Opiniões

Brasil vai de novo às ruas entre as bandeiras da Educação e da defesa de Bolsonaro

 

Hoje, em frente ao Congresso, um típico tiozinho do WhatsApp se egoelava contra o STF ao lado de um banner que falava em três poderes: Exército, Marinha e Aeronáutica (Foto: O Antagonista)

 

Não foi um fiasco. Mas quem saiu hoje às ruas de 156 cidades brasileiras, em defesa do governo Jair Bolsonaro (PSL), ficou um pouco aquém dos 222 municípios do país que, no último dia 15, registraram manifestações em defesa da educação pública, ameaçada pelos cortes anunciados por um MEC comandado pelo olavista Abraham Weintraub.

Não é preciso ser bolsonarista para ser a favor de algumas pautas defendidas nos protestos de hoje. É o caso da demanda aritmética da reforma da Previdência, com a qual o presidente nunca se empenhou; ou a manutenção do Coaf no ministério da Justiça e Segurança, ao contrário do que a Câmara Federal recentemente decidiu.

Mas é estranho que quem saia às ruas contra a corrupção ignore os indícios de lavagem de dinheiro, fraude fiscal e “rachadinha” que pesam sobre o senador Flávio Bolsonaro (PSL), ou as ligações intestinas da sua famíla com as milícias cariocas. E que o arauto da honestidade vestido de verde e amarelo não fique vermelho diante da pergunta: como Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho 01 do presidente, arrumou R$ 133,58 mil em dinheiro para pagar despesas médicas?

Mais inadmissível foi ver as faixas nas manifestações de hoje pregando o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo após Bolsonaro ter advertido publicamente que essas seriam pautas dos protestos em defesa do governo Nicolás Maduro na Venezuela, não do seu, a realidade revelou o mesmo espírito autoritário de ambos — independente das ideologias que se dizem opostas.

Congresso, STF e governo federal merecem críticas. No Brasil ou qualquer outro estado democrático de direito. Mas este deixa de existir quando um dos três poderes, insituídos desde o séc. XVIII por Montesquieu, acha que pode funcionar sem os limites impostos pelos outros dois. É o que se vive hoje tanto na Venezuela sob o regime esquerdista de Maduro, quanto na Hungria do direitista Viktor Orbán, com quem o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) se reuniu em abril.

No Brasil do último domingo de maio, os ataques ao Congresso e ao STF se limitaram a faixas e palavras de ordem. Diferente do que chegou a ser pregado nas redes sociais durante as convocações das manifestações, as duas instituições não tiveram suas sedes invadidas em Brasília. Caso contrário, na transição dos delírios virtuais ao mundo real, poderiam descobrir que o primeiro risco de quem quer bater é apanhar.

Ainda assim, sobre um dos trios elétricos hoje em frente ao Congresso, um manifestante se esgoelava ao microfone: “Abaixo o STF”. E o fazia ao lado de um banner onde se lia: “A favor dos três poderes: Exército, Marinha e Aeronáutica”. Apesar da afronta direta à democracia, o banner não foi tocado. Diferente do que os defensores de Bolsonaro fizeram em Curitiba, quando arrancaram sob aplausos uma faixa afixada à fachada do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Nela estava escrito: “Em defesa da Educação”.

Entre as duas bandeiras, não deveria ser difícil escolher.

 

Sob aplausos de quem se vestiu de verde e amarelo, bolsonaristas arrancam em Curitiba uma faixa em defesa da Educação, na fachada da Universidade Federal do Paraná  (Foto: Twitter de Ricardo Marcelo Fonseca, reitor da universidade)

 

Este post tem 2 comentários

  1. Eu não vejo nenhum comentário a respeito dos filhos de Lula que era porteiro se não estou enganado, e hoje é um super empresário. Deixa o presidente governar ele assumiu o governo vai completar 150 dias, enquanto o nosso prefeito do coração Rafael está no governo há 880 dias e o que ele fez nada,

    1. Caro Cesar Peixoto,

      Para um defensor do governo Bolsonaro, vc está um pouco defasado. Desde os protestos a favor de ontem, Lula deixou de ser o inimigo público nº 1 de quem saiu às ruas vestido de verde e amarelo. Preso há mais de um ano, o líder petista foi substituído pela baixa bolsonaria por Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara Federal. Ele é o novo alvo preferencial. Difícil saber o que sairá desse confronto aberto entre poderes. Com Jânio, uma cizânia parecido acabou em renúncia. Com Collor e Dilma, deu em impeachment. A ver…

      Abç e grato pela chance das colocações!

      Aluysio

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