Opiniões

Vanessa Henriques — Afinal, o que é femicídio?

 

 

 

Novembro de dois mil e dezesseis. Celsiane Queiroz do Amaral, trinta anos, foi estrangulada em Chapéu do Sol, São João da Barra, pelo namorado que já acumulava um histórico de agressões à vítima. Somente na semana passada o autor do crime revelou o local onde havia enterrado o corpo, dez meses depois de ter cometido o assassinato. O namorado afirmou que matou Celsiane devido a “provocações injustas” que ela teria dirigido a ele durante uma relação sexual. Segundo a irmã da vítima, Celsiane costumeiramente apanhava do namorado na frente dos filhos.

Nove de março de dois mil e dezessete. Mônica Gomes Rangel, de vinte e nove anos, foi morta (aqui) com um tiro de espingarda calibre 12 na frente da filha de treze anos, no distrito de Vila Nova, em Campos. O autor do crime foi o ex-marido de Mônica, de quem ela havia se separado pouco tempo antes da tragédia. O assassino confesso justificou o crime alegando ter descoberto um “vídeo íntimo” da esposa.

Doze de setembro de dois mil e dezessete. Dandara Ramos, vinte e um anos, foi morta com dois tiros na cabeça por um homem com quem se relacionava há seis meses, em Conceição de Macabu. O autor do crime confessou sua autoria à polícia e revelou o local no qual havia ocultado o corpo da vítima. Disse que matou Dandara porque ela contou que estava esperando um filho dele. Para ele, a gravidez poderia atrapalhar os planos que tinha para sua vida, dentre eles o de iniciar um relacionamento com outra mulher.

Esses foram três casos de assassinatos de mulheres que aconteceram na região nos últimos tempos. Escolho elencar apenas três de uma longa lista deles. O que os três crimes possuem em comum? São qualificados como feminicídios.

No Brasil, a Lei nº 13.104/2015 alterou o artigo 121 do Código Penal para incluir o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, aumentando a pena do crime e impedindo o pagamento de fiança. Tal alteração segue a recomendação de organização internacionais, como o Comitê sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW), da Organização das Nações Unidas.

Sendo assim, no Código Penal brasileiro, o crime de feminicídio está classificado como um crime hediondo, tipificado nos seguintes termos: é o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino, quando o crime envolve violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher. O feminicídio, então, seria uma forma de violência originada pela desigualdade de poder de que desfrutam mulheres e meninas nas diferentes esferas sociais.

Desta forma, nem toda morte de mulher configura-se necessariamente como feminicídio. A maior parte dos feminicídios acontece no âmbito doméstico e é levado a cabo por parceiros ou ex-parceiros da vítima. Frequentemente os crimes são marcados por requintes de crueldade, como mutilação dos seios ou da área genital, partes do corpo fortemente vinculadas ao feminino, dilacerações do rosto da vítima, além de violência sexual.

O famoso caso da menina Eloá, cujo sequestro pelo ex-namorado Lindemberg culminou em seu assassinato no dia dezessete de outubro de dois mil e oito, é exemplo de um feminicídio em que a vítima recebeu um tiro no rosto e outro na virilha, além de ter apanhado diversas vezes enquanto permaneceu no cárcere. O caso que foi massivamente publicizado pelos meios de comunicação na época (com direito à apresentadora Sônia Abrão transmitindo ao vivo uma ligação para o sequestrador), pode demonstrar algumas características típicas do crime de feminicídio: Lindemberg era um rapaz de vinte e dois anos que não aceitava o término do namoro, tal como outras centenas de milhares de rapazes e homens que veem suas parceiras como sua propriedade, negando a elas o direito de determinarem os rumos de suas próprias existências. “Se ela não for minha, não vai ser de mais ninguém” é frase que não raramente ouvimos desses homens que decidem por fim à vida das mulheres com as quais se relacionaram.

É comum que os meios de comunicação classifiquem este tipo de crime como “passional”, fruto de um lapso momentâneo em que o autor da agressão perde o controle racional sobre as próprias ações e acaba cometendo o assassinato. No entanto, especialistas no tema alertam para o fato de o feminicídio ser o ponto culminante de um processo contínuo de violência já vivenciado pelas vítimas. Antes de serem mortas, essas mulheres já sofriam outros tipos de violência machista de seus companheiros, tais como violências psicológicas e físicas. Essas violências vão desde o controle do corpo dessa mulher, seja através da supervisão de suas vestimentas, do seu direito de ir e vir e de seus direitos reprodutivos e sexuais, até violências físicas que deixam marcas visíveis em seus corpos.

Os feminicídios são entendidos como verdadeiros crimes de ódio e não como “casos isolados”, cometidos por “monstros”, “animais”, doentes mentais” ou qualquer outro nome que frequentemente é atribuído aos homens perpetradores desses crimes. Os “feminicidas” são homens “comuns”, socializados numa cultura machista, que propicia a esses indivíduos a noção de que são senhores da vida dessas mulheres. Não raras vezes os feminicídios acontecem quando a mulher decide se separar, quando existe a possibilidade real ou imaginada de traição (o que fere a noção de “honra” dos autores do crime), quando a mulher engravida e não aceita abortar (e muitas vezes, nesses casos, o autor do crime entende que essa gravidez é uma agressão a ele, culpa exclusivamente da mulher que “não se cuidou”, que quer “arruinar” a vida dele), dentre outros fatores que corriqueiramente acontecem durante relacionamentos.

Para evitar que esses crimes continuem a acontecer em grande escala como é o caso do que acontece no Brasil – país com o quinto maior índice de feminicídio do mundo – é preciso não somente que exista uma potente e articulada rede de enfrentamento à violência contra a mulher, intento que deve conjugar esforços dos três poderes, no âmbito municipal, estadual e federal, como também é preciso investir em ações de educação e reeducação a respeito de temas como gênero, igualdade, diversidade e direitos humanos. Desta forma, poderemos combater noções e valores discriminatórios contra as mulheres que nos são ensinados desde a infância, reproduzidos de geração a geração, e que são, ao fim e ao cabo, a raiz ideológica desses crimes que atentam contra a vida das mulheres.

 

Reforços do blog: Vanessa Henriques volta, Chico de Aguiar e Orávio de Campos chegam

 

Na semana passada, dois novos colaboradores foram anunciados (aqui) e fizeram (aqui e aqui) suas estreias: a historiadora Guiomar Vadez e o jornalista Alexandre Bastos. Mas outras novidades foram prometidas entre os colaboradores deste “Opiniões”. Uma delas é uma jovem velha conhecida dos leitores do blog: a cientista social Vanessa Henriques, que retoma amanhã (30) sua colaboração quinzenal aos sábados.

Os outros dois novos colaboradores são veteranos do jornalismo de Campos: Chico de Aguiar assume um espaço quinzenal no blog às segundas, a partir da próxima (02/10), ao passo que Orávio de Campos Soares escreverá terça sim, terça não, a partir de 10 de outubro.

Abaixo, em palavras próprias, conheça melhor os três e o que cada um pretende trazer a você, leitor do blog:

 

 

Vanessa Henriques, Chico de Aguiar e Orávio de Campos Soares (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Vanessa Henriques — Depois de ficar um período afastada do blog por conta da dificuldade de conseguir conciliar estudos, trabalho e vida pessoal,volto às contribuições quinzenais, trazendo opiniões sobre temas que julgo relevantes para a corrente conjuntura. Na posição de cientista social e atual presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Campos, trarei para o debate questões como violência, sociedade, gênero e sexualidade. Mais uma vez agradeço a oportunidade e fico entusiasmada com a sempre enriquecedora experiência de poder contribuir e aprender com o debate público do nosso município.

 

Chico de Aguiar — Chico de Aguiar é meu nome jornalístico. Sou Francisco Manoel Aguiar Ribeiro, 70 anos, campista, solteiro. O meu pai era campista e minha mãe capixaba. Mas tenho sangue mineiro dos avós maternos. Fiz o curso primário em grupos escolares e no Externato Eucarístico. Sou fundador do Colégio Salesiano, como aluno do curso ginasial. Mas meu melhor momento na vida estudantil foi quando ingressei no curso clássico do Liceu de Humanidades de Campos. Sou bacharel em jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Casper Libero, em São Paulo (SP), cidade onde morei por sete anos, quando fui empregado da Copersucar. Como jornalista fiz carreira nas redações de A Cidade e da Folha da Manhã, em Campos, e na sucursal campista do diário carioca O Dia.

Além de agradecer ao convite do Aluysio pela oportunidade de estar aqui neste espaço, quero propor os temas de minhas reflexões. Sei que tenho a virtude do memorialista. Assim, pretendo escrever sobre música, esportes e outros assuntos relacionados com a nossa cultura. Não obrigatoriamente apenas sobre Campos. Vou buscar uma abrangência, também, sobre o nosso Estado do Rio, sobre o Brasil e sobre o mundo. Sou da geração dos Beatles e dos Roling Stones. A propósito, a frase musical que me acompanha e me guia, eu busquei na canção “Think for yourself”, dos quatro rapazes de Liverpool: “Do what you want to do; and go where you’re going too; think for yourself cause I won’t be there with you”. Sempre só. Vou e faço.

 

Orávio de Campos Soares — Não gosto muito de auto-promoção, mas aí vai o mini currículo: professor mestre em comunicação e cultura (UFRJ), professor do curso de jornalismo do Uniflu (Centro Universitário Fluminense), integra a Academia Campista de Letras, a Academia Pedralva Letras e Artes, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e a Rede Brasileira de Folkcomunicação (Folkcom). Gostaria de abordar assuntos ligados à cultura e às novas tecnologias da comunicação. Mas sempre olhando para frente.

 

Luciane Silva — A sociedade dos camelôs em liquidação

 

 

 

Este é um daqueles textos que classifico como “colhidos na rua”. George Simmel, um sociólogo alemão de ascendência judia, escreveu um texto delicioso sobre o espírito das grandes cidades[1]. Este ar da cidade que “nos faz livres” reúne, em relações de interação muito próximas, pessoas que de outra forma, em outro momento histórico, dificilmente se encontrariam. Estes trilhos de ferro, casebres no meio do barro, túneis subterrâneos em que habitam pessoas e ratos, mercados de pulgas, frangos, panelas e hortaliças. Ou aqueles encontros memoráveis entre os que foram agraciados pela sorte da fortuna, descritos nos contos de Machado de Assis, e aqueles visitados pela desgraça, dependentes de um bom casamento ou da morte de um parente fazendeiro. Ambos flertam na mesma festa de máscaras, interessados ou apaixonados, calculistas ou idealistas, realizam a Grande Comédia da vida moderna. Ao menos pelas poucas horas de duração do baile.

A cidade é, em minha opinião, o grande invento da modernidade. A mais fascinante experiência e o mais aterrador desafio. Quem tem lido os escritos de David Harvey sobre a Índia e outras favelas ao redor do globo pode ter idéia sobre o tamanho do desafio aos pesquisadores em pensar a possibilidade das cidades globais no século XXI. Principalmente, como prover saneamento, condições dignas de moradia? O direito à cidade, tema bastante complexo na obra de Henry Lefebvre nos conduz neste caminho: pensar um tipo de acesso à vida urbana em cidades como Lagos, Mumbai ou São Paulo.

Quem já permaneceu, mesmo que rapidamente em uma cidade com mais de 5 milhões de habitantes, certamente provou da “intensificação de vida nervosa” descrita no ensaio de Simmel. Quantos cálculos diante da velocidade dos sinais, das interações cruzadas por variáveis monetárias, pelas decisões sobre segurança cotidiana e lazer, vizinhança e trabalho? Diante do excesso de estímulos, segundo o autor, o habitante das grandes cidades teria como uma das principais formas de reação a esses estímulos nervosos o desenvolvimento de um caráter “blasé”. Poderíamos pensar em uma escala que vai do desvio de olhares em metrôs ou supermercados, até a reação violenta em situações de interação no trânsito.

Nisto tudo, a experiência urbana se torna indissociável da experiência monetária. Ou mais precisamente, a regulação de todos os aspectos da vida pelo dinheiro. A vida das classes operárias na Inglaterra descrita por Engels, as operações da bolsa de Nova York em 1929, ou o confisco das poupanças no Brasil no governo de Fernando Collor; em todos estes momentos o homem comum foi nivelado pelo quantum do valor que dispunha neste tablado de operações financeiras.

Particularmente, em 2017, tenho andado pelas ruas do Rio de Janeiro observando este gigantesco movimento presente no centro das grandes cidades: o comércio de rua. Entre Alfândega e Cinelândia com atenção especial às ruas próximas da avenida Rio Branco, tenho flagrado um incremento não  apenas da quantidade mas da variedade das mercadorias. Ao mesmo tempo em que as lojas ofertam 60% de desconto em vestuário e eletrodomésticos, os camelôs vendem cavalinhos de brinquedo, moedores de pimenta, “hand spinners” luminosos, queijos curados, pilhas, luminárias, filmes, chicletes, goiabas, programas de computador, roupas, sapatos, canetas, pipocas, amendoins torrados, livros usados, tecidos africanos.

O que mudou em 10 anos de observação? Percebo não só um número maior de mercadorias (inclusive nos trens se vende lasanha congelada, carregadores de celular, coadores de café, chocolates…) como um perfil diferente daqueles que vendem estes itens. Flagro pessoas que recentemente saíram do mercado formal, vestidas com distinção e apuro, idosos em busca de complementação de renda, jovens vendendo azulejos decorados. Uma geração diferente daqueles camelôs que conhecemos, descolados em idas ao Paraguay, conhecedores das regras de divisão das quadras e bancas.

E essa diferença lembrou-me muito aquele homem vendendo maçãs em uma fila interminável de pessoas na Grande Depressão de 29. Rio, 2017, trabalhadores que da noite para o dia se vêem aniquilados pelo desemprego. Em uma cidade que teve seus custos de vida elevados com os megaeventos. A rua como destino de moradia, trabalho, lazer e protesto. A cidade como espaço de contradição e invenção. Esbarramos a cada esquina nestas pessoas que “viraram maçãs”, ou seja, converteram-se no objeto vendido em uma condição de humanidade mutilada. Esbarramos nessa cidade o tempo todo. Mas não há nisso nenhuma fatalidade. A aventura da cidade é coletiva e construída.

A desconfiança como primeira forma da interação e a desigualdade como régua, classificam a cada um de acordo com o pedaço do espaço ocupado. E um dos resultados desta aversão ao estranho, desta desconfiança contínua, é a solidão da grande cidade. Mas, como diz Simmel, os homens resistem. Não só a sua transformação em maçãs, mas a natureza impiedosa do sistema financeiro. Resistem ao nivelamento de todas as qualidades, humores, habilidades e destinos pelo mercado. Inventam novas formas de viver a cidade, recriam espaços e formas de trocas.

Por essa razão devemos saudar com entusiasmo as intervenções urbanas nos muros, o teatro de rua, as serestas, as formas solidárias de troca, a agricultura familiar, os brechós, as formas de habitação alternativas, o artesanato local. E principalmente os espaços de convivência ao ar livre, como a praça São Benedito, a São Salvador ou a simpática “praça do Liceu”. A cidade que queremos é essa. Menos desigual, menos cinza.

(enquanto finalizava este texto, aproveitando o chimarrão em minha cidade, eis que recebo uma ligação impiedosa de um grande banco espanhol, tentando vender um novo produto… ah, os bancos!)

 

[1] http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132005000200010

 

Marcão: “O senhor Anthony Garotinho pensa que todo mundo é bandido como ele”

 

Vereador Marcão (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

— O senhor Anthony Garotinho (PR) pensa que todo mundo é bandido como ele. Chamo de senhor, porque é isso que ele é: um senhor decadente, que já foi prefeito, deputado, governador e candidato a presidente, mas hoje não passa de um ex-presidiário, condenado na Chequinho (aqui, por corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de testemunhas e supressão de documentos) e condenado como chefe de quadrilha armada (relembre aqui), pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, como o (Ronaldo) Caiado (DEM/GO) bem disse na cara dele (reveja aqui), na Câmara Federal. É um bandido condenado duas vezes, além de investigado na Lava Jato e por outros tantos sinais de prática de ilícitos. E será tratado como o bandido que é: na delegacia de Polícia e na Justiça! O Legislativo de Campos, como poder legalmente instituído, não vai se intimidar com as acusações levianas de um bandido.

As palavras duras foram usadas agora há pouco pelo presidente da Câmara Municipal de Campos, vereador Marcão Gomes (Rede). Ele disse ao blog que está estudando, junto ao procurador geral da Casa, Robson Maciel Filho, a melhor maneira de responsabilizar criminalmente Garotinho. Na noite de ontem, diante à sua famosa “casinha na Lapa que papai deixou”, o ex-governador também usou palavras duras contra os vereadores de Campos:

— Todo mundo sabe, hoje, onde funciona o bar da propina, onde todo mês os vereadores vão lá receber, além de tudo que já ganham, uma quantia em dinheiro, cada um — acusou Garotinho, em meio a vários outros ataques (confira aqui), ao ser liberado da prisão domiciliar, por decisão do  Tribunal Superior Eleitoral (TSE), depois de 14 dias preso pela condenação na Chequinho a nove anos e 11 meses.

Vereador do G-5, Jorginho Virgílio (PRP) se sentiu ofendido com as declarações e apresentou (aqui) uma queixa-crime contra Garotinho, na manhã de hoje, na 134ª DP de Campos:

— Eu, como vereador, não posso aceitar um tipo de acusação inverídica. Vim fazer uma queixa-crime contra ele. Os meus advogados já estão preparando toda a documentação para entrar com uma ação criminal, para que ele possa provar o que denunciou ontem à noite — disse Jorginho. Além da própria Câmara de Campos, outros vereadores devem tomar o mesmo caminho contra o ex-governador.

 

Durante a prisão de Garotinho, Campos não teve protestos. Por que será?

 

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (28) na Folha

 

 

Coincidência?

Durou pouco mais de 13 dias a prisão domiciliar e a incomunicabilidade do ex-governador Anthony Garotinho (PR). Condenado no último dia 13, pelo juízo da 100ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos, a nove anos e 11 meses de cadeia pelos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de testemunhas e supressão de documentos, Garotinho teve a prisão e todas as medidas cautelares suspensas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na noite de terça (26). Coincidência ou não, nestas quase duas semanas, Campos não teve quase nenhum protesto popular, nem de categoria, como servidores ou motoristas de vans e lotadas.

 

Garotinho e Rosinha convocam

O dia de ontem (27), seguinte à concessão de habeas corpus pelo TSE, foi gasto com formalidades jurídicas para o cumprimento da decisão da instância máxima da Justiça Eleitoral brasileira. Uma reunião com a militância, engordada pelos que andaram sumidos durante os 13 dias de prisão do líder, chegou a ser convocada nas redes sociais por Garotinho e sua esposa, a ex-prefeita Rosinha Garotinho (PR). Seria às 18h de ontem, no Clube de Regatas Rio Branco, no Centro. Mas, diante dos contratempos burocráticos à liberação do ex-governador, acabou sendo adiada para hoje (28), a priori nos mesmos local e horário.

 

Protestos à míngua

Se a reunião acontecer mesmo hoje, impossível contabilizar a quais categorias e bairros pertencerão os militantes presentes. Mas, nos pouco mais de 13 dias em que Garotinho ficou preso, só duas manifestações ocorreram em Campos: na última quinta (21), pais de alunos e funcionários da Escola Municipal Heitor Alves Barreto, em Ponta de Coqueiros, fecharam (aqui) a RJ 216 contra demissão de uma diretora; enquanto na última terça (26), motoristas e cobradores da empresa Rogil paralisaram (aqui) o serviço, reivindicando os salários de agosto, mesmo com a confirmação do pagamento do consórcio por parte do município no referido mês.

 

Ameaça dos RPAs

Bem verdade que os médicos que trabalham para a municipalidade com Recibo de Pagamento Autônomo (RPA) ontem já ameaçavam cruzar os braços. Segundo eles, o atraso no pagamento chegaria a dois meses. Em comunicado da superintendência da Comunicação, a Prefeitura admitiu dificuldade no pagamento de agosto. Ninguém discute que quem trabalha, sobretudo numa área essencial como a Saúde Pública, tem que receber. Mas a lógica nem sempre é a tônica de quem insufla os protestos para criar o clima de caos na cidade.

 

Quanto pior, melhor

Condenado a oito anos de inelegibilidade na mesma Chequinho que prendeu Garotinho, o ex-vereador Albertinho (PMB), por exemplo, já foi flagrado tanto nos protestos de motoristas de vans e lotadas que se acostumaram a parar impunemente a cidade (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), quanto na paralisação dos rodoviários (aqui) do último dia 4, pedindo fiscalização às vans e lotadas. Nessa ausência de lógica reunida contra a cidade, ontem, diante à “casinha na Lapa” de Garotinho, a militante do ex-candidato a prefeito Caio Vianna (PDT), Josy Vaz, gritava às vans e lotadas que passavam: “A perseguição vai acabar”. E depois vociferava aos ônibus: “A passagem a R$ 1,00 vai voltar”.

 

Expectativa

A retomada da Bacia de Campos é a grande aposta das cidades que fazem parte da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro). Ontem, enquanto dez novos blocos na região eram arrematados em leilão da 14ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás, a busca por investimentos nos campos maduros também levou o prefeito Rafael Diniz à sede da Petrobras, em Macaé, para um encontro com o gerente geral da Unidade de Operações de Exploração e Produção na Bacia de Campos (UO-BC), Marcelo Batalha. A projeção é que R$ 10 bilhões sejam aplicados nos próximos anos onde já há exploração.

 

Socorro

A expectativa é de que o aumento da produção de petróleo eleve a receita de royalties e participações especiais dos municípios. A curto prazo, esses investimentos podem gerar impactos socioeconômicos positivos, com destaque para a geração de empregos, na arrecadação de impostos, como ISS (Imposto Sobre Serviços) e dinamização de serviços e comércio. Diniz ressaltou que os municípios estão unidos por ações de desenvolvimento.

 

Com o jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

Amaerj repudia declarações de Gilmar Mendes no julgamento de Garotinho no TSE

 

Em notas postadas neste blog (relembre aqui), a Folha já teve suas discordâncias públicas com a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj). Mas a entidade produziu uma nota sobre as declarações do ministro Gilmar Mendes, que ontem cobrou (aqui) “vergonha na cara” ao fazer a defesa mais veemente do habeas corpus do ex-governador Anthony Garotinho (PR), deferido por 4 a 2 no plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em nome do contraditório a um dos magistrados mais impopulares da República, também ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), confira abaixo:

 

 

 

 

A Amarej repudia as declarações desrespeitosas do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, contra a atuação dos juízes brasileiros. Ao votar pelo fim da prisão domiciliar do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, nesta terça-feira (26), o ministro ofendeu e desqualificou o trabalho dos magistrados e do Poder Judiciário.

Em um momento de luta contra a corrupção, Gilmar Mendes disse que magistrados “aproveitadores” praticam “populismo constitucional” ao cederem à opinião pública para manter prisões. Sem mencionar nomes, afirmou que “é preciso parar de brincar com a liberdade das pessoas” e “ter vergonha na cara”.

A prisão domiciliar de Garotinho foi determinada e devidamente fundamentada pelo juiz Ralph Manhães, da 100ª Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes, que o condenou a 9 anos e 11 meses de prisão por corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de duas testemunhas e supressão de documentos. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).

A Amaerj defende a independência judicial da magistratura e manifesta apoio integral aos juízes do País, que têm se conduzido com coragem e firmeza. Os resultados do trabalho dos juízes e seu retorno à sociedade são públicos. É fundamental que sejam valorizados pela relevância de sua atuação e não depreciados, principalmente por uma autoridade, como o presidente do TSE e membro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma Justiça forte, independente e resistente a pressões, de onde quer que venham, é um dos pressupostos do Estado de Direito e da democracia.

 

Atualização às 18h25 : a nota da Amaerj foi publicada antes aqui, no blog “Na curva do rio”, de Suzy Monteiro

 

Ricardo André Vasconcelos — De volta ao passado

 

Kennedy e Khrushchov evitaram a guerra em 1962 e em nada lembram Trump e Kim Jong-un

 

 

“É preciso dar um basta a essa maldita fabricação de armas. O mundo precisa fabricar é paz”.

Homilia de D. Hélder Câmara, na Missa dos Quilombos (disco gravado em 1982 por Milton Nascimento e os bispos D. Hélder Câmara e D. Pedro Casaldáliga).

 

Talvez desde a crise dos mísseis soviéticos em Cuba, naqueles 13 dias que abalaram o mundo em outubro de 1962, o Planeta nunca tenha flertado tanto com o apocalipse como nestas últimas semanas. Diferente de meio século atrás, dois idiotas convictos têm o poder de apertar os botões e iniciar a guerra do fim do mundo. De um lado, o ditador Kim Jong-Un, terceiro de uma dinastia bélica, afronta o mundo civilizado com armas nucleares apontadas para o Japão e, garantem, com poder de fogo para atingir os Estados Unidos. Na outra ponta da insana disputa, o líder da nação mais poderosa da Terra, Donald Trump, com a sutileza de um elefante em casa de louças, tuíta ameaças de destruição total — “fogo e fúria” contra a Coreia do Norte.

“É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos Estados Unidos. Enfrentarão fogo e fúria como o mundo nunca viu”, declarou Trump em seu clube de golfe em Bedminster, Nova Jersey, onde passava férias há duas semanas. “Agora, Trump insultou a mim e ao meu país diante dos olhos do mundo e fez a mais feroz declaração de guerra da história, de que ele destruiria a República da Coreia do Norte”, completou Kim, retribuindo as ameaças na sequência. “Definitivamente, domarei com fogo esse americano senil mentalmente perturbado”, afirmou Kim Jong-un.

Em nada lembram os estadistas Jonh Kennedy e Nikita Khrushchov, que evitaram em 1962, a guerra numa delicada operação diplomática em que os instintos de sobrevivência dos dois líderes mundiais falaram mais alto. O filme “Treze Dias que Abalaram o Mundo”, de Roger Donalson (2000), retratam como esses dois homens evitaram o primeiro disparo porque sabiam quem depois de iniciada seria praticamente impossível impedir a destruição total.

Naquele cenário de guerra fria resumida às duas grandes potências que dividiram o mundo em dois ao final da Segunda Guerra (1939-1945), apenas elas, União Soviética e Estados Unidos eram potências nucleares. Atualmente o cenário é mais grave porque os conflitos são pulverizados por diversas áreas do Planeta e uma dezena de nações tem armas nucleares, incluindo a Coreia do Norte e outros países tão instáveis quanto, como Paquistão, Índia, além das potências econômicas, China, Reino Unido, França, Rússia, Israel e Estados Unidos. No Irã dos aiatolás há suspeitas não confirmadas, ainda.

Ao longo da história, as guerras entre os povos foram justificadas com argumentos econômicos e expansionistas em um mundo ainda em construção. Conquistadores — heróis-bandidos — movidos pela ambição de ampliar territórios e impor sua cultura, como Alexandre, Júlio César, Gengis Khan, Napoleão, Hitler ou Stálin estariam confinados aos livros de história com os ares pacifistas que respiramos a partir dos anos finais do século XX. Os acordos de não proliferação das armas nucleares e a desmobilização de arsenais atômicos na Ásia, Europa e mesmo nos Estados Unidos, autorizavam-nos a sonhar com um mundo futuramente livre da ameaça de destruição. Ledo engano.

Como a morte que espreita o homem desde o berço, o espectro da autodestruição paira sobre nossas cabeças. De novo estamos de volta ao passado!

 

Peão no jogo de Brasília, Campos terá governo no foco e Garotinho na oposição

 

Charge do José Renato publicada hoje (27) na Folha

 

 

 

 

Garotinho, o retorno

Acabou o suspense. Por quatro votos a dois o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não só revogou (aqui) a prisão domiciliar do ex-governador Anthony Garotinho (PR), na famosa “casinha da Lapa que papai deixou”, como suspendeu todas as medidas cautelares determinadas (aqui) pelo juiz Ralph Manhães, na 100ª Zona Eleitoral de Campos, depois confirmadas (aqui) por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Na prática, assim que for publicado o acórdão do TSE, Garotinho não usará mais tornozeleira eletrônica, poderá falar sobre o processo, retomar seu programa de rádio na Tupi e ir para onde bem entender.

 

Trilha de Rosinha

Assim que a decisão do TSE foi definida no Planalto Central, fogos espocaram na Planície Goitacá. Na rua Saturnino Braga, na Lapa, multiplicaram-se os militantes do garotismo. Rosinha Garotinho (PR) saiu à rua para comemorar com eles. Ela cantou o louvor “Senhor do Universo”, sendo seguida pela execução de “Como é grande o meu amor por você”, de Roberto Carlos. Apesar do histerismo da última quinta (21), quando gravou (aqui) um live na casa de uma vizinha, para dizer que seu marido não havia descumprido a prisão monitorada pela tornozeleira, a ex-prefeita se mostrou certa ao apostar todas as fichas do casal em Brasília.

 

Aviso de Clarissa

Bem mais contida (e irônica), a secretária municipal de Trabalho do Rio de Janeiro, Clarissa Garotinho (PRB), também parecia antever a decisão de ontem. Em resposta (aqui) a um texto de Gustavo Matheus (PV), seu primo e superintendente de Trabalho em Campos, a deputada federal licenciada cometeu gafes, como elogiar o Cepop — símbolo maior de desperdício do dinheiro público na gestão municipal rosácea. No entanto, diante do pai chamado de “leão desjubado”, Clarissa pareceu segura ao ecoar a todos o aviso ao primo: “A ‘juba’ do seu tio vai crescer de novo. Você pode estar ao lado dos leões, não precisa se juntar aos caçadores!”.

 

Sobem

Pelo sim, pelo não, Garotinho ontem não pôs a cara fora da “casinha da Lapa”. Nem da janela. Mas tão logo seja liberado a fazê-lo pela porta da frente, nada indica que usará o passado recente como lição de humildade (ou cautela) ao futuro. Sobretudo após ter ontem a aparente garantia de que, salvo fato novo, não será preso novamente pela 100ª ZE ou TRE, sem o crivo do TSE. Presente lá ontem, após passar a morar em Brasília para defender o líder, cresce dentro do grupo o conceito do advogado Thiago Godoy (PR), candidato à vaga aberta pela nomeação de Francisco de Assis Pessanha Filho ao Tribunal de Justiça (TJ) do Estado do Rio.

 

Jurisprudência

Ex-advogado de Rosinha, na segunda cassação desta como prefeita, em 2011, o atual relator da Chequinho no TSE, Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, não viu fato novo que justificasse a prisão domiciliar ou as medidas cautelares. De fato, nova foi só a confusão com a tornozeleira, sobre a qual Rosinha estava correta e que não ajudou a quem queria Garotinho preso. Contra o voto do relator, ficaram apenas os ministros Rosa Weber e Herman Benjamin. Este, embora favorável ao recurso em liberdade, preferiu votar por escrito e separado, por discordar que se firmasse com a decisão de ontem uma jurisprudência contra a instituição da prisão preventiva.

 

Vergonha na cara?

Quem cega além do primeiro algarismo, talvez não tenha visto o dois seguinte numa operação de soma, tampouco o quatro como resultado final da equação. Para estes, o julgamento de ontem foi só sobre Garotinho. Com a decisão favorável a ele defendida ardorosamente pelo insuspeito presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, Benjamin pareceu antever a formação de uma jurisprudência que visa, de maneira mais ampla, livrar a cara de uma elite política corrupta e acossada em investigações como a Lava Jato — da qual a Chequinho é consequência inequívoca. Por via das dúvidas, em sua fala, Gilmar cobrou “vergonha na cara”.

 

Jogo jogado

Mero peão no jogo do Planalto Central — como quando a “venda do futuro” de Campos foi trocada (aqui) com o governo federal Dilma Rousseff (PT), pela abstenção da deputada Clarissa na votação do impeachment da ex-presidente —, a Planície Goitacá retoma sua velha realidade. Com a liberdade física, de palavras e atos a Garotinho, o governo Rafael Diniz (PPS) voltará ao foco, com o retorno do seu mais articulado e raivoso opositor. Fatos como a paralisação (aqui) dos rodoviários da Rogil, ou o corte de luz (aqui) nas unidades municipais por falta de pagamento, todos ocorridos ontem, não serão mais eclipsados pelas desventuras da Lapa.

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

Enquanto TSE não julga HC de Garotinho, disputa na família resume a cidade

 

Na ausência do blogueiro, desde quinta (21) passada, pouca coisa parece ter mudado em Campos. A grande expecatativa em torno do pedido de Habeas Corpus (HC) do ex-governador Anthony Garotinho (PR), da sua prisão domiciliar na famosa “casinha da Lapa”, que será julgado daqui a pouco, a partir das 19h, no plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

Enquanto não se decide se Garotinho recorre livre ou em prisão domiciliar da condenação (aqui) de nove anos e 11 meses pelos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento e coação no curso do processo da Chequinho, o clima quente da cidade ficou evidenciado numa disputa coadjuvante e familiar na blogosfera goitacá. O superintendente de Trabalho e Renda de Campos, Gustavo Matheus (PV), escreveu (aqui) no Blog do Bastos. E foi respondido (aqui) pela prima, a secretária de Desenvolvimento, Emprego e Inovação do Rio de Janeiro e deputada federal licenciada, Clarissa Garotinho (PRB), no Blog do Ralfe Reis.

Para saber quem levou a melhor, sem ainda saber quem parecerá melhor ao final do dia, confira abaixo:

 

 

 

Nunca foi tão fácil criticar Garotinho

Por Gustavo Matheus

 

Nunca foi tão fácil criticar e jogar pedra no ex-governador Anthony Garotinho. Recordo-me, no entanto, de uma época em que os poucos que o faziam eram taxados de loucos ou corajosos, tendo em vista o arsenal de possibilidades de retaliação que o então poderoso Garotinho possuía guardado em seu estalar de dedos. Rádios, jornais, jornalistas, políticos, desembargadores e tantos outros, todos, em sua “folha de amizades e favores”.

Este humilde interlocutor mesmo “sofreu” com as alcunhas por dizer o que pensava, assim como outros poucos.

“Este menino é louco”, alguns diziam. “Rapaz corajoso”, outros bradavam. Enquanto isso, minha caixa de correios transbordava de notificações, intimações e processos, pois o exército jurídico do ex-deputado não dormia no ponto. Até porque, sua motivação era abastada, e bem abastada, por milhões e mais milhões oriundos, sem escrúpulos e meias palavras, de nosso atual sofrimento, do sangrar da máquina pública.

É fácil, muito fácil, cutucar um leão “desjubado”, sem garras, dentes, fome e, sobretudo, orgulho. Mas cantei esta pedra há bastante tempo, no auge do rei da selva. Narrei o fim do ex-deputado, o mesmo que hoje se desenha, enquanto a sua filha, a então deputada Clarissa, dizia, às gargalhadas debochadas, que a oposição em Campos não fazia nem “cosquinha”. E também quando sua mãe, dona Rosinha, ganhava no primeiro turno.

Mas, como dizia minha vó, tudo que antecede um “mas” não passa de vento. Porém, se o “mas” é assassino de contexto, a memória é curta e o saudosismo cego. Por vezes nos esquecemos do que sempre soubemos e acabamos lembrando com carinho do que nunca existiu. Só precisamos tomar cuidado, porque o leão não morreu e a juba cresce.

 

 

 

Carta aberta ao primo Gustavo Matheus

Por Clarissa Garotinho

 

Prezado primo Gustavo,

Fiquei pensando se deveria responder a este “humilde interlocutor” como você se refere. Mas resolvi fazê-lo apenas para corrigir um equívoco do seu texto publicado pelo Blog do Bastos.

Você diz que hoje é fácil criticar o Garotinho, um “leão desjubado”. E conta vantagem dizendo que você destemidamente já o criticava quando ele “estava no auge e era o Rei da Selva”.

Quanta bobagem, primo…

Seu tio Garotinho denunciou à Procuradoria Geral da República mais de 150 políticos, agentes públicos, empresas e juízes.

O seu tio Garotinho denunciou a Globo ao vivo quando foi entrevistado por aquela emissora. Denunciou a CBF e Ricardo Teixeira e o todo poderoso ex-presidente do TJ do Rio, Luiz Zveiter.

Primo, fala sério! Ele não está preocupado com você…!

Mas vamos ao que interessa, primo.

No seu texto você diz que aqueles que criticavam o Garotinho eram taxados de “loucos” ou “corajosos”. Esqueceu de falar dos “aproveitadores”, daqueles que utilizam a crítica como trampolim. Esqueceu de falar dos “invejosos”, que não se conformam com o sucesso de um garoto humilde, de uma cidade do interior, que cresceu sozinho e se tornou prefeito, governador e teve mais de 15 milhões de votos para a presidência da república.

Primo, o seu tio Garotinho, irmão da sua mãe Ketinha, construiu o Trianon, um dos maiores teatros do interior do Brasil. Reabriu o Ferreira Machado, construiu a importante ciclovia da 28 de março, fez o calçamento de grande parte de Guarus. O seu tio Garotinho pediu ao ex-governador Brizola e a Darcy Ribeiro para fazer a UENF em Campos, além de ter feito quase 70% da obra desta Universidade. Fez uma centena de creches e postos de saúde.

A sua tia Rosinha Garotinho construiu aquela ponte que diziam que “ligava nada a lugar nenhum” mas que foi a salvação da nossa cidade na última grande enchente. A Rosinha construiu o CEPOP, que mudou a cara do nosso carnaval e passou a abrigar muitos eventos como a nossa Bienal do Livro. Duplicou a RJ que liga a baixada ao centro campista e construiu milhares de casas.

Eu entendo, primo! É comum muitos jovens almejarem a fama, o sucesso… tem gente fazendo de tudo pra aparecer.

Mas você, primo! Faça como o seu tio. Use o seu talento para construir, para fazer a diferença na vida das pessoas! Pois até agora o seu único “feito” tem sido criticar a sua família. Isso também faz parte do comportamento de muitos adolescentes. Neste caso você já passou um pouquinho da idade.

A sua bronca, primo, é porque você tinha sido contratado, a pedido do nosso tio Nahim, por uma empresa terceirizada que trabalhava para o setor de licitação da prefeitura. A Rosinha não concordou porque não era conveniente um sobrinho da prefeita trabalhando nesse setor e você ficou chateado. Mas não misture as coisas.

Primo, o seu tio Garotinho está injustamente sendo condenado por garantir o alimento na mesa de famílias pobres que precisam do amparo do Governo. Não tem nada mais terrível para um ser humano que a fome.

Seus textos agressivos contra o seu tio Garotinho ainda são recheados de ingratidão. Pergunte à sua mãe tudo o que seu tio fez pela sua família pelo tempo que foi preciso.

Por fim, primo, lembro de quando a gente era criança e fazíamos uma dupla cover: eu era a Sandy e você o Júnior! Época boa em que a gente não se preocupava com a política, essa que separa amigos e até mesmo parentes.

Torço por você, cara! A “juba” do seu tio vai crescer de novo. Você pode estar ao lado dos leões, não precisa se juntar aos caçadores!

Sua prima Clarissa.

 

Ocinei Trindade — O terror, o empoderamento, a tornozeleira e a despedida

 

 

 

O crime encurrala governos e cidadãos de bem. Nos últimos dias, na favela da Rocinha, capital do Rio de Janeiro, traficantes de drogas e armas demonstraram, mais uma vez, do que são capazes. Por outro lado, o governador Luiz Fernando Pezão, o secretário de Segurança Pública e a Polícia Militar demonstraram outra vez do que são incapazes: combater ou impedir crimes de violência urbana. Chamem o Exército. A falência do estado do Rio de Janeiro serve como indicador da falta de autoridade das autoridades legitimadas e do colapso político iminente em todo o Brasil.

Governos que não governam, legislativos e judiciários que atendem a interesses corporativistas (incluindo os de criminosos), e não os da população: para que servem? Estão no poder e têm acesso a bilhões, trilhões, zilhões de reais em orçamentos públicos, mas a tal da corrupção e os desvios de recursos da Nação são práticas recorrentes, utilizadas sob o estigma do “rouba, mas faz”.  Até quando a sociedade aguenta estas violências todas de uma “guerra” que parece não ter fim? O Rock in Rio e a “Rockcinha” in Rio apavorante dividiram holofotes. Festa e guerra genuinamente cariocas.

É mera sorte estar vivo em meio ao terror imposto por bandidos, pela omissão e ineficiência do Estado. A insegurança pública, seja na capital fluminense, em Campos ou em qualquer lugar do Brasil, é só um dos problemas graves enfrentados pela população.  O desemprego, a desigualdade social, a péssima educação oferecida, a saúde pública em constante agonia, além da destruição de nossos recursos naturais, deterioração de cidades e espaços púbicos, o caos nosso de cada dia nos sufoca e nos mata de um jeito ou de outro. A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, disse que os problemas dos brasileiros só podem ser resolvidos pelos brasileiros. Como?

Penso que, se os representantes eleitos democraticamente, e se as instituições legalmente constituídas não solucionam coisas básicas como escola, hospital, transporte, segurança, desenvolvimento e bem-estar, caberá à sociedade desunida, estratificada, hierarquizada e individualista achar uma saída? Os acontecimentos que sinalizam para uma convulsão social afligem e afastam entendimentos, diálogos e confiança a curto prazo, me parece. Otimismo não costuma funcionar no meio de tiroteios, balas perdidas ou direcionadas.  Se alguém leu este texto até aqui, merece ser cumprimentado. Afinal, vivo está. Sorte. O pior está por vir, já avisou o mega traficante preso Fernandinho Beira-Mar.

Até setembro de 2017, mais de 100 policiais morreram no estado do Rio de Janeiro em confrontos com bandidos. Por dia, em média, 16 pessoas são vítimas de criminosos por balas perdidas, assaltos e assassinatos na capital, a deslumbrante Cidade Maravilhosa, “purgatório da beleza e do caos, capital do sangue quente, do melhor e do pior do Brasil”, segundo Fausto Fawcett. De dois em dois anos, elegemos homens e mulheres para governarem as cidades, os estados e o país, além de representantes nos parlamentos municipais, estaduais e federal. Não tem funcionado.

Por termos políticos ineficientes e corruptos, o fantasma dos golpes militares volta a rondar o país (como se militar fosse sempre sinônimo de honestidade e garantia de qualquer coisa boa e ordeira, veja que ingenuidade). Pessoas sem instrução ou com bastante escolaridade apelam para os extremos de esquerda ou de direita, se valendo de discursos raivosos e intolerantes, como o do presidenciável Jair Bolsonaro. Apontado por alguns como o novo salvador da Pátria, considero-os, me perdoem, no mínimo imbecis. Sei que está difícil eleger qualquer político brasileiro. Não culpo simpatizantes de Bolsonaro, Lula, Ciro ou Marina, pois temos tradição em eleger messias imbecis para nos salvar, ou, para nos dar alguma vantagem pessoal. Figuras como Temer, Lula, Garotinho, Rosinha, Dilma, Aécio, Cabral, Cunha, Maia e seus pares representam o pior de uma sociedade investida de malícia, astúcia, encenação, gana para perpetuação no poder, além de mentiras e traições contratuais.

Estamos no fundo do poço, mas alguém ainda acredita que eleições diretas já ou em 2018 mudarão alguma coisa. Infelizmente, ainda não. Quem precisa mudar (e muito, e para muito melhor) é o povo brasileiro cheio de qualidades e de graves defeitos. Quem estará disposto a sacrificar-se a si próprio, a família, os bens ou os sonhos em favor de um país?

Não faz muito tempo que a palavra “paradigma” passou a fazer parte do vocabulário de nove entre dez pessoas que se diziam informadas, instruídas e convictas de mudanças ou transformações sociopolíticas. O termo vinha precedido do verbo “quebrar”. Virou lugar comum a expressão. Repetida diversas vezes na mídia, nas palestras, nas salas de aula, nas igrejas, nos partidos políticos, a necessidade de “quebrar paradigmas” ficou batida pelo caminho. Com as trapalhadas da política brasileira e a incompetência de diversas instituições, arrisco dizer que, esfarelaram os paradigmas já antes quebrados.

Com modelos fracassados e desmoralizados, estamos agora em busca de “empoderamento”, a nova expressão de ordem, da vez ou da hora. O empoderamento da mulher, o empoderamento dos gays, o empoderamento dos negros, o empoderamento de religiosos, o empoderamento de ateus, o empoderamento das minorias, o empoderamento dos sem voz e dos sem vez. Assim como “paradigma”, o tal do “empoderamento” me irrita, confesso, devido à uma certa vulgaridade ou vã repetição exercidas em rodas intelectualizadas e em discursos de ativistas.

Sou a favor dos que defendem qualquer causa, veja bem, da liberdade de expressão, da escolha e da prática de qualquer idioma ou vocabulário que sirvam para comunicar, educar, transformar, elevar a vida de qualquer pessoa, animais ou da própria Natureza que carece de todos os cuidados, zelos e ações. Todavia, ainda me baseio na Constituição Federal cidadã que diz “todo poder emana do povo”. Ingenuidade e poesia textuais? O povo poderoso e empoderado não é legitimado pela Carta Magna? Revestido de tanto e de todo o poder, por que ainda vivemos atolados em sujeiras e chiqueiros, submetidos às minúsculas elites que se apoderam de tudo?

Confesso não entender até hoje a necessidade de empoderamento das mulheres nos últimos anos no Ocidente, pelo menos. Desde pequeno, minha mãe e as mulheres da minha família sempre foram de personalidade forte, além de grandes gestoras de pessoas e de finanças, donas de opiniões e argumentos. Eram e são referências de mulheres de poder, apesar de não se intitularem feministas (talvez desconheçam o significado). Não é muito diferente o matriarcado brasileiro, pois há décadas, mulheres chefiam famílias e administram casa e trabalho como nenhum homem consegue. Se elas recebem salários menores que os homens, também não entendo.

Ainda não compreendo como uma sociedade pode ser machista quando é de maioria feminina. Se temos homens educados sistemática e significativamente por mulheres (mães, avós, tias e professoras), por que o nível de igualdade entre homens e mulheres não se equipara? Historicamente, temos (poucas, é verdade) mulheres que se destacaram à frente de influentes países. Na antiga Inglaterra, Elizabeth I; Em Israel, Golda Meir; no Reino Unido, Elizabeth II e Margaret Thatcher; na Nicarágua, Violeta Chamorro; no muçulmano Paquistão, Benazir Buttho; na machista Índia, Indhira Gandhi; e mais recentemente, a icônica chanceler Ângela Merkel que governa a Alemanha há doze anos e terá mais quatro de mandato. Mulheres empoderadas causam inveja ou servem de exemplo para outras mulheres e outros homens do mundo? Algumas dessas líderes mundiais experimentaram poder e perseguição, algumas morreram assassinadas. Empoderamento ou poder têm muitos riscos.

Talvez, por influência de Nossa Senhora, costumamos olhar para mulheres poderosas como Maria, mãe de Jesus, associando-as à figura idealizada da mulher sinônimo de força, nobreza e pureza incorruptível. As mulheres já foram apontadas como uma solução moralizadora na política. Entretanto, não é bem assim. A atriz Marília Pêra, que já foi ridicularizada por ter votado em Fernando Collor em 1989, passou a ser patrulhada a cada nova eleição presidencial pelo voto infeliz que declarou. Quando Dilma Rousseff se tornou candidata à presidência, um jornalista procurou a atriz para que opinasse sobre as mulheres no poder. Temerosa por novas críticas, e julgando-se ignorante politicamente, a grande diva brasileira respondeu assim ao jornal O Globo: “Não sei de onde tiraram a ideia de que mulheres na política significa mais honestidade. Isto não é uma garantia, pois as mulheres são terríveis, e eu sei disso, sou uma mulher”.

Sem querer gerar intriga feminina e feminista, não posso deixar de questionar: afinal, o que querem as mulheres? Eu penso que mulheres, homens, gays, negros, deficientes físicos, religiosos e ateus, todos, não carecem de mais empoderamentos, mas antes de qualquer coisa, precisam de respeito, respeitarem e serem respeitados em suas diferenças e semelhanças.

Se todos merecem respeito, os ex-governadores Rosinha e Anthony Garotinho também merecem, desde que respeitem outras pessoas, as instituições e as autoridades judiciais, como qualquer cidadão com ou sem foro privilegiado. A sentença que condenou Garotinho à prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica vem causando mexericos, piadas, discussões, críticas e ataques via mídias sociais. Grandes comunicadores e mobilizadores de massas, o casal Garotinho protagoniza mais um episódio barulhento na política.

Poderosos ou empoderados, marido e mulher fazem história há algumas décadas em acontecimentos escandalosos em suas gestões, e nas grandes disputas eleitorais. Ainda não sabemos se o casal chegou ao fim de carreira. Rosinha vem aparecendo como uma espécie de viúva de marido vivo, em tom dramático, quase argentino, de viúva de marido morto, como a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner um dia se fez. A ex-governadora do Rio diz que ela e seu marido sofrem perseguição e são vítimas de injustiças por parte daqueles que condenaram Garotinho.

Por ser uma mulher poderosa e empoderada, Rosinha não se intimida em denunciar “a injustiça” sem maquiagem e sem retocar a raiz do cabelo, seja na porta de casa, em entrevistas coletivas ou no Facebook com vídeos caseiros, assumindo, aliás, que tem dopado o marido com calmantes para ele não sofrer ou morrer de tristeza pela “injusta” condenação que o mantém isolado, proibido de usar telefones ou internet, e de receber visitas apenas da família e advogados.

Entre as denúncias de perseguição, Rosinha se defende em vídeo desesperado e histérico, da acusação de violação da tornozeleira utilizada pelo ex-governador. Confessa que contrariou orientações de advogados para que não fizesse vídeos e não postasse nas redes sociais. Porém, devido ao “terrorismo” que vem sofrendo, ela precisava compartilhar com a população, com seus eleitores, com a imprensa e com as autoridades, a “mentira” que inventaram de Garotinho ter deixado a prisão domiciliar sem autorização da justiça ou polícia federal. Rosinha me comoveu, confesso. Qual homem que não se constrange quando uma mulher chora?

Não sabemos ainda o desfecho ou os desdobramentos das acusações e julgamentos de processos que envolvem o casal de políticos mais emblemático do estado do Rio de Janeiro. A calçada em frente à casa rosa da Lapa virou ponto de peregrinação e muro das lamentações. Porém, Garotinho foi dopado. Adormecido, deve sonhar com a liberdade e à volta aos braços do povo se reelegendo ao governo estadual, se elegendo presidente do Brasil ou da ONU, um dia.

Ainda não compreendo a falta de tornozeleiras eletrônicas no Brasil ou a falha do equipamento utilizado por criminosos condenados pela Justiça. O Supremo Tribunal Federal e o Ministério da Justiça poderiam assistir ao filme americano de 1991, Aliança Mortal (Wedlock), dirigido por Lewis Teague, e estrelado pelo extraordinário ator holandês Rutger Hauer, para solucionar o grave problema das cadeias e prisões brasileiras com um super equipamento eletrônico.

Na trama cinematográfica, cada prisioneiro tem um parceiro desconhecido e todos usam um colar explosivo. Caso o preso se afaste do grupo ou do par anônimo por uma determinada distância. o explosivo é acionado matando os dois condenados. Bum!!! Fuga possível, mas com risco de morte provocada pelos próprios criminosos sem a participação do Estado. É ficção, mas como diz Rita Lee, a rainha das mulheres poderosas e empoderadas do Brasil, “toda lenda é pura verdade” (ou deveria ser, penso). Fica a dica para os magistrados. Por falar em Rita Lee, a roqueira genial de Sampa é autora de uma canção extraordinária chamada “Todas as mulheres do mundo”, de 1993. O refrão diz o seguinte:

“…Toda mulher quer ser amada, toda mulher quer ser feliz, toda mulher se faz de coitada, toda mulher é meio Leila Diniz…”

A letra diz ainda “Elas querem é poder”, em outro trecho. Se elas querem, elas podem. Se Rita Lee pode; se Rosinha Garotinho pode; qualquer mulher pode, qualquer homem também pode. Ou não podem?

Não vai dar tempo de falar muito sobre a “cura gay” (que não existe). Eu apoio qualquer pessoa que se sinta infeliz com sua sexualidade e queira buscar apoio em qualquer consultório de psicologia, psicanálise, igreja, templo, terreiro de umbanda e afins. Tudo é valido para que ninguém seja infeliz, porém, que fique bem claro, ser homossexual não é motivo de vergonha, não é doença, não é anormal e não tem remédio ou cura. Ser heterossexual ou bissexual também não tem cura, e não deveria incomodar a ninguém.

A sexualidade é uma característica individual. Dá para ser feliz praticando sexo ou abrindo mão de sexo (esta não é a coisa mais importante da vida, pois cedo ou tarde, todo mundo broxa). Bom mesmo é se apaixonar, amar e cultivar amizade. Ninguém deve ser obrigado a nada, mas se amar e se aceitar do seu jeito, creio, é bem melhor. É algo poderoso desfrutar a liberdade, as bênçãos da vida e o prazer do corpo e da mente. Amor sempre ajuda em qualquer ocasião. Nossos governantes poderosos precisam aprender o que é amar seu país e sua gente. A população também precisa aprender o mesmo.

Depois de 36 textos, de dezenas ou centenas de opiniões distribuídas nesses escritos, despeço-me do blog Opiniões hoje. Por um ano e meio, escrever neste espaço me renovou e me motivou. Agradeço a generosidade de Aluysio Abreu Barbosa, amigo que admiro, ao jornal Folha da Manhã que publicou e imprimiu alguns destes textos, aos colegas escritores-colaboradores, e especialmente aos leitores, pois sem estes nada faz sentido para quem escreve. Foi uma honra. Fernando Pessoa diz que “viver não é preciso”, mas eu necessito viver e navegar outros mares imprecisos, cuidar da saúde e seguir adiante. Aporto um dia.

 

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