Campos dos Goytacazes,  13/12/2017

 

por Aluysio Abreu Barbosa

Alexandre Bastos — Desesperar, jamais

 

Alemanha após a II Guerra (1939/45)

 

 

Após serem derrotados na Segunda Guerra Mundial, a situação na Alemanha e no Japão era de completa destruição. Na Alemanha, milhões de metros cúbicos de entulho eram o cenário em diversas cidades. Havia fome, epidemias e a sensação de que era preciso deixar de lado o modelo político adotado por um líder megalomaníaco. Os bombardeios haviam deixado 20 milhões de desabrigados no país. Em Colônia, por exemplo, dos 750 mil habitantes antes da guerra, apenas 40 mil sobreviveram. Em um primeiro momento, como muitos homens estavam no campo de batalha, a reconstrução foi iniciada pelas mãos de mulheres e crianças. Posteriormente, após auxílio de potências capitalistas que desejavam evitar o avanço do socialismo, houve investimento estratégico nas principais vocações e, sobretudo, em Educação. A economia alemã cresceu 85% entre 1946 e 1950. Já o Japão contou com um crescimento de 45%.

Os exemplos da Alemanha e do Japão demonstram que é possível se reinventar após graves crises. Trazendo a discussão para a nossa cidade, um líder megalomaníaco conseguiu o que parecia impossível. Após anos de fartura, com orçamentos bilionários, os gestores não conseguiram preparar a cidade para a era pós-royalties. A última gestão terminou de forma melancólica, pendurada em empréstimos e empurrando para o atual governo uma dívida de R$ 2,4 bilhões. Basta uma rápida análise sobre receitas e despesas para notar que estamos diante de uma “terra arrasada”.

E quais seriam os caminhos para reerguer o município? Assim como ocorreu na Alemanha e no Japão, medidas duras são necessárias, além de investimento em nossas vocações histórias, como a Agricultura. Neste primeiro ano já foi possível notar que muitos segmentos entenderam o momento e começaram a se reinventar. Nas Educação, o desperdício deu lugar ao investimento eficiente. O material didático que na gestão passada era fornecido por uma empresa de Curitiba e gerou gastos na ordem de R$ 40 milhões, hoje é gratuito, enviado pelo Ministério da Educação. No Esporte, nossos clubes de futebol deixaram de lado a dependência do poder público. Se antes a política ditava o ritmo do jogo, agora os clubes conseguem captar recursos. E o resultado desta nova filosofia foi visto em campo. Após mais de duas décadas o Goytacaz está de volta a primeira divisão do campeonato estadual. Além disso, o Americano fez uma grande campanha na série B e o Campos Atlético, nosso Roxinho, subiu para a série C. Nas quadras, o Automóvel Clube Fluminense conquistou o título do Cariocão masculino de Basquete após ficar quatro anos fora da competição. Na parte Cultural, nossas escolas de samba, blocos e bois pintadinhos, que dependiam do poder público, entenderam o momento e também se reinventaram. Unidos, eles buscam parcerias para realizar o Carnaval sem um centavo do poder público. Em várias partes da cidade, a população se uniu ao poder público e ajudou a reformar unidades de Saúde, praças e quadras esportivas.

O primeiro passo para a reconstrução da cidade é exatamente esse. Retirar escombros, tomar medidas duras e se reinventar, com parcerias, criatividade, diálogo e otimismo. Como canta Ivan Lins: “Desesperar, jamais! Aprendemos muito nesses anos. Não tem cabimento entregar o jogo no primeiro tempo”.

 

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