Opiniões

Donos do poder que a política separou, a Lava Jato uniu na cadeia

 

Tenho sido cobrado e sei que muita gente espera alguma análise minha sobre a prisão, ontem, de Anthony e Rosinha Garotinho, ambos do PR, ex-prefeitos de Campos e ex-governadores do Rio.

Na mídia goitacá, quem acompanhou desde o início o caso que levou o casal à prisão foram os blogueiros Ricardo André Vasconcelos e Christiano Abreu Barbosa, depois seguidos pela Suzy Monteiro.

Além de estar há algumas semanas envolvido na produção de matérias de fundo sobre o preocupante quadro nacional, tenho por princípio pessoal evitar bater em quem se está caído. Sobretudo quando percebo, pelos frutos dos próprio erros, a imensa dificuldade para se reerguer.

Além do que Ricardo, Christiano e Suzy escreveram, e do que pode ser lido (aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui) na edição de hoje da Folha da Manhã, para quem quiser compreender o caso de desde a sua gênese, antes de se alastrar como metástase sobre todo o Estado do Rio de Janerio, recomendaria o que escreveu hoje, na edição de O Globo, a jornalista Maiá Menezes, a quem conheci pessoalmente na conturbada campanha eleitoral de Campos em 2004.

Quem ainda não leu, pode fazê-lo aqui ou na reprodução abaixo:

 

Picciani, Garotinho, Cabral e Paulo Melo unidos na candidatura vitoriosa do político da Lapa a governador do Rio, em 10 de outubro de 1998 (Foto: Cezar Loureiro – Agência O Globo)

 

O que a política separou, a Lava Jato uniu

Por Maiá Menezes

 

Sérgio Cabral foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio no governo Anthony Garotinho, que indicou ao Tribunal de Contas do Estado o ex-presidente do órgão Jonas Lopes de Carvalho. Foi no esteio de Cabral que ascendeu o atual presidente afastado do tribunal, Aloysio Neves, seu chefe de gabinete.

Jorge Picciani já era, na época, homem forte, articulador do grupo político que floresceu e dominou o estado por mais de vinte anos. Paulo Melo, também deputado, foi líder do governo e se revezou com Picciani na presidência da Alerj.

Foi com entusiasmado apoio de Cabral que Garotinho se elegeu governador pela primeira vez em 1998. Em 2002, com sonhos mais altos, concorreu à Presidência. Perdeu, mas elegeu sua mulher, Rosinha Garotinho, e manteve aliança com Cabral, que se tornou senador.

Não havia fissuras. Era um grupo político sólido, que só passou a dar sinais de desgaste anos depois. Em 2006, após ser eleito governador, Cabral rompeu com Garotinho, atingido por denúncias muitas, entre elas de uso de recursos do estado, pilotado por sua mulher, para financiar uma pré-campanha fracassada à presidência pelo PMDB.

Os interesses políticos se desencontraram. Seis anos depois, foi do ex-governador campista a iniciativa de divulgar fotos da já icônica “farra dos guardanapos” em Paris. Símbolo das relações nada republicanas entre estado e empreiteiras, já comprovadas na Operação Calicute, onde há também citações de repasse para campanha do atual governador Luiz Fernando Pezão.

O que a política separou, a Lava-Jato voltou a unir. Com a prisão do casal Garotinho hoje, não restou um. Do Guanabara ao Tiradentes, passando pelo TCE, o poder político do Rio nos últimos vinte anos está atrás das grades. Às vésperas de 2018.

 

Este post tem 4 comentários

  1. Estão colhendo o que plantaram, o céu e o inferno inicia-se aqui na terra, onde termina só Deus sabe.Parabéns ao quarteto a mentira só tem o inicio o meio e o fim é só mentira.

  2. TODO MUNDO TEM UM SONHO E AGORA TÔ REALIZANDO UM SONHO….VER ESSA QUADRILHA NA CADEIA!
    PODEM ATÉ CONSEGUIR UM HC, MAS SÓ EM VER A ROSINHA E GAROTINHO COM UNIFORME DE PRESIDIÁRIO, ISSO NÃO TEM PREÇO!
    SÓ EM VER A IMAGEM DELES SE DEGRADANDO, ISSO NÃO TEM PREÇO!
    O NOSSO DEUS PODE ATÉ PERDOAR NOSSOS PECADOS, MAS AS CONSEQUÊNCIAS O NOSSO DEUS NÃO EVITA!
    PARABÉNS A JUSTIÇA!

  3. É “chover no molhado”, mas a expressão que me vem a cabeça é aquela bem simples:

    __Nada como um dia depois do outro! Mas, me ocorre mais um “dito” popular:

    ” A Justiça tarde, mas não falha.”

    No entanto, pra ser sincero, ainda não vi justiça nenhuma! São intermináveis “recursos”, “habeas corpus”, enrolos, encenações tragicômicas, tornozeleiras que dão piti, esposas que dão piti, filhas que dão piti, no resto, são queijos importados, camarões e bolinhos de bacalhau, porque ninguém é de ferro!

    E onde foi parar o “golpeador invisível”? Deve ser o “atirador deficiente visual” e só pode estar subnutrido, porque só aquela manchinha roxa no joelho do menino, só pode ser por fraqueza ou o taco de golfe era de borracha macia!

  4. Correção:

    ” A Justiça tarda, mas não falha”.

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