Opiniões

Honestidade do clã Bolsonaro depende da investigação do caso Queiroz

 

 

Honestidade à prova

Até para confirmar a honestidade do clã Bolsonaro, como apregoam com entusiasmo seus muitos defensores, a investigação sobre o PM Fabrício Queiroz deve ir até o fim. Foi isso que pregou o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, em entrevista à Globo News na última terça (15). Em dezembro, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que, quando era assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), hoje senador, Queiroz teve a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão. Entre eles, um cheque de R$ 24 mil destinado à atual primeira dama, Michelle Bolsonaro.

 

Furna da Onça

Chamado pelo pai de 01, o filho mais velho do presidente não é o único envolvido nas investigações do Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ). Órgão que Moro exigiu sob seu controle para fortalecer o combate ao crime como ministro de Bolsonaro, o Coaf trouxe em seu relatório movimentações financeiras estranhas de pelo menos 28 funcionários da Alerj. Os documentos foram anexados pelo MP-RJ à investigação que originou a operação Furna da Onça, que também em dezembro levou à prisão 10 deputados estaduais fluminenses.

 

“Rachadinha”?

Como Bolsonaro baseou sua campanha eleitoral na oposição aos escândalos de corrupção do PT, o nome do seu filho e sua esposa na investigação criminal sobre o ex-assessor do primeiro, chamou a atenção nacional ao assunto. A análise da movimentação de Queiroz revelou que funcionários do gabinete de Flávio repassavam até 99% dos seus salários. Cerca de 57% dos depósitos na conta de Queiroz ocorriam no dia do pagamento da Alerj, ou até três dias úteis depois. A Polícia Federal suspeita da “rachadinha”, prática criminosa na qual assessores muitas vezes “fantasmas” repassam parte de seus vencimentos ao parlamentar que os contratou.

 

Jogos diferentes

No jogo para a galera, Bolsonaro apelou à ligação direta das redes sociais que o elegeram para afirmar em vídeo: “Se algo estiver errado, que seja comigo, com meu filho, com o Queiroz, que paguemos a conta desse erro”. No jogo jogado, Queiroz já faltou a dois depoimentos no MP-RJ, em 19 e 21 de dezembro. No dia 30 do mesmo mês, ele se internou no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para retirada de um câncer no intestino. Um vídeo dele dançando alegremente no hospital, que teria sido filmado no dia 31, viralizou nas redes sociais. Por sua vez, Flávio também faltou ao seu depoimento sobre o caso, em 10 de janeiro.

 

 

STF atende Flávio

Diante do estranho silêncio sobre o caso, o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, disse no dia 12 que pode oferecer denúncia contra Queiroz sem ouvi-lo. Segundo ele, “as provas são consistentes”. Ao não comparecer no MP-RJ, Flávio alegou corretamente que ele não é investigado. Mas foi um pedido seu ao Supremo Tribunal Federal (STF), concedido na quarta (16) pelo ministro Luiz Fux, que suspendeu as investigações. A justificativa foi esperar que o relator do caso no STF, ministro Marco Aurélio Mello, se pronuncie. O mesmo que, antes das férias, tentou soltar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da cadeia.

 

Diálogo

O prefeito Rafael Diniz (PPS) recebeu ontem o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos, Orlando Portugal, e demais membros da diretoria. No encontro foi garantindo o constante diálogo entre a Prefeitura e a entidade, na busca de soluções conjuntas neste momento de crise. Portugal também apresentou ao governo uma pauta de vários serviços e Rafael afirmou que estará buscando atender as demandas: “Dentro das nossas possibilidades, tentaremos resolver. Mas a principal mensagem do encontro é manter o diálogo constante na busca de soluções, promovendo o desenvolvimento econômico de nossa cidade e, mais do que isso, o fortalecimento do comércio local”.

 

Prioridade

Primeiro foi a visita do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego e Renda, Lucas Tristão, depois a afirmação do governador Wilson Witzel (PSC), em Campos, sobre a necessidade de conclusão da obra da ponte da Integração, entre São João da Barra e São Francisco de Itabapoana. Agora, o novo presidente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que vai fiscalizar a obra de perto, nas próximas semanas, e assegurou que não haverá paralisação. Contudo, não adianta elencar a obra como prioritária se não houver a liberação, logo, de R$ 6 milhões. Este é o mínimo, segundo representantes da empresa, para que não ocorra a paralisação total do serviço, inclusive com a desmobilização do canteiro.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (18) na Folha da Manhã

 

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  1. Pelo que entendi, o caso dele não tinha um Juiz, mas, tinha o MP RJ ultrapassando limites. Ou deveria aceitar ter a vida revirada ilegalmente ?

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