Opiniões

Onda de Bolsonaro à véspera da eleição gera dúvida sobre 2º turno

 

 

Turno único: 30% de chance

À espera das últimas que serão divulgadas hoje, a grande pergunta é: haverá segundo turno na eleição presidencial? O crescimento de Jair Bolsonaro (PSL) na reta final foi confirmado pelo primeiro instituto que o colocou na casa dos 30% das intenções de voto. Pela Paraná Pesquisas de ontem, o ex-capitão do Exército alcançou os 35% das intenções de voto, mesmo índice apontado no dia anterior pelo Datafolha. Nas duas consultas, Fernando Haddad (PT) patinou nos 22%. Indagado sobre a possibilidade de Bolsonaro ganhar a eleição no primeiro turno, o diretor da Paraná, Murilo Hidalgo, estimou as chances em 30%.

 

Segundo turno: 70%

Com 70% de possibilidade, o segundo turno é o mais provável. Mas suas projeções variaram muito de acordo com as pesquisas. Segunda a Paraná de ontem, Bolsonaro venceria Haddad com relativa facilidade, por 47,1% a 38,1%. Mas Datafolha e Ibope projetaram empates técnicos no turno final entre o capitão e o petista. Estes dois institutos trazem hoje mais duas novas pesquisas, as últimas antes da urna de domingo. A da Datafolha, com mais de 17 mil entrevistas, será a mais ampla já feita nesta eleição. Se nela Bolsonaro estagnar, aumentam as chances de segundo turno. Mas elas diminuem se o candidato registrar outro crescimento real.

 

Ontem e hoje

Desde que o segundo turno foi adotado pela Constituição de 1988, apenas Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ganhou a eleição presidencial em turno único. E o fez duas vezes, em 1994 e 1998. Curiosamente, seu principal cabo eleitoral na época foi o Plano Real, que estabilizou a economia do país. Com a recessão criada no governo Dilma Rousseff (PT), a economia voltou a ser um dos principais problemas do Brasil, cujo líder em todas as pesquisas a presidente é alguém que, assumidamente, não entende do assunto. Agora é o antipetismo, cujo papel Bolsonaro roubou do PSDB, que surge como principal cabo eleitoral desta eleição.

 

Rejeições

Todas as pesquisas indicam que, desde a semana passada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esgotou sua impressionante capacidade de transferência de votos para Haddad. Serviu para consolidar o candidato como segundo colocado, na casa dos 20%. Só que a reação à perspectiva do PT voltar ao poder empurrou Bolsonaro à casa dos 30%. Junto com os votos, Haddad recebeu a rejeição de Lula, igualmente impressionante. Pelo Datafolha e Ibope, o petista já está bem próximo de Bolsonaro no índice negativo. E, na metodologia diferente da Paraná, a rejeição de Haddad (58,5%) já é bem maior que a do capitão (48,6%).

 

Haddad no ontem

Transferidos o bônus e o ônus de Lula, seria o momento de Haddad buscar seus votos por conta própria. E ele desperdiçou a chance no debate da Globo, entre a noite de quinta e madrugada de sexta, último antes da eleição de domingo. No lugar de centrar fogo em Bolsonaro ausente, o petista perdeu tempo com Geraldo Alckmin (PSDB) para atacar o governo de Fernando Henrique, de 16 anos atrás. Entre várias outras mudanças de paradigma desta eleição, a polarização nacional entre PT e PSDB foi claramente abandonada pelo eleitor. E, em caso de segundo turno, Haddad vai precisar desesperadamente dos votos do tucano.

 

Ciro se destaca

Pouco depois de Bolsonaro dar entrevista à Record do bispo Edir Macedo, que já fechou apoio da sua popular Igreja Universal ao presidenciável de direita, o debate da Globo provou mais uma vez que Ciro Gomes (PDT) é o candidato mais consistente da esquerda. Foi ele quem se destacou ao cobrar a ausência do líder nas pesquisas. O desempenho do cearense gerou uma reação positiva nas redes sociais ao seu nome, que todas as pesquisas indicam ser o mais difícil de ser batido por Bolsonaro no segundo turno. Mas, à beira da urna, dificilmente será suficiente para reverter os 10 pontos percentuais que separam Ciro de Haddad nas pesquisas.

 

Referências

Na incerteza sobre o segundo turno presidencial, bem provável entre Eduardo Paes (DEM) e Romário (Pode) a governador do Rio, estas eleições derrubaram referências de pleitos anteriores. Mas algumas sobrevivem. Por exemplo, nunca um candidato a presidente atrás no primeiro turno, venceu o segundo. E, nem com Lula, o PT chegou à presidência com uma chapa puro-sangue de esquerda, como Haddad e Manuela D’Ávila (PCdoB). Outro exemplo? Romário ontem recebeu o apoio de Anthony Garotinho (PRP) que Alckmin, a presidente em 2006, e Marcelo Crivella (PRB), a governador em 2014, também tiveram. E acabram derrotados.

 

Publicado hoje (06) na Folha da Manhã

 

Este post tem um comentário

  1. O Brasil precisa de políticos honestos que governe para todos sem distinguir raça, cor ou religião

Deixe uma resposta

Fechar Menu