Opiniões

“Pânico em Carapebus”, 16 anos depois, vira “pânico em Macaé”

 

Cena de 11 de setembro de 2001 marcante para o mundo, à exceção de quem noticiaria do dia seguinte o “Pânico em Carapebus” (Reprodução)

 

 

“Pânico em Carapebus”. A manchete de capa do extinto jornal campista A Cidade, acima da foto de uma vaca morta com as quatro patas para cima, é até hoje motivo de chacota no meio jornalístico local. Era a edição de 12 de setembro de 2001, quando todos os demais veículos de imprensa de Campos, do Brasil e do mundo abriram suas capas com o atentado do grupo terrorista islâmico al-Qaeda, que no histórico (e trágico) dia anterior havia derrubado as Torres Gêmeas em Nova York e atingido parte do Pentágono, em Washington, matando quase 3 mil pessoas.

Na gaiatice inevitável que começou a rolar no jornalismo goitacá daquele início de milênio, a capa de A Cidade teria sido motivada porque, além dos quatro jatos de passageiros sequestrados nos EUA, haveria um quinto avião na ousada ação terrorista. O teco-teco teria sido supostamente capturado em Carapebus e usado pelo al-Qaeda num atentado suicida contra… a vaca.

Diante do ridículo de 16 anos atrás, não é de se estranhar que quem participou diretamente da concepção daquela capa “histórica” de A Cidade continue aprontando suas trapalhadas. A mais recente, num site da região mais conhecido pela reputação caça-níqueis do que pela leitura, elegeu hoje (28) como alvos Carla Machado (PP) e Rafael Diniz (PPS), respectivamente prefeitos de São João da Barra e Campos.

O motivo? Carla e Rafael, como a prefeita de Quissamã, Fátima Pacheco (PTN), reagiram (aqui) na coluna “Ponto Final”, na edição da Folha do último domingo (27), contra a campanha “Menos royalties, mais empregos”, bancada sem preocupação com gastos pelo prefeito de Macaé, Dr. Aluizio (PMDB). Nela, o alcaide da “Princesinha do Atlântico” mergulhou de cabeça na arriscada proposta de redução pela metade (de 10% para 5%) dos royalties pagos aos municípios da região pela exploração de petróleo nos campos maduros (em curva descendente de produção) da Bacia de Campos. A contrapartida seria a promessa duvidosa de gerar 20 mil empregos.

O fato é que quaisquer empregos realmente gerados, só o seriam em Macaé, onde mantêm suas bases a Petrobras e todas as demais empresas que operam na Bacia de Campos. No máximo, quem pegaria a rebarba do suposto incremento seria Rio das Ostras, tradicional cidade-dormitório macaense. Assim, os dois municípios seriam os únicos a lucrar com o aumento, por exemplo, na arrecadação de Imposto Sobre Serviço (ISS). Todos os demais municípios produtores perderiam metade dos royalties dos campos maduros, sem ganhar absolutamente nada.

Não por outro motivo, além de Aluizio, só Carlos Augusto Balthazar (PMDB), prefeito de Rio das Ostras, embarcou na arriscada aventura. Todos os demais municípios produtores e limítrofes são contrários não só à campanha de Aluizio, como ao fato dele fazê-la como presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro). Na última reunião desta, em 17 deste mês, diante da ausência do prefeito de Macaé, começou a se formar uma chapa para assumir no lugar dele a Ompetro. Seria encabeçada por Rafael na presidência, tendo Fátima como vice.

Na dúvida do desfecho da disputa regional, causada pela ambição de dois municípios em prejuízo dos demais, só uma coisa parece certa após a reação de Carla, Rafael e Fátima: o “Pânico em Carapebus” parece ter se transformado, quase 16 anos depois do 11 de setembro de 2001, no “pânico em Macaé”.

Afinal, que outro motivo um prefeito teria agora para usar como “cão de fila” uma pessoa da qual se queixava abertamente por persegui-lo, em seu começo de carreira política, como forma de achaque? Quem mudou? E por quê?

 

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