Opiniões

Paes e Romário à frente no Ibope confirmam decadência de Garotinho

 

 

Novo Ibope a governador

A nova consulta Ibope de ontem, para governador do Estado do Rio, não trouxe muita variação para a anterior, divulgada nove dias antes. Líder em todas as pesquisas, Eduardo Paes (DEM) oscilou um ponto para cima e agora tem 24% das intenções de voto. No limite máximo da margem de erro, de três pontos para mais ou menos, ele está no empate técnico com Romário Faria (Podemos), que perdeu dois pontos e agora tem 18%. Novamente esticada a margem de erro, o ex-gênio do futebol também está no empate técnico com Anthony Garotinho (PRP), que manteve seus 12%.

 

Evolução das pesquisas

Na série de três pesquisas Ibope, divulgadas em 20 de agosto, 10 e 19 de setembro, Garotinho está empacado: não sai dos 12% de intenções de voto há quase um mês. É uma evolução bem diferente de Paes e Romário. O ex-prefeito do Rio saiu de 12%, foi para 23% e agora tem 24%. Por sua vez, o senador pulou de 14% a 20%, antes de registrar os 18% de ontem. O político de Campos só não está pior nas pesquisas porque nenhum dos candidatos abaixo teve crescimento real. Após repetir 5% nas duas primeiras Ibope, Tarcísio Motta (Psol) ontem registrou 4%. Já Indio da Costa saiu de 3%, antes de repetir 4% nas duas últimas.

 

Poucas mudanças

Atrás de Tarcísio e Indio, mas em empate técnico com ambos, estão Pedro Fernandes (PDT), Márcia Tiburi (PT) e Wilson Witzel (PSC), os três com 2%. Na margem de erro, estão todos embolados com os demais quatro candidatos: Marcelo Trindade (Novo), André Monteiro (PRTB), Dayse Oliveira (PSTU) e Luiz Eugenio (PCO) têm todos 1%. O que explica a pouca mudança nos números e posições, sobretudo nas duas últimas pesquisas Ibope, é foram os números de indecisos: em 10 de novembro, eram 20% os brancos e nulos, com 9% de não sabe ou não respondeu. Ontem, respectivamente, eles eram 20% e 8%.

 

Segundo turno

Pesquisa a pesquisa, Garotinho parece ainda mais longe do Palácio Guanabara do que ficou em 2014, quando assistiu ao segundo turno ser disputado por Luiz Fernando Pezão (MDB) e Marcelo Crivella (PRB). Mas, mesmo que tivesse alguma chance de avançar na disputa após as urnas de 7 de outubro, o campista não teria motivos para ficar animado. Nas simulações feitas ontem pelo Ibope, ele perderia de lavada o turno final tanto para Paes (24% a 41%), quanto Romário (25% a 38%). No provável confronto final entre os dois líderes das pesquisas, o ex-prefeito do Rio venceria o senador, mas no limite máximo da margem de erro: 37% a 31%.

 

O rejeitado

O motivo de Garotinho ter estagnado nas intenções de voto, mesmo distante da possibilidade de segundo turno, se deve ao que nele decreta sua derrota em todas as simulações: sua rejeição é de 48%. Em palavras, praticamente metade dos eleitores fluminenses não votaria nele de jeito nenhum. A rejeição de Paes é 31%, enquanto Romário tem apenas 22%. Não bastasse, ontem a vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reverter a liminar que suspendeu a inelegibilidade do político de Campos.

 

Condenações

Os motivos alegados pelo segundo homem da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) são três. Garotinho foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) pelo desvio de R$ 234 milhões da Saúde, durante o governo estadual de Rosinha. Ele também foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), como chefe de quadrilha armada em associação com a máfia dos caça-níqueis, também quando sua esposa era governadora. Por fim, o político da Lapa teve uma condenação transitada em julgado, por calúnia contra o juiz federal Marcelo Leonardo Tavares, a quem acusou publicamente de corrupção e prevaricação.

 

Decadência

Político marcado pela agudez do pensamento, desde que foi eleito prefeito de Campos a primeira vez, em 1988, Garotinho tem impressionado nos últimos anos pela desinteligência. Em 2014, chegou a liderar as pesquisas a governador, mas não foi nem ao segundo turno. Coincidência ou não, a partir desta derrota, o governo de Rosinha em Campos se converteu no desastre que possibilitou a vitória da oposição no primeiro turno da eleição municipal de 2016. Sem os cofres do município e após ser preso três vezes, forçou em 2018 uma nova candidatura ao Palácio Guanabara. E, aparentemente sem chances, pode acabar preso mais uma vez.

 

Publicado hoje (20) na Folha da Manhã

 

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