Opiniões

Mérida como candidato do PSC, ou em apoio a Wladimir, racha CDL e governo Rafael

 

Marcelo Mérida, Wladimir Garotinho e Alexandre Bastos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

De malas prontas ao PSC

Como anunciado pela Folha (aqui) na última quarta (24), o líder lojista Marcelo Mérida (PSD) está de malas prontas para se mudar ao PSC de Wilson Witzel. O convite partiu do próprio governador, em duas oportunidades, segundo Mérida revelou à coluna. Ele também já conversou sobre o assunto com o deputado estadual Bruno Dauaire, líder da bancada do PSC na Alerj. Por contar com o governo do Estado do Rio, o partido quer se solidificar em Campos. Neste sentido, trabalha com duas alternativas a 2020: lançar candidato próprio a prefeito, que poderia ser Mérida, ou apoiar à pré-candidatura do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD).

 

Mérida ou Wladimir?

Na quarta, a Folha sondou as estratégias do PSC para Campos com os presidentes estadual e municipal do partido, respectivamente o advogado Alessandro Martelo e o pastor Marcos Elias. Ambos confirmaram a intenção de reforçar a legenda no maior município fluminense. Eles terão um encontro hoje na sede estadual do PSC, na capital, do qual participarão também Witzel e Bruno Dauaire. Embora, no discurso, todos falem em lançamento de candidatura própria, não descartam a aliança com Wladimir. Seu principal aliado político, Bruno frisou: “se ele for candidato a prefeito de Campos em 2020, não há possibilidade de eu não apoiá-lo”.

 

Wladimir e Mérida?

Embora admita a possibilidade de migrar ao PSC, Mérida disse que o apoio a Wladimir não está em seu radar. Ele negou que esteja, na verdade, pavimentando o caminho para ser vice numa chapa a prefeito de Campos encabeçada pelo filho do casal Garotinho. Se fosse, serviria para quebrar uma resistência histórica do garotismo, forte na periferia, mas fraco na classe média campista. Mérida já foi secretário da ex-prefeita Rosinha (hoje, Patri). E faz parte do grupo empresarial local que dirigiu a CDL/Campos com o empresário Joílson Barcelos e continua à frente da entidade, presidida por Orlando Portugal, outro ex-secretário rosáceo.

 

Tubo de ensaio

A unidade desse grupo empresarial goitacá é tanta que, quando disputou a eleição a deputado federal em 2018, Mérida era encarado como tubo de ensaio para uma eventual candidatura de Joílson Barcelos, filiado ao PP, a prefeito de Campos em 2020. A cadeira à Câmara Federal não foi conquistada, mas o plano não foi de todo abandonado. Se não para real consumação, como instrumento de barganha da classe produtora junto às lideranças políticas da cidade. Apenas entre os eleitores de Campos, Mérida teve 9.193 votos. Ficou atrás de Wladimir (30.795), único eleito, além de Marcão Gomes (PR, 29.044) e Caio Vianna (PDT, 18.900).

 

Empresários x governo

Esse grupo empresarial local sempre se mostrou ressentido pelo distanciamento do prefeito Rafael Diniz (PPS) e seu jovem grupo político, que pelo menos nos dois primeiros anos de governo deu pouco espaço aos chamados “cabeças brancas”. A desconfiança recíproca se agravou com as cobranças de Orlando Portugal, como presidente da CDL, por melhorias na administração municipal, sobretudo no Centro. E gerou uma resposta forte nas redes sociais (aqui) do secretário de Governo de Rafael, Alexandre Bastos. Embora não personalize neste sua reação, Mérida disse que se sentiu pessoalmente atingido pelas palavras duras do governo.

 

PSC, não CDL

Também procurado pela coluna, Bastos ontem reafirmou que as críticas da CDL têm origem política: “Ao criticar a nota do presidente da CDL, afirmei que não era manifestação técnica, mas política. Até porque, nosso diálogo com a categoria tem sido frequente. Ontem, por exemplo, reunimos representantes de várias pastas na secretaria de Governo e a CDL se fez presente. Na pauta estava o projeto Viva o Centro, lançado em abril pelo prefeito Rafael. Agora vejo que um grupo pretende migrar a uma legenda e se posicionar politicamente. Este é o melhor caminho para quem deseja um debate político. O PSC é um partido. A CDL, não”.

 

Mais Saúde

O Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA), em Campos, vai aumentar o número de vagas de cirurgias cardiovasculares. Em reunião, ontem, no Palácio Guanabara, com o diretor administrativo do HEAA Flávio Hoelzle e com o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC), o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, anunciou a ampliação dos encaminhamentos para a especialidade na unidade através do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso vai permitir, na prática, a redução da fila de espera pelo estado.

 

Com Mário Sérgio

 

Publicdo hoje (26) na Folha da Manhã

 

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