Opiniões

Bolsonaro começa a semana liderando no Roda Viva e na pesquisa

 

 

 

Bolsonaro só perde para Moro

A dois meses da eleição, o começo da semana foi favorável ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Independente da avaliação do desempenho, a verdade é que sua sabatina no Roda Viva da TV Cultura, na noite de segunda (30), foi fenômeno de audiência. Liderou o Trending Topics mundial do Twitter e foi acompanhada ao vivo por mais de 200 mil pessoas no YouTube. No Facebook, até a tarde de ontem, contabilizava 2,9 milhões visualizações, 279 mil comentários e 73 mil compartilhamentos. Emblematicamente, a popularidade de Bolsonaro no Roda Viva só foi superada pelo juiz federal Sérgio Moro, em entrevista de 26 de março.

 

Direita x esquerda

Como cerca de 100% dos simpatizantes de Bolsonaro parece acreditar que o jornalismo brasileiro é composto de comunistas, a crítica aos seis jornalistas que o sabatinaram era esperada de antemão. E como até a Rede Globo faria parte desse suposto complô marxista da mídia, não é preciso muito raciocínio para revelar o ridículo em que se baseia. Mas como a lógica costuma passar longe do amor e do ódio devotados ao presidenciável, as críticas aos seus entrevistadores partiram também da esquerda. Sobretudo aquela que ainda não fez o mea culpa devido pelo maior escândalo de corrupção da Terra, eviscerado pela Lava Jato.

 

Mico do Roda Viva

Como direita e esquerda desceram a lenha nos jornalistas por motivos opostos, na impossibilidade de estarem certos ao mesmo tempo, a lógica revela que estão ambos errados. Como teve erros o Roda Viva. Individualmente, o maior equívoco foi do jornalista Bernardo Mello Franco, do “comunista” O Globo. Ironicamente, ele vinha sendo o melhor sabatinador, corrigindo erros de Bolsonaro em dados da sua própria atuação parlamentar. Até se sair com a estultice de chamar Jesus de “refugiado”. Foi o maior mico da edição do programa, que expôs a reboque todo o jornalismo brasileiro.

 

Be-a-bá de jornalismo

Coletivamente, a entrevista foi mal concebida. Força-la nas acusações de machismo, racismo e apoio à ditadura, deu espaço a Bolsonaro onde ele fica mais à vontade. Foi quando teve que falar de propostas em economia, saúde e educação, que sua fragilidade se evidenciou. Na polêmica, a melhor pergunta foi ofertada pelo entrevistado. Ele defendeu o falecido coronel Carlos Brilhante Ustra, condenado em segunda instância por tortura: “ninguém será declarado culpado sem sentença transitado (sic) em julgado”. E todos os seis jornalistas ignoraram a contradição: como então defender a prisão de Lula por condenação em segunda instância?

 

Bem na pesquisa

Após o Roda Viva da noite de segunda, a manhã de terça reservou mais bons augúrios ao “mito” da direita brasileira. Foi divulgada a nova pesquisa do instituto Paraná. Em seus três cenários, ele teve sua vaga ao segundo turno garantido em todos. Preso desde 7 de abril e com chances irrisórias de participar da eleição, pela Lei da Ficha Limpa, mesmo com Lula, Bolsonaro está forte nas intenções de voto: o ex-presidente teve 29%, com 21,8% para o ex-capitão do Exército. A consulta foi realizada entre 25 e 30 de julho, com 2.240 eleitores de todo o país.

 

Marina e Ciro

Contra quem deve concorrer, sendo Fernando Haddad ou Jacques Wagner o candidato petista, Bolsonaro assumiu a liderança da pesquisa com folga: tem 23,6% no primeiro cenário e 24,3%, no segundo. Bem atrás, os ex-ministros de Lula Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) disputariam a outra vaga ao segundo turno. Marina ficou entre 14,4% e 14,3% das intenções de voto, cabendo de 10,7% a 10,8% ao político cearense. Estão em empate técnico na margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou menos. Enquanto isso, Haddad e Wagner, suplentes de Lula no PT, ficaram com os mesmos 2,8%.

 

Da planície ao planalto

Pela popularidade da entrevista no Roda Viva e por todas as pesquisas, Bolsonaro deve estar no segundo turno da eleição presidencial. Em 22 de outubro do ano passado, antes de Lula ser preso, a Folha ecoou (aqui) a advertência do repórter estadunidense Ryan Lizza, em passagem pelo Brasil: “É interessante que os jornalistas americanos tenham subestimado Donald Trump. O que me perguntam é se o público ou a mídia deveriam levar a sério candidatos bizarros como ele. Minha resposta é: sim, nós temos que levar essas pessoas a sério”. Da planície ao planalto, foi então alertado: “Quem não seguir o conselho da imprensa dos EUA, nem que seja a revelação do segredo do cadeado após a porta arrombada por Trump, corre o mesmo risco”.

 

Publicado hoje (01) na Folha da Manhã

 

Este post tem 4 comentários

  1. As atitudes e acusações(não houveram perguntas) dos jornalistas falam por si só meu caro, a verdade é que estão se tremendo na base,vocÊ comenta a respeito de segundo turno sem ao menos existir o candidato para disputar com Bolsonaro, será o primeiro turno para ficar na historia desse pais.

    1. Caro Marcelo Braga Areas,

      Com todo o respeito, mas afirmar que a eleição presidencial de outubro será ganha em primeiro turno desabona qualquer outra observação sua. Só pode ser feita por quem nada conhece de política e eleição, a despeito do desejo pessoal mal disfarçado. Líder de todas as pesquisas, nem se Lula fosse solto hoje, com a Lei do Ficha Limpa derrubada, venceria a eleição em turno único.

      Grato pela participação!

      Aluysio

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