Opiniões

Bélgica estreia com 3 a 0 contra o debutante Panamá

 

O experiente Lukaku usou a cabeça para marcar seu primeiro gol, após passe de três dedos do maestro belga De Bruyne (Foto: Richard Heathcote/Getty Images)

 

 

Oito seleções integram o seleto clube dos campeões mundiais de futebol: Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Uruguai, Espanha, França e Inglaterra. Há apenas 20 anos, o grupo era ainda elitizado: apenas seis, já que a França conquistou seu único título em 1998,  enquanto a Espanha, só em 2010. E até o terem feito, sempre que apresentavam um bom time em Mundiais, era comum se questionar: mas nunca venceram a Copa.

Coube a jogadores de exceção como o francês Zinédine Zidane, além dos espanhois Xavi Hernández e Andrés Iniesta, reescrever com seus pés os conceitos do mundo da bola.

Isso posto, pode se dizer que a única coisa que separa seleções como Portugal e Bélgica da condição de favoritas ao título na Copa da Rússia, é o fato de não terem sido antes campeãs. Da estreia portuguesa no empate de 3 a 3 com a Espanha — ainda com Iniesta —, muito já se escreveu sobre a atuação (aqui) do atacante Cristiano Ronaldo.

Do que já vi em Mundiais desde 1982, acompanhando-as como jornalista desde 90, afirmo com alguma segurança: abaixo apenas de Diego Maradona nas quartas de final contra a Inglaterra, em 86; e de Zidane em 2006, também na fase de quartas, diante do Brasil; o que o português fez na Rússia foi o melhor desempenho individual que já vi num jogo de Copa.

Para Portugal, é preciso ainda demonstrar a consistência do time para além do seu grande craque. Além de descobrir se CR7 vai conseguir manter o nível himalaio do seu primeiro jogo e não padecer de vertigem. Mas quem agora há pouco também estreou com pé direito, com uma vitória de 3 a 0, foi a Bélgica.

Bem verdade que diante do Panamá, debutante em Copa do Mundo, os “Diabos Vermelhos” da Europa até que ameaçaram atear fogo à partida, mas acabaram cozinhando o primeiro tempo em banho maria. A temperatura se elevaria já no início do segundo, quando o atacante Dries Merten abriu o placar num belo chute de primeira, de fora da área.

Com os panamenhos visivelmente cansados pelo esforço de suportar o volume de jogo belga, mais a necessidade de correr atrás do placar adverso, coube ao centroavante Romelu Lukaku definir a partida. Maior goleador da história da sua seleção, ele hoje guardou mais dois: aos 24 e 30 da etapa final.

Do seguro goleiro Thibaut Cortouis ao seu experiente artilheiro, a Bélgica tem uma grande geração. Jovem em 2014, já era apontada como candidata ao título, mas caiu nas quartas de final contra a Argentina. De lá para cá, com vários jogadores brilhando nos principais clubes europeus, dá sinais de ter adquirido a maturidade necessária para voos mais altos na Rússia.

Embora o maior valor da Bélgica seja o equilíbrio coletivo, tecnicamente nivelado por cima, dois meias são destaques: o incisivo Eden Hazard e o clássico Kevin De Bruyne, cérebro do time. O segundo gol do jogo nasceu de uma tabela entre os dois, quando De Bruyne bateu de três dedos para colocar a bola na cabeça de Lukaku. Já no terceiro, foi Hazard quem puxou o contra-ataque e serviu ao centroavante, que concluiu com categoria por cima do goleiro Penedo.

A Bélgica nunca ganhou uma Copa do Mundo. Diferente de Portugal, que ao menos conquistou a Eurocopa de 2016, não venceu nem seu campeonato continental de seleções. Mas está invicta há quase dois anos e exatos 19 jogos, contabilizado o encerrado agora há pouco. Nele, estreou com uma boa vitória no Mundial em que os favoritos Espanha (aqui), Argentina (aqui) e Brasil (aqui) só empataram.

Pior foi a campeã Alemanha (aqui), derrotada por 1 a 0 pelo México. Pelo mesmo placar mínimo o Uruguai suou para bater um Egito desfalcado (aqui) do craque Mohamed Salah. Como foi magra a vitória da França, definida apenas pelo VAR, no 2 a 1 diante da Austrália.

No próximo confronto, contra a Tunísia, essa geração belga terá outra boa chance de adquirir gradativamente confiança, antes de encarar seu último jogo no Grupo G, contra a Inglaterra. Até onde poderá chegar sem até hoje ter ganho uma Copa, só o tempo dirá. Mas não deixará de ir a lugar nenhum por falta de talento.

 

 

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