Opiniões

Pesquisas indicam segundo turno a presidente e novidade a governador

 

 

Expectativa de 2º turno

Jair Bolsonaro (PSL) pode ser eleito presidente hoje em primeiro turno? Só se todas as pesquisas feitas e divulgadas ontem, na véspera da eleição, estiverem erradas. Com oscilação positiva ou crescimento real, o capitão chegou a 41% dos votos válidos no Ibope e 40%, na Datafolha. Se os números estiverem corretos e o ex-capitão do Exército não crescer cerca de oito pontos percentuais de ontem para hoje, ele disputará o segundo turno contra Fernando Haddad (PT), estagnado com 25% dos votos válidos.

 

Simulações e rejeições

Caso as urnas confirmem o segundo turno presidencial, suas simulações ontem apontaram leve vantagem ao capitão, mas todas no empate técnico. No Datafolha, o turno final ficaria Bolsonaro 45% a 43% Haddad. No Ibope, seria 45% a 41%, já no limite da margem de erro. Índice negativo considerado fundamental à definição do segundo turno, a rejeição dos dois candidatos também foi medida pelos dois institutos: Bolsonaro teve 44% no Datafolha e 43%, no Ibope. Haddad oscilou mais entre as duas pesquisas: respectivamente 41% e 36% não votariam de jeito nenhum no petista. Os dois são os presidenciáveis mais votados e rejeitados.

 

Ciro Gomes

As consultas Datafolha e Ibope foram feitas após o debate da Globo, entre a noite de quinta e a madrugada de sexta. Elas chegaram a registrar que Ciro Gomes (PDT) foi considerado o melhor no evento. A ausência de Bolsonaro, que alegou ordem médica, mas deu uma extensa entrevista a Record, foi considerada um dos motivos para que seu crescimento na reta final talvez tenha sido insuficiente para liquidar a fatura no primeiro turno. Ciro teve oscilações positivas nas duas pesquisas, chegando a 15% dos votos válidos na Datafolha. Atrás 10 pontos de Haddad, o cearense seria o adversário mais difícil a Bolsonaro no segundo turno.

 

Força do capitão

Mesmo que frustre a expectativa de vencer no primeiro turno, Bolsonaro demonstra uma força eleitoral impressionante, talvez só comparável à do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na última Datafolha a governador do Rio, após receber o apoio dos Bolsonaro em sua campanha, o ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC) decolou e apareceu ontem empatado com Romário Faria (Podemos). Ambos têm 17% dos votos válidos, 10 pontos atrás de Eduardo Paes (DEM), com 27% dos votos válidos. Mas o crescimento de Witzel foi tão meteórico que o Datafolha nem teve tempo de fazer a simulação de segundo turno entre ele e Paes.

 

Witzel complica Paes?

De Romário, Paes ganhou com facilidade a simulação de segundo turno: 45% a 31%. Sem as simulações om Witzel, a rejeição seria o único dado para avaliar seu desempenho no caso dele chegar ao turno final. Só que o Datafolha também não divulgou o índice negativo na sua nova pesquisa ao governo fluminense. Na pesquisa Ibope também fechada ontem, o ex-juiz federal apareceu com apenas 9% de rejeição, contra os mesmos 33% de Paes e Romário. O que indica que o ex-prefeito do Rio poderia teria muito mais dificuldade em se eleger governador se enfrentasse Witzel no segundo turno.

 

Brasil no RJ

O problema na comparação entre as últimas Datafolha e Ibope a governador, é que o segundo instituto não registrou o mesmo crescimento de Witzel. Pelo Ibope, a disputa segue hoje à urna com 32% dos votos válidos para Paes, 20% para Romário, e 12% tanto para Indio da Costa (PSD), quanto para o ex-juiz federal. Os dois travaram os três últimos debates disputando acirradamente o apoio de Bolsonaro, que tem mais que o dobro de intenções de voto de Haddad no Estado do Rio. Mas foi Witzel, não Indio, que teve em sua campanha o apoio de Flávio Bolsonaro (PSL), candidato a senador e filho de Jair.

 

Vantagem de Bolsonaro e Paes

A coluna já lembrou que nunca um candidato que ficou atrás no primeiro turno conseguiu se eleger presidente do Brasil. É um dado histórico que conta contra Haddad, caso a disputa presidencial vá mesmo às urnas de 28 de outubro. Mas há outras estatísticas que podem pesar não só a favor de Bolsonaro, como de Paes: desde 1998, quando a reeleição foi adotada no Brasil, foram 272 eleições de segundo turno no país — a presidente, governador ou prefeito. Nelas, 72% dos mais votados no primeiro turno venceram o seguinte. Mas o percentual cresce a 92% quando a diferença na votação dos candidatos no turno inicial foi de 10 pontos ou mais.

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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