Opiniões

Carol Poesia — Queima filme total

 

(Foto de Diomarcelo Pessanha)

Eu não vou defender a liberdade do ex-presidente Lula e nem vou apoiar a sua prisão. A gravidade do impasse em questão não se resume a concretizar a condenação ou não, o que mais chama a atenção é a arbitrariedade do Supremo – oscilando entre cumprir o que estava determinado pela Constituição de 88 ou não, dependendo do condenado da vez.

Em 2009, a Corte proibiu a execução provisória da pena, ao julgar um condenado pela Justiça de Minas a sete anos e meio de prisão por homicídio. O réu, que era rico, recebeu habeas corpus, por 7 votos a 4. Os ministros vencidos foram Menezes Direito, Carmém Lúcia, Joaquim Barbosa e Ellen Gracie.

Em 2016, o Supremo voltou atrás no “combinado” de 2009, e autorizou a prisão de um condenado a cinco anos e meio de encarceramento por roubo.

Agora, mais uma vez, o retorno da pauta – executa-se ou não prisão após condenação pela segunda instância da Justiça Federal?

Justiça? Que Justiça? Para quem? Essa “roleta russa” é uma vergonha sem fim! Assistimos, em tempo real, a falta de critérios das maiores autoridades do nosso país. Depois de tantos escândalos e vergonhas escancaradas pela Lava a Jato, solturas descaralhadas realizadas pelo embuste (Você sabe quem!) que tanto nos indigna, esse habeas corpus à moda lotérica enterra de vez a moral dos abutres do Judiciário.

Enganam-se meus poucos alunos que cursam Direito com o sonho e fazer justiça. Vivemos em um país sem lei. Como fazer justiça? Os outros muitos, que optam pela carreira por causa dos concursos, saibam que nos processos seletivos também há corrupção. Mas sobre esses “detalhes” vocês tem menos inocência do que eu.

Desculpem, vou parar por aqui. Ando sem esperanças e não gosto de escrever assim.

Fiz campanha para Lula, antes de poder votar. Lembro-me de uma briga no colégio porque um colega de turma (de nome Getúlio, curiosamente) rasgou a capa do meu fichário, que continha um grande adesivo com a estrela vermelha. Eu tinha 15 anos, nem votava ainda. Com 16, fui no ônibus do Cefet (atual IFF), para o Rio fazer passeata pelo PT. Eleitora, votei no ex-presidente em todas as eleições das quais participei. E, como muitos brasileiros, chorei honestamente com a sua vitória.

Diante da falência do sistema judiciário do país – arbitrário, aleatório, recheado por interesses que não são o de justiça, corrupto e cheio de baixezas (não podemos esquecer das infâmias pós-morte Marielle) — Lula preso ou livre já não é uma questão urgente. Alguém me conta depois. Com ele ou sem ele, não vejo futuro nas próximas eleições.

 

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