Opiniões

Paula Vigneron — Encaixes

 

Flores roubadas (Foto: Paula Vigneron)

 

O que cabe nos segundos?

Milésimos de segundos. Dias. Meses. Anos. Horas. Séculos de espera. Ânsias de saudade. Arrastados domingos em vidas de paciência. Uma dose de desejo. Um amor. Dois. O amor. A dois.

Que cabe nos segundos?

Cabe, também, a voz. O ardor. O sentimento, o vínculo, o passado. Passado? Presente entre linhas. E línguas. E tantos outros casos em um caber. Surge. Ela. Nasce. Ele. Transparecem. E somem. Em um segundo. Ou milésimo. Infinito de uma vida.

Cabe nos segundos?

Cabe. Sempre cabe. Basta ajeitar. Um pouco à esquerda. Ou à direita. Dois passos para lá. Mais dois para cá. Passos em danças e direções. Basta caber. Inserir e espremer nos espaços ainda não ocupados. Camuflados. Escondidos entre meios, entre fins e inícios.

Nos segundos?

Em milésimos. Poucos respiros em tantos suspiros. Indícios de afagos pelo caminho em pétalas.

Segundos?

Bastam alguns.

Poucos segundos.

Aí, então, caibo. Cabemos. Eu, você. Eu e você. Nós em nossos nós.

 

 

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