Opiniões

Gustavo Alejandro Oviedo — Bombeiros e piromaníacos no incêndio da Previdência

 

 

A culpa é dos bombeiros

Por Gustavo Alejandro Oviedo

 

Rosinha Garotinho, aquela ex-prefeita que teve na sua gestão o maior desfalque realizado nas contas da Previcampos, se orgulha de que seus filhos votem contra a Reforma da Previdência.

Na quarta-feira 10 de julho, ela escreveu na sua conta de Facebook: “O povo é que será mais uma vez massacrado, empobrecido e passado pra trás. Não quero aqui criar polêmica, pois sei que o tempo vai mostrar a realidade. Mas quero parabenizar aos meus filhos Clarissa e Wladimir que mesmo sabendo que iriam estar em minoria votaram a favor do povo.”

Será que Clarissa e Wladimir, tão preocupados com o povo como são, teriam aprovado o que a Previcampos fez sob a administração municipal de sua mãe — e sob o conselho do pai? Repasses injustificados à Prefeitura para cobrir o seu rombo, e aplicações temerárias em fundos de investimento de araque?

Em 26 de dezembro de 2016, a apenas quatro dias de finalizar o mandato da prefeita, uma decisão liminar do juiz Heitor Campinho determinou a interrupção dos repasses que o instituto previdenciário vinha fazendo à Prefeitura, a pedido do Ministério Público. Na sentença, o magistrado aponta que “o repasse de valores ao município sem a devida comprovação das restituições e indenizações pode representar um abalo considerável na saúde financeira da Previcampos”.

A atual gestão de Rafael Diniz já teve de realizar o caminho oposto: repassou mensalmente R$ 14 milhões a Previcampos para que o instituto possa honrar o pagamento de pensões e aposentadorias. Hoje o repasse é de ao redor de R$ 2 milhões mensais. Se não o fizesse, o pagamento desses benefícios seria comprometido. Cabe perguntar: qual das duas administrações tirou o dinheiro “do povo”?

Pensando bem, há coerência na atitude do clã: o imediatismo de tentar ficar como os heróis do presente, embora isso signifique penúria no futuro — para os outros. Rosinha parabeniza seus filhos deputados por dizer “não” a um ajuste no sistema que é inevitável para evitar o colapso total. Ela gostou apenas de como os meninos ficaram bonitos na foto, sem reparar no fundo da imagem.

Pode-se gostar ou não, mas há de se reconhecer que a atitude da atual gestão de fechar as contas com a receita “real”, sem recorrer ao dinheiro dos aposentados, nem antecipando receitas de royalties futuros, é bem menos prejudicial para a cidade, em termos de consequências a médio e longo prazo.

É claro que isso não é simpático aos olhos de muitos. O contingenciamento anunciado na última sexta-feira (12) por parte da Prefeitura também não é uma medida popular. Mas parte da ideia de que o ajuste a ser feito, em função da queda da receita, deve ser suportado pela administração, e não pela população. Significa, também, que o problema financeiro de hoje deve ser resolvido de imediato, sem chutar a bomba acessa para a seguinte gestão.

“Botamos fogo na casa e culpamos os bombeiros”. Essa é a filosofia e a estratégia do populismo. Cabe ao cidadão escolher se fica do lado do socorrista ou do piromaníaco.

 

Publicado hoje (14) na Folha da Manhã

 

Este post tem 2 comentários

  1. É sempre bom, a gente ver um espaço de debate, ativo como é o Opiniões, mantido por Aluysio Abreu Barbosa, o herdeiro das intenções do sempre lembrado Aluysio, o Bom. Espaço este, plural, coisa rara nesses tempos de redes sociais, onde, pretensamente temos uma democracia. O Gusta Alejandro Oviedo, por quem tenho um especial apreço, fala, com propriedade, sobre a postura e desempenho da ex-prefeita Rosinha, que em sua má gestão, levou a PreviCampos ao caos e isso, me recordo, denunciei em minhas publicações à época nessa suposta “democracia irrefreável das redes sociais” e aviso logo, que quem cunhou esse term, que adoro, foi o Aluysinho, é dele esse primor, mas, voltando ao assunto da PreviCampos, que me interessa do ponto de vista pessoal, quero dizer ao meu amigo Alejandro Oviedo (eu prefiro me referir a ele assim, acho mais poético), que o prefeito está somente cumprindo uma determinação judicial, sob pena da prefeitura, se descumprisse a mesma, sofrer sanções irreparáveis, ali, não se trata de personalizar se foi culpa de A ou B e sim que o (des)ato administrativo cometido pela ex-prefeita e seu preposto esposo, foi, em tese, cometido pelo poder público, que, aos olhos da Justiça, é impessoal. Mas, cumprir uma determinação judicial, é uma obrigação, sob pena de sanções, simples assim e aí a gente pula para outra questão, do contigenciamento decretado, não é uma medida impopular, pois só penaliza os funcionários públicos, como se fôssemos – e me incluo nesse contingente, pois sou Professor concursado com muito orgulho – e não sou responsável por desmandos administrativos, portanto não entendo o porquê de ser penalizado, pelo fato de que a administração (e não gestão) municipal, não buscar alternativas de sustentação, que extrapolem a dependência de recursos dos “royalties” provenientes da exploração do petróleo, que sabemos que um dia vai acabar. Eu venho há algum tempo, questionando e cobrando isso dos mandatários, nas diversas esferas de poder, não só eu, mas muitos com eu, que pensam fora da caixinha. Para finalizar, já que vou levar esse comentário lá para o tambor de ressonância que é o facebook, quero dizer ao Aluysinho, ao Gustavo, que eu me encanto em ler as publicações que saem no Opiniões e digo e repito… Vida longa, ao Opiniões! Fraterno e apertado abraço.

  2. Vamos falar do nosso querido prefeito Rafael Diniz que prometeu e não vem cumprindo com as promessas de campanha, já se passou mais da metade do seu governo. Isso sim que tem que ser cobrado e não vejo ninguém cobrar nada desse desgoverno. Lula Cabral e Pezão estão lá assaltaram a Nação e o Estado eu não duvido que amanhã eles sejam condecorados com a medalha Tiradentes.

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