Opiniões

Paes, Garotinho e Tarcísio sobem. Romário e Indio caem. Rejeição define

 

 

 

Paes e Garotinho sobem, Romário cai

Na matéria da página anterior desta edição, estão publicados os números da última pesquisa a governador do Rio. Divulgada ontem (31), foi feita pelo instituto Paraná, com 1.860 eleitores de 46 municípios, entre os dias 25 e 30 de agosto. Em empate técnico na margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou menos, lideram Romário Faria (Pode), com 18,3%; Eduardo Paes (MDB), com 17,3%; e Anthony Garotinho (PRP), com 14,5%. Comparadas com as pesquisas de maio e junho do mesmo instituto, Romário está em queda: vinha de 24,8% e 24,3%. E Paes (vindo de 13,5% e 15,1%) e Garotinho (11,2% e 13,5%) em ascensão.

 

Diferenças e semelhança

Após o fraco desempenho no debate da Band, dia 16, Romário fugiu da sabatina do dia 28, do jornal O Globo. E o resultado parece não ter sido bom. Com mais cancha nesse jogo, Paes e Garotinho foram aos dois, se atacando em ambos. A diferença é que o ex-prefeito do Rio, pela ligação com o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), sofre ataque também dos demais adversários. Menos visado, o ex-prefeito de Campos tem penado, além de Paes, apenas com Tarcísio Motta (Psol). Este repetiu, em entrevista exclusiva à Folha, o que pensa sobre Romário, Paes e Garotinho: “todos, de uma forma ou de outra, se aliaram à máfia do Cabral”.

 

Tarcísio sobe, Indio cai

Tarcísio ainda está no bloco de baixo pela disputa ao Palácio Guanabara: em quinto lugar, com 4,4%. Apesar de estarem todos embolados no empate técnico da pesquisa Paraná, quem puxa o pelotão em quarto ainda é Indio da Costa (PSD), que teve 5,5%. Depois dele e do candidato do Psol, vieram: Pedro Fernandes (PDT), com 2,6%; Wilson Witzel (PSC), 2,3%; e Marcelo Trindade (Novo) e Márcia Tiburi (PT), ambos com 1,7%. Também comparado com as pesquisas do mesmo instituto de maio e junho, Tarcísio está em ascensão: vinha de 3,0% e 3,8%. Vindo de 8,2% e 7,2%, Indio está em queda franca, enquanto os demais estão estagnados.

 

Motivos

Não é novidade a nenhum eleitor a ligação de Cabral com Paes. Mas o fato de que Tarcísio foi até agora o único a corretamente estender esse ônus também a Romário e Garotinho, pode ser o motivo da sua ascensão. Além, lógico, do seu bom desempenho nos debate. Por outro lado, o fato de ter feito escada para Garotinho bater em Paes no debate da Band — denunciada pelo ex-prefeito do Rio como jogada arquitetada por seu sucessor, Marcelo Crivella (PRB) —, parece ser a causa da queda de Índio. No debate de O Globo, ele até tentou também agredir o político de Campos. Mas recebeu deste um aviso velado e se encolheu.

 

Motivo

Já a desidratação contínua de Romário parece não ter muito mistério. Em qualquer frase que precise articular como candidato, expondo seu desconforto na quantidade de vezes em que molha com a língua os lábios secos, ele expõe desenvoltura oposta à que desfilava nos campos — onde se consagrou como um dos maiores atacantes da história do futebol mundial. A experiência administrativa e política que Paes e Garotinho acumularam ao longo dos anos, mesmo quando passível de críticas, dão a ambos grande vantagem no contraste com o ex-craque. Já nas suspeitas que pesam sobre os três, a disputa indica outro “empate técnico”.

 

Na Justiça

Paes teve seu ex-secretário de Obras, Alexandre Pinto, preso pela Lava Jato. Ele foi solto, ao que tudo indica, após contar o que sabe em delação. As consequências parecem esperar a urna, para nelas não interferirem. Garotinho foi preso três vezes ano passado: duas pela troca de Cheque-Cidadão por voto, uma pela denúncia de extorsão de empreiteiros com emprego de arma de fogo. Sem contar sua condenação pelo desvio de R$ 234,4 milhões da Saúde no governo estadual Rosinha, que gerou pedido de impugnação da sua candidatura. Por sua vez, Romário é acusado de ocultar patrimônio para não pagar dívidas em torno de R$ 20 milhões.

 

Na rejeição

Ainda assim, Romário, Paes e Garotinho lideram as intenções de voto. Nelas, a tendência de queda do primeiro e de ascensão dos outros dois parece atender ao desejo da candidatura do DEM. Por conta da sua imensa rejeição, Garotinho é uma espécie de Jair Bolsonaro (PSL) estadual: forte no primeiro turno e fácil de ser batido no segundo. Na Paraná, o campista liderou a rejeição: 69,9%. Assim como ficou à frente no índice negativo da última pesquisa Ibope: 55%. No pleito a governador de 2014, Garotinho não foi nem ao segundo turno. E chegou à urna também liderando a rejeição pelo Ibope: 40%. São 15 pontos a menos do que tem hoje.

 

Publicado hoje (01) na Folha da Manhã

 

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