Campos dos Goytacazes,  14/08/2018

 

por Aluysio Abreu Barbosa

Destaque do debate é Daciolo, “em honra e glória do senhor Jesus”

 

Álvaro Dias, Cabo Daciolo, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Jair Bolsonaro, Guilherme Boulos, Henrique meirelles e Ciro Gomes

 

Há menos de dois meses das urnas, acabou agora há pouco o primeiro debate entre os presidenciáveis, promovido pela Band. Líder em todas as pesquisas sem o ex-presidente Lula (PT), quem esperava que Jair Bolsonaro (PSL) fizesse feio na sua estreia em debates como candidato a governar o Brasil, não teve suas expectativas atendidas. Sem brilho individual, o ex-capitão do Exército se manteve na média dos oito candidatos. Até pela maior experiência, Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (rede) e Álvaro Dias (Podemos) demonstraram mais consistência.

No contraste, Bolsonaro foi ajudado pelo caricato Cabo Daciolo (Patri). O misto de bobo da corte e pastor pentecostal ganhou notoriedade como líder da greve fluminense de policiais e bombeiros militares de 2011, antes de ser eleito deputado federal em 2014 pelo Psol — e expulso da legenda em 2015. Candidato a presidente do partido, Guilherme Boulos não fugiu do maniqueísmo com que se pode topar em Campos, numa noite na Fluir, com qualquer jovem alternativo. Achou descolado o bordão “cinquenta tons de Temer” e o repetiu ad nauseam pela noite e madrugada. Por sua vez, se não foi bufão, Bolsonaro tampouco foi Geni. Este papel coube Henrique Meirelles (MDB), candidato de Michel Temer e ex-presidente do Banco Central nos governos Lula.

Ausente da campanha por decisão da Justiça, preso desde 7 de abril e virtualmente inelegível pela Lei da Ficha Limpa, que sancionou quando presidente, Lula só teve o nome lembrado por Boulos. Que depois provocaria risos da plateia ao dizer que não tinha Dilma como chefe, quando pediu e não ganhou um direito de resposta. Por seus temperamentos assertivos, também se aguardava um duelo à parte entre Ciro e Bolsonaro. Se ele não chegou a esquentar, o candidato de direita não se saiu mal, apesar de inferior como orador. Ao ser perguntado pelo cearense como faria para livrar 66 milhões de brasileiros do SPC, Bolsonaro ironizou e devolveu a pergunta, desejando um debochado “boa sorte, Ciro!” na tréplica.

Alckmin e Marina também andaram se estranhando. O primeiro apanhou de quase todos os concorrentes por sua aliança com o Centrão. Mas quando a segunda insistiu, perguntando como mudar o Brasil tendo ao lado a base de sustentação de Temer, levou a bicada do tucano: “nunca fui do PT, nem ministro do PT”. Ex-governador bem avaliado do Paraná, Álvaro Dias tentou hastear a Lava Jato como bandeira. E prometeu nomear o juiz federal Sérgio Moro  ministro da Justiça. No combate aos privilégios prometido por todos — à exceção de Bolsonaro e Daciolo em relação aos militares —, Ciro lembrou a Dias que Moro recebe o auxílio-moradia.

Também foram debatidas questões como saúde, educação, segurança, infraestrutura e necessidade de reformas. Mesmo candidato do Centrão, Alckmin chegou a dizer que a sua primeira seria a política. Mas quase ninguém explicou como realizar o prometido. A não ser, claro, Daciolo: “pelo amor, em honra e glória do senhor Jesus!”

 

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