Campos dos Goytacazes,  22/09/2017

 

por Aluysio Abreu Barbosa

Chequinho: Ponto Final alertou desde 2016 da “m…” que iria dar. E deu!

 

Charhge do Jose Renato publicada hoje (14) na Folha

 

 

Coluna avisou: vai dar “m…”

Em 30 de agosto de 2016, esta coluna fez (aqui) um alerta ao ex-governador Anthony Garotinho (PR) e seu grupo político: “E quem acha que a reversão desse quadro (então já desfavorável à candidatura garotista de Dr. Chicão) é possível com a prática que foi alvo de duas operações da Justiça Eleitoral — (aqui) num galpão da Alberto Lamego, no domingo (28), e (aqui) numa auto escola em Travessão, ontem (29) — talvez valha a pena observar o rigor da lei com Lula (já investigado pela Polícia Federal na Lava Jato) e Dilma (que tinha seu impeachment julgado no Senado) para saber que ‘m…’ muito maior ainda pode estar por vir”.

 

“Escandaloso esquema”

Em agosto do ano passado, vivia-se a campanha das eleições municipais de Campos. E todos na cidade podiam observar abertamente no dia a dia, nas ruas e em seus bairros, a tentativa desesperada do garotismo de não largar o osso do poder, que então já roía sem intervalo há quase três décadas. Aquela nota de 30 de agosto de 2016 do “Ponto Final” foi feita após operações da Justiça Eleitoral, nos dois dias anteriores (28 e 29). A partir delas e de outras que vieram depois, o Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou (aqui) como “escandaloso esquema” a troca de Cheque Cidadão por voto, com o objetivo de eleger Chicão prefeito e vereadores rosáceos.

 

O resultado eleitoral

Para se ter uma ideia da dimensão desse esquema, até junho de 2016, havia 14.991 pessoas cadastradas no Cheque Cidadão. E de junho a agosto daquele ano eleitoral, o número chegou a 32.506, aumento cuja falta de critérios foi denunciada pelas próprias assistentes sociais da Prefeitura. Diante desse quadro, o garotismo não precisou nem esperar o 2º  turno da eleição para se atolar na própria “m…”. Com o esquema de compra de voto com medo de sair às ruas, após as operações e prisões da Chequinho, Rafael Diniz (PPS) se elegeu prefeito ainda no 1º turno de 3 de outubro, vencendo o pleito em todas as sete Zonas Eleitorais (ZEs) do município.

 

Primeira prisão

Mas a “m…” não pararia aí. Com o avanço das investigações da Chequinho, Garotinho foi apontado (aqui) como “prefeito de fato” de Campos e líder do “escandaloso esquema”. Preso em seu apartamento no bairro carioca do Flamengo, em 16 de novembro, ele alegou estar passando mal e se internou no Hospital Municipal Souza Aguiar. Como a Justiça entendeu que se tratava de uma manobra, no dia seguinte (17), o ex-governador foi conduzido à força (aqui) ao Complexo Penitenciário de Bangu. A cena de Garotinho se debatendo aos berros, numa maca, passou a integrar o folclore daquilo que de mais patético a política brasileira já foi capaz de produzir.

 

Passagem em Bangu

Ainda que os exames realizados na UPA de Bangu não tivessem detectado (aqui) qualquer anormalidade no estado de saúde de Garotinho, ele foi beneficiado (aqui) com a prisão domiciliar em 18 de novembro. A decisão foi de Luciana Lóssio, então ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ficou conhecida entre os campistas por reverter todas as consequências mais duras contra os envolvidos na Chequinho. Posteriormente, no julgamento pelo plenário do TSE, a prisão domiciliar no apartamento do Flamengo acabou revista, mas com restrições: não voltar a Campos, não ter contato com as testemunhas do processo, nem sair do país.

 

Pena de 9 anos e 11 meses

Beneficiado, Garotinho passou a fazer ataques sistemáticos, em seu blog, nas redes sociais e no programa que comprou na rádio Tupi, contra as autoridades responsáveis pela Chequinho. Paralelamente, promoveu um troca-troca de advogados raras vezes visto, na tentativa de ganhar tempo no seu julgamento criminal pelo juízo da 100ª ZE de Campos — intenção condenada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). De pouco ou nada adiantou: na manhã de ontem, ele foi condenado (aqui) a 9 anos e 11 meses de prisão, pelos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documentos e coação no curso do processo.

 

Arma de fogo e “venda do futuro”

A sentença de condenação do juiz Ralph Manhães tem 175 páginas de word. Seus principais trechos estão na página anterior desta edição. Impossível abordar todos aqui. Mas, mesmo para quem conhece o modus operandi de Garotinho, choca saber que se chegou “à prática de coação e intimidação de testemunhas, inclusive com emprego de arma de fogo”. Assim como descobrir que a “venda do futuro” de Campos, fechada (aqui) no apagar das luzes do desastroso governo Dilma Rousseff (PT), em troca (aqui) da abstenção de Clarissa Garotinho (PR) na votação do impeachment da então presidente, “é que custeou todo o esquema criminoso”.

 

Tamanho da “m…”

O prejuízo que o “escandaloso esquema” deu aos cofres públicos de Campos foi contabilizado em R$ 11 milhões. Se não fosse interrompido, o programa seria expandido com objetivo eleitoral ao custo final de R$ 25,2 milhões. Com a prisão do ex-governador, na manhã de ontem, enquanto fazia seu programa na Tupi, quem o substituiu disse no ar que o titular recebera “orientação médica de parar de falar”. Na verdade, quem não ouviu o alerta desta coluna, nem costuma escutar ninguém, recebia naquele momento voz de prisão. Trazido a Campos, onde ficará confinado na “casinha da Lapa que papai deixou”, Garotinho agora poderá refletir sobre o tamanho da “m…”.

 

Publicado hoje (14) na Folha da Manhã

 

Atualização às 9h47 para inclusão abaixo do clipe enviado por uma leitora gaiata:

 

 

 

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