Opiniões

Feminicídio usado politicamente para matar de vergonha o jornalismo

 

Mônica Gomes Rangel, morta com tiros de 12 pelas costas, aos 29 anos

Em qualquer lida humana há profissionais ótimos, bons, regulares, ruins e péssimos. E, abaixo destes, há os canalhas. São aqueles cuja ausência de ética transcende a profissão para atentar contra a própria humanidade que deveria referenciar todas.

O jornalismo, infelizmente, não é execeção. Não por outro motivo, revira o estômago a maneira sórdida como alguns tentaram e ainda tentam tirar proveito político ao noticiar o feminicídio da jovem Mônica Gomes Rangel, de 29 anos. Ela foi morta no distrito campista de Vila Nova, em 10 de março, com tiros de espingarda calibre 12 nas costas, pelo ex-marido: José Amaro de Souza Cabral.

Conhecido como Zé Baianinho, o executor foi preso e apresentado ontem (19) em Campos, após sofrer uma tentativa de homicídio no município de Silva Jardim. Segundo a Polícia Civil, ele teria confessado o crime, contando como a ex-esposa ainda chegou a suplicar pela vida, após ser atingida pelo primeiro tiro no braço. A filha de ambos, de 13 anos, presente na cena do crime, ainda pediu para o pai não matar a mãe.

Sugerir, a partir de uma despretensiosa foto de campanha, que o crime tenha algum ingrediente político para se tirar proveito, é pretender supor que infidelidade possa ser motivo para se tirar a vida de quem quer que seja. Consegue ser premissa tão vil e covarde quanto matar friamente uma mulher, diante da própria filha, com tiros de espingarda e pelas costas.

Mesmo para o responsável pela vexatória manchete “Pânico em Carapebus” (relembre aqui), no dia seguinte ao atentado terrorista contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, é descer baixo demais. Se o primeiro exemplo de “jornalismo” pelo menos é capaz de gerar risos pelo ridículo, o segundo, 16 anos depois, só provoca nojo.

Fruto desse sentimento de asco, como se diante daquilo verde preso às reentrâncias da sola da sandália com a qual se esmagou a barata, a jornalista Daniela Abreu, da Folha da Manhã, publicou (aqui) um texto no Facebook que o blog pede licença para reproduzir abaixo, não sem endossar a sua pergunta: “Que espécie de animal é essa?”

 

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