Campos dos Goytacazes,  14/08/2018

 

por Aluysio Abreu Barbosa

Morre no Rio o jornalista de Campos Joca Muylaert

 

Jornalista Joca Muylaert entre as rosas das ruínas de Atafona (Foto: Facebook)

 

Acabou de falecer no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, o jornalista Jorge Luís Muylaert, o Joca. Ele tinha 60 anos e estava internado desde 28 de janeiro, para tratamento de leucemia. Devido a complicações pulmonares e renais, ele foi para o CTI do hospital, onde estava desde sexta (13), e faleceu nesta tarde. Joca deixa seis filhos e um neto. O velório será a partir das 8h desta quarta, no Campo da Paz, onde o corpo será sepultado às 16h.

Joca era bastante conhecido na cidade não apenas como jornalista, ofício que exercia muito antes de se formar na Faculdade de Filosofia, em 2002. Como militante político, a partir da reabertura democrática no Brasil, ele foi um dos fundadores do PSDB de Campos no final dos anos 1980. Depois, comandou durante alguns anos o PV no município e foi coordenador do partido na região.

Com militância ativa também no cenário cultural de Campos, Joca foi poeta vencedor do FestCampos de Poesia Falada. Ele também foi diretor da Casa de Cultura Villa Maria, nos anos 1990, ainda no processo de implantação e consolidação da Uenf. Ciente das questões de diversidade que só se tornariam pautas da moda alguns anos depois, um dos destaques da sua administração foi a instalação do Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira (CCAB) na Villa.

Como autor, Joca publicou um único livro: “O Beija Flor Amigo”, lançado em 2002. Pai amoroso de meia dúzia de filhos, dedicou a obra à literatura infantil. No governo Alexandre Mocaiber, ele foi ainda diretor da Biblioteca de Campos durante a gestão da produtora Luciana Portinho na Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL).

Jornalista, poeta, irreverente e contestador por natureza, Joca também foi um boêmio conhecido na noite goitacá. Pelo menos na última década, seu ponto mais frequente era a saudosa Toca dos Amigos, na rua Pero de Góis, que fazia quase de segunda casa. Ele era muito amigo do proprietário, Roberto Alves da Costa. O falecimento deste (aqui), em 9 de abril deste ano, deixou o cliente e amigo, já internado no Inca, profundamente triste.

Elevada pelo encantamento dos seus personagens mais ilustres, a Toca dos Amigos agora é outra. Com uma cerveja estupidamente gelada, é de lá que Joca e Roberto erguerão seus copos de botequim, com choro do santo derramado em chuva, para justificar os que agora são apenas saudade.

 

Leia a cobertura completa na edição desta quarta (18) da Folha da Manhã

 

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