Opiniões

Chico de Aguiar — Sou turfista

 

Hipódromo de Campos abandondo (Foto: Antonio Leudo)

 

 

Segundo o dicionário Aurélio Buarque de Holanda, turfista é a pessoa que gosta de turfe, de corrida de cavalos. Em mim, essa paixão começou ainda na adolescência quando ouvia as narrações de Belcy Drummond pela PRF-7 – Rádio Cultura de Campos, direto do Hipódromo Linneo de Paula Machado, do Jockey Club de Campos. Tinha eu cerca de 13 anos de idade. Ainda nessa época assisti ao vivo minha primeira corrida, das sociais do belo hipódromo campista. Torci para Odalisca, uma égua mestiça – do meu então cunhado Ronaldo Bartholomeu dos Santos – que, mais tarde, pariu Maragato, do cruzamento com o puríssimo Quimbar, que Ronaldo havia adquirido para reprodutor. Outros puro sangues me vêm à memória: Boulevard D’Or, Kibar e a égua Gadanha. Também me lembro do reinado de Chimarrão e Lourinha, dois expoentes entre os não puros.

Mas havia um fora de série, irrequieto, indomável, que era o meu preferido: o cavalo Diplomata. Sua indocilidade o colocou fora da Gávea e, vindo para Campos, fez valer sua supremacia com vitórias em vários programas. A superior velocidade de Diplomata era provada nos páreos com maior distância, onde o animal podia descontar o atraso verificado nas largadas. Atraso que quase sempre acontecia. Também colaborava para as vitórias a boa direção do jóquei que o montava com mais frequência, E. Paula, campeão de várias estatísticas do turfe campista. E. Paula era o nome turfístico de Evilásio Paula, que, entre os mais chegados aos meios turfísticos, era conhecido pelo apelido de Vivi.

Entre os jóqueis havia outros nomes que merecem ser lembrados por suas performances de vencedores: Sílvio Cruz (S. Cruz); Epaminondas Gibson (E. Gibson); Genildo Gomes (G. Gomes) e o Juquinha (J. Correa). Esses eram os mais constantes. Mais tarde Sílvio Cruz tornou-se tratador, cargo que teve, também em Campos, as participações dos irmãos Felipe Lavor e Wilson Pereira Lavor, respectivamente tio e pai do grande jóquei Carlos Geovani Lavor (C. Lavor), que nasceu em Campos e há cerca de três décadas exerce a profissão no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro.

Sobre C. Lavor vale destacar que é o segundo maior vencedor do Grande Prêmio Brasil – mais importante corrida do turfe brasileiro – e um dos jóqueis com maior número de vitórias nos hipódromos do Brasil. No
GP Brasil são três vitórias: em 1989, 1991 e 1993 – a primeira com Troyanos e as duas últimas com Villach King. C. Lavor só perde para Juvenal Machado da Silva (J.M. Silva), que tem cinco vitórias. Em Campos pouco se fala nele e nunca houve qualquer movimento com o intuito de homenageá-lo.

Outra marca da importância de Campos no movimento turfístico brasileiro é o Stud Capitão, de Luiz Edmundo Cardoso Barbosa. Nascido em Campos, ex-aluno do Liceu de Humanidades, Luiz Edmundo homenageia, com o Stud Capitão, o falecido pai, Domingos Barbosa, conhecido entre os amigos por Capitão.

A tradição e a história do turfe, em Campos, não foram suficientes para manter vivo o trabalho de abnegados como Arthur Cardoso Filho, João Baptista Vianna Barroso, Arnaldo Rosa Vianna, João Sobral, Hervé Salgado Rodrigues e outros responsáveis pela construção do Hipódromo Lineu de Paula Machado. Inaugurado em 20 de outubro de 1957, o Jockey Club de Campos viveu o apogeu até a década de 1970. A partir dos anos de 1980 a decadência chegou sorrateiramente para, ano após ano, destruir o sonho dos que pensaram na construção do terceiro maior espaço de turfe do Brasil. Em 2011, a sede do hipódromo, totalmente abandonada numa área de 170 mil metros quadrados, foi arrematada em leilão federal por R$ 4,5 milhões.

 

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