Opiniões

Folha 40 anos — Diva Abreu Barbosa

 

Historiadora e empresária Diva Abreu Barbosa

A diferença está na qualidade

Por Diva Abreu Barbosa(*)

 

Olhando para trás, vendo e relendo edições comemorativas anteriores, é quando percebemos os caminhos percorridos, nem todos lembrados, mas intensamente vividos. Começaria tudo outra vez?  Não sei, realmente… Porque antes era o sonho. Era o desejo de Aluysio ter um jornal, qual criança que pede o presente a Papai Noel e espera consegui-lo lindo e reluzente das centelhas do Natal! E junto ao seu quase devaneio, uniu-se ao arrebatador Pereira Jr, um ícone da publicidade em Campos. Assim, nasceu a Folha da Manhã, num chope gelado no inverno do Rio à rua Vinicius de Moraes. Era agosto de 1977. E da conversa entre mim, Aluysio e ele, geramos à mesa do Garota de Ipanema este jornal. Não esperamos no ventre os nove meses. Mas, apenas quatro. Pereira criava e eu ia atrás, como uma aprendiz que aplaudia o maestro ousado, destemido e sem fronteiras. A sua medida era ele próprio.

Assim, também, foi a compra da primeira morada da Folha, a segunda e a terceira. Pereira ia negociando, a gente ia derrubando as casas antigas e anexando ao primeiro lar: Carlos de Lacerda, nº 75. Da mesma forma, foi a primeira máquina que ele comprou junto com Aluysio (e não funcionou!);  a segunda, uma Heidelberg plana; e a terceira, a nossa rotativa com duas unidades Harris que foi inaugurada em 1984. Nesta, Pereira colocou a sua casa da praia  como garantia, creio eu sem que sua família soubesse.

Falar de Pereira, de sua vida, de suas irresistíveis ideias, de suas frases sensacionais, de seu  marketing sui generis em época onde publicidade era feita de favor e não se cria nela como investimento; de sua volúpia de negócios, de seu amor (ao seu estilo), pelos filhos, netos e Teresa; de sua paixão por este jornal, que nunca deixou de ser dele… é, na verdade, dizer que nossos 40 anos não poderiam acontecer sem sua marca gravada em nossa história.

Nesta hora de contrição, queria lhe agradecer  por ter sido sua aluna, amiga, parceira e fã. E posso também lhe segredar que se perdi estrelas, muitas hoje nas mãos poetas e mergulhadoras na História de Aluysinho, se perdi sangue, muito hoje no vermelho das tintas deste jornal e nos já fios pratas, responsáveis e equilibrados de Christiano, não perdi contudo a força dos guerreiros, a ousadia dos que sonham, dos que resistem a não se vender por preço nenhum, dos que têm a ética como estandarte maior, dos que abrem trincheiras por sua cidade e região a cada dia, na eterna luta pelo real crescimento de sua terra e sua gente. E que não morreu em mim o som do Pedro Pedreiro, nem a laje do tijolo por tijolo. Aliás, está aí um pouco da mística da Folha, que ventos não conseguem derrubar e cifras não conseguem construir igual.

A diferença está na qualidade. O slogan criado por você e que procuramos manter a cada dia, diz tudo.

 

(*) Historiadora, empresária e diretora presidente da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

Este post tem 2 comentários

  1. Parabéns!
    Sucesso absoluto.

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