Opiniões

Bolsonaro perto de ganhar a eleição pela insistência do PT em seus erros

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (19) na Folha

 

 

Bolsonaro e Witzel eleitos?

Ou todos os institutos de pesquisa do Brasil estão errados, ou Jair Bolsonaro (PSL) e Wilson Witzel se elegerão, respectivamente, presidente do Brasil e governador do Rio. Nos nove dias que ainda separam o eleitor e a urna, nada indica que Fernando Haddad (PT) e Eduardo Paes (DEM) sejam capazes de tirar suas consideráveis diferenças dos líderes no segundo turno aos Palácios do Planalto e Guanabara. Pela consulta Datafolha divulgada ontem, Bolsonaro ficou com 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad. Segundo o mesmo instituto, Witzel tem vantagem ainda maior sobre Paes: 61% a 39%.

 

Segundo turno congelou

Foi a segunda pesquisa Datafolha no segundo turno presidencial. Até aqui, é o único instituto a realizar duas consultas nesta fase final da eleição. A primeira, foi divulgada no dia 10, três após as urnas do primeiro turno. No contraste com a consulta de ontem, o cenário realizou os desejos da campanha de Bolsonaro: a disputa contra Haddad congelou. O ex-capitão do Exército começou o segundo turno com 58% dos votos válidos. E agora tem 59%. Por sua vez, o petista passou de 42% dos votos válidos para 41%. Em ambos a variação foi mínima e dentro da margem de erro, mas favorável a Bolsonaro.

 

PT lidera rejeição

O que costuma definir as mudanças do primeiro ao segundo turno de qualquer eleição é a rejeição. E nela a vantagem também é ampla para Bolsonaro. Segundo a Datafolha, 54% dos eleitores não votariam de jeito nenhum em Haddad. É a força do antipetismo, que a cada dia parece mais cristalizado na sociedade brasileira. Embora polêmico pelas posições extremadas de direita, o capitão teve 41% de rejeição. Se não é um número baixo, fica relevantes 13 pontos abaixo do petista no índice negativo. A governador do Rio, como já havia feito em algumas pesquisas no primeiro turno, o Datafolha não divulgou a rejeição.

 

Covardia ou tática?

Outro dado do Datafolha que indica a vitória de Bolsonaro é a consolidação do voto. Dos que o manifestam pelo capitão, 95% se disseram decididos. Já em relação a Haddad, a certeza do voto cai para 89%. É uma diferença pequena, de seis pontos, mas aparenta ser suficiente para impedir qualquer mudança significativa. Para preservar o cenário amplamente favorável até o dia 28, Bolsonaro ontem anunciou que não participará dos debates, mesmo tendo sido liberado pelos médicos, após a facada que sofreu em 6 de setembro. Se sempre poderá se alegar covardia e falta de espírito democrático, parece taticamente correto.

 

Insistência no erro

Era 29 de setembro quando manifestações de mulheres saíram às ruas e praças do Brasil, inclusive em Campos, para gritar “Ele Não”. E o resultado prático, registrado na pesquisa Ibope divulgada dois dias depois, foi que o presidenciável chamado de machista e misógino cresceu seis pontos percentuais no voto feminino. Consumado o primeiro turno de 7 de outubro, quando Bolsonaro liderou uma onda eleitoral sem precedentes na história recente do país, a tática para enfrentá-lo, que já tinha dado errado, mudou pouco ou nada. Para o segundo turno, os eleitores de Haddad propuseram o confronto “barbárie x civilização”.

 

Haddad à própria sorte

À exceção da mendicância exitosa de likes dos já convertidos, o resultado fora das redes sociais foi nenhum. Eleito senador na Bahia e responsável pelo segundo turno presidencial, com a votação que deu naquele Estado a Haddad, Jaques Wagner tentou imprimir realidade à campanha petista. E teve o mesmo sucesso de quando buscou, lá atrás, a aliança do PT como vice na chapa de Ciro Gomes (PDT). Após abandonar as visitas semanais a Lula na carceragem de Curitiba, Haddad tentou montar uma “Frente Democrática”. Mas foi abandonado à própria sorte por Ciro, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Marina Silva (Rede) e Joaquim Barbosa.

 

Desespero

Na noite da última segunda (15), em evento de apoio a Haddad em Fortaleza, o PT foi constrangido nacionalmente por Cid Gomes (PDT). Senador eleito pelo Ceará e irmão de Ciro, ele cobrou de maneira dura a falta de autocrítica do PT. E o partido mostra que realmente não aprendeu com seus erros. Na quarta (17), a Polícia Civil chegou aos três vândalos que, na madrugada de domingo (14), tinham pichado suásticas nazistas na fachada de uma capela católica em Nova Friburgo. O ato foi prontamente atribuído a eleitores de Bolsonaro. Na verdade, câmeras próximas à capela flagraram os três também pichando o “Ele Não”.

 

Publicado hoje (19) na Folha da Manhã

 

Este post tem 5 comentários

  1. TSE se esconde e desmarca coletiva de imprensa sobre caixa 2 de Bolsonaro.

    Hoje, 19, o TSE desmarcou uma coletiva de imprensa que responderia sobre o financiamento de empresários às agências de disparos de mensagens em massa no WhatsApp para favorecer a campanha de Jair Bolsonaro. A coletiva de imprensa foi remarcada para domingo, 21, e muitos esperam para saber qual será o posicionamento de Rosa Weber sobre essa fraude.

    O TSE não moverá esforços para, a apenas 9 dias da eleição, apoiar o candidato cujos empresários, latifundiários e banqueiros apoiam, pois sabemos que não se trata de um órgão imparcial, muito pelo contrário, atua sistematicamente com suas medidas autoritárias e arbitrárias para servir ao interesses dos grandes empresários.

    Esses disparos ilegais de Fake News, financiados por empresários, só demonstram o interesse do grande capital em apoiar um candidato que tem como parte de seu programa econômico a privatização de empresas estatais para favorecer o interesse do empresariado, e que declara que passará por cima de todos os trabalhadores e do povo pobre para colocar sua agenda de ataques, como a Reforma da Previdência e a retirada do 13º salário e férias, para fazer com que seja a população a pagar pela crise, privilegiando a manutenção dos enormes lucros dos empresários.

  2. Chega de choro PT nunca mais e só olhar os noticiários e ver a QUADRILHA do PT que já foi presa, o filho de LULA hoje é empresário, como se antes de LULA ser presidente ele era um João ninguém, acabou a boquinha é dobradinha 40 no rio e 17 no Planalto até a VITÓRIA

  3. JN da Globo transforma Bolsonaro em vítima ao noticiar investigação sobre esquema de WhatsApp.

    Brasil se tornando um caso de estudo de como se implanta uma ditadura através de imprensa, tribunais e “eleição”

    A Dodge está forçando uma falsa simetria para aliviar para o candidato bolsonaro.
    …e claro, a Globo adora a solução (depois de um dia abafando o caso, faz-se uma manchete no G1 transformando a gravíssima denúncia feita pelo jornal Folha de São Paulo em uma mera “ação movida pelo do PT”).

    Merval na Globonews: “almocei hoje com Bebiano” ( coordenador da campanha do Bolsonaro).Jornalismo isento é isso aí. O analfabetismo político-econômico gerou essa necrosia intelectual.

    Há no excelente longa-metragem alemão Ele está de volta (Er Ist Wieder Da), que discute o renascimento do nazi-fascismo no mundo, particularmente na Europa, uma observação terrível. Revivido, Adolf Hitler passeia, pelas ruas da Alemanha contemporânea, satisfeito com o fato de que suas ideias nacionalistas, racistas, machistas, homofóbicas e autoritárias continuam a florescer entre a população, quando constata: “O povo está calado, mas com raiva. Frustrado com as condições de vida, como em 1930. Mas na época não havia um termo para isso: analfabetismo político”.

    Uma população frustrada busca inimigos para extravasar sua cólera. E o inimigo é sempre o diferente de nós: os homossexuais, os negros, os imigrantes, os esquerdistas, enfim, qualquer grupo que em um determinado momento e contexto nos pareça fragilizado o suficiente para levar a culpa pela nossa incapacidade de gerir os próprios desejos.

    Assim, em silêncio e irrefletidamente, abraçamos discursos demagógicos, incitadores do ódio e da intolerância. A violência que grassa no país – nas ruas, dentro das casas, nas redes sociais – é apenas a face visível deste monstro subterrâneo chamado fascismo, fenômeno que se alimenta de analfabetos políticos.

  4. JN da Globo transforma Bolsonaro em vítima ao noticiar investigação sobre esquema de WhatsApp.

    Brasil se tornando um caso de estudo de como se implanta uma ditadura através de imprensa, tribunais e “eleição”

    A Dodge está forçando uma falsa simetria para aliviar para o candidato bolsonaro.
    …e claro, a Globo adora a solução (depois de um dia abafando o caso, faz-se uma manchete no G1 transformando a gravíssima denúncia feita pelo jornal Folha de São Paulo em uma mera “ação movida pelo do PT”).

    Merval na Globonews: “almocei hoje com Bebiano” ( coordenador da campanha do Bolsonaro).Jornalismo isento é isso aí. O analfabetismo político-econômico gerou essa necrosia intelectual.

    Há no excelente longa-metragem alemão Ele está de volta (Er Ist Wieder Da), que discute o renascimento do nazi-fascismo no mundo, particularmente na Europa, uma observação terrível. Revivido, Adolf Hitler passeia, pelas ruas da Alemanha contemporânea, satisfeito com o fato de que suas ideias nacionalistas, racistas, machistas, homofóbicas e autoritárias continuam a florescer entre a população, quando constata: “O povo está calado, mas com raiva. Frustrado com as condições de vida, como em 1930. Mas na época não havia um termo para isso: analfabetismo político”.

    Uma população frustrada busca inimigos para extravasar sua cólera. E o inimigo é sempre o diferente de nós: os homossexuais, os negros, os imigrantes, os esquerdistas, enfim, qualquer grupo que em um determinado momento e contexto nos pareça fragilizado o suficiente para levar a culpa pela nossa incapacidade de gerir os próprios desejos.

    Assim, em silêncio e irrefletidamente, abraçamos discursos demagógicos, incitadores do ódio e da intolerância. A violência que grassa no país – nas ruas, dentro das casas, nas redes sociais – é apenas a face visível deste monstro subterrâneo chamado fascismo, fenômeno que se alimenta de analfabetos políticos.

  5. Lula é um deles e Haddad é professor e segue a cartilha dele, que mau exemplo.

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