Opiniões

Terrorismo e reação no Dia da Independência em Campos dos Goytacazes

 

 

 

Independência ou morte

Hoje, no desfile de 7 de setembro, marcado para o Cepop, símbolo maior da gastança nos oito anos de governo Rosinha Garotinho (PR), se comemora o Dia da Independência do Brasil. Revisões históricas à parte, o evento poderá simbolizar até que ponto Campos é realmente independente, ou não, do grupo político que governou o município por quase 30 anos. Governando há pouco mais de oito meses, Rafael Diniz (PPS) estará presente. E dentro do clima de terrorismo instalado na cidade desde segunda (04), ontem continuou a se engendrar abertamente nas redes sociais os preparativos para hoje tentar coagir e ameaçar fisicamente o prefeito.

 

Interesses e interesses

Na edição de ontem (aqui) desta coluna, também viralizada nas redes sociais, se alertou até que ponto chegou o clima de “quanto pior, melhor” em Campos. Como foram cobradas a reação contra quem trabalha sem constrangimento contra a cidade, e a imposição do limite da lei a quem deixou o moral atrás de si, na prática de terrorismo político. Conduzido como massa de manobra por quem foi apeado do poder com a eleição de outubro, o descontentamento com o governo Rafael teve vários motivos ontem elencados aqui. Alguns deles são confessáveis e legítimos, outros nem tanto.

 

Alvo é IMTT?

Entre as causas menos nobres ao descontentamento, foi escrito: “há aqueles que perderam a boquinha, própria ou de alguém próximo”. Mas o que a coluna não citou ontem foi um caso inverso: o de quem tenta cavar sua boquinha no governo, criando-lhe dificuldades, para vender “facilidades” — como a “proteção” vendida pela máfia contra o mal que ela mesma pode causar. Por exemplo, e se o movimento que organiza nas redes sociais os protestos de hoje tivesse como um dos seus líderes alguém com passado suspeito na área do transporte? E se, no presente, ele agisse movido por ambição pessoal no Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT)?

 

Presente repete passado

Como comportamento, geralmente, vem da prática, poderia ser o caso de alguém que atuasse num setor burocrático de transporte e passasse a fiscalizar com o rigor da lei as vans e lotadas numa certa linha intermunicipal. E, assim que parasse de receber o “agrado” da empresa de ônibus que monopolizasse essa mesma linha, passasse a defensor das mesmas vans e lotadas que antes perseguia. Alguém nesta condição, certamente não veria com bons olhos a atuação irretocável do arquiteto e urbanista Renato Siqueira à frente do IMTT, que fiscaliza (aqui) vans e lotadas em Campos por apego à lei, não interesse pecuniário escuso.

 

Delação futura

Como caso real e análogo ao exemplo hipotético, pertinente a situação de Rogério Onofre, ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro), no governo Sérgio Cabral (PMDB). Preso pelo juiz federal do Rio Marcelo Bretas, ele foi solto pelo insuspeito ministro do Supremo Gilmar Mendes, para ser preso novamente pelo magistrado carioca, por ter ameaçado torturar e matar delatores. E se, seguindo o comportamento padrão de quem puxa cana na Lava Jato, Onofre também virar delator? Numa dessas coincidências da vida, isso poderia chegar ao protesto programado para hoje contra o governo de Campos? Mistérios!

 

Ovos do Pq. Aurora

Falando ontem à coluna, o vereador de oposição Thiago Virgílio (PTC) garantiu não ter nada a ver com o terrorismo que ameaça bater ponto no desfile cívico de hoje. Ele desmentiu gaiatices das redes sociais, dando conta que, através da sua arregimentação, teria acabado o estoque de ovos do Parque Aurora. Conhecido como “Pit Bull Rosa”, o edil ressalvou que sua combatividade é para os embates na tribuna da Câmara, “não num evento festivo, diante de crianças, estudantes, com agressões verbais e físicas”. No entanto, alfinetou o prefeito, que, segundo ele, fez a bancada governista esvaziar as sessões legislativas de terça e ontem.

 

Limite da lei

Primo de Thiago e também vereador, só que do governista G-5, Jorginho Virgílio (PRP) tem o mesmo receio. Não por outro motivo, ele se reuniu na terça com o comandante do 8º BPM, tenente-coronel Fabiano Santos, a quem alertou sobre pessoas que no dia anterior espalharam lixo no Capão e no Caju, além da convocação para tumultos hoje no Cepop. Ontem, numa reunião do prefeito com a base governista, foi pactuada a necessidade de reação política e da imposição do limite da lei contra o terrorismo que se tenta implantar na cidade. Quem nele embarcar, que saiba a quais interesses está servindo. E meça as consequências.

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

Este post tem 9 comentários

  1. Infelizmente não surgiu em Campos nenhuma prática política ou liderança que pudesse romper com esse ciclo quase patológico de administração pública.

  2. (Trecho excluído pela moderação) Agora é só o povo manisfesfar democraticamente a sua insatisfação com o governo para virarem terrorista? (Trecho excluído pela moderação)

    1. Caro Josimar,

      Espalhar lixo acumulado num dia de paralisação de serviço pela empresa responsável, não é se manifestar democraticamente. É crime.

      Grato pela chance da definição!

      Aluysio

  3. Então espalhar lixo é terrorismo?!?! (Trecho excluído pela moderação) Além do mais se o lixo fosse recolhido não haveria o que ser espalhado. Quem sabe se nossa população provinciana tivesse espalhado o lixo a pelo menos 50 anos atrás não estaríamos sendo passando de mão em mão pelos nossos “coronéis”.

    1. Caro(a?) Gregor (?), IP: 172.68.27.117,

      O blog tem por regra não responder a quem se esconde atrás de pesudômino, mas a exceção será aberta em homenagem a Kafka e seu mais famoso personagem. Até porque, baseada em ambos, a resposta é simples: espalhar lixo pela cidade só pode ser encarado com naturalidade por quem dormiu homem e despertou barata.

      Grato pela chance da metáfora literária!

      Aluysio

  4. O Sr Renato siqueira é digno de todas as nossas homenagens .Com criatividade e inteligência está colocando ordem no trânsito. Hoje atravessamos toda a cidade numa magnífica “onda verde”

  5. Então, a palavra terrorismo é pesada quando usada contra algo que fazemos, não é?!? Não sei quem foi responsável por espalhar o lixo, acho até que foi uma ação sem qualquer eficácia, mas isso pode ser um sinal que algumas pessoas estão pensando em ações práticas e não apenas em assinar manifestos virtuais ou compartilhar postagens de Facebook, precisamos de ações reais, quebrar regras ou seremos sempre cordeiros indo pro abate.

    PS : Parabéns por quebrar uma regra, isso faz bem.

    1. Caro(a?) Gregor (?), IP: 172.68.27.117,

      A palavra terrorismo é pesada por ser algo que se faz contra os outros, no mais das vezes inocentes. Espalhar lixo pela cidade é um exemplo prático disso. E só tem eficácia na exposição das pessoas ao risco de doenças. É a quebra criminosa de uma regra que tem que ser mantida. Como será agora com mais eficácia, depois que o serviço de inteligência da PM passou a investigar o caso.

      P.S. Grato pelos parabéns. Mas o que faz bem é se assumir. Experimente!

  6. Ah! Isso não é um apelido, Gregor é nome mesmo, o Kafka sim é uma homenagem…

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