o Rivotril achocolatado do chefe.

Como por exemplo definir a dondoca capaz de ligar para colunista social e questionar que o convidado de honra não foi proibido pela Justiça de ir ao casamento da filha do seu áulico, mas d’ELA? Megalomania pura e simples? Viuvez judicial de luz própria?

Na paráfrase politicamente correta do conhecido dito popular: filhx de sapo, girino é.

 

 

 

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