Opiniões

“Memórias do Cárcere” nesta quarta no Cineclube Goitacá

 

 

 

Hoje o Cineclube Goitacá exibe “Memórias do Cárecere” (1984), em homenagem ao seu diretor, o mestre do cinema brasileiro Nelson Pereira dos Santos, morto aos 89 anos no último dia 21 de abril. A sessão começa às 19h, na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento das ruas Conselheiro Otaviano e 13 de Maio.

O filme é homônimo ao livro de outro grande mestre, o escritor alagoano Graciliano Ramos (1892/1953), considerado o maior nome da prosa no modernismo do país, ao lado do mineiro Guimarães Rosa (1908/67). Publicado postumamente, “Memórias do Cárcere” é o romance mais biográfico de Graciliano, militante marxista. Trata da prisão do professor e escritor em 1936 após a Intentona Comunista do ano anterior, reprimida com rigor e supressão de garantias individuais pela ditadura do Estado Novo comandada por Getúlio Vargas (1882/1954).

Graciliano nunca chegou a ser acusado formalmente num processo. Assim mesmo amargou quase um ano de prisão, sendo 10 meses no isolamento da Colônia Penal de Ilha Grande, na Baía de Angra, que só seria desativada e implodida em 1994,  no governo estadual do Rio de Leonel Brizola (1922/2004). No filme, quem vive o romancista é o ator Carlos Vereza, naquela que talvez seja a maior interpretação da sua carreira — e entre as grandes do cinema brasileiro.

O filme recebeu prêmios nos Festivais de Cannes e Havana, em 1984, além dos troféus de melhor ator (Vereza) e longa, em 1985, pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. Em novembro de 2015, entrou na lista feita da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Acraccine) como um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

“Memórias do Cárcere” não foi a primeira obra de Graciliano a ser adaptada ao cinema por Nelson Pereira dos Santos. Em 1963, ele já havia levado às telas “Vidas Secas”, considerada a obra prima do escritor, que descreve com notável realismo a vida de uma família de retirantes nordestinos. E, pelas mãos do diretor, se tornou um dos marcos do Cinema Novo, junto com “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha (1939/81).

Ao final do filme, o Cineclube realizará um debate, que terei a responsabilidade de mediar. A entrada e participação, como sempre, são gratuitas.

 

Confira aqui a matéria do jornalista Jhonattan Reis publicada hoje (09) na Folha da manhã e, abaixo, o trailer do filme:

 

 

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