Opiniões

Pesquisas apontam vitória de Bolsonaro e Witzel. Supremo é ameaçado

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (18) na Folha da Manhã

 

 

Bolsonaro e Witzel atropelam

Em todas as pesquisas do segundo turno, as eleições a presidente da República e governador do Rio parecem estar definidas. Por larga margem de vantagem, os vencedores seriam respectivamente Jair Bolsonaro (PSL) e Wilson Witzel (PSC). Na consulta Paraná divulgada ontem, Bolsonaro teve 60,9% dos votos válidos, contra 39,1% de Fernando Haddad (PT). Pelo mesmo instituto, a vantagem de Witzel foi ainda maior na disputa ao Palácio Guanabara: 67,8% contra 32,2% de Eduardo Paes (DEM). Também ontem, o Ibope ratificou a dianteira do ex-juiz federal sobre Paes, por margem menor, mas ainda larga: 60% a 40%.

 

Mais intenções de voto

Sobretudo no primeiro turno presidencial, o instituto Paraná foi o que mais acertou o resultado das urnas. Em sua nova pesquisa de ontem, Bolsonaro apareceu com 21,8 pontos percentuais à frente Haddad. É mais do que os 16 e 18 pontos que, respectivamente, as pesquisas anteriores Datafolha e Ibope deram de vantagem ao capitão no segundo turno. Nele, as duas primeiras consultas a governador do Rio foram a Paraná e a Ibope de ontem. Na primeira, a vantagem de Witzel sobre Paes foi de impressionantes 35,6 pontos. No segundo, a diferença favorável ao ex-juiz foi de 20 pontos.

 

Menos rejeição

Independente da diferença dos números, as vantagens de Bolsonaro e Witzel nas intenções de voto parecem grandes demais para serem revertidas. Para isso, o que conta é a rejeição. Pela Paraná, Bolsonaro apareceu com 38% no índice negativo, contra 55,2% de Haddad. No mesmo instituto, Witzel teve 27,2% de rejeição, contra 56,4% de Paes. No Ibope, o ex-juiz teve apenas 18% de eleitores declarando que não votariam nele de jeito nenhum. É menos da metade dos 48% do seu concorrente. A 10 dias da urna, com grande inferioridade nos votos e dificuldade bem maior de conseguir novos, a matemática parece muito complicada para Haddad e Paes.

 

Famas

Bolsonaro se tornou famoso desde que pregava contra a democracia e pela guerra civil, nos anos 1990. Witzel só se tornou conhecido após chegar à frente nas urnas do último dia 7. Ele teve 41,28% dos votos válidos, contra 19,56% de Paes. Ao liderar as urnas do primeiro turno, o ex-juiz desmentiu os institutos de pesquisa que hoje apontam a sua vitória e a do seu candidato a presidente, no dia 28. Witzel teve uma arrancada na reta final nunca antes vista na história política fluminense, após ter o apoio de Flávio Bolsonaro (PSL). Eleito senador no RJ com quase a soma dos votos dos dois primeiros colocados a governador, Flávio é filho de Jair.

 

Teflon

Jair aconselhou os filhos a ficarem neutros em seus Estados. Se Flávio foi o campeão de votos no Rio ao Senado, Eduardo Bolsonaro (PSL) foi o deputado federal mais votado em São Paulo. Ainda que sem apoio oficial do chefe do clã, seu teflon a críticas parece ter sido herdado por Witzel. Após o primeiro turno, foi revelado que ele participou do ato que arrancou a placa em homenagem à vereadora carioca assassinada Marielle Franco (Psol), na Cinelândia. Também veio a público um vídeo em que, ainda juiz, ele ensinava aos colegas de toga como driblar a Justiça para receber gratificação de acúmulo. E, segundo as pesquisas, nada grudou nele.

 

Do capitão ao general

Bolsonaro se tornou conhecido como capitão da reserva do Exército muito antes de ser o fenômeno destas eleições. Witzel também já foi oficial dos Fuzileiros Navais. Ontem, um colega de ambos nas Forças Armadas, alçado à política na mesma onda, se tornou notícia. Eleito deputado federal pelo PSL no Rio Grande do Norte, o general da reserva Eliéser Girão Monteiro Filho não esperou tomar posse para pregar o impeachment e a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, por “soltarem corruptos” e se venderem “ao mecanismo”, em referência à popular série da Netflix sobre a operação Lava Jato.

 

“Cadelas no cio”

Inegável que ministros como Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello, além do próprio presidente do STF, Dias Toffoli, revoltam a população pela generosidade com políticos e empresários acusados de corrupção. Mas foram legitimamente alçados à mais alta Corte do país. Podem até sofrer impeachment e prisão, como se deu respectivamente com os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva. Mas pelo rito da lei, não pelos latidos daqueles que Ciro Gomes (PDT) chamou de “cadelas no cio”, definição do dramaturgo alemão Betolt Brecht. Caso contrário, o termo fascista deixa de ser retórica petista.

 

Publicado hoje (18) na Folha da Manhã

 

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