Opiniões

Reforma da Previdência entre posições de Garotinho, Wladimir e Clarissa

 

 

Garotinho e a Previdência

Na quarta (24) o ex-governador Anthony Garotinho publicou nas redes sociais: “conversei com meus filhos que não podemos votar em uma reforma da Previdência que prejudica pobres, doentes, pensionistas, trabalhadores rurais e só vai aprofundar a concentração de renda no Brasil”. Sem mandato, sem partido e inelegível até 2024, Garotinho hoje tem sua relevância política resumida aos seus dois filhos: os deputados federais Wladimir (PSD) e Clarissa (Pros). A coluna tentou ouvi-los na quarta, mas ambos só retornaram ontem. E, diferente do passado, nenhum dos dois pareceu muito disposto a seguir a ferro e fogo as determinações do pai.

 

Wladimir

Inclusive em entrevistas à Folha da Manhã e ao programa Folha no ar, da Folha FM 98,3, Wladimir tem feito críticas a pontos da Nova Previdência do governo Jair Bolsonaro (PSL). Assim como à falta de informações do ministro da Economia Paulo Guedes. Mas tem sempre defendido a necessidade da reforma. Do que aconselhou o pai sobre o tema, o deputado manteve o mesmo tom: “A proposta é dura demais para diversos setores, como professores, trabalhadores rurais e pessoas de baixa renda. A reforma é necessária ao equilíbrio das contas, mas temos que levar em conta a vida real dos brasileiros e não só números frios no papel”.

 

Clarissa

Por sua vez, do que Garotinho disse sobre a Previdência, a assessoria de Clarissa informou que “ela não vai se manifestar sobre isso; não tem nada a acrescentar”. É postura mais evasiva que a do irmão, mas que parece querer guardar distância do vexame que a deputada passou na votação do impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara Federal. Após posar grávida e enrolada na bandeira do Brasil na campanha pelo impeachment, ela se ausentou da votação. Não mudou o resultado, mas Dilma em troca, nos últimos dias do seu governo, determinou que a Caixa fizesse a “venda do futuro” de Campos na administração Rosinha.

 

Erramos

Na sopa de letras e números para se calcular o percentual máximo de 54% da Receita Corrente Líquida (RCL) do município com gasto de pessoal, determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (RCL), é fácil cometer erros. E a coluna ontem teve dois. O primeiro, quando escreveu que o aumento de 15% pleiteado pelos servidores de Campos, se concedido, geraria aumento de despesa de R$ 150 milhões mensais. Na verdade, seriam anuais. O outro erro foi dizer que a redução do percentual para 47% da RCL, no gasto com servidor, seria oficial do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Verdadeiro, o número consta do Portal da Transparência da Prefeitura.

 

Em SJB

Apesar de o ex-prefeito Betinho Dauaire ter lançado o aliado Franquis Areas (PR) como pré-candidato a prefeito de São João da Barra, Bruno Dauaire (PSC) é quem continua no alvo das discussões. O embate tem sido com o ex-presidente do PSC local, Renato Timotheo. Aliado de longa data da prefeita Carla Machado (PP), Renato deixou a legenda chamando Dauaire de “oportunista”. A repercussão, inclusive nos bastidores da Alerj, gerou reação do deputado. Aproveitando a bola rolada, Bruno falou que Timotheo já tinha de ter saído, uma vez que apoiou Eduardo Paes (DEM) ao invés do governador Wilson Witzel (PSC).

 

Polarização

Renato Thimoteo voltou a rebater Bruno. Disse que seu apoio a Paes foi porque o candidato do DEM esteve no município e que seu “partido é SJB”. A crítica é claramente à família Dauaire, pelo fato de não residirem no domicílio eleitoral. Fato é que nesta briga em ano pré-eleitoral, ainda que candidatos não estejam definidos, a polarização entre os grupos políticos dos Dauaire e de Carla Machado tende a se repetir. Já os nomes de possíveis candidatos de terceira via ainda estão fragmentados, alguns, inclusive, sem a segurança de um partido para lançamento de futuras candidaturas.

 

Na conta

Hoje começa a parte recreativa dos festejos da padroeira de Atafona, Nossa Senhora da Penha, que prossegue até segunda-feira. E para os servidores de SJB, o início é com dinheiro na conta. A prefeita sanjoanense anunciou a antecipação do pagamento, previsto no calendário para o último dia útil do mês. Carla ainda destacou que os preventos serão creditados com o reajuste de 4,91%. Na cidade, segunda-feira é feriado municipal. Na terça, ainda não foi oficializado, mas a tendência é que terça seja ponto facultativo, já que quarta-feira, 1º de maio, também é feriado.

 

Com Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (26) na Folha da Manhã

 

Este post tem 3 comentários

  1. Basta verificar o posicionamento de Clarissa no Congresso e nas redes sociais para verificar que ela está contra a deforma da previdência.
    Sou ferrenho crítico da família Garotinho, mas tenho que admitir que, nesse caso, estão votando de acordo com os interesses dos mais pobres.
    A deforma da previdência se baseia na premissa mentirosa de um déficit da previdência que só “existe” devido as DRU e a contabilidade falsa que ignora que a previdência faz parte da Seguridade Social e a conta correta, segundo a constituição, deve ser feita com todas as fontes de recursos da seguridade e suas despesas.
    Além disso, a reforma vai prejudicar ainda mais os trabalhadores mais pobres: aumentando o tempo de contribuição, reduzindo os valores das aposentadorias, criando a necessidade de contribuição dos trabalhadores rurais e diminuindo o valor do BPC.
    Dizer que vai atacar os privilégios dos mais ricos é uma mentira.

    1. Caro Rafael Leite,

      Como comentarista a primeira vez neste blog, dou as boas vindas. Entretanto, a postagem não é sobre a reforma da Previdência, mas se Clarissa e Wladimir adotarão, ou não, a determinação publicamente passada pelo pai, Garotinho, em sua página do Facebook.

      A deputada preferiu não comentar. E também não aproveitou para dizer se é contra a reforma que seu irmão questiona em alguns pontos, mas diz ser necessária. Além de Wladimir, vale o contraditório dado pelo presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM/RJ). Em extrevista à Globo News na noite da última quarta (24), ele defendeu a necessidade da reforma da Previdência como programa de Estado, não de governo.

      Para quem não se lembra, Rodrigo Maia encabeçou a chapa a prefeito do Rio, tendo Clarrisa como vice, em 2012. Com apenas 2,94% dos votos, os dois ficaram em 3º lugar no pleito vencido ainda no primeiro turno por Eduardo Paes. Só para situar no tempo, foi três anos antes da deputada se ausentar da votação do impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara Federal. Após posar para fotos como musa do impeachment, grávida e enrolada na bandeira do Brasil, Clarissa teve sua ausência repentina creditada pela mídia nacional à determinação do pai. Ele teria mandado a filha tirar “Garotinho” do nome, caso não o obedecesse.

      Como dito no Ponto Final, a ausência de Clarissa não mudou o resultado da votação do impeachment. Mas Dilma, no apagar das luzes do seu governo, pagou a “dívida”: determinou que a Caixa Ecoômica fizesse a “venda do futuro” de Campos na administração municipal Rosinha.

      Saudações rubro-negras!

      Aluysio

  2. Essa família deveria esquecer política, só vergonha !

Deixe uma resposta

Fechar Menu