Opiniões

Folha 40 anos — Aluysio Cardoso Barbosa no vídeo de Antônio Filho

 

Jornalista Antônio Filho

 

 

 

Ontem (08), no aniversário dos 40 anos do jornal Folha da Manhã, o jornalista e apresentador Antônio Filho levou ao ar, na Plena TV, um vídeo. Nele, inclusive nas palavras do jornalista Aluysio Cardoso Barbosa (1936/2012), idealizador e fundador da Folha, um pouco destas quatro décadas de história no contar das histórias de Campos, Norte e Noroeste Fluminense.

Para quem não viu, ou quiser reassistir, é só conferir abaixo:

 

 

 

 

 

Folha 40 anos — Paula Gicovate

 

Roteirista Paula Gicovate

Gratidão a quem abriu as portas

Por Paula Gicovate(*)

 

A Folha da Manhã é essencial na minha formação. Antes de entrar na faculdade eu fiz um estágio na redação do jornal e lá eles me ouviam, davam atenção para as minhas dúvidas e meus pitacos de foca, me deixavam trabalhar. A alegria que eu tinha ao ler meu nome nas matérias que eu assinava era indescritível. Nunca esqueço de um dia que eu pedi para Aluysio Abreu Barbosa me deixar escrever sobre a Parada LGBT do Rio de Janeiro. Uma estagiária cheia de ideias e uma máquina digital. Ele disse que eu podia fazer, e que se fosse boa o bastante ele me daria a capa da Folha 2. Lá fui eu para o Rio, para a avenida Nossa Senhora de Copacabana com um bloquinho, uma caneta e minha vontade de mostrar para o mundo o quanto aquela manifestação era importante, de resistência.

Digitei a matéria no Rio, do computador da minha irmã, e mandei no mesmo dia. Ele não respondeu, fiquei num baita suspense, mas na segunda-feira estava lá, a capa com a minha matéria e as minhas fotos, meu nome embaixo como jornalista. O orgulho foi enorme, definidor. Minhas palavras tinham um lugar, importavam! Logo depois ele me chamou em sua sala para finalmente dizer o que achou. Disse que tinha gostado muito, e que se eu quisesse, me efetivava, mas entendia se eu quisesse correr o mundo. E assim o fiz. Fiz letras, me tornei roteirista e escritora, mas tudo começou ali, naquela redação, nas reuniões de pauta, no contato com uma família incrível e jornalistas que eu admiro e que me ensinaram muito.

Obrigada, Folha.

 

(*) Ex-repórter de Folha Dois e roteirista da Rede Globo

 

Publicado hoje (09) na Folha da Manhã

 

Folha 40 anos — Júlia Maria Assis

 

Jornalista Júlia Maria Assis

Folha como escola da lida e da vida

Por Júlia Maria Assis(*)

 

Não tem como fugir do clichê: a Folha é uma grande escola. Da lida e da vida. Minha primeira vez na redação da Folha já conta quase três décadas e nunca vou esquecer aquela sensação de que tinha encontrado meu lugar. Ainda estudante, começando a conhecer na teoria o que era ser jornalista, foi ali que entendi de fato o sentido da profissão que tinha escolhido desde criança. Eu não via a hora de fazer parte daquela engrenagem. Havia toda a agitação típica de redação de jornal, que pode até parecer um tanto confusa quando se vê de fora, mas não tive receio algum. Apenas a vontade de pertencer. E me senti em casa.

Tive muitas idas e vindas da Folha, porque dediquei também parte da minha carreira à assessoria de imprensa, que é onde atuo hoje. E cada vez que retornava eram novos desafios, novas histórias, novos amigos. Vi as máquinas de escrever serem substituídas pelos computadores, a chegada da internet, o fim do past-up. Editei no Pagemaker, depois no InDesign — mas nunca perdi a paixão de ser repórter. Aprendi, ensinei, fiz os melhores e os piores textos da minha vida. Acertei e errei. Briguei e fiz as pazes. Amadureci.

E foi na Folha que tive o privilégio de conviver com uma das pessoas mais extraordinárias que conheci em toda a minha vida: devo a seu Aluysio muito do que sei e do que sou. Vieram dele as mais caras lições sobre técnica e sobre ética. A ele serei sempre grata. A Aluysio, seu filho, estendo a gratidão, por todas as oportunidades, pela confiança e pela amizade.

Já faz alguns anos da minha última estada na Folha, mas a redação continua e vai continuar sendo minha casa. Fazer parte ou não da equipe em momentos específicos da minha jornada é só um detalhe. Aquela sensação de pertencer, lá do começo da história, nunca mudou.

 

(*) Jornalista e ex-editora de Política da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (09) na Folha da Manhã

 

Folha 40 anos — Luiz Costa

 

Jornalista Luiz Costa

Minha segunda casa

Por Luiz Costa(*)

 

Rua Carlos da Lacerda, 75. O endereço, no Centro de Campos, não é o meu… mas bem que poderia ser. É ali, entre as ruas Aquidaban e Oliveira Botelho que fica a sede da Folha da Manhã, meu primeiro emprego, de carteira assinada, como jornalista, e que, durante muitos anos, foi meu segundo domicílio. Cheguei ao jornal no início dos anos 90, por indicação do meu querido tio Nilson Maria, que comentou com o então diretor de redação do periódico, o saudoso Aluysio Cardoso Barbosa, “sobre um sobrinho que acabara de ser formar pela Universidade Gama Filho”. Meus dias iniciais, como foca, foram na editoria de Geral, acompanhando os plantões de polícia. A primeira matéria publicada, cobrindo o irrequieto Waldelan Paes, abordou o roubo a uma loja de material de construção, em Guarus. O ladrão, por descuido, derrubou uma lata de tinta no chão e suas pegadas ficaram marcadas, facilitando o trabalho da polícia na elucidação do caso, já que o malfeitor morava a poucas quadras.

Na Folha, com o passar dos anos, entre idas e vindas, fiz de tudo um pouco. Fui repórter, chefe de reportagem, editor de Geral, Política, Economia e Esportes, repórter especial, além de Editor Geral. A relação ultrapassou a questão profissional. Seu Aluysio foi meu mestre, fonte de inspiração. Me mostrava na prática a teoria que pautou a insossa faculdade. Era preciso na abordagem, direto nos conselhos e puxões de orelha, rico como exemplo e um dos mais profundos conhecedores da rotina da planície.

Na redação, conheci Diva, Christiano e Aluysio Abreu. Com o último, estabeleci uma parceria diferenciada. O vi adolescente nos corredores do jornal. Acompanhei seu envolvimento mais direto com o jornalismo e sua opção de estagiar no Rio, no mesmo JB que teve seu pai em suas trincheiras; seu crescimento em todos os sentidos. Em um dos momentos mais conturbados da minha vida, há mais ou menos 7 anos, a Folha foi meu porto seguro, abrigo dos meus filhos e Aluysio, um amigo leal, atento e presente.

Recentemente, no início do dezembro, com meu irmão internado com um quadro infeccioso grave, logo após o falecimento do meu pai, recebo um telefonema de Aluysio. Ele me pedia um texto sobre os 40 anos da Folha. Naquele instante, uma série de fatos vieram à mente…

Como traduzir o trabalho inovador realizado em quatro décadas? A trajetória do jornal e seu olhar não apenas para Campos, mas à região, como um todo, respondem a esses questionamentos. Aos 50 anos, com 30 de atividade na área, ainda apaixonado pela mídia impressa e com grande dificuldade de me adaptar à superficialidade que impera na era digital, me orgulho de fazer parte dessa história. Obrigado, Folha!

 

(*) Jornalista, assessor de comunicação da Prefeitura de Quissamã e ex-editor-geral da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (09) na Folha da Manhã

Folha 40 anos — Suzy Monteiro

 

Jornalista Suzy Monteiro

Era uma tarde de maio de 1999

Por Suzy Monteiro(*)

 

Era uma tarde de maio de 1999, quando comecei a trabalhar na Folha da Manhã. Formada alguns anos antes, tinha decido outros rumos na vida. Mas, através das tais voltas que o mundo dá, ali estava eu, jornalista retornando à profissão. Ali estava eu, mãe, ingressando em uma jornada totalmente nova. Hoje, pensei em escrever sobre as matérias que mais marcaram em todos estes anos. Rebeliões em delegacias, mães chorando filhos, filhos pequenos sem entender que não teriam mais suas mães. Famílias querendo recuperar suas crias, quando já estavam tão perdidas. Histórias interrompidas quando tinham ainda tanto para serem contadas. Amores que só seriam separados pela morte. E foram.

Ou, ainda, sorrisos, nascimentos, encontros. Vitórias. Campos crescendo. A rodovia da morte ir mudando de perfil, se duplicando em pistas. O Paraíba do Sul morrer e renascer tantas vezes e de tantas maneiras. Batalhas sinceras de formiguinhas que acreditavam que, cada um fazendo sua parte, o mundo pode ser um lugar mais justo. Poderia escrever sobre matérias, mas nelas, entre elas, antes e depois delas, havia sempre um oásis de leveza na aridez do cotidiano.

Quando cheguei à Folha, substituía Dora Paula que estreava onde eu mesma começara três anos antes: A maternidade. Em agosto do mesmo ano, de folga, passei no jornal para pegar algo, levando comigo minha Ellena, de muitas tranças e palavras. Aluysio, filho, a pegou no colo e ficou conversando. Depois, pegou um CD que tinha uma música com o nome dela. Ela pouco entendeu, mas achou o máximo.

Dali por diante, minha filha, como de tantos outros, passou a ter a redação da Folha como sua segunda casa e se tornou presença constante. Crescia e tinha ali seus tios que, por inúmeras vezes, me ajudaram – “Quem aí não pegou Ellena na escola?”, é nossa piada recorrente. Juntos, aprendemos a rir e chorar, em um laço formado de um lado pela Folha, de outro pelo carinho que tinha, e têm, por minha filha.

Na Folha, tinha, também e principalmente, um “colega” especial de Ellena. Seu Aluysio, com quem ela passava horas conversando e contando coisas sem parar. E ele ouvindo. Não aquele ouvir porque não tem jeito. Mas, interessado. O que diferenciava naquele jornalista importante, premiado, que fundou um dos jornais mais importantes do Estado do Rio, era o valor e o interesse que ele dava à história que cada um tinha para contar. Fosse uma personalidade política, fosse uma criança. Entre uma matéria e outra, passava pelo corredor e estavam os dois conversando, um encontro de duas gerações e mundos tão distantes, mas que guardavam ali tanto carinho.

Hoje, 18 anos depois de entrar pela primeira vez na Folha, que completa quatro décadas, tenho uma filha adulta e outras crianças passeiam pela redação e corredores. Seu Aluysio não está mais por aqui. É a vida, que se renova a cada instante. Mas, qualquer que seja o caminho que cada um siga, sempre haverá uma Ellena e sempre haverá a Folha para contar histórias.

 

(*) Jornalista e repórter de política da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (09) na Folha da Manhã

 

Folha 40 anos — Marcão Gomes

 

Advogado e presidente da Câmara de Campos, Marcão Gomes

Vida longa à Folha da Manhã

Por Marcão Gomes(*)

 

“O importante é o jornal e não o jornalista. O jornalista morre, mas se o jornal sobrevive, o imortaliza e mostra que seu trabalho não fracassou”. A célebre frase é do grande jornalista Aluysio Cardoso Barbosa, fundador deste jornal e falecido em 2012. Ela pode resumir o meu festejar pelos 40 anos de vida do jornal Folha da Manhã, que no último domingo, dia 8 de janeiro, completou 40 anos de existência. Uma data para ser lembrada e comemorada por todos nós campistas.

Seu fundador contabilizou em sua história de vida grandes conquistas e sempre esteve um passo à frente no jornalismo de sua época, legado esse trilhado com maestria pela família no comando das empresas de comunicação do Grupo Folha. São 40 anos de um jornal crítico, vibrante e corajoso. Aluysio começou na década de 60, cobrindo corridas de cavalo, pelo Jornal A Notícia, de onde se tornou editor geral, tendo destaque nas matérias sobre a cana, onde destacou o novo ciclo do açúcar e do álcool, passando ainda pelas cadeiras da Faculdade de Filosofia de onde também se tornou mestre.

É bastante lembrado também por sua passagem no Jornal do Brasil, onde começou como estagiário, mas foi crescendo, principalmente com os destaques das capas do Jornal, com vários ‘furos’, como a história da maior indústria brasileira do petróleo, contada através de seus vários textos que foram reproduzidos.

Acredito em um papel do jornalista como agente conciliador, gerador e modificador de contextos, mediante seu papel de transformação. Ele pode e deve criar melhorias para a sociedade e isso o jornal Folha da Manhã sempre procurou em suas páginas ao longo desses 40 anos de serviços prestados à população de Campos e região.

Em tempos de redes sociais que acabam banalizando a informação, temos que refletir qual o papel dos grandes meios de comunicação, o que eles têm feito para a melhoria da sociedade, e qual o papel que pode ser desempenhado pelos profissionais da comunicação na busca da igualdade entre as pessoas, principalmente no que diz respeito ao acesso à informação e aos bens gerados pela imprensa em geral. A informação apurada, checada e transmitida com correção é a base da credibilidade desfrutada pelo jornalismo. É esta credibilidade gerada deve ser o diferencial que torna a verdadeira imprensa indispensável em qualquer sociedade que deseja ser livre, democrática e bem informada sobre todos os assuntos.

Por fim, a todos os diretores e funcionários do Grupo Folha, deixo os meus sinceros votos de felicitações pela data marcante dos 40 anos de empreendedorismo e credibilidade da informação jornalística. Que os bons serviços prestados a nossa população continuem sendo uma marca registrada da Folha da Manhã.

 

(*) Advogado, vereador, presidente da Câmara de Campos e colaborador da Folha

 

Publicado hoje (09) na Folha da Manhã

 

Alexandre Buchaul — Promessas de novo?

 

 

 

Mais um réveillon, mais uma vez renovam-se as esperanças de cumprir os sonhos, travestidos de metas, que se repetem ano após ano, mundo afora. Uma língua estrangeira… poupar… viajar… emagrecer…  se formar… mudar de emprego… sonhos que são atropelados pela realidade do tempo que corre implacável e logo põe as pessoas, como autômatos, a desesperadamente fazer as mesmas coisas que sempre fizeram e que, por óbvio, darão os mesmos resultados que sempre deram. Adaptam-se muito facilmente a realidade que as cerca e comodamente deixam o tempo passar sem que se apercebam de que, com o correr dos dias no calendário, com o girar dos ponteiros do relógio, a vida se esvai.

A vida, por mais que seja em parte regida pelo imponderável, como já dizia Maquiavel, permite administrar parte e, para que esta parte frutifique, planejar os passos a serem dados no intuito de atingir determinados objetivos. Quando estes se tornam metas, com planejamento definido, deixam de serem sonhos e se tornam mais palpáveis, se pode enxergar o caminho a ser percorrido, antever alguns problemas e tomar medidas para que, ao fim de mais um ano, tenhamos metas batidas e novos sonhos. Como numa escalada que tem por objetivo, por meta, o cume da montanha, mas que se inicia no desejo de realizar, passa pelo planejamento de como fazer e tem o esforço de escalar empreendido a partir da base da trilha. A diferença entre a vida e a morte de um alpinista, apesar do imponderável que cerca a escalada, pode estar no planejamento meticuloso do quê e como fazer.

Incrível que não apenas pessoas comuns conduzam suas vidas dessa forma…  nada espartana, mas também aqueles que se arvoram a tarefa de governar os demais  assim o fazem. Lançar-se candidato a cargo público sem qualquer projeto de governo sério e que vá além de vã retórica é regra. A disputa eleitoral se dá calcada em ofensas e deméritos, como em programas chulos na TV, no estilo “casos de família” e uma vez eleitos apagam-se incêndios, no jargão do meio político, sem nunca avançar nos sonhos que jamais chegam a se tornar metas. Para o povo, fica a sensação de tanto faz, são todos a mesma coisa. Falta aos municípios, aos estados, ao país um projeto, com metas claras e mensuráveis, com planejamento do caminho a ser trilhado para alcançar objetivos definidos. Onde estará a saúde, a educação, a segurança… daqui a quatro, oito, dez anos? Ouso dizer que nas cercanias de onde está agora, nos arredores de onde esteve nas últimas décadas, depositando as esperanças no ano que virá, renovando as velhas promessas e desejando feliz ano novo!

 

 

Rafael Diniz: mudança na equipe e meta de redução da folha em 20%

 

Por Aluysio Abreu Barbosa e Paula Vigneron

 

“A população de Campos acertou quando nos elegeu prefeito em 2016”. A declaração de Rafael Diniz (PPS) está ao final destas seis páginas de entrevista, no balanço do seu primeiro ano de governo. Para o 2018 que se inicia, ele revelou algumas metas, entre elas a redução da folha dos servidores em 20%, a partir da instalação do ponto biométrico, ainda no primeiro semestre. Também confirmou duas inciativas que já haviam sido adiantadas por seu assessor especial, César Tinoco, em outra entrevista à Folha: a entrega do Hospital São José, promessa da ex-prefeita Rosinha Garotinho, que não foi cumprida em oito anos de gestão; além da volta do Restaurante Popular do Centro. Como novidade, ele anunciou a ampliação da iniciativa, com a instalação de um Restaurante Popular também em Guarus. Embora tenha defendido sua equipe de governo, o prefeito anunciou mudanças “já, já”.

 

(Foto de Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

Folha da Manhã – Em 6 de janeiro do ano eleitoral de 2016, a Folha publicou um editorial de capa. Ele foi fruto de um levantamento feito nos quatro meses anteriores, que definiu os cinco princípios que campista, então, gostaria de ver no próximo governo: transparência, diálogo, planejamento, eficiência e parcerias. Tirando as parcerias, onde realmente houve avanços, na transparência e no diálogo, embora o governo diga que exista, há questionamentos. Mas é no planejamento e na eficiência que parecem residir os maiores problemas da sua administração. Qual a sua avaliação e como melhorar?

Rafael Diniz – Quando vê os princípios levantados lá atrás, a gente vê que avançou muito nesses princípios durante esse primeiro ano de gestão. Obviamente que a gente entende alguns apontamentos divergentes daquilo que a gente acredita, e nossa gestão  respeita a outra opinião, contrária ou não. Mas eu posso afirmar que a gente avançou, sim, em todos esses princípios. Alguém pode, de repente, discordar se há ou não diálogo. Mas o que é diálogo? Diálogo é dizer “sim” sempre ou é sentar à mesa e abrir oportunidade para a gente propor e ouvir ideias, mas, no final, tendo a liberdade e o direito de poder dizer “sim” ou “não”? Então, a gente fica satisfeito de ouvir princípios levantados lá atrás que, em minha opinião, a gente vem cumprindo, sim: transparência, diálogo. Com relação à eficiência e ao planejamento, eu posso afirmar que nós temos, sim, um governo eficiente e de planejamento. Muito embora, às vezes, a gente não consiga mostrar isso com facilidade por todos os problemas que nós temos, que herdamos e temos que resolver. Por mais que você seja um governo de planejamento, você precisa de tempo para poder elaborar esse planejamento; você precisa de informação para poder elaborar esse planejamento; você precisa de condições financeiras para garantir que esse planejamento seja realmente realizado. Vou dar o exemplo sempre na Participação Especial (da produção de petróleo) de agosto, que a nossa gestão, em cima de uma projeção feita pela própria ANP, esperava R$ 16 milhões a mais, quando vieram R$ 16 milhões a menos. Ou seja, qualquer planejamento que você tivesse feito em cima daquilo que já estava posto acaba não acontecendo, e não por culpa nossa. Por exemplo, em 2017, tivemos que administrar com um orçamento que não foi elaborado por nós. Que vai ser diferente agora, em 2018, muito embora a ideia e o projeto já aprovado de termos R$ 2 bilhões não significam, necessariamente, que teremos R$ 2 bilhões. Uma peça orçamentária aprovada é uma previsão orçamentária.

 

Folha – Falando em planejamento, você não acha que os cortes em programas sociais, como Restaurante Popular, Cheque Cidadão e Passagem Social, e, agora, na questão do 13º, não teriam menos impacto negativo se houvesse planejamento na divulgação, chamar os afetados para conversar? Não acha que o governo pecou nisso?

Rafael – O governo é feito de acertos e erros, como qualquer governo, e a gente tem a humildade para reconhecer quando há erros. A gente, de imediato, chama as categorias ou um grupo determinado que seja, ou vai a público, para a população, para dizer onde erramos e como vamos consertar esse erro. Esse é o primeiro ponto. É uma das marcas do nosso governo: ser muito transparente com o que fazemos e admitir onde erramos e onde precisamos acertar.

 

Folha – Você acha que errou nisso?

Rafael – Nós fizemos as suspensões, e alguns preferem entender como cortes, naquilo que foi necessário. É importante a gente entender a realidade financeira do município. Nós temos uma cidade, hoje, que temos que administrar.  E nós administramos, no primeiro ano, com metade do dinheiro e não pegamos empréstimo. E ainda pagamos o empréstimo contraído pela outra gestão. Olha o tamanho do nosso desafio. Mesmo assim, com problemas e questionamentos, a gente fez a cidade acontecer. A gente fez a cidade funcionar. Com relação aos programas sociais, é importante a gente pensar: qual foi o legado deixado por eles nesses anos todos? É a primeira pergunta. Diminuiu ou aumentou a desigualdade social? A gente sabe que aumentou. Diminuiu ou aumentou a violência em nossa cidade? A gente sabe qual é a realidade da violência na nossa cidade. Diminuiu ou aumentou o número de empregados e desempregados na nossa cidade? Esse é o primeiro ponto. Depois, as questões financeiras. Por todos esses pontos que eu já levantei, nós não temos condições financeiras de manter a cidade da mesma forma que vinha sendo mantida. Se deixaram tanta dívida com R$ 3 bilhões, como administrar a cidade com metade desse orçamento?  Sobre o Restaurante Popular, é importante deixar claro que as pessoas que não têm o que comer continuam, sim, sendo assistidas pela Prefeitura, seja no Centro Pop, na secretaria de Desenvolvimento Humano e Social, ou pelo fornecimento de cestas básicas. Quem deixou de utilizar o Restaurante Popular com a sua suspensão? O comerciário, que é empregado e trabalha no próprio Centro; não tirando esse direito dele, mas a gente não pode confundir essa pessoa que tem seu salário, seu emprego, com aquela pessoa que não tem condições e continua, sim, sendo assistida. E, também, o universitário. Tenho respeito por todas as universidades e, com carinho especial, a UFF, que é localizada perto do Restaurante Popular e que, também, muitos alunos utilizavam. Mas a gente tem que fazer uma escolha. Eu precisava de dinheiro para poder garantir a merenda dos nossos alunos. É uma obrigação minha cuidar do nosso aluno. Então, a gente tem que fazer essa opção também, mas deixar claro que nós vamos voltar com o Restaurante Popular.

 

Folha – Seu assessor especial, César Tinoco, adiantou isso em entrevista à Folha. Será neste primeiro semestre de 2018?

Rafael – Se Deus quiser. Obviamente, encontrando um caminho para reduzir ao máximo ou reduzir os custos por parte da Prefeitura e buscando parceria para isso. E nós temos um desafio maior que, se Deus quiser, vamos alcançar também: levar o Restaurante Popular para Guarus. A gente não pode se limitar a fazer política com um programa que pode estar ajudando pessoas que precisam. Com um município imenso como o nosso, não podemos pensar apenas em uma região. E precisamos dar uma atenção especial a Guarus, que é uma região tão importante para a nossa cidade. Quando você atende Guarus, você atende uma boa parte da região. Então, se Deus quiser, dois restaurantes populares, com a gente encontrando parcerias para isso. No Centro e em Guarus.

 

Folha – Este ano?

Rafael – Se Deus quiser, vamos fazer o do Centro este ano. E, por que não, este ano também, o de Guarus? O Cheque Cidadão, nós transformamos em Cartão Cooperação. Nós desejamos, sim, voltar, mas temos que ter muita responsabilidade. Eu não posso voltar por um mês para, daqui a pouco, não ter dinheiro. Aí, entra a palavra planejamento. Eu tenho que ter certeza de que vou poder manter, dentro do meu planejamento, o programa que retornar. Transformamos no Cartão Cooperação porque nós temos que ofertar uma possibilidade de trazer essa pessoa para um novo ambiente, de qualificação profissional, de oportunidade de emprego. Essa é a nossa intenção com o Cartão Cooperação, assim que nós tivermos condições. Mas, para isso, não vou estabelecer prazo para ser muito responsável com a população. O outro tema importante é a Passagem Social. A pergunta que a gente faz à população, quando pergunta qual foi o legado deixado pelos programas sociais, é essa: como estava o transporte público quando a passagem estava a R$ 1? Era no horário? Não, não era. Era com qualidade? Não, não era. As reclamações eram diversas. Faltava ônibus ou não faltava? Faltava em diversas localidades. Esse é o primeiro ponto. O segundo ponto: a Prefeitura tinha condição de continuar mantendo e subsidiando um programa como esse? A nossa gestão se manteve em dia com o programa social, mas de que adiantava eu pagar a empresa, tirando dinheiro que eu poderia aplicar para a nossa própria população? A mesma população que utiliza a Passagem Social. A gente pagava à empresa, e a empresa não pagava ao funcionário dela. E o funcionário entrava em greve. O sistema não funcionava, estava falido há muito tempo e precisava ser revisto. Há um diálogo que eu faço junto a dois grandes técnicos que temos a respeito desse assunto na Prefeitura: o presidente do IMTT, Renato Siqueira, e o secretário da Transparência e Controle, Felipe Quintanilha, que têm formação nessa área de mobilidade urbana. Nós temos esse desafio e vamos resolver, de uma vez por todas, a questão do transporte público em Campos.

 

Folha – Como? Quando?

Rafael – Não vou estabelecer um prazo, mas nós já conversamos. O simples fato de rever o programa social, entendendo e dialogando com todos os setores…

 

Folha – Mas é uma coisa para o seu governo ainda?

Rafael – Para o meu governo ainda. Para a gente resolver, de uma vez por todas, e avançar bastante na questão do transporte público.

 

Folha – E os dois Restaurantes Populares são projetos para este ano?

Rafael – O do Centro é para este ano. E, se Deus quiser, o de Guarus, vamos tentar para este ano, mas sendo muito responsáveis.

 

Folha – Ainda que não seja este ano, o de Guarus será na sua gestão?

Rafael – Isso.

 

Folha – Mas, quando falamos de planejamento, isso também se aplica à comunicação da demanda desses cortes à população…

Rafael – Perfeito.

 

Folha – Quando você tomou pé da situação em que estava a Prefeitura, Quintanilha gravou um vídeo que deu muita repercussão. Falo nesse sentido: em explicar a necessidade desses cortes.

Rafael – Quando você assume uma cidade em que nunca houve gestão, porque tinham R$ 3 bilhões, R$ 2,5 bilhões, R$ 2,4 bilhões, R$ 2 bilhões e, ainda assim, contraíram empréstimos e deixaram muitas dívidas, você não via gestão ali. Você não via eficiência tampouco planejamento. Quando você assume uma cidade desordenada, como nós assumimos, no início de 2017, por mais que você queira e acredite no planejamento, por mais que você tenha um diálogo permanente com as pessoas, inclusive ofertando informação prévia, você precisa, enquanto gestor, tomar decisões imediatas. Até porque a questão financeira é diária. Eu sento com meu secretário de Fazenda pela manhã, faço um planejamento e, pela entrada de receita não se cumprir, e que não depende da gente, eu tenho que mudar o planejamento na noite do mesmo dia. Então, muitas decisões, nós tivemos que tomar exatamente pela questão financeira.

 

Folha – Mas não houve tempo de você fazer uma semana de comunicação, por exemplo?

Rafael – Quando há tempo, a gente faz. Vou dar um exemplo da questão do 13º. A gente segurou ao máximo para dar a resposta de quando e como a gente conseguiria pagar, esperando uma entrada de royalties. A previsão era de que os royalties entrariam apenas a partir do dia 26, ou seja, o primeiro dia útil depois do Natal. E todo mundo nessa expectativa. Eu fui a Rio das Ostras, acompanhado do secretário da Transparência e Controle e do superintendente de Inovação Tecnológica, Quintanilha e Romeu e Silva Neto, para a reunião da Ompetro. No meio da reunião, todos os prefeitos souberam, naquele exato momento também, que os royalties entrariam. Então, não foi uma novidade para mim. Foi novidade para todo mundo. E que entrariam no próximo dia. Ou seja, a reunião foi numa quarta para o dinheiro entrar na quinta. Nosso deadline foi na terça-feira, para avisar, às vésperas do Natal, como faríamos o pagamento, já esperando por esses diálogos que nós temos com todos os municípios, que o dinheiro só entraria dia 26. Bom, uma resposta, eu preciso dar às pessoas. Eu tentei segurar ao máximo, esperando essa receita. E nós informamos. Aí, os royalties entraram. Bom, vou ter que mudar meu planejamento, ainda que para melhor, mas vou ter que mudar a comunicação. De imediato, eu pego o telefone e ligo para o secretário de Fazenda. Peço para ele refazer os cálculos. Nosso primeiro objetivo era antecipar a folha, que seria paga no dia 28, para o dia 22 e conseguir pagar uma folha de RPA. Para que isso? Para pagar aos servidores, que precisam e têm que receber. Mais que isso: para que eles tenham condição de receber antes do Natal. Ou seja, a gente antecipou um pagamento que sempre vinha fazendo no último dia útil do mês e aquecer, também, a economia nesse momento especial que é a festa de Natal.

 

Folha – Então, a gente pode entender, por tudo que você está falando, que essa campanha de conscientização não foi feita pela falta de tempo? 

Rafael – É tudo muito em cima quando você pega uma cidade desordenada. Então, você tem que tomar decisões imediatas para resolver um problema daqui a três dias. Aí, pesa. Por que pesa? Você vai ter coragem para tomar a decisão, por mais difícil que ela seja, ou você vai ficar demorando a tomar aquela decisão, quando ela precisava ser tomada de imediato? Eu prefiro tomar a decisão de imediato porque preciso resolver aquele problema. É por isso que a gente decide. E, quando há possibilidade de discutir previamente, a gente discute, chama várias categorias para discutir com elas.

 

Folha – Essa falta de comunicação prévia não torna a medida mais dolorosa?

Rafael – Sem dúvida nenhuma. Só que você tem que entender que há possibilidade da comunicação prévia e, às vezes, não há. O que há é uma necessidade de resolver de imediato. Tanto que mantivemos a Passagem Social, o Restaurante Popular, no início. Nós mantivemos o Cheque Cidadão, que foi transformado em Cartão Cooperação. Depois de um estrangulamento financeiro, que já era previsto, nós não tivemos condições de fazer. Essa foi a nossa realidade. E é importante lembrar a condição financeira do município e que, se você tem uma previsão financeira, você tem que esperar se ela vai realmente se concretizar ou não.

 

 

(Foto de Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

 

Folha – Como foi feita a escolha da suspensão de alguns programas sociais? Como selecionou o que seria suspenso?

Rafael – A gente selecionou tudo aquilo que era necessário ser revisto, que precisava ser melhorado por questões judiciais, e está aí a resposta do antigo Cheque Cidadão.

 

Folha – A operação Chequinho.

Rafael – Um uso eleitoreiro daquela máquina de forma muito irresponsável. O primeiro ponto é esse. Segundo, se havia necessidade de manter para as pessoas que realmente precisam, como a gente está garantindo que as pessoas que realmente precisam ser atendidas, que eram atendidas pelo Restaurante Popular, elas continuam sendo atendidas. E por uma necessidade técnica também, como, por exemplo, o transporte público. E, por óbvio, a questão financeira, que é a principal delas.

 

Folha – Na sessão de abertura dos trabalhos da Câmara, em 15 de fevereiro de 2016, você pediu “um ano para colocar a casa em ordem”. Se sofreu muitas críticas pela extensão do prazo, ele está para vencer e a sensação geral, um ano depois, é de que a casa ainda não está próxima de ser colocada em ordem. A paciência do campista não começa a dar claros sinais de desgaste? Seria possível pedir mais prazo?

Rafael – A gente, primeiro, tem que entender que, lá atrás, quando eu recebi críticas ao dizer o prazo de um ano, eu procurei ser o mais responsável possível, como venho procurando ser com acertos e erros. A gente já imaginava e já sabia da grande dificuldade. Por isso, a gente colocava o prazo de um ano. Só que, quando você não tem informação e transição, e você adquire as informações ao longo do processo de administração, você vê que o problema é muito maior do que aquele que você imaginava, por não ter acesso. Uma completa ausência de transparência por parte da antiga gestão.

 

Folha – As pessoas alegam que, pelo fato ter sido vereador, você teria que ter uma ideia prévia do que estava ocorrendo. Você tinha?

Rafael – A gente conseguia ter uma ideia superficial, como qualquer cidadão tinha, uma vez que eu apresentava todos os requerimentos de informação e eles eram negados. E o segundo ponto, que, hoje em dia, na nossa gestão, quando há um pedido de informação, a gente responde ao vereador, independente da bancada de que ele seja. A gente envia o secretário à Câmara para poder tirar dúvidas de todos os parlamentares, seja da bancada da oposição ou da situação. Campos vivia com uma cortina de fumaça. Uma maquiagem. O cidadão não sabia realmente o que acontecia. Tinha dinheiro de sobra e, no final, faltou para tudo.

 

Folha – Enquanto vereador, não via através dessa “cortina de fumaça”?

Rafael – Exatamente como era, não. Muitas informações, a gente buscou ao entrar na Prefeitura. Essa é a grande realidade. Qualquer cidadão passou a ter as informações reais quando a gente assumiu. Vou dar um exemplo muito claro. Aprovaram o projeto na Câmara, de “Venda do Futuro”, que, na verdade, não era aquilo que tinha sido aprovado, que é a questão dos 10% (limite dos royalties a serem cobrados). E que, com um belo trabalho da Procuradoria, nós conseguimos reverter. Está aí um grande exemplo. A população toda achava que pagaríamos apenas 10% do que entraria de royalties quando, na verdade, no contrato, era 30%.

 

Folha – Os próprios vereadores rosáceos acreditavam que a cobrança seria de 10%.

Rafael – Os próprios vereadores afirmaram para a imprensa que era apenas 10%. Essa é a grande questão. Mas Campos vivia em uma cortina de fumaça. Uma maquiagem. E ninguém realmente sabia o que acontecia. Nós chegamos e, ao invés de mantermos a sujeira embaixo do tapete, levantamos e começamos a limpar. E, quando você limpa a sujeira, todo mundo vê tudo. E essa é a nossa realidade hoje. A gente prefere acreditar na construção do alicerce. Se pegar o município e comparar a um edifício, ficaram fazendo as paredes sem pensar no alicerce. A parede vai cair. Botaram uma janela, construíram um andar. Mas ele vai cair porque não tinha alicerce. E sempre nessa cortina de fumaça. Nossa gestão optou: vamos fazer o alicerce. Que vai demorar, vai, mas nós temos que ter coragem para fazer. Esse é o nosso grande desafio. Infelizmente, o alicerce é aquela obra embaixo da terra, que ninguém vê. E, com todo o nosso respeito a uma população que está ansiosa por uma resposta rápida, é difícil você convencê-la de imediato. Vamos pensar nos últimos 30 anos, com royalties de sobra que não sobram mais hoje. Então, nós temos que acostumar a população a uma nova realidade. E essa realidade, a gente vem fazendo exercício diário de rever despesas, tentar buscar aumento de receita, que não é de imediato.

 

Folha – Objetivamente, você pediu o prazo de um ano, e esse prazo está vencido. Acha que a paciência do eleitor está chegando ao fim?

Rafael – Se você for pegar em nível de Brasil, todo mundo quer uma resposta rápida. Seja do governo federal ou dos governos estaduais. Aí, não vamos falar só do governo do Estado do Rio. O Estado de Goiás passa por uma rebelião. Rio Grande do Sul passa por dificuldade. O Norte passando por dificuldade. Vamos entrar no nosso município. Nós não somos o único município com dificuldade. Muito pelo contrário. A gente citou lá atrás, no meu primeiro pronunciamento na Câmara, com relação à necessidade de, pelo menos, um ano. O alicerce está sendo construído ainda. Ele não vai acabar da noite para o dia, até porque eu não quero fazer um alicerce qualquer. Com todo o respeito à necessidade de a população querer uma resposta, eu sei o que eu quero. A gente tem planejamento. E o planejamento é pagar essa conta de ouvir a crítica, de ouvir reclamação do cidadão que quer uma resposta rápida. Mas eu acredito no que estou fazendo. Esse alicerce demora a ser feito. Para quê? Para que eu e futuros prefeitos não precisemos viver com uma cortina de fumaça, com uma maquiagem. Quando pegarem a cidade, vão pegar uma cidade arrumada. Quando a gente melhorar, vamos melhorar com uma cidade arrumada, e não precisando voltar para resolver problemas que eram só para garantir eleições. Existe um desafio para o homem público, na crise, muito grande. E eu passei por esse desafio e fiz minha opção. Ou você escolhe a manutenção do seu nome público ou você escolhe a sua cidade, no momento de crise. Você não pode optar pelos dois. E eu prefiro a minha cidade ao meu nome público. Hoje, eu passo por questionamentos na rua de uma população que votou na gente em 2016. A gente entende esse questionamento, mas eu sei que estamos no caminho certo. Uma coisa, eu posso afirmar: o cidadão campista acertou em 2016, quando votou na gente. E votou maciçamente. Ele queria acreditar porque a gente defendia um modelo diferente. Ele queria um modelo diferente, só que aceitar esse diferente não é da noite para o dia, ainda mais uma população acostumada com esses 30 anos de abundância de recursos. Só que nós não temos mais essa abundância. Aí, qual é minha opção? Eu me acovardar e não tomar as medidas que sejam necessárias para preservar o meu nome político, como sempre fizeram? Fizeram a cortina de fumaça, a maquiagem para preservar os nomes políticos e destruíram a cidade. Porque tinham R$ 3 bilhões e deixaram o que deixaram. Essa é a grande verdade. Eu tenho R$ 1,6 bilhão (em 2017). Eu tenho que tomar as decisões difíceis. E, quando eu faço uma opção de uma decisão, de, por exemplo, pagamento de um serviço essencial, necessariamente, eu estou deixando de pagar outro serviço, também essencial. Eu não estou construindo um Cepop e uma Cidade da Criança. Falta medicamento? Obviamente. Não faltava antes, quando tinha dinheiro de sobra? Vamos tocar na Saúde como exemplo. Você está satisfeito com a Saúde que você tem? Lógico que eu quero uma Saúde muito melhor. E nós vamos ofertar a melhor Saúde do interior do Estado. Eu não tenho dúvidas. Nós estamos nesse caminho, por mais difícil que seja. A questão é: uma Saúde que sempre sobrou dinheiro. Pagava mal? Paga de novo. Comprou mal? Compra de novo. Gastou mal? Gasta de novo. Essa era a realidade do passado. Hoje, não. Hoje, eu não tenho tempo para isso. Hoje, eu tenho tempo para fazer o quê? O que precisa ser comprado? Temos dinheiro para quê? Então, vamos fazer as opções. É o remédio do HGG? É o insumo do Ferreira Machado? Mas faltam medicamentos e insumos para as UBS. E as nossas UPHs? Essa é a realidade. Se nós pensarmos, foram mais de seis milhões de procedimentos na Saúde, no ano passado. Aumentou a demanda e diminuiu o recurso. Nós temos um país em crise onde as pessoas não conseguem mais sustentar seu plano de saúde e precisaram abandoná-lo e recorrer à Saúde pública. Aumentou nossa demanda. Se nós estamos em crise, imagine os municípios vizinhos. E se os municípios vizinhos sempre dependeram da Saúde de Campos, imagine com eles em crise. Eles vão depender mais ainda. Ou seja, eu tenho uma demanda de Saúde muito maior. E, além disso, tenho o dinheiro pela metade. Como fazer? Com coragem. Tomando as medidas que são difíceis. Mas, mesmo com toda essa dificuldade, nós entregamos a UPH de Travessão, uma obra abandonada há quatro anos que nós devolvemos para a população.

 

Folha – A UPH de Travessão ainda vai ser inaugurada oficialmente.

Rafael – Mas já está funcionando. Porque nós temos uma preocupação: ou a gente vai lá para soltar fogos, como faziam, ou bota as coisas para funcionar? E, no dia 28 (de dezembro), à noitinha, a UPH de Travessão já estava funcionando e recebendo a população que não é só de Travessão. Se nós pensarmos, todas as regiões são atendidas. São nove mil atendimentos mensais na UPH de Travessão. Uma frase que me marcou foi a seguinte: “parece que eu estou em um serviço particular”. Não. Você está em um serviço público. E, a partir de agora, vai ser assim. E nós vamos entregar agora, no início do ano, o Hospital São José, uma obra parada também, que vai atender toda a nossa Baixada.

 

Folha – Que foi uma promessa da primeira campanha de Rosinha, ainda em 2008.

Rafael – E no segundo ano da nossa gestão, com toda a dificuldade financeira e metade do dinheiro, nós vamos entregar.

 

Folha – Quanto ao orçamento, você falou em R$ 1,6 bilhão, e a previsão orçamentária, para este ano, é de R$ 2 bilhões. Em uma conversa com Quintanilha, foi feita a pergunta: “você acha que vai ser menos pior?”. Ele respondeu: “vai ser muito melhor”. Endossa as palavras dele?

Rafael – Eu acredito muito na minha equipe. A equipe vive a realidade diária com a gente. Quando o secretário de Transparência e Controle afirma que vai ser muito melhor, é porque ninguém vai viver de novo o ano de 2017. Nenhum gestor vai viver, como Campos nunca viveu um ano como 2017. Com um grande exemplo lá de trás, eu busquei minha avó e perguntei qual era a realidade quando Campos não tinha royalties na administração do ex-prefeito Zezé Barbosa (1930/2011), meu querido avô, e a cidade era muito bem administrada. Minha avó falou: “Rafael, a cidade não era do tamanho que é hoje”. Essa é a grande questão. A população não estava acostumada com tanto serviço ofertado pela cidade como foi nesses últimos anos. Os últimos gestores, pela sobra de royalties, puderam dar o que quiseram, sendo bom ou ruim. E, hoje, a gente precisa trazer a sociedade para uma nova reflexão: primeiro, o que o poder público tem condições de ofertar? Segundo, o que a gente realmente quer? É uma Passagem Social que seja dada de qualquer maneira, para o transporte continuar ruim? Ou é rever o programa de uma vez e de verdade? Um antigo Cheque Cidadão, que hoje é Cartão Cooperação, dado de qualquer forma para garantir eleições? Ou é um Cartão Cooperação dado para ajudar as pessoas que realmente precisam, mas inserindo elas no mercado de trabalho? É um Restaurante Popular que atenda, realmente, com regularidade e com critérios as pessoas? É isso tudo que a gente tem que fazer. Então, eu acredito que vai ser um ano menos difícil do que o ano de 2017. Como eu dependo de uma realidade orçamentária ser cumprida, realmente ser efetivada e acontecer, eu prefiro esperar. O cidadão campista está cansado de falsas promessas. Quando eu falei que ia entregar a UPH de Travessão, eu entreguei. Se estou falando que vou abrir o Hospital São José, é porque eu vou abrir. Se vai ser muito melhor? Espero eu que seja. O cidadão campista merece que seja.

 

Folha – Tem prazo para o São José?

Rafael – Se Deus quiser, no início do ano. Primeiro semestre, com certeza. Eu não tenho dúvida de que o pior já passou, ainda que o ano de 2018 seja difícil.

 

Folha – O grande gargalo de despesas da Prefeitura é folha de pagamento e custeio. Dos R$ 127 milhões de receita corrente mensal, entre R$ 95 a 100 milhões vão para folha e custeio. O pagamento dos servidores come cerca de R$ 75 milhões/mês, enquanto o custeio chega a R$ 45 milhões. O déficit, que já abaixou em 2017, hoje é cerca de R$ 20 milhões mensais. Em 2018, como abaixar ainda mais essa conta?

Rafael – Essa é uma grande necessidade de reforma que a gente precisa fazer, inclusive dentro da folha do servidor efetivo. Ao longo de 2017, nós convidamos o servidor, constantemente, para esse novo debate, para essa nova realidade financeira. A gente não convida o servidor para rever carga horária, gratificação, condições simplesmente porque a gente quer. É porque a gente entende que é necessário para readequar a uma nova realidade financeira. A gente precisa enxugar a folha como um todo. Eu lembro muito bem, no início da nossa gestão, que a oposição falava que a gente não pagaria a folha de março, a de abril. E mantivemos, com todos os esforços e metade do dinheiro, sem pegar empréstimo e pagando empréstimo deles, a folha dos doze meses, conseguindo dar entrada no 13º e já programando o pagamento do restante, que a gente vai fazer nos próximos meses. Se a gente pensar que tem o custeio desse tamanho e com uma folha desse tamanho, o servidor precisa entender essa nova realidade. Eu tenho o maior respeito pelo servidor. Eu sou servidor público. Uma última pesquisa levantada e que foi apresentada, mostrava que a diferença de salário de um trabalhador da iniciativa privada para o trabalhador público federal é de 67%. Nós precisamos rever. Não é rever porque eu quero. É porque há necessidade de garantir o pagamento, em dia, daquele servidor. Essa é a grande questão. Nós temos uma folha muito inchada e nós precisamos desinchar, inclusive para termos condições de pagar todos esses gastos com relação ao próprio custeio, manutenção de serviços básicos da nossa população.

 

Folha – Segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o alerta do gasto com pessoal é aceso quando consome 48,6% da receita líquida. O “limite prudencial” é de 51,30%. E, se chegar a 54%, configura improbidade. Hoje, Campos consome aproximadamente 52% da sua receita com pessoal. Em Macaé, a implantação do ponto biométrico eletrônico gerou 13% de demissão de profissionais, que claramente faziam serviço público de “bico”. Já aprovada na Câmara de Campos, desde 8 de agosto de 2017, quando finalmente o ponto entrará em vigor aqui? E qual a expectativa de redução dos quadros?

Rafael – Eu acho que a gente tem que ser muito responsável. Quando pensa em uma expectativa, eu espero que ele reduza, pelo menos, 20%.

 

Folha – Em Macaé, foi 13%.

Rafael – Mas a gente tem que pensar mais até porque a folha de Campos é maior. Nós temos que pensar em reduzir, sim, em pelo menos 20%. Se for mais, melhor, mas reduzir em pelo menos 20%. Colocar o ponto biométrico não significa perseguir ninguém. Muito pelo contrário. É valorizar aquele que realmente cumpre horário, que vive do serviço público, que acredita no serviço público. Isso que é o ponto biométrico. Eu escuto isso de muitos servidores. “Poxa, prefeito, eu quero que coloque ponto biométrico porque eu cumpro meu horário.” Mas não é perseguir ninguém. Hoje, a gente tem uma relação com o servidor público municipal que não é fácil de ser levada. Porque, quando você precisa enfrentar questões que desagradam, ninguém quer ser desagradado

 

Folha – Quando o ponto biométrico será instalado?

Rafael – No primeiro semestre, a gente vai resolver isso, se Deus quiser.

 

Folha – Na enquete popular publicada na edição da Folha do último domingo (31/12), além dos problemas que vinham do governo anterior, como a Saúde, outros se apresentaram, como emprego. Como você vê essa nova demanda?

Rafael – O emprego é uma demanda de toda a população. Não é um desejo só do campista, mas de toda a sociedade brasileira. A gente trabalha, hoje, com uma superintendência de Trabalho e Renda que pensa em quê? Bom, nós temos, primeiro, que garantir que as pessoas tenham a sua carteira de trabalho. Não tem como bancar cursos pela dificuldade financeira, mas nós buscamos parcerias. A  superintendência, através do Gustavo Matheus, buscou parcerias público-privadas, com empresas, para poder trazer descontos para a nossa população. Temos trabalhado no desenvolvimento econômico para fortalecer nossas empresas locais. Aí, a gente pode falar da nossa grande parceria com o Sebrae para fortalecer e qualificar não apenas os nossos profissionais, mas também as empresas para fornecerem para a própria Prefeitura e estarem prontas para enfrentar o mercado de trabalho. Isso está sendo enfrentado pela criação da Casa do Empreendedor, buscando a desburocratização do serviço e a qualificação dos nossos empresários. E, mesmo neste momento de dificuldade, Campos, hoje, restabelece o Fundecam, trabalhando com o microempreendedor, garantindo a qualidade para as pessoas e investimento de R$ 500 mil para 147 processos de microcrédito. Quando você fortalece o microcrédito, você formaliza aquela pessoa. Você gera oportunidade de emprego para ela, para outras pessoas que ela pode vir a empregar e, mais que isso, você gera receita e renda no nosso município.

 

(Foto de Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

Folha – Além do emprego, o que também parece ser um problema de 2017 é a aparência de abandono da cidade. Na enquete da Folha, populares disseram: “A limpeza está ruim, os jardins estão cheios de mato”, e “Muita sujeira na cidade”. De fato, as deficiências na coleta de lixo e na manutenção dos jardins e praças, como a falta de reposição de lâmpadas na iluminação pública  são a realidade diária mesmo nas áreas centrais da cidade. Como a situação chegou a esse ponto e o que fazer para normalizá-la o mais rápido possível?

Rafael – Você citou alguns exemplos de serviços essenciais: limpeza, a própria manutenção de jardins e praças, que é, sim, questão de visibilidade e organização da cidade. Você citou a questão da iluminação. Serviços essenciais. Só que, ao lado desses serviços essenciais, eu tenho merenda, remédio…

 

Folha – Quem citou foi a população.

Rafael – Você citou, agora, em relação aos leitores. Remédio, insumo, home care e tantos serviços essenciais de que a população depende. Nós temos um único dinheiro para isso tudo. Vamos citar a limpeza. Tínhamos um contrato de R$ 8 milhões com a Vital. Tentamos manter, mas é impossível. Precisamos reduzir para adequar um novo contrato a uma nova realidade financeira. Para quê? Para que eu tivesse condições de falar com a empresa: “eu tenho condições de te pagar em dia, mas só tenho condições de pagar tanto em dia”. A gente reduziu o contrato pela metade. Estamos mantendo esse contrato em dia. Por quê? Porque eu mantendo em dia, ele consegue manter o salário do trabalhador, do funcionário dele em dia. Ou seja, não há greve nem paralisação desse serviço. Mas, quando você reduz o valor o contrato, necessariamente, você reduz em serviço. Aí, você tem que fazer uma opção na hora do serviço: vamos manter a mesma coleta, a mesma varrição? Esse é um problema, e a gente tem que decidir. Diminuímos a varrição para ter condições de manter a coleta. Ou seja, é a manutenção de um serviço essencial, não como a gente gostaria, mas da forma que podemos garantir. Com relação à limpeza pública, é importante citar um ponto específico: é a parte do poder público, mas é a parte do cidadão também. De nada adianta eu colocar a empresa e manter o pagamento em dia, se a população não contribui. Não é porque eu tenho uma empresa de limpeza que eu vou jogar o lixo em qualquer lugar, que vou botar o entulho em qualquer lugar. Aí, a população quer que você conserte tudo de imediato, mas está jogando lixo na rua quando você tem o local para colocá-lo ou esperar a hora de colocar o lixo na rua para que o caminhão possa passar e recolher. Obviamente, a maioria não, mas alguns, infelizmente, sim. Ou seja, é uma missão de todo mundo. Eu venho de uma formação política, que é do meu avô Zezé Barbosa, de que a cidade era toda organizadinha. Esse é meu desejo. É isso que a gente vai fazer com Campos. Só que, agora, eu preciso fazer escolhas entre serviços essenciais para manter a cidade, no geral, funcionando. Então, eu tive que reduzir a limpeza um pouco para poder manter o remédio. Ou eu tenho que reduzir, às vezes, na limpeza para manter o insumo. E, por aí, quando você reduz em dinheiro o valor do contrato, você reduz a qualidade do serviço.

 

Folha – Seria correto supor que a Vital, a partir dessa redução do contrato, tem feito uma espécie de “operação tartaruga”?

Rafael – Não posso afirmar. Seria leviano da minha parte. Nosso debate com a empresa é constante, buscando que ela possa ofertar um serviço de qualidade, o máximo possível, dentro dessa nova realidade financeira.

 

Folha – E iluminação pública e manutenção de praças e jardins?

Rafael – Praça e jardim, para poder juntar, nós pegamos um contrato, anulamos, encerramos e trouxemos esse contrato para dentro da Vital.

 

Folha – Qual era a empresa?

Rafael – Emec. Ou seja, reduzido pela metade. Só que a gente, por essa dificuldade, reduziu e conseguiu incluir. Só que, ali, tem que fazer opção: ou eu vou fazer a coleta como estou fazendo, mantendo uma equipe fazendo o serviço de coleta, ou eu vou ficar tomando conta só de jardins. Infelizmente, não tem dinheiro, agora, para manter tudo. Então, tem que fazer opções. Só que, quando eu pego uma equipe e ela para, de repente, de fazer varrição, é para ela poder fazer o jardim. Mas, quando você faz o jardim em uma determinada área, está faltando varrição em outra. Um município de quatro mil quilômetros de extensão. E nós não temos mais dinheiro para manter um contrato daquele tamanho. A gente vai passar por redução contratual e, consequentemente, de serviço. Iluminação: pegamos um parque de iluminação abandonado na cidade. Fizemos um contrato emergencial para poder resolver o contrato como um todo e abrimos uma nova licitação. O trabalho estava sendo muito bem feito. Só que, quando a gente abre um processo licitatório, o emergencial acaba. Só que, por essas questões de recurso, impugnação e Tribunal de Contas, o processo está parado. E não é culpa minha. Se o processo está no Tribunal de Contas, eu não posso, simplesmente, no peito e na raça para fazer um processo qualquer. A gente está buscando alternativas para poder resolver o quanto antes e apressar, para que a gente tenha uma resposta imediata do Tribunal, dentro da legalidade, e possa solucionar. Uma coisa, eu posso garantir: assim que a gente solucionar, a gente volta a prestar o serviço para poder garantir uma iluminação pública de qualidade. É importante lembrar que a gente vem fazendo o trabalho, inclusive o próprio superintendente da Iluminação Pública, Daniel Duarte, sempre foi muito elogiado pela população e pelos vereadores. Só que não depende dele. Depende de um contrato. Quando ele começou a revisar todos os programas, por uma questão contratual e problemas licitatórios, o serviço parou. E, quando parou, mais uma vez, dá problema no parque de iluminação, que a gente precisa retomar de uma vez por todas.

 

Folha – Tem previsão para a resolução desse problema?

Rafael – Nos próximos meses, a gente já está resolvendo. Assim que o Tribunal de Contas nos devolver o processo, a gente termina esse processo licitatório da iluminação.

 

Folha – E da coleta de lixo?

Rafael – Tivemos uma reunião, hoje à tarde (de sexta, dia 5), sobre iluminação e coleta de lixo. A gente montando equipes próprias nossas para ver se consegue resolver problemas de imediato. Esses pontuais. A falta de varrição em uma localidade, a poda de algum jardim em outra localidade. Mas, infelizmente, agora, nós não temos dinheiro para isso tudo. Se eu, de repente, aumento o contrato com a Vital para garantir isso tudo, vai faltar dinheiro para outro serviço essencial. Então, hoje, o cidadão tem que entender que não temos mais o dinheiro que tivemos antes. E, em um esforço diário com a nossa equipe, nós temos que ficar decidindo. São escolhas de Sofia. Eu escolho uma e, necessariamente, estou deixando de escolher outra. Diariamente, nós estamos falando de serviços essenciais.

 

Folha – Tudo que você diz remete à analogia do cobertor curto.

Rafael – Sem dúvida nenhuma. Metade do dinheiro.

 

Folha – Como aumentar o tamanho desse cobertor?

Rafael – Na verdade, se a gente parar para entender, o cobertor só não foi mais curto pela nossa coragem. A gente enfrentou e decidiu tomar decisões difíceis. Se a gestão passada deixou os problemas que deixou, com o dobro do dinheiro, o que eles teriam feito se ganhassem a eleição com metade do dinheiro?

 

Folha – E sem que Chicão (candidato a prefeito do PR) pudesse reclamar.

Rafael – Essa é a grande questão. Eu tenho muito cuidado em citar o nome das pessoas, mas, já que Chicão era candidato, o que ele faria? Porque não é responsabilidade só dele. Vamos ser responsáveis com a pessoa. Se não fizeram com o dobro do dinheiro, o que fariam com metade? Eu estou administrando a mesma cidade, do mesmo tamanho  ou maior, com metade do dinheiro. Com erros, acertos, problemas. Agora, com metade do dinheiro e sem pegar empréstimo. Porque, quando tiveram R$ 2 bilhões, pegaram empréstimo. Quando tiveram R$ 2,5 bilhões, pegaram empréstimo. Nós estamos com R$ 1,6 bilhão e não pegamos empréstimo. E ainda pagamos os juros do empréstimo adquirido por eles. Eu lembro muito bem quando eu era vereador, quando chegou a primeira mensagem (na Câmara) para adquirir os empréstimos, lá atrás. Diziam que os programas sociais só iam funcionar se tivesse empréstimo.

 

Folha – Foram três empréstimos.

Rafael – Diziam que o servidor só ia receber em dia se tivesse empréstimo. Diziam que os funcionários da Vital, com serviços de limpeza, só seriam mantidos se tivesse empréstimo. Bom, quando tinham R$ 2 bilhões, diziam que isso tudo só seria mantido se tivesse empréstimo. Nós temos R$ 1,6 bilhão, sem empréstimo, e estamos fazendo a cidade funcionar, com todas as dificuldades.

 

Folha – Mas a previsão orçamentária para 2018 é de R$ 2 bilhões.

Rafael – Previsão de R$ 2 bilhões, que eu espero que se concretize. Mas lembrar à população que, quando a Câmara aprova orçamento de R$ 2 bilhões, não significa, necessariamente, que teremos esses R$ 2 bilhões. Tomara que tenhamos. É uma previsão. O cobertor só não foi mais curto porque nós trabalhamos. Eu poderia estar pagando muito mais em relação aos empréstimos. Pagamos apenas, que é muito dinheiro, R$ 40 milhões. E a gente tem buscado aumentar a receita do município e, especialmente, uma parceria com o governo federal. O município de Campos era uma ilha fechada, que não dialogava com ninguém, a não ser quando tinha interesse. Hoje, não. Hoje, eu dialogo com todas as frentes e partidos. Por exemplo, o deputado federal da nossa região, que dialoga constantemente comigo, e que tem feito um grande trabalho apresentando emendas: Paulo Feijó. Qual é o partido dele? O partido dele (PR) é do grande adversário nosso na última eleição. A gente teve a humildade, coisa que ele mesmo afirma que outros prefeitos não tiveram, de entender que, ainda que seja um partido de oposição, nós temos que dialogar pelo bem da cidade. E ele tem sido um grande parceiro. Então, essa busca por parcerias com o governo federal, com parlamentares, tem sido muito importante para a reconstrução da nossa cidade e para melhoria de receita.

 

Folha – Outra crítica feita pelos populares ouvidos na enquete foi: “Ele precisa de uma equipe mais capacitada”. O questionamento foi feito também por alguns acadêmicos ouvidos na mesma reportagem da Folha: “Embora saibamos da sensibilidade do prefeito em agir justamente, seu corpo de assessores nem sempre produziu bons resultados”, disse a historiadora Sylvia Paes, da Universo. Enquanto o cientista político Hamilton Garcia, da Uenf, alertou ao “espírito de confraria, ao qual o atual prefeito parece atado”. A necessidade de contar com pessoas mais experientes na equipe é ressaltada até por aliados políticos. Não chegou a hora de ter mais “cabeças brancas” no governo?

Rafael – Nós temos, com todo respeito a quem tem “cabeça branca”, pessoas experientes, como nós temos pessoas novas também. A única diferença é que nós quebramos um paradigma. Novas pessoas surgiram nesse cenário. Nós não mantivemos, como muitos prefeitos, os mesmos secretários de sempre. Nós trouxemos novas figuras. E, quando a pessoa fala de uma questão de falta de experiência, a pergunta é uma só: qual foi a equipe que administrou a mesma cidade com metade do dinheiro e, mesmo assim, fez com que ela funcionasse? Foi essa equipe. Essas cabeças novas, aliadas às experientes, que estão aprendendo muito, que acertam, que erram. Mas foi essa equipe jovem que se colocou aqui para um grande desafio, porque essa é a maior crise da história de Campos. Mas, por óbvio, a gente acerta, erra e procura diálogo. A academia, por exemplo, e, aí, eu vou falar em nome da nossa superintendência de Inovação Tecnológica, através do Romeu, que é da academia; através da Sana Gimenes, que é da secretaria de Desenvolvimento Humano e Social e é da academia; através do Brand Arenari, que é nosso ex-secretário de Educação e só não está na gestão, hoje, efetivamente, porque passou em um concurso público (na UFF), e a gente precisa conseguir a liberação que, na academia, não é fácil. Estou dando alguns exemplos da academia que estão dentro da nossa gestão. A Suellen André de Souza, da Infância e Juventude, é da academia, do quadro da Uenf. Ou seja, a academia está dentro da nossa gestão porque nós privilegiamos uma gestão técnica. Esse é o primeiro ponto que mostra, de cara, a nossa aproximação com a academia. E outro ponto é o diálogo permanente com ela. Quantas parcerias com a Uenf, com o IFF, com a UFF. Diálogo permanente. Com a própria Cândido Mendes, se pensarmos em uma universidade privada. Com o Isecensa. Eu me formei na própria Cândido Mendes. O professor Rodrigo Lira, um dos grandes quadros da academia, é o responsável pela superintendência do Fundecam. Então, nós estamos próximos da academia. Meu pai tem uma grande história na Cândido Mendes, no meio universitário. Ele serve de exemplo para mim sempre quando a gente tem que buscar o diálogo com a academia. Mas, por óbvio, o fato de você dizer que garante diálogo não significa dizer “sim”, sempre. Então, nós não temos um grupo fechado. Tenho, sim, um grupo de amigos. Mas, aí, se deve a minha pessoa. Se, de repente, alguém de fora interpreta como uma confraria, é porque meu governo não é autoritário. Meu governo é de diálogo. Meu governo, quando as pessoas mais próximas, é de carinho, de atenção. Quantas pessoas eu nem conhecia na gestão e, hoje, são próximas a mim? Qualquer secretário tem direito de se aproximar, de dizer se concorda ou discorda. Qualquer cidadão comum tem direito de se aproximar, de entrar na Prefeitura, de ser atendido por mim e dizer se concorda ou discorda. Qualquer pessoa da academia, no caso, ou de qualquer classe, ou liderança de entidade, tem o direito de chegar até mim e conversar comigo neste ambiente que pode aparentar confraria. Mas não. É um ambiente de muita seriedade, de muito trabalho, mas que tem diálogo. Que tem respeito, equilíbrio e entende que ninguém é dono da verdade. Eu desafio: qual gestão conversa tanto com a sociedade como a nossa? A nossa gestão dialoga permanentemente com a sociedade, o que não significa dizer “sim”, sempre. Diálogo não é dizer “sim”, sempre. É sentar à mesa e dizer “sim, posso” ou “não, não posso” e dizer porque não pode. E, quando puder e não entender, abrir a oportunidade para que a pessoa te convença do contrário. E, me convencendo do contrário e sendo melhor para a nossa cidade, eu faço de imediato.

 

Folha – Você é conhecido pela lealdade e a relação de confiança com aqueles que trabalham contigo. Mas quando se confia em alguém que não está gerando resultados, no lugar de tentar insistir com ele, não seria mais inteligente chamar alguém mais capacitado à função, tentando construindo a relação de confiança com o passar do tempo?

Rafael – Eu concordo plenamente que isso é o princípio para todo mundo. Ter uma relação de confiança não significa, necessariamente, que aquela pessoa está habilitada. Todas as pessoas que nomeei, eu nomeei por acreditar na capacidade técnica delas. Em alguns lugares, surte o efeito que você queria que surtisse. Em outro, surte até além. Em outro, surte um pouco menos.

 

Folha –  Pode exemplificar?

Rafael – Não. Acho que a gente tem que ser muito cuidadoso. Neste momento, estamos passando por reformulação também. Eu vou apresentar algumas reformulações já, já, para toda a sociedade campista.

 

Folha – Reforma de equipe?

Rafael – De alguns pontos da equipe.

 

Folha – Neste primeiro semestre?

Rafael – Sim. Em uma cidade, completamente arrasada pelo passado, você cobrar que a pessoa te dê um resultado de imediato, em um ano, é desumano. Eu não posso pedir. Se, anos e anos, dinheiro sobrando, ninguém resolveu aquele problema, tem que estar nas costas daquela pessoa resolver aquele problema? Não. Eu sou o tipo de prefeito que não joga a conta no meu secretário ou na minha secretária. Eu puxo para mim. Essa conta é minha. Nós temos que ter coragem de defender a equipe. A gente tem, em Campos, alguns exemplos que, na hora do sufoco ou da dificuldade, joga o outro para pagar a conta, joga o outro na fogueira. Eu não. Por isso que você citou, no início, que eu sou leal. Não é por uma questão de política. É por uma questão de formação humana. Se eu preciso que a pessoa esteja ao meu lado, eu tenho que mostrar lealdade e confiança nela. E estar ao lado dela para as dificuldades. Agora, eu sou o tipo de prefeito que sou muito questionado por isso também. Às vezes, prefiro estar na notícia difícil, na notícia ruim, e deixar o secretário dar a notícia boa. Mas é meu isso. Certo ou errado em questão de comunicação, eu prefiro enfrentar o problema. Campos, hoje, precisa ter um prefeito que não foge do problema. “Ele vem conversar comigo. Ele toma a decisão que precisa tomar. Ele não foge de conversar comigo na decisão difícil.” Campos precisa disso. Essa é uma das formas de desfazer essa cortina de fumaça, essa maquiagem de que falamos. O prefeito de Campos, hoje, tem coragem de tomar as decisões e puxa para ele o problema, para ele resolver.

 

(Foto de Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

Folha – Se você analisar o governo Rosinha, que durou oito anos, ficou muito claro que ela foi blindada, cabendo a Garotinho o papel de para-raio. Isso também aconteceu nas duas gestões de Arnaldo Vianna, quando cabia a Ilsan o ônus da antipatia. Para bem ou para mal, como disse há pouco, as coisas vão muito para você, que bate no peito ao falar isso. Não seria taticamente inteligente ter alguém para fazer essa proteção sua?

Rafael – É uma avaliação interessante essa. A minha equipe conversa isso várias vezes. Mas, aí, é da pessoa. É muito meu isso. Ainda que alguém possa avaliar, como estamos avaliando conjuntamente agora, que seria uma tática razoável, ou, de repente, melhor para a preservação de um nome, acho que o momento que a gente vive não é de preservação de nomes. É de coragem para fazer o que é certo. E, se a população foi à rua em 2016 e disse, mais de 150 mil pessoas, que queria o meu nome, eu não posso fugir das grandes decisões agora. Se eu defendo, para as pessoas, que decisões difíceis precisam ser tomadas, eu vou pedir que outra pessoa tome? Não. Eu tenho que tomar. É difícil? É. Você vai à rua, e as pessoas que votaram em você dizem: “mas, poxa, achei que fosse ser melhor agora”. Eu tenho certeza de que ela acertou. Ali na frente, ela vai ver isso. Alguns conseguem ver. Infelizmente, a maioria, agora, não.

 

Folha – Como você gosta de futebol, talvez valha citar o exemplo. Na Copa de 2010, quando perdia contra a Holanda, nas quartas de final, o técnico Dunga olhou para o banco, viu vários jogadores da sua confiança, mas nenhum com capacidade para mudar o jogo. E o Brasil voltou mais cedo para casa. Vale a comparação? Qual o limite entre a coerência e a teimosia?

Rafael – A gente, que é jovem, às vezes, é visto como teimoso. Mas quem me conhece e lida comigo diariamente sabe que, apesar dos meus poucos 34 anos, eu me considero uma pessoa pouco madura além da minha idade. Porque eu gosto de ouvir , de conversar, eu me permito ser contrariado, dentro do limite humano de qualquer um. Porque, às vezes, você não quer ser contrariado, mas você precisa ser. Eu procuro sempre conversar com minha família, com amigos próximos, buscar aconselhamento de pessoas que não são tão próximas, mas que são experientes. Então, não estamos sendo teimosos. Tanto que eu acabei de dizer que há necessidade de mudanças. Eu vejo que há necessidade de mudança, e nós vamos fazer essas mudanças e a sociedade vai ver algumas dessas mudanças. Mas jamais por teimosia. Foi como eu falei: um ano é muito pouco, apesar de ser um quarto do mandato que a população me conferiu. Então, a gente tem que ter responsabilidade, equilíbrio nesta hora de olhar para o banco de reservas, ver as peças-chave e entender que, agora, é o momento. Mas também com equilíbrio. Porque não é mudar por mudar o nome. A questão não é o nome. A questão é o próprio sistema. Com metade do dinheiro, fica a dificuldade. A gente está fazendo um governo diferente que desagrada, muitas vezes, mas a gente precisa fazer.

 

Folha – Entre os secretários, dois inegáveis destaques positivos são o superintendente de Agricultura, o experiente ex-vereador Nildo Cardoso (DEM), e o presidente da Fundação Municipal dos Esportes, Raphael Thuim, que embora relativamente jovem, trouxe a Campos sua vivência no governo de Rio das Ostras. Dentro do seu próprio governo, eles não são a prova de que a experiência faz falta?

Rafael – A gente tem um procurador novo, que faz um grande trabalho. Eu desafio quais procuradores, nos últimos anos, fizeram o trabalho que doutor José Paes faz. Nós temos um controlador (Quintanilha) que é novo e faz um grande trabalho. Nós temos um secretário de Fazenda (Leonardo Wigand) que é novo, que vem do setor privado e administra essa cidade como nenhum secretário administrou antes, com metade do dinheiro. Só eu sei o que nosso secretário faz. Nós temos um superintendente de Comunicação (Thiago Bellotti) que faz o que faz pela comunicação do nosso governo e também é novo. Temos Alexandre Bastos (chefe de gabinete), que, apesar da sua experiência política, é novo, mas tem uma condução política e uma habilidade reconhecidas não apenas por mim, mas pelos vereadores, seja da oposição ou da situação, pela própria imprensa e pela sociedade, como uma atuação brilhante. Então, a gente tem que entender que o resultado está vindo. Mas, ao mesmo tempo, a gente tem uma secretária de Cultura, que é a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Cristina, que foi experimentada em outros governos e, ao meu lado, reabriu o Teatro de Bolso. Um sonho que parecia pouco, mas é imenso. Porque eu vi essa realidade quando fui, com minha família, ao último dia de espetáculo no Teatro de Bolso, para entregar o certificado para a garotada do Curso Livre de Teatro. Cheio da família deles. Ali, a gente não está formando apenas ator e atriz. A gente está formando cidadão através da cultura, e a experiência de Cristina Lima trouxe isso também. Nildo Cardoso, com toda a sua experiência, faz o trabalho que faz, com toda a dificuldade. Nesta retomada da Agricultura, como você bem colocou, tem sido um grande destaque. Lembrando que foi um dos nossos adversários na eleição. Eu não fechei as portas para ele. Muito pelo contrário. Como eu converso com qualquer pessoa que quiser, que entenda e queira o melhor para a cidade. E outro ponto importante: Raphael Thuim. Apesar da experiência dele, ainda é jovem, mas faz um trabalho no Esporte, e sem dinheiro. Raphael Thuim, com nossa administração, com minhas determinações junto com sua equipe, a gente oferta, hoje, esporte a 13 mil pessoas. E lembrar um ponto importante que é nosso xodó na Fundação de Esporte, que é o nosso paraesporte.

 

Folha – Há quem comparasse o primeiro ano da sua gestão com o mesmo período no governo da sua aliada política Carla Machado (PP), em São João da Barra. Embora vocês dois tenham sucedido administrações desastrosas, respectivamente de Rosinha e Neco, o fato de ela ter sido prefeita duas vezes antes não deu condições de apresentar resultados aparentemente melhores?

Rafael – Com certeza, a experiência ajudou Carla neste momento de dificuldade que São João da Barra também vive, como qualquer município. Só que ela voltou a administrar um município que já tinha administrado. A condição é outra. Ela já sabia onde estava pisando. Nós começamos a pisar em um território desconhecido por nós e sem informação nenhuma. E em uma crise financeira jamais vista. E, comparada com a crise de São João da Barra, a crise de Campos é muito maior. E nós temos que comparar, também, o tamanho das cidades. As pessoas olham para o município vizinho. Mas, quando olharem, têm que entender que, pelo menos, eu atendo um número de pessoas no Esporte que é metade da população de São João da Barra. São 13 mil pessoas. Essa é a grande questão. Quantas pessoas a gente atende na Saúde? Seis milhões de procedimentos. Inclusive, fornecendo saúde para os municípios vizinhos. Eu acho que São João da Barra ganhou muito com a volta da prefeita Carla Machado, e ela vem fazendo esse grande trabalho lá.

 

Folha – Na matéria da Folha, o sociólogo Roberto Dutra, da Uenf, fez uma das análises mais equilibradas do seu primeiro ano de gestão: “Ajuste fiscal e combate à corrupção são duas agendas indispensáveis. Mas elas são apenas preliminares. O problema geral do governo foi não ter saído das preliminares com um programa e uma narrativa capazes de apontar e sustentar um rumo novo para Campos. A imagem que ficou foi a de um governo que desconstruiu muito e construiu pouco”. Quando a etapa das preliminares será finalmente vencida? O que seu governo pretende construir? E como?

Rafael – Eu acho que essa análise, que a gente respeita como qualquer análise, seja favorável ou contrária, me traz um único pensamento: será que realmente não construímos? Eu tenho certeza de que construímos. Só que construímos o alicerce. Não construímos mais a cortina de fumaça.

 

Folha – Você acha, então, que já avançou a etapa das preliminares?

Rafael – Estamos avançando ainda. Aí, a gente volta à questão financeira. Nós temos um déficit por mês. Nós precisamos ajustar essas contas.

 

Folha – Outro acadêmico, o economista Alcimar das Chagas, da Uenf, fez comparações entre o seu governo e o de Rosinha, endossando seu trabalho para reduzir as despesas, mas identificando uma capacidade de investimento inferior. Como os R$ 222,3 milhões de investimento púbico em Campos em 2016 vieram dos R$ 562,2 milhões da terceira “venda do futuro” feita pelos Garotinho, cuja conta é paga por seu governo. Independente disso, quando sua administração poderá investir em obras estruturantes?

Rafael – A gente, primeiro, tem que lembrar que reformou oito unidades escolares no ano passado. Ou seja, fizemos, sim, obras com aproveitamento de verba federal. Vamos abrir mais nove oportunidades de reformas de escolas e unidades escolares, também com verba federal. A gente está garantindo a entrega da UPH de Travessão com verba federal. Agora, nós não temos mais o dinheiro em abundância que tinham antigamente para fazer esses investimentos. Estou dando um exemplo. E, hoje, principalmente, eu preciso garantir a manutenção dos serviços básicos que nós já discutimos, aqui, por várias vezes. Ainda assim, para os serviços básicos, vem faltando dinheiro. Então, em que tipo de investimento eu preciso acreditar hoje? É o investimento em uma cidade que está se transformando, que está se reconstruindo. Esse é o maior investimento. Quando a gente fala que reduzir despesa é investimento, é, sim, porque a gente está adequando a cidade a uma nova realidade financeira. Hoje, a gente fica inviabilizado de fazer novos investimentos, como o próprio professor Alcimar coloca, pela nossa dificuldade financeira.

 

Folha – Ainda em relação à “venda do futuro” feita por Rosinha no último dia do governo federal Dilma Rousseff (PT), trocada pela ausência da deputada federal Clarissa (hoje PRB) na votação do impeachment da ex-presidente, qual seria a realidade do município se a sua procuradoria e a da Câmara de Campos não conseguissem reverter na última hora, no TRF-2, os termos de cobrança dacronianos pactuados pelos Garotinho?

Rafael – Por isso que eu falo que essa foi uma das grandes vitórias da nossa gestão. A reversão, pela Justiça, obtendo essa liminar. Eu faço questão de ser um gestor que dá crédito aos nossos servidores, à nossa equipe. E esse foi um grande trabalho da Procuradoria através do doutor José Paes Neto. Se não fosse, a gente teria pagado mais de R$ 100 milhões. Se já nos faz tanta falta tendo pagado R$ 40 milhões, imagine se eu pagasse R$ 100 milhões. O que não teria sido prestado se eu tivesse que pagar mais R$ 60 milhões à Caixa Econômica Federal? Por isso que eu afirmo que esse foi um dos grandes desafios e uma grande vitória nossos. A gente vem mantendo diálogo com a Caixa Econômica. Na última quarta-feira do ano, eu estive em Brasília, conversando, mais uma vez, com a diretoria da Caixa Econômica para a gente tentar resolver de uma vez por todas. Por óbvio, o banco quer receber o dinheiro que emprestou. E a gente quer pagar aquilo que a gente consegue pagar. Lembrando que não fui eu que fiz esse empréstimo. Mas eu tenho que assumir essa responsabilidade. Mas, sem dúvida nenhuma, se não fosse essa vitória através do trabalho da Procuradoria, a situação seria muito mais difícil. Seria o caos.

 

Folha – Como vereador, você foi contra as três “vendas do futuro” de Campos pelos Garotinho. Como prefeito, pensa na possibilidade de fazer um novo empréstimo?

Rafael – Não. Não penso. Tanto que, em hora nenhuma, a gente recorreu a essa possibilidade. Como eu vou aumentar o empréstimo? E outra coisa: nós não temos capacidade para isso. Nós temos uma dívida de R$ 1,3 bilhão. O que eu lamento muito é que, quando tiveram R$ 2 bilhões, que eu sonho ter em 2018; quando tiveram R$ 2,5 bilhões e quase R$ 3 bilhões, ainda assim, buscaram empréstimo. Em 2014, quando jorrava dinheiro em Campos, ainda assim, buscaram empréstimo. E a gente administra a cidade com R$ 1,6 bilhão.

 

Folha – Foi coincidência ter sido o ano de eleição a governador, na qual Garotinho se candidatou, mais não foi nem ao segundo turno?

Rafael – Foi certeza. Gastar, gastar ,pensando nos seus objetivos eleitoreiros, sem pensar na cidade. A gente faz o inverso: a gente pensa na cidade sem pensar em como está o nosso nome, momentaneamente, na rua.

 

Folha – Outro economista ouvido pela Folha, José Alves de Azevedo Neto, teceu elogios ao seu governo. Sobretudo na condução das políticas econômicas de curto, médio e longo prazos, no sentido de “reverter o expressivo desequilíbrio das contas públicas” do governo Rosinha. Ele citou, como iniciativas positivas, o Fundecam Empreendedor, o apoio à agricultura familiar e o apoio, com diversas parcerias, ao Parque Tecnológico do Norte Fluminense. Pode falar um pouco sobre eles? Que outra iniciativa destacaria na área econômica?

Rafael – A retomada, de verdade, do aeroporto Bartolomeu Lisandro é uma das grandes saídas. Um aeroporto que estava para ser fechado. Uma bomba deixada pela gestão passada. Se não fosse a nossa atitude ir a Brasília, correr atrás, trabalhar politicamente para que ele não fosse fechado e assumir realmente como municipal, o nosso aeroporto não estava acontecendo hoje. E nossa cidade depende muito de aeroporto. Isso é um ponto. Outro ponto é acreditar no Porto do Açu, apesar de estar no município de São João da Barra. E, aqui, eu estou trabalhando, também, para que os outros municípios deem certo. Porque nós temos que pensar de forma regional, de forma maior. Com relação ao Parque Tecnológico, é uma realidade que precisa ser enfrentada, que precisa ser abraçada pela nossa gestão. E nós abraçamos. Daí, o grande trabalho que vem sendo feito através da nossa superintendência de Inovação Tecnológica, do Romeu e Silva Neto, que é também da academia. Outro ponto é o Fundecam. Nós acreditamos no investimento de mais de R$ 500 mil para poder investir no microcrédito. A pessoa vai ser formalizar, vai gerar emprego para ela, para outras pessoas. Vai gerar renda para outras pessoas e receita para a nossa cidade. Isso tudo sendo formalizado. Acreditamos, agora, em um novo projeto, que é aplicar o Fundecam para investimentos do nosso pequeno agricultor, do agricultor familiar. A gente pensa no agronegócio como um todo, mas nós precisamos pensar na agricultura familiar que sustenta todo esse potencial agrícola, que é uma tradição de Campos e está sendo resgatada pelo nosso superintendente Nildo Cardoso.

 

Folha – Muitos dos acadêmicos que falaram na matéria da Folha, sobretudo das ciências humanas, criticaram o corte em programas sociais. Alguns, como o sociólogo Fabrício Maciel e o cientista político Márcio Malta, ambos da UFF, chegaram a cobrar do governo posições de esquerda. Como avaliaria ideologicamente sua gestão?

Rafael – O que é ser de esquerda e de direita? Eu sou de Campos. E quem me conhece, pelo meu posicionamento na própria Câmara, sabe disso. Quando a ex-prefeita apresentava um projeto que era bom para Campos, eu não olhava o partido dela e não pensava se eu era contra ou a favor dela politicamente. Eu pensava que era bom para Campos. Os poucos projetos que julgava bons para Campos, eu aprovava. E qualquer política nossa, que seja uma política de um grupo ou um partido de esquerda ou de direita, a gente vai abraçar para poder aplicar na nossa cidade. O grande problema é quando as pessoas fazem a política pensando apenas no seu partido ou nas suas ideologias. Hoje, minha ideologia é tomar as medidas que são necessárias para Campos e buscar o melhor, ouvindo todas as opiniões, sejam de centro, de direita ou de esquerda, buscando todas as alternativas.

 

Folha – Sua administração é taxada como “burguesa” e “neoliberal”, por parte da esquerda local, que não conseguiu eleger nem um vereador em 2016, a despeito da boa votação do Professor Alexandre (PT). Por outro lado, também recebe críticas de simpatizantes da direita, pelo fato da sua equipe ter nomes de esquerda como Brand Arenari (ora licenciado), Sana Gimenes, ou André Oliveira, ex-presidente do PT em Campos. Como é ser taxado de coxinha por uns e de mortadela, por outros? Nessa gastronomia bipolar, qual prato prefere?

Rafael – Eu prefiro mortadela. Se alguém sabe o motor que me levou para ganhar essa eleição como nenhum prefeito ganhou, foi pão com mortadela e café. Isso o dia todo. Eu sou apaixonado por pão, mortadela e café. Nem gosto muito de coxinha porque não sou muito de fritura. Mas, se você vê que os dois lados não concordam, qual é o certo? É atender a um lado só? O outro lado? Ou minha cidade? Eu atendo a minha cidade. Os nomes que eu escolhi, independente de partido, são os melhores nomes. Você citou um, que é o André Oliveira, que faz um grande trabalho à frente da gestão pública. É servidor público municipal e foi presidente do PT. Nós não pensamos em partido na hora de administrar a cidade. Eu penso no que é melhor para a minha cidade. Eu converso com todos os deputados, de vários partidos. Quando vou a Brasília, eu bato no gabinete de todos eles. Eu penso que o melhor para Campos são as melhores pessoas, independente de seus partidos. Entender, identificar que, de repente, no pensamento delas, tem alguns acertos e alguns erros. E para ela me ajudar, também, onde estão os erros e os acertos da minha ideologia. Até porque não é minha verdade que prevalece na gestão. Às vezes, a minha ideia não é a melhor. Então, eu vou escutar a da outra pessoa. E, se for melhor para Campos, eu vou tomar a decisão, independente do partido ou da ideologia. Mas eu sou completamente apaixonado por pão e mortadela.

 

(Foto de Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

Folha – Muitas das críticas ao seu governo se dão também pela relação com os vereadores. Certo que se você tivesse perdido a eleição da mesa diretora, as críticas aos métodos para garantir Marcão na presidência, se transformariam em questionamentos de “ingenuidade” e “imaturidade” no caso de derrota. Assegurada a vitória, em que critérios se baseia hoje a relação do seu governo com os vereadores?

Rafael – Da forma mais transparente possível, desde a presidência a todos os vereadores, inclusive da própria oposição. Não só da minha parte, mas de toda a nossa equipe. Tanto que, por vezes, sai em rede social um secretário nosso recebendo um vereador de oposição. E tem gente que critica. Mas não era para receber? Para atender, para ouvir. Porque ele foi um vereador eleito e merece o mesmo respeito. Não faz parte do nosso grupo, mas vai ter oportunidade de ser ouvido. Este é o primeiro caminho: entender que, apesar da necessidade constitucional posta de andarmos de forma harmônica, somos poderes independentes. Por isso que eu faço questão de todos os projetos serem discutidos antes de serem colocados para aprovação. Por isso que eu tenho um dos principais elementos da minha gestão, que é o meu chefe de gabinete, que faz esse trabalho diário de contato com os vereadores, que é o Alexandre Bastos. Faz isso brilhantemente, com toda a experiência que ele tem, apesar de ser novo, como jornalista que cobriu a Câmara por anos. A minha relação com os vereadores é essa. Obviamente, garantindo o direito deles de se manifestarem. Sem nunca impor qualquer medida autoritária, de perseguição. Se eu vim contra esse modelo, como permanecer com esse modelo?

 

Folha – Você falou, há pouco, que trabalha todos os dias, até tarde, no gabinete. No último debate da campanha de 2016, você disse a Chicão (PR) que preferia caminhada a palanque porque, na primeira, você olhava no olho do eleitor. Inegavelmente, você tem carisma e é um bom orador. Não acha que, nesse primeiro ano, você ficou muito preso ao gabinete e faltou ir um pouco à rua fazer o trabalho político?

Rafael – Se eu pudesse, ficava só na rua. Até porque é dela que eu vim. Foi ali que eu ganhei a eleição. Mas não posso administrar só da rua. Eu tenho que tomar decisões, organizar uma casa deixada completamente bagunçada. E quem me conhece, apesar de saber que eu sou descentralizador, eu gosto de saber de tudo e estar perto de tudo, inclusive tomando as decisões. E, em um primeiro ano em que você precisa começar a organizar uma casa bagunçada, você não vai poder organizar longe dela. Por isso, eu precisava estar diariamente dentro da Prefeitura. Mas, quando eu posso, estou sempre frequentando os lugares, visitando as pessoas, dialogando no interior, como fiz desde o início do ano. Todo final de semana, no Farol de São Thomé, visitando as pessoas que frequentam a nossa querida praia e tantas outras localidades desse município, que é imenso. Aí, é interessante porque, de repente, eu faço um registro, pela rede social, que estou em uma localidade, e a outra localidade, de imediato, quer que a gente esteja lá. Mas eu sou um só. A gente tem que se dividir bastante e, além de tudo, administrar a cidade, que não é tarefa das mais fáceis e exige muito da minha pessoa. Então, eu me dedico ao máximo a isso. Muitas vezes, eu tenho esse desejo e falo isso com a equipe: “eu quero ir mais para a rua”. Apesar de querer que eu estivesse mais na rua, a população precisa entender que o prefeito tem que estar atento às decisões que precisam ser tomadas neste difícil momento que Campos vive.

 

Folha – Inegavelmente, o grande político do seu grupo é você. E teremos eleições neste ano. Os candidatos do seu grupo terão em você o maior cabo eleitoral. Isso não o levará um pouco mais às ruas?

Rafael – Sem dúvida nenhuma. Preciso, quero e tenho que ir mais para a rua, mas dentro de um limite de responsabilidade administrativa. Sempre defendi que, se acabou a eleição, a gente tem que descer do palanque. Eu não faço de 2017 um ano pré-eleitoral. Faço um ano de gestão. Momento de eleição é momento de eleição. Mas eu já falei: entre pagar caro por uma eleição, eu prefiro tomar conta da nossa cidade.

 

Folha – Na entrevista que deu à Folha em dezembro, César Tinoco, confirmou a pré-candidatura a deputado federal. Ele é seu assessor especial e amigo de infância Como você vê essa pretensão?

Rafael – A pré-candidatura de César, que nosso grupo vem avaliando e discutindo a possibilidade…

 

Folha – Você fala que vem avaliando. Então, não é uma certeza?

Rafael – Nada é certo. E o próprio César pensa assim. O único objetivo certo é a administração dessa cidade. Isso, eu digo para todos os aliados políticos e para todos aqueles que querem discutir a eleição de 2018 com a gente. Quando eu recebo qualquer pré-candidato ou qualquer deputado, é exatamente isso.  Precisamos pensar na nossa gestão. Esse é o nosso compromisso. A construção e o surgimento do nome de César não foram uma invenção dele, tampouco minha. Foi do nosso grupo. É importante lembrar que, antes de um assessor especial, ele constrói a nossa história política desde lá de trás, quando, juntos, começamos a militar na candidatura do meu pai a vereador, em 2000. Então, não é uma história de agora. Entendemos, no momento oportuno, que era a hora de eu me lançar, apesar de ele ter tido seus desejos lá atrás. Ele é de família de político. O pai dele foi vereador por dois mandatos. Ele colhe esses frutos, hoje, quando ele chega a um lugar e veem que ele é filho do saudoso Carlinhos Tinoco. Ele não pensa nele. Ele pensa na gestão. Então, ele concretizou essa liderança e tem um trabalho de bastidor que poucas pessoas fazem. Talvez por isso, a gente sempre se complementou: eu no front, na rua, e ele no trabalho de bastidor. Por que não invertermos agora, já que ele tem habilidade para isso também? Se eu for fazer o trabalho de bastidor que ele faz, eu não vou ter a mesma competência, assim como, talvez, ele não tenha a mesma facilidade minha na rua. Mas todos podem fazer tudo. Nossa junção é essa. O nosso segredo do sucesso é esse. Somos um grupo. Não é só o César, não é só o Rafael. É todo o grupo que pensou, também, na pré-candidatura de César. Nosso grupo acredita em uma gestão e, em cima dela, vamos fazer nossas opções e apresentar nossas opções eleitorais no momento oportuno.

 

Folha – Suponhamos que César e Wladimir Garotinho (PR) sejam candidatos a deputado federal. Pela capilaridade do grupo de Garotinho no Estado, é muito difícil que César fique à frente de Wladimir no geral. Mas se Wladimir tiver mais votos em Campos — e ele lidera nas pesquisas do instituto Pappel em todas as zonas eleitorais do município, inclusive na 98ª e 99º, tradicionalmente refratárias ao garotismo –, isso não seria encarado como uma derrota sua, mais do que de César?

Rafael – Eu voltei no tempo agora. Quando eu me coloquei como candidato a vereador, não tive nem tempo e de ser pré-candidato, porque minha decisão teve que ser quase em cima da hora, tendo em vista o momento mais difícil da minha vida, que foi ter perdido meu pai. Então, foi tudo muito em cima da hora. Eu lembro, lá atrás, “Mas por que você vem? Será que vai fazer tantos votos? Ganhar, você não vai”. A gente não só ganhou como foi, de 25 vereadores, o oitavo mais votado. Depois, veio uma eleição de deputado, em 2014, em que as pessoas me perguntavam: “Você vai vir como candidato a deputado?”. Eu falei que não. Fui eleito vereador e tenho que cumprir meu mandato. Viemos para uma eleição de prefeito quando ninguém acreditava, primeiro, que eu seria candidato. Que eu teria apoio do meu próprio partido. Tivemos o apoio garantido…

 

Folha — Pelo deputado estadual Comte Bittencourt (PPS).

Rafael — Isso eu devo à seriedade,  e à lealdade do grande parlamentar e político que é o meu líder, o deputado Comte Bittencourt. Depois, aquelas construções de partido. Quem vai apoiar e quem não vai. No final das contas, quem saiu fragilizada nesse processo foi a nossa candidatura. Conversamos com todo mundo, mas ninguém queria ficar com vereador de oposição, com três partidos só. Eu tive apoio da Rede, do vereador Marcão à época, e também do Gustavo Matheus, pelo PV. Juntos, eu e Fred Machado, pelo PPS. Fizemos a nossa construção. Fizemos uma eleição com dificuldade financeira, apenas 38 candidatos a vereador, enquanto os outros partidos, em uma coligação, tinham 300 candidatos. Com apenas 38 segundos de TV, sem Cheque Cidadão e, simplesmente, diziam: “Mas será que chega em terceiro?”. Aí, começamos a ouvir: “Eu acho que Rafael vai para o segundo turno”. Não fomos para o segundo porque ganhamos no primeiro turno. E ganhamos como candidato de oposição, nas sete zonas eleitorais, como nenhum prefeito ganhou. Por que eu voltei nesse tempo? O impossível aconteceu. Agora, vamos voltar para a sua pergunta. Obviamente que o pré-candidato do grupo que, hoje, nos faz oposição é mais forte em termos de capilaridade política e eleitoral. Por óbvio. Ainda que a gente esteja à frente de uma máquina. Mas, primeiro, eu não sou político de mergulhar a máquina em um candidato. Eu sou político de apoiar legalmente e com responsabilidade um candidato. Entre a minha cidade e meu nome, eu fico com minha cidade. Entre minha cidade e qualquer candidato, eu vou continuar com minha cidade. Segundo ponto: vivemos um governo que passa por reconstrução de uma cidade. As pessoas querem que tudo seja resolvido de imediato. Então, você não tem como garantir uma popularidade. E, se você não tem como garantir uma popularidade para você, como vai garantir para o candidato que você apoia? Porque enfrentamos um momento difícil, e essa foi uma decisão minha. Então, se mostra, aparentemente, uma eleição difícil, sim. Por isso que eu voltei lá atrás para te responder. Se o impossível nós fizemos, por que não fazer o que é apenas difícil? Pode não acontecer, pode acontecer. O meu desejo é que a gente chegue a outubro não pelas eleições. Mas que seja um mês em que eu esteja melhor com a minha cidade. E aí, o resultado, deixe que a urna diga. Se a urna disse “sim” a mim, com mais de 150 mil votos, que ela diga para o melhor candidato que ela entender. A classe política é muito criticada, mas quem forma essa classe é a sociedade. Então, que ela escolha livre e democraticamente.

 

Folha – Sempre no campo hipotético, mas de maneira objetiva: se Wladimir e César forem candidatos a deputado federal, e o primeiro for eleito com uma votação superior em Campos ao segundo, isso não o catapultaria, naturalmente, para a eleição de prefeito em 2020?

Rafael – De forma alguma. A gente está em um processo de reconstrução. O que a sociedade espera de mim não é um prefeito cabo eleitoral. Ela espera um prefeito que resolva os problemas dessa cidade e a transforme. Politicamente, eleitoralmente, faremos nossas interpretações. Em um eventual resultado eleitoral, vamos avaliar: foi uma derrota eleitoral ou não? Nem sempre uma derrota eleitoral significa uma derrota política. Muitas vezes, pode significar uma vitória política ali na frente, exatamente porque eu fiz uma opção. O meu candidato a qualquer custo ou, independente do meu candidato, a minha cidade a qualquer custo? A minha cidade a qualquer custo. Esse é o preço que eu quero pagar. Acima de tudo, a minha cidade.

 

Folha – O jornalista Ricardo André Vasconcelos escreveu um artigo, falando de muitas dificuldades suas que já tratamos aqui. Mas ele terminou cobrando uma definição: o objetivo do seu grupo é um projeto político, ou de poder? Se for este, ele disse que “tanto faz”, em relação ao Garotinho. Como você vê essa avaliação?   

Rafael – Tenho imenso respeito e admiração pelo jornalista Ricardo André. Mas, na minha avaliação, a gente tem que entender: o que é projeto de poder e o que é projeto político? Às vezes, as pessoas podem misturar o poder com o próprio projeto político. Eu penso em um terceiro projeto: de gestão. Na verdade, para mim, é o primeiro. Depois desse projeto de gestão, vem o projeto político. O projeto de poder, jamais. Eu sei da onde eu vim e até onde quero chegar. E, sinceramente, até para onde eu quero voltar: para a minha casa, para a minha família. Descartado qualquer possibilidade de projeto de poder, a gente pode discutir: projeto político ou projeto de gestão? Eu acredito no projeto de gestão. O meu grupo político tem que acreditar no projeto de gestão. Em cima disso, vem o projeto político. Por óbvio, eu lembro sempre que aquilo que me garante fazer gestão técnica e responsável é o processo político, mas eu tenho que saber equilibrar muito bem esses dois processos para nenhum deles ultrapassar. E sempre colocar a cidade em primeiro lugar.

 

(Foto de Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

Folha – Outro pré-candidato que está se colocando na disputa é o Marcelo Mérida (PSD). Ele tem um perfl semelhante, em algumas características, ao seu, ao de Cesinha, ao do próprio Wladimir. Como você analisa essa pré-candidatura?

Rafael – Marcelo é uma pessoa por quem eu tenho muito carinho e respeito, apesar de não ter intimidade e muita proximidade. Mas eu acho que ele tem o direito de buscar qualquer cadeira como todos esses nomes que você elencou aí. Para qualquer candidato, eu desejo sucesso. E que a urna e a população, verdadeira dona do voto, decida.

 

Folha – Falamos várias vezes da Passagem Social. Entre as análises do seu primeiro ano de governo, o antropólogo Carlos Abraão Valpassos, da UFF, saiu da teoria para dar um caso concreto de uma pessoa que foi, com dores, a UBS do seu bairro. O médico disse que o remédio que ele precisava só havia em outro hospital. Mas ele, que estava com a mulher, disse não ter os R$ 11 das passagens de ônibus de ida e volta dos dois. E preferiu voltar para casa. Isso não exemplifica, de maneira muito clara, o quanto a Passagem Social tem um efeito cascata, sobretudo na população mais pobre?

Rafael – Qualquer mudança tem efeito cascata. Não só nesse, como, por exemplo, na facilidade de você buscar um serviço em outro ponto da cidade. A questão não é essa. Mais do que uma passagem a R$ 1, se eu puder, eu garanto para a população, nessa nova reformulação, uma passagem gratuita. Mas a questão é se o sistema funciona ou não. Porque, mesmo a passagem sendo R$ 1, ele poderia ficar esperando um ônibus ali, como muitos já ficaram, e o ônibus não passar. De que adianta a passagem a R$ 1? Ele vai estar com R$ 1 no bolso, mas não vai ter ônibus passando. Isso acontecia muito. Então, a questão não é a passagem. A questão é o transporte público de qualidade. Aí, depois, a gente discute a passagem. Se o município vai ter condições financeiras de subsidiar para facilitar para aquela pessoa que realmente precisa. Então, a gente tem que fazer uma avaliação responsável e maior disso tudo. Por óbvio, se o ônibus tivesse no local e ele pudesse pagar mais barato, era muito melhor para ele. Mas, por óbvio também, a gente tem que garantir e cobrar. Por mais que o prefeito queira um serviço maravilhoso, você depende de toda uma rede, de todo um funcionalismo que exerça também, na ponta, um serviço de qualidade. Se é grave, por que não solicita uma ambulância? Aí, as pessoas que atenderam esse doente têm que responder por isso também. Se pudesse ser gratuito, seria muito melhor. Mas, independente de ser gratuito, de ser R$ 1 ou R$ 2,75, tinha que ter ônibus também. E, quando a passagem era R$ 1, não tinha a garantia de ter ônibus, porque faltava muito, e ônibus de qualidade.

 

Folha – Ele alegou que não tinha esses R$ 11, para aas passagens de ida e volta dele e da mulher.

Rafael – Foi uma necessidade o que a gente precisou fazer. Se eu pudesse manter e pensar nesses quadros, a gente faria de imediato. Se eu pudesse, eu pegaria o meu carro e levaria essa pessoa. Mas a gente não pode pensar dessa forma pequena. Tem que pensar que a gente administra uma cidade como um todo. Não adianta eu manter a Passagem Social, se eu estava pagando em dia e a empresa, que já está sucateada e quebrada há muito tempo, não pagava o funcionário dela em dia.

 

Folha – Entre os acadêmicos ouvidos pela Folha, os historiadores Aristides Soffiati e Guiomar Valdez, além do sociólogo e José Luiz Viana da Cruz, alertaram que um insucesso do seu governo poderia trazer a volta do Garotismo. Como avalia isso?

Rafael – Eu avalio com muita tranquilidade porque acredito plenamente no sucesso do nosso governo. Eu tenho certeza do sucesso da nossa cidade. E ela só vai ter sucesso se eu tiver a coragem que estou tendo agora. Se eu não tivesse, eu teria certeza que estaria fadado ao insucesso. Porque não tiveram coragem, lá atrás, quando o município já estava em crise e preferiram buscar empréstimo. E, mesmo com empréstimo, quebraram a cidade. Essa é uma reflexão que todos os analistas têm que fazer também. Eu poderia muito bem estar buscando empréstimo e empurrando problema lá para frente para, algum dia, estourar na mão de uma pessoa. Eu preferi pegar a bomba, desarmar e reconstruir a cidade. O que vai acontecer lá na frente depende muito do que estamos realizando aqui, agora. Preciso realizar ainda mais para, depois de construído o alicerce, as pessoas possam começar a ver o muro do edifício aparecendo. Infelizmente, é o que a população está habituada, a só conseguir enxergar o que a gente consegue ver ou tocar. E eu preciso fazer o alicerce. E o alicerce são as decisões.

 

Folha – A gente falou dos programas sociais. As medidas que você teve que tomar se estenderam não só às camadas mais pobres. É o caso, por exemplo, do IPTU. Dói mais nas classes produtivas e nas pessoas que têm empresas e imóveis particulares mais caros. Isso evidencia que a conta deixada, infelizmente, tem que ser paga por todos?

Rafael – Essa conta tem que ser paga por todo mundo. E não apenas financeiramente. Também na hora de tomarmos decisões difíceis e aceitarmos as decisões que são tomadas. Eu disse lá atrás: a gente vai ganhar a eleição junto. A gente ganhou e vai transformar Campos junto. Qual foi a minha primeira atitude? Abrir mão do meu capital político. Eu abri mão de uma coisa importante para mim, em nome da minha cidade. E, agora, eu convido as pessoas a entenderem que é momento de abrirmos mão de alguma coisa para reconstruirmos de forma coletiva. Quando você cita a questão do IPTU, nunca fizeram uma revisão de valores, porque se habituaram aos royalties em abundância. E todo mundo sabia que, um dia, essa conta viria. Por que não fizeram gradativamente esse aumento? A gente precisa pagar conta. De luz, de água do município, de limpeza pública, do remédio, dos insumos, dos nossos servidores. Isso custa muito dinheiro. Então, a gente precisa ter uma forma de receita, mas, por óbvio, respeitando a capacidade contributiva. Obviamente, ninguém quer pagar nada a mais, mas é necessário porque Campos, hoje, não tem essa receita que a gente precisa para melhorar nossos serviços. Mesmo com dificuldade financeira, estamos garantido o básico e a manutenção dos essenciais.

 

Folha – No dia da eleição de 2 de outubro de 2016, foi publicado um artigo na Folha comparando a importância das redes sociais na primeira eleição de Barak Obama à presidência dos EUA, em 2008, com a que poderia ter no pleito campista. A análise acabou se confirmando com sua eleição a prefeito em turno único, também pelo uso talentoso das redes sociais na campanha. Como você, Obama também teve um primeiro ano de governo difícil. Mas terminou seus dois mandatos como um dos presidentes mais populares dos EUA. Guardadas as proporções mais que devidas, vale o exemplo?

Rafael – As pessoas quiseram Obama. Eu me lembro, lá atrás, que você me perguntou se era possível ganhar as eleições nas redes sociais como o Obama. Eu disse que sim. “Yes, we can”, que foi o slogan dele à época. Sim, nós podemos. Mais de um ano depois, a gente traz a figura do Obama. Os americanos quiseram o Obama. Todo mundo queria. Necessidade de mudança. Aí, ele veio, nos primeiro e segundo anos dele, passando por dificuldades.

 

Folha – O primeiro ano dele foi o mais difícil.

Rafael – O primeiro ano foi mais difícil ainda, mas o segundo não foi essa facilidade toda.

 

Folha – Ele também enfrentou uma crise financeira enorme.

Rafael – Também tinha uma crise financeira enorme, e ele deixou claro lá às pessoas que querem o diferente, o novo, têm que ter coragem para aceitar. Para a gente mudar de verdade, transformar e fazer o diferente, a gente tem que ter coragem para aceitar abrir mão de muita coisa. Ele falou isso lá atrás. E, de certa forma, eu trago o pensamento dele de lá de trás, como, um dia, a gente trouxe o pensamento em relação às redes sociais. Que estadunidense não deseja a volta de Obama, nessa grande dificuldade? Mas, mesmo as pessoas que votaram nele, no início, reclamaram. Rejeitaram porque não aceitaram o diferente. E votaram no diferente. Obviamente, guardando as devidas proporções. Quem me conhece sabe que eu boto muito o pé no chão. Muito mal me comparando a Obama. Muito pelo contrário. Apenas trazendo esse exemplo, que é um grande líder mundial. Ele teve coragem para fazer as mudanças para que as pessoas, um dia, até sentissem falta dele. O meu objetivo é que ninguém sinta falta de mim, mas estamos tendo a mesma coragem que ele teve. E entendendo que precisamos que as pessoas se convençam desse processo de transformação. Eu me convenci. A primeira demonstração de acreditar nesse processo foi abrir mão do meu capital político. Eu estou pagando uma moeda cara para mostrar às pessoas que eu acredito nesse processo de transformação e que passamos pela tomada de decisões difíceis. Eu preciso convidar as pessoas que entendam esse processo de transformação. Não sou eu que produzo dinheiro, tampouco fui eu que fiz com que os royalties caíssem como caíram. Não fui que quebrei a cidade, como quebraram. Não fui que peguei empréstimo. Mas sou eu que estou administrando a mesma cidade com metade do dinheiro e sem pegar empréstimo. E sou eu que estou pagando empréstimo dos outros. Então, foi um ano de dificuldade. O ano de 2018 se mostra difícil para Campos e para o Brasil. A gente espera que seja, sim, melhor, mas é um ano de transformação e a gente precisa aceitar essas mudanças difíceis para avançar como ele avançou lá atrás também.

 

Folha – Passado um ano de governo, qual entende ter sido sua maior realização e o seu maior erro?

Rafael – A maior realização foi ter tido coragem de pensar na cidade acima de tudo. Obviamente que, aliado a isso, a grande conquista de pagar 10% dos royalties. Sem isso, o que já está difícil seria um caos. Caos deixado, bomba armada pela gestão passada. Eu acho que vencemos, sim, no ano de 2017 porque administramos a mesma cidade com metade do dinheiro. Aí, eu repito: sem pegar empréstimo e pagando empréstimo. Os erros, todo mundo comete, vários. Às vezes, você poderia ter comunicado antes, mas não conseguiu. Às vezes, você queria ter feito aquilo, mas não conseguiu. Às vezes, você pagou um serviço, mas era melhor ter pagado outro. Mas isso é o dia a dia que mostra. Se você me perguntar no ano, de repente, eu fico muito cuidadoso porque vai parecer falta de humildade minha dizer que não teve um erro imenso. Não houve, se a gente parar para pensar. Nós administramos uma cidade desse tamanho com metade do dinheiro, como ninguém nunca administrou. Gostaria, sim, de ter pagado o 13º para todo mundo. Mas não paguei por que não quis? Não. Foi porque não tinha condição de pagar. Gostaria, sim, de ter mantido os programas sociais, mas não mantivemos porque eles eram falhos, estavam falidos e deixaram um legado ruim para a nossa cidade. Gostaria, sim, mas foi impossível de ser feito. Essa é a grande questão. Então, mais do que erros, eu coloco o que eu gostaria de ter feito, mas a condição financeira impossibilitou. Realizamos, sim, na Saúde. Finalizamos e entregamos o UPH de Travessão. Mas eu queria ter ofertado muito mais para a nossa população. Erros, tive vários. Meus e da minha gestão, que eu gosto de puxar para mim a responsabilidade como líder e gestor maior. Mas, acima de tudo, o que mais mexe comigo é aquilo que eu poderia ter feito se tivesse o dinheiro que tiveram. Só que, infelizmente, não tive. Ainda assim, em hora nenhuma, eu deixei me abater, me desequilibrar ou não ter coragem de enfrentar. Porque se tem uma marca, aí é minha e pessoal, é crescer nos desafios para enfrentar e vencer. Em hora nenhuma, deixei de me colocar como um homem, ser humano, prefeito eleito para encarar os desafios. Sempre estive ali, firme, com os dois pés bem plantados no chão, recebendo e ouvindo todos e tomando difíceis decisões, sem pedir que ninguém tomasse no meu lugar, ou anunciasse aquilo. Eu fui eleito para isso. Ser o prefeito que as pessoas quiseram e para fazer o diferente. O diferente dói, incomoda e, às vezes, é difícil aceitar. Mas, como o próprio Obama disse, é necessário. E a população precisa entender isso. A gente entendendo isso, lá na frente, vamos todos colher os frutos dessa grande coragem nossa, de toda a população, de fazer o diferente. De transformar.

 

Folha – O que você projeta como seu maior objetivo em 2018?

Rafael – Nós esperamos que o orçamento se concretize: os R$ 2 bilhões. Buscaremos outras parcerias, inclusive com o governo federal e com a própria iniciativa privada. Nós temos o desejo de transformar mais ainda a Saúde do município. Já entregamos Travessão e vamos entregar o São José. Vamos transformar a Cidade da Criança, que também vai ser a Policlínica da Criança. E tantos outros desejos que precisamos realizar: o fortalecimento do Fundecam, da nossa própria agricultura pelo Fundecam, e a garantia de uma educação de qualidade muito maior para a nossa população. E, obviamente, tudo dependendo da condição financeira que a gente tem. E, com essa condição financeira, realizar todos os nossos sonhos para a nossa cidade.

 

Folha – Saúde, educação e Fundecam são, então, suas prioridades para 2018?

Rafael – Acho que tudo. Eu dei o exemplo da Saúde, mas vou dar o Restaurante Popular. Voltar com o Restaurante Popular, garantir o Restaurante Popular em Guarus, por exemplo, para a gente poder avançar em tantos outros temas. E o grande desafio nosso é também continuar nesse mesmo caminho de redução de despesas, de aumento de receita, para arrumar as contas do município. É importante a gente entender que, com coragem, a gente faz. E, obviamente, chamar a população para perto. O meu objetivo é atender a população que mais precisa. É difícil, às vezes, as pessoas entenderem, mas eu tenho essa certeza. Eu sempre gosto de voltar, repensar, analisar, até para poder acertar com relação ao futuro. A população de Campos acertou quando nos elegeu no primeiro turno, no ano de 2016. Com toda humildade do mundo e todo respeito às pessoas, a população acertou. Porque Campos precisava de uma gestão com coragem para fazer aquilo que é necessário. E eu, enquanto prefeito eleito, tomei a decisão mais difícil de um homem público: entre seu nome político e sua cidade, você fica com quem? Eu fico com minha cidade.

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

Fechar Menu