Opiniões

Os elementos da equação entre Brasil e Bélgica

 

Algumas considerações sobre o Brasil e Bélgica, que definirá às 15h desta sexta (06) um semifinalista da Copa da Rússia:

 

 

1 – Suspenso do jogo pelo segundo cartão amarelo, a imprensa belga estranha como os brasileiros não se preocupam com a ausência de Casemiro no meio de campo. No Real Madrid, ele foi feito titular por alguém que conhece um pouquinho do setor: Zinédine Zidane.

2 – Sem Casemiro, o Brasil vai (aqui) de Fernandinho como primeiro e único volante. Se o titular não estivesse suspenso, o reserva possivelmente entraria no lugar de Paulinho, para tentar conter a habilidade e vocação ofensiva dos belgas.

3 – Na coletiva de hoje, Tite disse que pode voltar a usar o zagueiro Marquinhos como volante. No Corinthians, o treinador já usou o jogador na posição, na qual atuou também pela Seleção, quando entrou no segundo tempo das oitavas de final contra o México.

4 – Tite também confirmou a volta de Marcelo ao time. Com lombalgia, ele saiu no começo do jogo contra a Sérvia e assitiu do banco à vitória sobre o México. Seu reserva Filipe Luís jogou bem, é melhor defensor e mais alto. O time belga venceu o Japão na altura dos seus jogadores.

5 – Embora também venha jogando bem, o lateral-direito Fagner é outro jogador baixo na defesa brasileira. Atacantes altos e inteligentes, como Lukaku, tendem a forçar a marcação em cima dos defensores mais baixos, nas tentativas de cabeceio.

6 – Em melhor fase do que Gabriel Jesus, o centroavante Firmino começa o jogo no banco. Se o Brasil precisar de gols, sua entrada é certa. Outra opção ofensiva é o meia-atacante Douglas Costa, que entrou muito bem contra a Costa Rica e está recuperado da lesão muscular.

7 – Brasil e Bélgica se enfrentaram cinco vezes. Foram quatro vitórias brasileiras e uma belga. Em Copa, só se cruzaram uma vez: o jogo duro pelas oitavas em 2002, vencido pelo Brasil por 2 a 0. Mas os belgas reclamam até hoje de um gol anulado quando o placar ainda estava zerado.

8 – O Brasil tem um quarteto ofensivo temido, com Philippe Coutinho, Willian, Gabriel Jesus e Neymar. Mas o mesmo pode se dizer do formado pelo armador De Bruyne, Mertens à direita, Hazard à esquerda e Lukaku na frente. Pela qualidade dos jogadores, podem sair muitos gols.

9 – A defesa belga é alta, mas lenta. Pode ser explorada pelo ataque brasileiro, formado por logadores leves, hábeis e rápidos. Em contrartida, a defesa do Brasil é tão boa quanto o ataque. Na Copa, o time de Tite só levou um gol. Mas não atuou sem Casemiro à frente da zaga.

10 – Uma das causas do sufoco contra o Japão (aqui), a linha belga de três zagueiros pode não ser repetida. O técnico Roberto Martínez pode adotar duas linhas de quatro. O meia Fellaini pode ganhar uma vaga. E De Bruyne, que não vem bem, também pode jogar mais próximo ao ataque.

11 – Já virou lugar comum falar da geração belga. Jogadores como Hazard, Courtois, De Bruyne e Lukaku brilham em grandes clubes ingleses. Todos estão no auge, após o amadurecimento em 2014, no Brasil, quando foram eliminados pela Argentina nas quartas de final da Copa.

12 – Faltam à Bélgica as conquistas. Já tiveram grande times, como o de Scifo, Gerets, Pfaff e Ceulemans, que chegou às semifinais da Copa de 1986, seu melhor desempenho em Mundiais. Mas nunca ganharam nem uma Eurocopa. Sua camisa não pesa no varal. A do Brasil, sim.

13 – Elogiada desde 2014, a Bélgica apresentou (aqui) o melhor futebol da fase de grupos em 2018. Mas seu único jogo contra um grande não conta, pois a vitória de 1 a 0 sobre a Inglaterra foi um confronto entre reservas. O Brasil é o seu primeiro grande teste na Rússia. E vice-versa.

14 – Badalados pelo que jogaram na fase de grupos, os belgas cairam na realidade com a atuação decepcionante contra o Japão. Seus jogadores assumem o favotismo do Brasil. Por outro lado, se foram capazes de jogar mal e virar um placar de 2 a 0, o que poderão fazer se jogarem bem?

15 – O Brasil é o segundo colocado no ranking de seleções da Fifa. A Bélgica é a terceira. Primeira, a Alemanha ficou na fase de grupos. Quem passar às semifinais, terá outro jogo muito duro, contra França ou Uruguai. O sobrevivente fará a final na condição de favorito.

16 – Ao lado do Uruguai, o Brasil tem a melhor defesa: levou apenas um gol. A Bélgica tem o melhor ataque, com 12 gols em quatro jogos. A última vez que, com a melhor defesa, o Brasil cruzou em Mundial com o melhor ataque, foi na semifinal de 1958, contra a França. O placar foi 5 a 2 para os únicos sul-americanos a terem vencido uma Copa na Europa. Há exatos 60 anos.

 

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