Opiniões

Exército em Campos sem general em Guarus, prefeitos e presidenciáveis

 

 

 

Exército em Campos?

Ontem (22) em Campos, o secretário fluminense de Segurança Pública na intervenção federal no Estado do Rio, general Richard Nunes, não descartou o uso de tropas do Exército no combate ao crime no município. Como a manchete da capa da Folha ressaltou no dia da visita, na véspera (21) de consumou a morte da adolescente Andreza Viana Costa no Hospital Ferreira Machado. Grávida aos 16 anos, ela estava no portão de casa, no Parque Cidade Luz, quando foi baleada no sábado (19). Socorrida ainda com vida e internada, morreria no dia seguinte com seu filho no ventre.

 

General não vai a Guarus

O homicídio de Andreza foi o 14º registrado em Campos só no mês de maio. Em 2018, já foram 104 assassinatos, 64 deles (61,5%) em Guarus, sem contar Travessão, Santa Maria e outras localidades mais distantes, mas também atendidas pela 146ª Delegacia de Polícia (DP). Como esta coluna relatou com detalhes (aqui) em sua edição da última quinta (17), vários bairros à margem esquerda do Paraíba vivem uma verdadeira guerra civil, com origem no Parque Santa Rosa, numa disputa de facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas. Ainda assim, após visitar o 8º Batalhão de Polícia Militar e a 134ª DP do Centro, o general-secretário não foi à 146ª DP de Guarus.

 

Planície no Planalto

Ontem (22), o prefeito Rafael Diniz (PPS) não pôde receber o general Richard Nunes na planície goitacá. Ele estava no Planalto Central, assim como as prefeitas de Quissamã e Carapebus, respectivamente Fátima Pacheco (Podemos) e Cristiane Cordeiro (PP). O evento promovido na XXI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios contou com a presença do impopular presidente Michel Temer (MDB) e de alguns pré-candidatos a substituí-lo nas eleições de outubro. Entre eles, compareceram e falaram aos prefeitos a ex-senadora Marina Silva (Rede), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o senador paranaense Álvaro Dias (Podemos).

 

PCdoB ausente

Outra presidenciável, a deputada estadual Manuela d’Ávila (PCdoB) era esperada, mas não compareceu. Sua ausência ao evento dos prefeitos foi no dia seguinte ao seu partido soltar uma nota intitulada “Vitória retumbante do povo venezuelano”, relativa à reeleição no último domingo (20) de Nicolás Maduro a presidente da Venezuela. Por denúncias de fraude, o pleito foi condenado pelo Brasil e outros 13 países do Grupo de Lima, entre eles EUA, Canadá, México, Argentina e Chile. Com uma inflação de 897,2% em abril e projetada em 14.000% para 2018, mais de três milhões de venezuelanos (10% da população) já deixaram o país.

 

Critérios, doutor?

Mesmo culpado pela falta de comida, remédios e material de higiene que gerou uma grave crise humanitária na América do Sul, o regime venezuelano ainda coleciona defensores entre militantes de esquerda nos países vizinhos, que recebem seus refugiados. Só no Brasil, já são 50 mil.  Ontem, o deputado federal Whadi Damous (PT/RJ) comparou Maduro ao ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como este ano é de campanha eleitoral também no Brasil e o deputado Damous já foi presidente da OAB-RJ, se ele vier a Campos, será o caso de se perguntar quais critérios de direitos humanos defende. E se estes têm diferença quando aplicados a Venezuela ou ao Brasil.

 

Rafael gostou de Ciro

De Brasília, na noite de ontem Rafael Diniz falou à coluna sobre quem falou no encontro nacional de prefeitos. Considerado conservador pela esquerda goitacá que apoia ou finge ignorar Maduro, o prefeito de Campos disse ter gostado mais de um nome progressista entre os presidenciáveis que palestraram ontem: “Ressalvadas as questões partidárias e eleitorais que acontecerão lá na frente, o discurso de Ciro Gomes se mostrou muito técnico, firme e realista”. Hoje, estão programados para participar do evento os pré-candidatos a presidente Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e Guilherme Afif Domingos (PSD).

 

Cadeia Velha

A Justiça Federal deu início à instrução processual em ação que envolve o presidente afastado da Alerj, Jorge Picciani, e os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, os três MDB. Investigados na operação Cadeira Velha, eles são acusados de receber propina para garantir a aprovação de medidas em favor de empresas dos setores de construção civil e transportes públicos. Na primeira audiência, foram ouvidas duas testemunhas listadas pelo Ministério Público Federal (MPF).

 

Publicado hoje (23) na Folha da Manhã

 

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