Opiniões

Orávio de Campos — Rotary, Grussaí e casuarinas

 

 

 

O saudoso professor Andral Nunes Tavares (1934-2006), sem dúvida um dos maiores multimídias desta planície, mas com predileção pela radiofonia, paixão que se lhe pronunciou durante trabalho na histórica Rádio Cultura de Campos, com ênfase para o programa “Show Tecnicolor”, de parceria com Hernon Viana, nos tempos áureos do igualmente pranteado Mário Ferraz Sampaio, nunca escondeu seu desvelado amor por Grussaí, praia situada em São João da Barra.

Por isso, teve participação nos principais empreendimentos socioeconômicos da “Praia das Casuarinas”, na segunda metade do século passado, num tempo em que o soçaite de Campos curtia o charme de Atafona e do Pontal. E costumava, ele, para valorizar aquele espaço de beleza selvagem, poetizar enaltecendo a água caramelada e as areias grossas, quando de sol a pino; e o verde turquesa quando o nordeste virava para sudoeste para prenunciar chuva no final do período.

Através do Rotary Clube Campos (Distrito 4750), entidade pela qual prestou relevantes serviços à sociedade, o lugar (espaço das pessoas) sempre esteve incluído nos seus eventos, tendo como sede o Grussaí Praia Clube que, em suas várias gestões, conseguia ser melhor, inclusive com programação veranista, do que o chique Atafona Praia Clube (demolido por causa do avanço do mar) frequentado, em tese, pela casta endinheirada (?) do que restou dos orgulhosos coronéis do açúcar.

Foram muitas as promoções rotarianas na sede do Grussaí. Mas uma chamou mais a atenção, por seu objetivo ambientalista. Aconteceu em maio de 1993 com o pomposo título de 8ª Conferência do Rotary Internacional e, dentro de outros assuntos culturais, constou o plantio de mais de mil mudas (?) de casuarinas na orla, propiciando sombras entre a Lagoa e o Chapéu de Sol, ato realizado com discursos, inauguração de placa alusiva ao feito e presença de Banda de Música.

Na sede, tivemos o prazer de apresentar para uma plateia atenta de rotarianos de diferentes bandeiras — nacional e internacional —, o balé afro “Ilê Sain a Oxalá”, espetáculo criado, sob a égide do Sesc, para reflexões sobre o centenário da abolição, em 1988 e que, pela proposta pedagógica de sua articulação, conseguiu ser sucesso nacional, o que permanece até hoje, através de uma remontagem proposta pela professora Neusimar da Hora, para festejar a passagem de 30 anos de estrada.

Naquela noite histórica, até mesmo o hino do Rotary foi entoado ao som dos atabaques, numa leitura diferente, terna e empolgante, lembrando possibilidades de convergências místicas entre religiões diferentes. Andral sorria de satisfação e ruborizava diante de outros olhares de assentimento. A história perdeu muito por não ter feito documentário sobre esses momentos, plenificados de uma emoção pura e sensível, felizmente ainda existentes na memória histórica desse escriba.

Pois bem. As casuarinas plantadas pelos rotarianos, estão lá com, mais ou menos, 10 para 12 metros de altura e o objetivo da sombra se alcança do avir do próprio tempo, embora as obras do calçadão, até o polo gastronômico, tenham sacrificado algumas mudas, em detrimento de coqueiros não produtivos — de fruto e sombra. Mas (e isso nos entristece) é que a placa de mármore sobre o fato, encontra-se jogada a esmo quase junto à passarela, com risco de ser sepultada pelas areias de Grussaí.

Há cerca de um ano, fizemos (com o artista plástico Gutovit) uma investida junto à prefeitura, comunicando o fato à querida Sônia Ferreira, secretária de Cultura, mas, não sabemos as razões, o restauro não prosperou. Apelamos, agora, para a prefeita Carla Machado, para que o pedestal seja recomposto, no mesmo lugar, sinalizando a participação do Rotary, através do multimidiático Andral Nunes Tavares, numa demonstração de que São João da Barra tem pleno interesse pela sua história.

Finalmente. Fixar um pedestal com a placa rotariana naquele chão, 25 anos depois, não deve ser uma obra tão dispendiosa que a prefeitura não possa realizar. Temos certeza absoluta de que Andral, lá do Itaoca — Olimpo dos poetas campistas —, vai ficar muito agradecido. E nós também. Eternamente…

 

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