Opiniões

Haddad e Bolsonaro crescem, Alckmin e Marina despencam, e Ciro esmurra

 

 

Charge de José Renato publicada hoje (18) na Folha

 

Haddad, Ciro e Bolsonaro

O que era previsto aconteceu: Fernando Haddad (PT) continua a crescer nas pesquisas. Na BTG/FSB divulgada ontem, ele dobrou suas intenções de voto: foi em uma semana de 8% para 16%. Na margem de erro de dois pontos para mais ou menos, o petista apareceu ainda tecnicamente empatado com Ciro Gomes (PDT), que subiu de 12% a 14%. Ambos ficaram bem atrás de Jair Bolsonaro (PSL), que cresceu de 30% a 33%. O ex-capitão do Exército também foi líder isolado de outra pesquisa divulgada ontem, a CNT/MDA. Ele teve 28,2%, seguido de Haddad, com 17,6%, já descolado de Ciro, que bateu 10,8%.

 

Tendências cristalizadas

Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, a CNT/MDA foi a primeira pesquisa em que Haddad apareceu isolado na segunda posição. Assim como os 33% de Bolsonaro na BTG/FSB, foi o maior índice de intenções de votos ele que registrou até aqui. Independente das diferenças dos números e metodologias, comparadas as duas consultas divulgadas ontem com as últimas Ibope, Paraná e Datafolha, algumas tendências parecem se cristalizar: Bolsonaro cresceu pouco, Haddad cresceu muito, Ciro cresceu pouco ou já começou a patinar, e Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) despencaram.

 

Alckmin e Marina despencam

A CNT/MDA anterior havia sido feita em 20 de agosto, tempo longo demais para um contraste dos números. Mas na pesquisa do instituto divulgada ontem, Alckmin teria 6,1% das intenções de voto, com 4,1% para Marina. Já na BTG/FSB, em intervalos regulares de uma semana, fica mais fácil não só notar os crescimentos de Bolsonaro, Haddad e Ciro, como a queda de Alckmin e Marina. Ambos tinham 8%, mas o tucano caiu a 6%, e a ambientalista a 5%. Se sempre foi um candidato forte no primeiro turno, desde a última Ibope, Bolsonaro parece ter se tornado competitivo também no segundo. Esta mudança também foi registrada na última Datafolha.

 

Competitividade

Na BTG/FSB, Bolsonaro empatou numericamente a simulação de segundo turno contra Ciro (42% a 42%). Mas, fora da margem de erro, o presidenciável do PSL ganharia de todos os demais: de Haddad (46% a 38%), Alckmin (43% a 36%) e Marina (48% a 33%). Já nas simulações de segundo turno da CNT/MDA, o capitão perdeu para Ciro (36,1% a 37,8%) e ganhou de Haddad (39% a 35,7%), em dois empates técnicos na margem de erro. Mas, fora dela, bateria Alckmin (38,2% a 27,7%) e Marina (39,4% a 28,2%) com relativa facilidade.

 

Voto útil

Hoje, sai a nova pesquisa presidencial do Ibope. Como o crescimento de Bolsonaro e de Haddad são tendências claras, resta saber o teto de um e outro. Com medo do PT voltar ao poder, o capitão já recebe eleitores de Alckmin. Como o petista recebeu parte da debandada de Marina, com medo de um governo de extrema direita. Se Ciro também desidratar, e os indecisos continuarem a diminuir, o voto útil pode transformar a eleição daqui a menos de 20 dias em mero plebiscito: anti-Lula ou anti-Bolsonaro. Neste caso, a possibilidade de definição em primeiro turno, ainda altamente improvável, deixa de ser delírio.

 

Golpe na campanha

Pressionado pelo crescimento de Haddad nas pesquisas, Ciro voltou a mostrar sua pior face. Ao esmurrar e xingar o jornalista Luiz Nicolas Maciel Petri, em Boa Vista, no sábado, ele deu um golpe também na sua campanha. Petri fez uma pergunta em que lembrou ao pedetista suas palavras sobre conflitos entre brasileiros e refugiados venezuelanos no Estado de Roraima. O candidato não gostou, socou o jornalista no abdômen, o xingou e mandou prendê-lo. Foi um ato de truculência, arbitrariedade e desrespeito à atividade jornalística, protegida pela Constituição. Mais uma vez, Ciro prova ser o maior inimigo de Ciro.

 

Nas urnas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fechou ontem o sistema de registro de candidaturas à presidência que será inserido nas urnas eletrônicas no primeiro turno. Foram confirmados os nomes de 13 candidatos e seus respectivos vices. Os nomes de Haddad e sua vice, Manuela D’Ávila (PCdoB), foram considerados aptos para inserção, apesar de o registro ainda não ter sido julgado pela Corte. Haddad só teve o nome confirmado pelo PT após o TSE barrar, com base na Lei da Ficha Limpa, a candidatura do ex-presidente Lula.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (18) na Folha da Manhã

 

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