Opiniões

Gustavo Alejandro Oviedo — Notas de um ranzinza

 

 

 

A TV Globo está veiculando uma chamada incentivando à população para se passar ao formato digital, tendo a cantora Anitta como protagonista, quem canta ‘prepara que agora é hora do mundo digital’. Quem parece não estar preparada é a Intertv, pois o seu sinal digital é o mais difícil de pegar dentre os canais abertos em Campos.

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Desconheço os detalhes da decisão do TCE que suspendeu a licitação da iluminação pública da prefeitura de Campos. No entanto, considerando que há vários meses uma parte considerável da cidade se encontra às escuras – e que essa parte vai aumentando a cada dia – não estaríamos numa situação típica para realizar uma contratação emergencial? Ou será que o conceito de emergência não abrange a população?

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Se bem a cidade está às escuras, tem que reconhecer que também está suja.

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Não deve existir um tipo de violência mais dissimulada do que obrigar o próximo a ouvir aquilo que não quer. Trata-se de prepotência fantasiada de falso entusiasmo musical. Com frequência situações envolvendo som alto acabam produzindo pequenas tragédias vizinhais. Nesse contexto, acho que a costume de algumas lojas de colocar uma caixa de som na porta do estabelecimento berrando suas promoções, seus jingles ou apenas o gosto musical do dono (que sempre é pobríssimo) uma atitude desprezível – e duvido de sua eficácia como instrumento de marketing. Eu, ao menos, costumo fugir de loja que tenha som na porta.

Os  vereadores devem estar muito ocupados promovendo moção de aplausos, ou se preparando para a próxima eleição. Mas não há um que se disponha a propor um projeto de lei que elimine a barulheira das nossas ruas?

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O bairro do Flamboyant era o modelo urbanístico que deveria ter sido acompanhado pelo resto da cidade, se esta pretendia ser um pouco mais amável com seus habitantes. Terrenos generosos, arborização, limitação da altura das construções, vedação ao comercio e praças bonitas. Infelizmente, o que se vê nos últimos anos é uma tendência a transformar o Flamboyant num novo parque Tamandaré, com a instalação de prédios de mais de 10 andares – já tem um em cada praça, e a mesma empresa que fez ambos está começando um terceiro na rua Herculano Aquino. Tudo com a aprovação do poder público, aquele que preferiu construir um sambódromo inútil a um parque municipal.

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O cidadão latino-americano, acostumado ao paternalismo estatal, tem horror ao liberalismo e ao conceito do estado-mínimo – deve ser horror ao desconhecido, já que nunca experimentou o verdadeiro liberalismo, aquele que produz prosperidade nos países onde almeja emigrar. À guisa de exemplo, recente pesquisa revelou que 70% dos brasileiros são contra as privatizações. Preferem um estado onde são obrigados a passar a noite numa fila para conseguir fazer a matrícula do filho na escola pública, ou para marcar consulta no hospital, ou para fazer a biometria digital, ou para ser atendidos no INSS. E fazem essas longas filas pelo simples fato que o atual estado não da conta de atender a todos. Detestam o estado-mínimo, mas adoram o estado-insuficiente.

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E para não dizer que só reclamei, termino com a declaração de Catherine Deneuve e outras 99 francesas que se opõem ao que chamam de ‘novo puritanismo’ promovido por pelas estrelas de Hollywood, alegando que “A violação é um crime. Mas o flerte insistente ou inconveniente não é um delito, nem o galanteio é uma agressão machista”. Entendem que “homens foram castigados e forçados a abandonarem os seus empregos quando tudo o que fizeram foi tocar no joelho de alguém ou tentar roubar um beijo”, e tiveram os seus nomes manchados por “falarem sobre temas íntimos durante jantares profissionais ou enviarem mensagens com conteúdos sexuais a mulheres” que não foram recíprocas nesses avanços. Para as francesas, trata-se de um movimento que alimenta um regresso à “ideia vitoriana de que mulheres eram meras crianças que tinham de ser protegidas”.

Vou deixar você reclamar agora, leitora.

 

Este post tem um comentário

  1. Alguém da mídia local falando em liberalismo econômico? Glória, pensei que ninguém tinha salvação por aqui. Parabéns! A propósito. O sinal da inter tv é de fato inaceitável, moro na Pelinca e mesmo pretíssimo (prédiio, portanto alto) e antena externa o sinal é sofrível e oscila demais, principalmente por volta das 19:00 além de não ter EPG (programação nomeada, calendário mostrando nome do programa em exibição e os próximos), ao menos no aparelho da SKY, não consegue captar essas informações.

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