Opiniões

Igor Franco — A nova direita é revolucionária

 

 

 

Todos aquele que não vivem em Marte já perceberam que há algo de muito diferente no debate cultural brasileiro. Da quase censura informal a um atual estágio de domínio nas redes sociais, o discurso de direita renasceu no Brasil com força total nos últimos anos. Nas mais diversas áreas como literatura, teatro, televisão, cinema e internet, dezenas de personalidades que adotam abertamente posições conservadoras e liberais já lideram as curtidas e repercussões nas redes sociais. A incapacidade da esquerda em entender o sucesso da nova direita é, ela mesma, a própria natureza do problema.

Como é comum a todo regime autoritário de supressão de liberdades, a ditadura imposta pelos militares ao país a partir de 1964 elegeu a cultura e a academia como válvulas de escape da tensão social. Com a oposição política reduzida a meros ruídos, o discurso de esquerda encontrou nas universidades e nos ambientes artísticos terreno fértil para prosperar. Terminado o regime militar, décadas de hegemonia de pensamento formaram batalhões de profissionais e personalidades ávidas para pôr em prática suas ideias. Daí para o aparelhamento de órgãos de representação, entidades estatais e paraestatais, redações, curadorias etc foi um pulo.

Em posse das correias de transmissão do conhecimento e dos instrumentos de poder que colocam em prática as políticas públicas, as ideais esquerdistas pautaram o debate político nos últimos 30 anos. Qualquer dissidência ao novo status quo era rapidamente classificada como reacionária e lançada fora da arena de debate ou obrigada a se retratar. A deformação ideológica sofrida no Brasil foi tão grande que chegamos ao ponto de tratar como direita os tucanos da social-democracia, que, em sua origem europeia, fora uma tentativa desesperada de sobrevivência dos ideais socialistas pós-queda do muro de Berlim. Como foi possível, então, uma ascensão tão rápida e silenciosa da nova direita?

Entra em cena a chave do recente sucesso do discurso conservador e liberal: o povo. Não aquela massa indefinida em nome da qual a esquerda pensa representar e em nome de quem pretensamente fala. Mas o povo enquanto reunião de milhões de indivíduos de carne e osso, cada um com suas próprias contingências. Indivíduos preocupados com a possibilidade real de levar um tiro durante um assalto e que nada aconteça ao seu algoz. Indivíduos que não suportam o custo de sustentar um Estado incapaz de fornecer algo próximo do básico de serviços essenciais e que não atrapalhe suas vidas. Pessoas que cansaram das promessas de redenção através da política porque sabem que, invariavelmente, pagarão em dobro pelo fracasso. Pessoas que, cansadas dos problemas reais, assistem “especialistas” de telejornal despejarem soluções ineficazes originárias de debates acadêmicos em que todos concordam. Pessoas que foram censuradas e a quem foi dito que há coisas que não podemos falar porque é ofensivo ferir a sensibilidade alheia. Pessoas que, com seus vícios e virtudes, cansaram-se da acusação de que seu modo de vida e seus valores representam o atraso e deu origem ao que há de mais reprovável no mundo.

O povo, tão bajulado no discurso e nos livros, há muito tempo foi relegado ao papel de justificador de toda solução fracassada da esquerda. Ao observar a total desconexão entre o que era dito em seu nome e o que ocorria em suas vidas, o povo encontrou novamente um discurso para chamar de seu.

A nova direita faz sucesso porque exige que a lei seja aplicada de forma dura e indistinguível. Porque afirma que os políticos e o estado, quando muito, podem atrapalhar pouco a vida do cidadão comum; porque reconhece que o modo de vida de cada um não objeto de discussão conquanto não agrida outras pessoas; porque reconhece a contribuição para a liberdade e prosperidade legadas pelos valores que definem a maior parte do povo brasileiro. A nova direita faz sucesso porque ousa dizer o que deixou de ser dito, faz sucesso porque ridiculariza os novos consensos e relativiza os novos tabus.

O caricato reacionário saudoso da ditadura só existe no espantalho criado pelo discurso esquerdista para disparar as velhas armas retóricas. Em vão. Ser de direita, no Brasil, é a nova revolução.

 

Este post tem 2 comentários

  1. Eu faço parte da nova direita.forte Abraço

  2. A nova direita é revolucionária, que grande piada.

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